Tattoo You
Depois de ter assistido a adaptação sueca do livro de Stieg Larsson Os Homens que Não Amavam as Mulheres, tive vontade de conferir a versão literária original da história, mas, infelizmente, a falta de tempo não permitiu. A força da trama, o climão de mistério e os bons personagens, defendidos de forma competente por Michael Nyqvst e Noomi Rapace, prendiam a atenção e deixavam o espectador curioso sobre os desdobramentos da história. Dito isso, era necessário que Hollywood fizesse um remake, pouquíssimos anos depois do original? Não seria, caso o diretor em questão a comandar a refilmagem não fosse David Fincher.
Fincher tem um ótimo histórico de serial killers (Seven, Zodíaco) e desajustados (Clube da Luta, Quarto do Pânico) em sua filmografia. Porque, então, não misturá-los em um único filme? Pegue o assassino em série sueco que, como o título deixa claro, não ama as mulheres, e junte com a hacker anti-social Lisbeth Salander (Rooney Mara) e você tem um ótimo ponto de partida para David Fincher se divertir. Muito mais coeso que o filme original, com fotografia impecável e bom andamento, Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres é mais um trabalho digno de nota do cineasta que tem inúmeros pontos altos na carreira.
O roteiro do filme é assinado pelo competente Steve Zaillian, vencedor do Oscar por A Lista de Schindler e nominado este ano pelo trabalho em outro filme, O Homem que Mudou o Jogo. O jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig) está passando por sérios problemas na justiça. Após ter escrito uma matéria desmascarando negócios escusos do executivo Hans-Erik Wennerström (Ulf Friberg), Blomkvist e sua revista, Millennium, foram processados, perdendo o caso em um escândalo que pode causar o fim da carreira do jornalista e o fechamento da publicação. Apesar de não estar em um bom momento, a fama de investigador de Blomkvist é mais forte que o escândalo, fazendo com que o jornalista seja convidado pelo magnata Henrik Vanger (Christopher Plummer) para resolver um mistério que há anos o assombra: quem matou sua sobrinha, Harriet, em 1967.
Blomkvist recebe a tarefa com curiosidade jornalística, mas acha que dificilmente conseguirá fazer algo referente a um mistério tão antigo. Ele precisará entrevistar os membros da família Vanger, um bando difícil, com segredos enterrados profundamente na neve sueca, e fazer uma investigação extensa sobre os fatos que levaram à morte da moça. Para ajudá-lo, é contratada a hacker Lisbeth Salander, mulher que fizera um trabalho exemplar em puxar a ficha corrida de Blomkvist para a família Vanger e que possui dotes intelectuais que ajudarão o jornalista em sua missão.
Assim como o diretor sueco Niels Arden Oplev, cineasta da primeira versão do filme, Fincher não se apressa em colocar juntos Blomkvist e Salander, o que não deixa de ser curioso visto que a dobradinha entre os personagens é, indiscutivelmente, o que de melhor Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres oferece. Mesmo assim, David Fincher entende que é importante construir todo um arcabouço que dê sustentação aos protagonistas. Portanto, até as cenas mais fortes do original, que poderiam ficar de fora em uma pasteurização hollywoodiana, se mantém. Palmas para a Columbia Pictures, que apostou em um suspense adulto, preservando assim a fidelidade ao best seller de Stieg Larsson. Portanto, acompanhamos Blomkvist e Salander em tramas paralelas, até que os dois se encontrem. A hacker tem uma trajetória mais interessante e perigosa, mostrando sua frieza ao tentar vingar-se de seu novo tutor, homem que a fizera praticar felação em troca de dinheiro. A cena do estupro é forte e é respondida em igual intensidade por Lisbeth, em uma jogada que mostra a inteligência e também o gênio forte da moça.
Rooney Mara, que havia aparecido rapidamente no filme anterior de David Fincher, A Rede Social, ganha a chance de estourar em Hollywood depois de ter ganho o papel que inúmeras jovens atrizes tentaram agarrar. Era sabido, pelo peso do personagem, que uma boa atuação poderia transformar a carreira de qualquer um. E é isso que acontecerá com Mara. Mergulhando fundo no lado gótico de Lisbeth, em uma transformação visual na qual é difícil reconhecer a atriz atrás da maquiagem, e mantendo uma linguagem corporal atarracada, como se sempre estivesse tentando se esconder de tudo e de todos, Lisbeth é um paradoxo ambulante. Tenta viver nas sombras, mas seu estranho comportamento acaba por chamar a atenção de alguma forma.
Salander foi responsável pelo dossiê sobre Mikael Blomkvist solicitado pela família Vanger, realizado para determinar se o jornalista seria um bom nome para dar cabo da investigação proposta. A partir disso, a hacker acaba se interessando pelo seu objeto de trabalho, realizando, por conta própria, uma pequena averiguação sobre o principal inimigo do jornalista, o empresário Wennerström. Ela só não contava em conhecer pessoalmente Blomkvist e em gostar tanto da parceria entre ambos. A fortaleza construída por Lisbeth é derrubada momentaneamente, o que é uma novidade para a moça. O que não significa, é claro, que Mikael Blomkvist tenha idéia do que passa pela cabeça de sua parceira. Envolvido com sua sócia, Erika Berger (Robin Wright), o jornalista parece não perceber que o jeito deslocado e aparentemente frio de Lisbeth revela um interesse maior que apenas uma parceria investigatória.
Aproveitando muito bem a paisagem gélida da Suécia, o diretor de fotografia Jeff Cronenweth dá um visual soturno a Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres, conversando totalmente com o teor da trama comandada por David Fincher. Repetindo a dobradinha de A Rede Social, o diretor conta com a trilha sonora composta por Trent Reznor e Atticus Ross. O trabalho é bem realizado, apesar de não ser tão brilhante como no filme sobre o criador do Facebook. Em vários momentos, a música acaba chamando atenção demais para si, o que atrapalha. O ponto alto fica por conta da regravação de “Immigrant Song”, do Led Zeppelin, na voz da Karen O, da banda novaiorquina Yeah Yeah Yeahs, que embala a estilosa abertura.
Além de contar com uma trilha que, por vezes, é por demais intrusiva, Fincher acaba complicando a trama na tentativa de descomplicar. Alguns pontos do desfecho do mistério são mudados, em uma clara vontade de desatar os nós de forma mais rápida. No entanto, a explicação e o desenrolar da revelação do destino de Harriet é muito mal executada. Talvez quem não conheça o final original não perceba a bagunça. Mas como estamos falando de um best seller, é muito possível que muitos acabem com a impressão de que Fincher encerra o mistério de forma atrapalhada, como se estivesse correndo contra o tempo para fechar logo a história. Um deslize que, se não mina o filme totalmente, deixa os fãs do romance se perguntando: Se Fincher fora fiel por quase todo o longa-metragem, porque mudar logo o desfecho?
Com um elenco de apoio cheio de bons nomes como Stellan Skarsgard, Christopher Plummer, Robin Wright e Joely Richardson, Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres é um ótimo primeiro capítulo de uma possível trilogia. Resta saber se Fincher vai querer se prender às continuações. Caso positivo, seria uma boa razão para, finalmente, colocar a leitura em dia e conferir a trilogia assinada por Stieg Larsson.
Maratona Oscar: Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres foi indicado a 5 Oscar: Melhor Atriz (Rooney Mara), Edição de Som, Mixagem de Som, Montagem e Fotografia. Mara, apesar de estar maravilhosa (sacou?) no filme, não deve levar a estatueta, que já está com o nome de Viola Davis gravada. As categorias de som são uma possibilidade mais provável, apesar de Transformers 3 estar no bolo. Quanto a fotografia e montagem, preciso ainda ver os outros títulos para opinar.
Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo)
Dir.: David Fincher
Com Daniel Craig, Rooney Mara, Stellan Skarsgard, Christopher Plummer, Joely Richardson, Robin Wright, Geraldine James, Goran Visnjic, Steven Berkoff, Embeth Davidtz
Cotação Paradoxo: Vale 93% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres:
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Os Descendentes
King Family
Os Descendentes é exatamente o filme que podemos esperar de Alexander Payne. E digo isso de forma positiva. O diretor de Confissões de Schmidt e Sideways – Entre umas e Outras tem se especializado em dramas de tons cômicos, sempre com um protagonista perdido em si mesmo. George Clooney ocupa o lugar que já foi de Paul Giamatti e Jack Nicholson, não ficando atrás da dupla antecessora. Mesmo que não seja tão interessante quanto Sideways, Os Descendentes tem ótimos momentos e um elenco bem afiado que deixam tudo mais interessante.
O roteiro é baseado no livro homônimo escrito pela havaiana Kaui Hart Hemmings e é trabalhado a seis mãos (Payne, Nat Faxon e Jim Rash). Na trama, ambientada no paradisíaco Hawaii, Matt King (Clooney) vê sua vida virar de cabeça para baixo quando sua mulher, Elizabeth (Patricia Hastie), sofre um acidente de barco e, em coma, o deixa responsável pelas suas duas filhas, Alexandra (Shailene Woodley) e Scottie (Amara Miller). King nunca foi um homem de família. Sempre colocou o trabalho à frente de tudo, fato que só dificulta sua tentativa de tomar as rédeas da situação. O momento não poderia ser pior. Matt e seus primos estão resolvendo o que farão com um grande pedaço de terra que lhes foi deixado pelos seus tataravós, negócio que poderá deixar a família milionária. Isso, misturado ao drama do acidente de Elizabeth e o desafio de cuidar das filhas, se torna um pesadelo para King. A grande esperança do pai sem jeito é ver sua esposa acordar do coma e retomar seu lugar na família. Mas, o acidente é muito pior do que Matt esperava. E, se já não bastasse isso, Alexandra revela ao pai que Elizabeth estava tendo um caso extraconjugal e que, ao que tudo indicava, estava pronta para deixa-lo. Estupefato, King resolve descobrir quem é o amante de sua moribunda esposa, partindo em uma jornada que, obviamente, servirá para muito mais do que apenas isso.
Quem já conhece o trabalho de Alexander Payne pode prever que pouca coisa acontecerá de fato em Os Descendentes. As ações são mais internas do que externas, com uma notável preocupação com o desenvolvimento de personagens. Ao menos, com os dois principais, Matt King e sua filha, Alexandra. King é uma figura paterna distante e um marido nada presente. Seu arco na história o fará reavaliar suas escolhas, colocando muitas de suas certezas em perspectiva. Será que sua esposa é uma figura detestável por ter caído nos braços de outro ou foi o comportamento de Matt que levou a mulher a traí-lo? Como lidar com a morte de uma pessoa amada perante uma desilusão desse calibre? Como manter a memória da mãe de suas filhas intacta quando a própria Alexandra trata Elizabeth como uma figura horrenda? Como olhar para o seu sogro, amargo pelo destino da filha, sem deixar transparecer a sua própria inquietude para com as atitudes da mulher? São alguns dos pontos que são tocados pelo roteiro de Os Descendentes, que ainda explora – de forma menos profunda, é verdade – os direitos de uma família sobre uma terra que lhes fora deixada. Todo aquele latifúndio serve de paralelo para as lembranças de Matt, que terá de escolher vender as terras (e suas memórias) em troca de um caminhão de dinheiro. A metáfora não é das mais ricas, mas funciona.
O elenco, como um todo, é bem competente e as jovens revelações Shailene Woodley e Amara Miller dão conta do recado muito bem. Woodley começa como ovelha negra, mas logo toma partido em razão de seu pai, sendo uma grande aliada em sua busca pelo amante da mãe. Esta caçada, um tanto estranha, acaba unindo pai e filha, dando um real senso de paternidade para Matt King. Clooney, quanto mais velho, melhor ator, não tem dificuldades em convencer como um deslocado pai de família, mas realmente chamou a atenção na temporada de prêmios por uma, até então, não muito explorada dramaticidade. É possível, inclusive, saber a cena que carimbou Clooney para as premiações – no terceiro ato, envolvendo um adeus emocionado, uma demonstração de tristeza singela que, até Os Descendentes, Clooney não havia tido chance de mostrar.
Aproveitando bem as paisagens do Hawaii e a cultura local (notem que a trilha é toda composta por músicos havaianos legítimos), Os Descendentes é o típico pequeno grande filme. Pequeno no escopo, grande nas elucubrações filosóficas passíveis de serem feitas a partir da história. Não é o melhor Alexander Payne, mas tem qualidades suficientes para valer o ingresso.
Maratona Oscar: Os Descendentes concorre a 5 Oscar: Melhor Filme, Diretor (Alexander Payne), Ator (Clooney), Roteiro Adaptado e Montagem. A aposta mais certeira seria em Clooney. Mas, depois do prêmio do Sindicato dos Atores ter escolhido Jean Dujardin por O Artista, o favoritismo do galã hollywoodiano acabou caindo bastante. A bem da verdade, acredito que Clooney está bem melhor em Tudo pelo Poder do que em Os Descendentes. Como já disse acima, o fato que pesou em sua indicação pela atuação no filme de Payne foi o lado emotivo. Estou inclinado a apostar que Payne e companhia sairão de mãos abanando do Oscar. Terei de ver os outros ainda para afirmar. Mas acredito que Hugo tem mais chances em Roteiro Adaptado, categoria que ainda está em aberto para especulações.
Os Descendentes (The Descendants)
Dir.: Alexander Payne
Com George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miller, Nick Krause, Patricia Hastie, Beau Bridges, Robert Forster, Judy Greer, Matthew Lillard
Cotação Paradoxo: Vale 76% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Os Descendentes:
Os Descendentes é exatamente o filme que podemos esperar de Alexander Payne. E digo isso de forma positiva. O diretor de Confissões de Schmidt e Sideways – Entre umas e Outras tem se especializado em dramas de tons cômicos, sempre com um protagonista perdido em si mesmo. George Clooney ocupa o lugar que já foi de Paul Giamatti e Jack Nicholson, não ficando atrás da dupla antecessora. Mesmo que não seja tão interessante quanto Sideways, Os Descendentes tem ótimos momentos e um elenco bem afiado que deixam tudo mais interessante.
O roteiro é baseado no livro homônimo escrito pela havaiana Kaui Hart Hemmings e é trabalhado a seis mãos (Payne, Nat Faxon e Jim Rash). Na trama, ambientada no paradisíaco Hawaii, Matt King (Clooney) vê sua vida virar de cabeça para baixo quando sua mulher, Elizabeth (Patricia Hastie), sofre um acidente de barco e, em coma, o deixa responsável pelas suas duas filhas, Alexandra (Shailene Woodley) e Scottie (Amara Miller). King nunca foi um homem de família. Sempre colocou o trabalho à frente de tudo, fato que só dificulta sua tentativa de tomar as rédeas da situação. O momento não poderia ser pior. Matt e seus primos estão resolvendo o que farão com um grande pedaço de terra que lhes foi deixado pelos seus tataravós, negócio que poderá deixar a família milionária. Isso, misturado ao drama do acidente de Elizabeth e o desafio de cuidar das filhas, se torna um pesadelo para King. A grande esperança do pai sem jeito é ver sua esposa acordar do coma e retomar seu lugar na família. Mas, o acidente é muito pior do que Matt esperava. E, se já não bastasse isso, Alexandra revela ao pai que Elizabeth estava tendo um caso extraconjugal e que, ao que tudo indicava, estava pronta para deixa-lo. Estupefato, King resolve descobrir quem é o amante de sua moribunda esposa, partindo em uma jornada que, obviamente, servirá para muito mais do que apenas isso.
Quem já conhece o trabalho de Alexander Payne pode prever que pouca coisa acontecerá de fato em Os Descendentes. As ações são mais internas do que externas, com uma notável preocupação com o desenvolvimento de personagens. Ao menos, com os dois principais, Matt King e sua filha, Alexandra. King é uma figura paterna distante e um marido nada presente. Seu arco na história o fará reavaliar suas escolhas, colocando muitas de suas certezas em perspectiva. Será que sua esposa é uma figura detestável por ter caído nos braços de outro ou foi o comportamento de Matt que levou a mulher a traí-lo? Como lidar com a morte de uma pessoa amada perante uma desilusão desse calibre? Como manter a memória da mãe de suas filhas intacta quando a própria Alexandra trata Elizabeth como uma figura horrenda? Como olhar para o seu sogro, amargo pelo destino da filha, sem deixar transparecer a sua própria inquietude para com as atitudes da mulher? São alguns dos pontos que são tocados pelo roteiro de Os Descendentes, que ainda explora – de forma menos profunda, é verdade – os direitos de uma família sobre uma terra que lhes fora deixada. Todo aquele latifúndio serve de paralelo para as lembranças de Matt, que terá de escolher vender as terras (e suas memórias) em troca de um caminhão de dinheiro. A metáfora não é das mais ricas, mas funciona.
O elenco, como um todo, é bem competente e as jovens revelações Shailene Woodley e Amara Miller dão conta do recado muito bem. Woodley começa como ovelha negra, mas logo toma partido em razão de seu pai, sendo uma grande aliada em sua busca pelo amante da mãe. Esta caçada, um tanto estranha, acaba unindo pai e filha, dando um real senso de paternidade para Matt King. Clooney, quanto mais velho, melhor ator, não tem dificuldades em convencer como um deslocado pai de família, mas realmente chamou a atenção na temporada de prêmios por uma, até então, não muito explorada dramaticidade. É possível, inclusive, saber a cena que carimbou Clooney para as premiações – no terceiro ato, envolvendo um adeus emocionado, uma demonstração de tristeza singela que, até Os Descendentes, Clooney não havia tido chance de mostrar.
Aproveitando bem as paisagens do Hawaii e a cultura local (notem que a trilha é toda composta por músicos havaianos legítimos), Os Descendentes é o típico pequeno grande filme. Pequeno no escopo, grande nas elucubrações filosóficas passíveis de serem feitas a partir da história. Não é o melhor Alexander Payne, mas tem qualidades suficientes para valer o ingresso.
Maratona Oscar: Os Descendentes concorre a 5 Oscar: Melhor Filme, Diretor (Alexander Payne), Ator (Clooney), Roteiro Adaptado e Montagem. A aposta mais certeira seria em Clooney. Mas, depois do prêmio do Sindicato dos Atores ter escolhido Jean Dujardin por O Artista, o favoritismo do galã hollywoodiano acabou caindo bastante. A bem da verdade, acredito que Clooney está bem melhor em Tudo pelo Poder do que em Os Descendentes. Como já disse acima, o fato que pesou em sua indicação pela atuação no filme de Payne foi o lado emotivo. Estou inclinado a apostar que Payne e companhia sairão de mãos abanando do Oscar. Terei de ver os outros ainda para afirmar. Mas acredito que Hugo tem mais chances em Roteiro Adaptado, categoria que ainda está em aberto para especulações.
Os Descendentes (The Descendants)
Dir.: Alexander Payne
Com George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miller, Nick Krause, Patricia Hastie, Beau Bridges, Robert Forster, Judy Greer, Matthew Lillard
Cotação Paradoxo: Vale 76% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Os Descendentes:
domingo, 29 de janeiro de 2012
Tudo Pelo Poder
Can We?
Eu votaria em George Clooney. Ou melhor, votaria no personagem defendido pelo ator em seu quarto trabalho como diretor, Tudo Pelo Poder. Dois discursos muito bem articulados, falando sobre sua religião (ou falta de) e sobre sua vontade de abandonar totalmente os combustíveis fósseis pesaram nesta escolha, uma ótima plataforma que, confesso, gostaria de ver nos reais candidatos ao governo norte-americano. Claro que nem tudo são flores, como saberemos ao acompanhar a trajetória de Mike Morris (Clooney) durante as primárias do Partido Democrata. Suas ações no foro privado não são as mais nobres, como descobriremos ao lado do idealista vice-chefe de campanha do político, Stephen Meyers (Ryan Gosling).
Na trama, assinada por Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon, baseada no livro deste último, Farragut North, conhecemos Meyers como um ingênuo rapaz vivendo na utopia de que está defendendo e trabalhando para o homem certo para o cargo de presidente dos Estados Unidos. Em um dos primeiros diálogos do filme, Meyers afirma que faria o que fosse necessário para ver o seu candidato na Casa Branca, desde que acreditasse no político em questão. Sua trajetória fará com esta e várias outras certezas fiquem muito menos palpáveis. Morris é o atual governador da Pensilvânia e concorre nas primárias do Partido Democrata contra o senador do Arkansas Ted Pullman (Michael Mantell). Quem vencer este pleito ganha o direito de concorrer à presidência contra o candidato republicano. A disputa está acirrada. Quem vencer as primárias no estado de Ohio ganha uma vantagem certeira e, convencer o Senador Franklin Thompson (Jeffrey Wright) em apoiar a campanha é uma arma infalível para isso. No entanto, Morris é relutante em fazer acordos e, depois, ficar algemado para todo sempre com um político que não tem seus mesmos ideais. Meyers e o chefe da campanha, Paul Zara (Phillip Seymour Hoffman), acreditam que seja possível convencer Thompson a apoiar Morris. Eles não sabem, no entanto, que o senador já tem um ótimo acordo com Pullman, que tem como seu chefe de campanha o ardiloso Tom Duffy (Paul Giamatti).
Sem Zara saber, Duffy arranja um encontro com Meyers, tentando persuadi-lo a mudar de lado e defender o seu candidato. O jovem, vaidoso, gosta do assédio, mas não aceita o convite. Ao saber disso, Zara fica furioso. Como seu subordinado teve um encontro com o chefe de campanha do adversário sem o seu conhecimento e consentimento? Para piorar, um caso entre Meyers e uma estagiária da campanha, Molly (Evan Rachel Wood), azeda após o rapaz conhecer um caso do passado da moça, fato que mudará totalmente sua perspectiva em relação ao seu trabalho.
George Clooney tem mostrado um incrível talento como diretor. Além de comandar bem os atores e saber onde colocar sua câmera, é possível saber muito sobre o cineasta a partir de suas escolhas em relação às histórias que contará. Desde o começo, com Confissões de uma Mente Perigosa e Boa Noite e Boa Sorte, Clooney mostrou-se um profissional diferenciado, escolhendo muito bem as temáticas que usa em seus longas-metragens e acertando em grande parte de suas escolhas. Se em O Amor Não Tem Regras o cineasta acabou não achando seu público, foi o único tropeço de uma carreira que tem tido muitos pontos altos.
Além de dirigir, Clooney empresta sua persona confiável para viver um político que, até provem o contrário, é um exemplo de integridade e correção. Sua performance faz com que acreditemos no candidato e, mais ainda, faz com que entendamos porque Stephen Meyers é tão engajado com a campanha. Para Meyers, Morris é um herói, uma pessoa que realmente fará diferença no poder. É da cínica jornalista vivida pela competente Marisa Tomei uma das frases mais corretas do filme, uma espécie de aviso para o ingênuo Stephen: “No fim das contas, não faz diferença quem está na Casa Branca. Fará diferença para você, que terá um emprego bom. Para o resto do mundo, para a dona Maria e para o seu João, não fará a menor diferença. Todos são iguais”. A frase é o retrato de uma mulher calejada pelo trabalho de jornalista política. Provavelmente, ela já se desiludiu com candidatos em quem acreditava e ganhou esta carapaça de ceticismo com o passar dos anos.
Ryan Gosling, ignorado pela Academia duplamente (contando com seu trabalho em Drive), constrói bem as duas fases distintas de Meyers, mostrando o declínio do jovem idealista para um cínico e maquiavélico manipulador. A mudança acontece de forma rápida, mas é totalmente verossímil dada às reviravoltas que acontecem na vida do rapaz. Tudo pelo Poder acaba sendo uma boa tradução do título para o português para as tramóias que se desenrolam no bom roteiro assinado pelo trio Clooney, Heslov e Willimon.
Se é verdade que Clooney e Gosling estão ótimos nos papéis, ambos só perdem para dois fenômenos de Hollywood, atores que sempre dão peso imprescindível para seus personagens: Paul Giamatti e Philip Seymour Hoffman. É uma lástima que os dois não ganhem muito tempo de tela contracenando. Em sua primeira e única cena que “dividem” no filme, o meio sorriso que cada um recebe do outro já diz muito sobre a relação dos dois. Giamatti aparece pouco, mas cada vez que ganha chance, rouba totalmente o filme para si. Mostrando inteligência e baixíssimos escrúpulos, Tom Duffy arma sua estratégia em cima da ingenuidade e vaidade de seu adversário, mantendo sempre o ritmo rápido de sua fala, provando a velocidade do seu raciocínio. Já Paul Zara mostra-se cansado com o trabalho, mas tem uma força de caráter e acredita tanto em princípios como fidelidade que, para ele, isso se sobrepõe a qualquer outra característica. Por isso, ao saber da potencial traição de Meyers, a resposta de Zara tenha sido tão drástica – mas totalmente condizente com o que sabemos do personagem. Duas grandes atuações, não recebidas com os louros devidos.
O filme como um todo, aliás, não foi recepcionado pelos prêmios da temporada como deveria. Tudo pelo Poder foi muito elogiado durante sua estreia, tido com bom potencial para faturar alguns Oscar na festa da Academia, mas acabou perdendo a força com o passar do tempo. Para quem gosta de diálogos inteligentes, costurados com temática política, o longa-metragem de George Clooney é um programa imperdível. A ótima trilha sonora de Alexandre Desplat embala bem esta trama sobre a perda da inocência e sobre como nosso heróis podem não ser tão nobres se olhados debaixo do microscópio. Mais um trabalho formidável de um ator/diretor que tem acertado muito mais do que o contrário.
Maratona Oscar: Tudo pelo Poder foi indicado a um Oscar, Melhor Roteiro Adaptado. É pouco, dadas as qualidades acima descritas. A lembrança na categoria soa mais como prêmio de consolação. Se a Academia seguir com sua inclinação indie dos últimos anos, a estatueta ficará com Alexander Payne e seu Os Descendentes. Mas ainda é cedo para afirmar qualquer coisa.
Tudo pelo Poder (The Ides of March)
Dir.: George Clooney
Com Ryan Gosling, George Clooney, Marisa Tomei, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Evan Rachel Wood, Jeffrey Wright
Cotação Paradoxo: Vale 98% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Tudo pelo Poder:
Eu votaria em George Clooney. Ou melhor, votaria no personagem defendido pelo ator em seu quarto trabalho como diretor, Tudo Pelo Poder. Dois discursos muito bem articulados, falando sobre sua religião (ou falta de) e sobre sua vontade de abandonar totalmente os combustíveis fósseis pesaram nesta escolha, uma ótima plataforma que, confesso, gostaria de ver nos reais candidatos ao governo norte-americano. Claro que nem tudo são flores, como saberemos ao acompanhar a trajetória de Mike Morris (Clooney) durante as primárias do Partido Democrata. Suas ações no foro privado não são as mais nobres, como descobriremos ao lado do idealista vice-chefe de campanha do político, Stephen Meyers (Ryan Gosling).
Na trama, assinada por Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon, baseada no livro deste último, Farragut North, conhecemos Meyers como um ingênuo rapaz vivendo na utopia de que está defendendo e trabalhando para o homem certo para o cargo de presidente dos Estados Unidos. Em um dos primeiros diálogos do filme, Meyers afirma que faria o que fosse necessário para ver o seu candidato na Casa Branca, desde que acreditasse no político em questão. Sua trajetória fará com esta e várias outras certezas fiquem muito menos palpáveis. Morris é o atual governador da Pensilvânia e concorre nas primárias do Partido Democrata contra o senador do Arkansas Ted Pullman (Michael Mantell). Quem vencer este pleito ganha o direito de concorrer à presidência contra o candidato republicano. A disputa está acirrada. Quem vencer as primárias no estado de Ohio ganha uma vantagem certeira e, convencer o Senador Franklin Thompson (Jeffrey Wright) em apoiar a campanha é uma arma infalível para isso. No entanto, Morris é relutante em fazer acordos e, depois, ficar algemado para todo sempre com um político que não tem seus mesmos ideais. Meyers e o chefe da campanha, Paul Zara (Phillip Seymour Hoffman), acreditam que seja possível convencer Thompson a apoiar Morris. Eles não sabem, no entanto, que o senador já tem um ótimo acordo com Pullman, que tem como seu chefe de campanha o ardiloso Tom Duffy (Paul Giamatti).
Sem Zara saber, Duffy arranja um encontro com Meyers, tentando persuadi-lo a mudar de lado e defender o seu candidato. O jovem, vaidoso, gosta do assédio, mas não aceita o convite. Ao saber disso, Zara fica furioso. Como seu subordinado teve um encontro com o chefe de campanha do adversário sem o seu conhecimento e consentimento? Para piorar, um caso entre Meyers e uma estagiária da campanha, Molly (Evan Rachel Wood), azeda após o rapaz conhecer um caso do passado da moça, fato que mudará totalmente sua perspectiva em relação ao seu trabalho.
George Clooney tem mostrado um incrível talento como diretor. Além de comandar bem os atores e saber onde colocar sua câmera, é possível saber muito sobre o cineasta a partir de suas escolhas em relação às histórias que contará. Desde o começo, com Confissões de uma Mente Perigosa e Boa Noite e Boa Sorte, Clooney mostrou-se um profissional diferenciado, escolhendo muito bem as temáticas que usa em seus longas-metragens e acertando em grande parte de suas escolhas. Se em O Amor Não Tem Regras o cineasta acabou não achando seu público, foi o único tropeço de uma carreira que tem tido muitos pontos altos.
Além de dirigir, Clooney empresta sua persona confiável para viver um político que, até provem o contrário, é um exemplo de integridade e correção. Sua performance faz com que acreditemos no candidato e, mais ainda, faz com que entendamos porque Stephen Meyers é tão engajado com a campanha. Para Meyers, Morris é um herói, uma pessoa que realmente fará diferença no poder. É da cínica jornalista vivida pela competente Marisa Tomei uma das frases mais corretas do filme, uma espécie de aviso para o ingênuo Stephen: “No fim das contas, não faz diferença quem está na Casa Branca. Fará diferença para você, que terá um emprego bom. Para o resto do mundo, para a dona Maria e para o seu João, não fará a menor diferença. Todos são iguais”. A frase é o retrato de uma mulher calejada pelo trabalho de jornalista política. Provavelmente, ela já se desiludiu com candidatos em quem acreditava e ganhou esta carapaça de ceticismo com o passar dos anos.
Ryan Gosling, ignorado pela Academia duplamente (contando com seu trabalho em Drive), constrói bem as duas fases distintas de Meyers, mostrando o declínio do jovem idealista para um cínico e maquiavélico manipulador. A mudança acontece de forma rápida, mas é totalmente verossímil dada às reviravoltas que acontecem na vida do rapaz. Tudo pelo Poder acaba sendo uma boa tradução do título para o português para as tramóias que se desenrolam no bom roteiro assinado pelo trio Clooney, Heslov e Willimon.
Se é verdade que Clooney e Gosling estão ótimos nos papéis, ambos só perdem para dois fenômenos de Hollywood, atores que sempre dão peso imprescindível para seus personagens: Paul Giamatti e Philip Seymour Hoffman. É uma lástima que os dois não ganhem muito tempo de tela contracenando. Em sua primeira e única cena que “dividem” no filme, o meio sorriso que cada um recebe do outro já diz muito sobre a relação dos dois. Giamatti aparece pouco, mas cada vez que ganha chance, rouba totalmente o filme para si. Mostrando inteligência e baixíssimos escrúpulos, Tom Duffy arma sua estratégia em cima da ingenuidade e vaidade de seu adversário, mantendo sempre o ritmo rápido de sua fala, provando a velocidade do seu raciocínio. Já Paul Zara mostra-se cansado com o trabalho, mas tem uma força de caráter e acredita tanto em princípios como fidelidade que, para ele, isso se sobrepõe a qualquer outra característica. Por isso, ao saber da potencial traição de Meyers, a resposta de Zara tenha sido tão drástica – mas totalmente condizente com o que sabemos do personagem. Duas grandes atuações, não recebidas com os louros devidos.
O filme como um todo, aliás, não foi recepcionado pelos prêmios da temporada como deveria. Tudo pelo Poder foi muito elogiado durante sua estreia, tido com bom potencial para faturar alguns Oscar na festa da Academia, mas acabou perdendo a força com o passar do tempo. Para quem gosta de diálogos inteligentes, costurados com temática política, o longa-metragem de George Clooney é um programa imperdível. A ótima trilha sonora de Alexandre Desplat embala bem esta trama sobre a perda da inocência e sobre como nosso heróis podem não ser tão nobres se olhados debaixo do microscópio. Mais um trabalho formidável de um ator/diretor que tem acertado muito mais do que o contrário.
Maratona Oscar: Tudo pelo Poder foi indicado a um Oscar, Melhor Roteiro Adaptado. É pouco, dadas as qualidades acima descritas. A lembrança na categoria soa mais como prêmio de consolação. Se a Academia seguir com sua inclinação indie dos últimos anos, a estatueta ficará com Alexander Payne e seu Os Descendentes. Mas ainda é cedo para afirmar qualquer coisa.
Tudo pelo Poder (The Ides of March)
Dir.: George Clooney
Com Ryan Gosling, George Clooney, Marisa Tomei, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Evan Rachel Wood, Jeffrey Wright
Cotação Paradoxo: Vale 98% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Tudo pelo Poder:
sábado, 28 de janeiro de 2012
Planeta dos Macacos - A Origem
Cesar
Este ano, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas perdeu a chance de fazer história. Um ator seria indicado ao Oscar da categoria sem o seu rosto ou seu corpo aparecer durante toda a duração do filme pela primeira vez. Teríamos um indicado que conseguiu, devido ao seu talento e intimidade com a tecnologia, se transformar em um macaco crível, emotivo, inteligente. Andy Serkis é o grande destaque de Planeta dos Macacos – A Origem, em uma atuação tão acertada que é lamentável que os votantes do Oscar não tenham tido o bom senso de fazer deste profissional o primeiro indicado “digital” ao prêmio da Academia. Alguns anos no futuro, certamente falaremos da revolução no cinema iniciada pelo Gollum de Senhor dos Anéis e como Serkis fora importante neste processo. Esperemos que até lá ele consiga colher os louros pelo seu trabalho.
Enfim. Planeta dos Macacos – A Origem nos mostra, como o título nacional pressupõe, o início de tudo. Para quem gosta muito do longa-metragem original, de 1969, e sempre se perguntava como os macacos tomaram conta da Terra e para onde foram os humanos que, até então, dominavam o planeta, este filme responde a estas perguntas de forma bastante satisfatória. O cientista Will Rodman (James Franco) pesquisa há anos uma forma de curar o Mal de Alzheimer, doença que aflige seu pai, Charles (John Lithgow). Suas experiências, testadas em chimpanzés, parecem finalmente dar resultado quando o vírus ALZ-112 apresenta respostas satisfatórias, aumentando em muito as atividades cerebrais da macaca Bright Eyes. No momento de propor testes em humanos, Bright Eyes tem um ataque de fúria, escapa e é detida a tiros pelos seguranças do laboratório. Will, que até então não havia achado efeitos colaterais na droga, realiza que precisará voltar à estaca zero no projeto. Até que ele descobre os reais motivos da ira da chimpanzé. Ela, na verdade, defendia seu filhote, que os cientistas (geniais, diga-se) nem perceberam que havia nascido na jaula de Bright Eyes. Will acaba adotando o pequeno animal e percebe, não muito depois, que o macaco, chamado Cesar, tem inteligência assustadora – maior do que um humano na mesma idade.
Sabendo que a droga realmente funciona e não suportando ver seu pai definhar com a doença, Will dá um salto no escuro e decide testar o vírus em Charles. Os resultados são os melhores possíveis por um período de tempo, fazendo com que seu pai finalmente se sinta curado. O tempo passa, Cesar cresce e cada vez entende menos quem ele é. Seria um bicho de estimação? Um membro da família? Ele sente enorme carinho por Charles, Will e pela veterinária Caroline (Freida Pinto), namorada do cientista. Tanto que arrisca sua vida na tentativa de salvar Charles da fúria de um vizinho, o que faz com que o animal seja retido e tirado do poder da família Rodman. Agora, Cesar está sozinho em um ambiente hostil, magoado, e fará uma verdadeira revolução para sobreviver.
Com roteiro do casal Rick Jaffa e Amanda Silver (de Olho por Olho) e direção de Rupert Wyatt (do inédito no Brasil The Escapist), Planeta dos Macacos – A Origem tinha um grande desafio pela frente. Depois do remake fraco dirigido por Tim Burton no início da década passada, não existia a certeza se o grande público estaria interessado em mais histórias sobre um planeta dominado por macacos. A saída para esse problema foi reverter as expectativas, entregando um exemplar totalmente diferente de toda a franquia. Desta vez, o protagonista é um símio que não fala, não tem postura humana (pelo menos em boa parte do filme) e que não está apenas tentando derrubar os homo sapiens. Cesar é a definição do personagem trágico. Sempre tentando fazer o que acha certo, mas esbarrando na dura realidade que o cerca. Tudo que ele queria era poder andar livremente, vivendo com Will e os outros, sem problemas. Mas, logicamente, os seres humanos não estão preparados para aceitar um macaco inteligente perambulando por aí. O símio se vê obrigado a tomar uma atitude, mesmo que isso signifique peitar a espécie dominante do planeta.
Andy Serkis consegue pontuar muito bem todos os sentimentos do macaco, passando felicidade, tristeza, frustração e irritação em uma excelente performance. Em uma de suas melhores cenas, Cesar decide deixar seu passado para trás e não acompanha Will para fora da prisão na qual é mantido. O primata entende que abandonar seus companheiros símios naquele momento seria uma grande derrota para a espécie. Tudo isso é transmitido apenas com olhares. Expressões criadas pelo ator, que realmente mergulhou em seu papel. Os efeitos especiais - excepcionais - se encarregam do resto, de criar macacos críveis, mas nunca por demais humanizados.
O elenco não digital, digamos assim, tem atuações corretas, mas são ofuscados pelos efeitos. James Franco passeia no piloto automático, tendo apenas um momento realmente brilhante: sua expressão, misto de espanto e orgulho, com a atitude de Cesar no desfecho do longa-metragem.
O diretor Rupert Wyatt constrói uma bela ficção científica, que ainda faz citações ao original, como é o caso dos astronautas que desaparecem no espaço pouco antes da revolução símia. Desnecessário apenas as repetições das falas clássicas do primeiro filme - ainda mais quando são entregues para um personagem totalmente secundário, interpretado sem brilho algum por Tom Felton (de Harry Potter. O filme deixa espaço para continuações que nada atrapalhariam na junção da história com o longa original, já que aquela trama se passa muitos anos no futuro. Seria ótimo, inclusive, ver a queda da Estátua da Liberdade em um próximo longa-metragem, de preferência com Rupert Wyatt na direção e Serkis no elenco. O resto é resto.
Maratona Oscar: Planeta dos Macacos - A Origem foi indicado a um Oscar, Melhores Efeitos Visuais. O filme tem boas chances, mesmo concorrendo com pesos pesados como Transformers: O Lado Oculto da Lua e o super indicado A Invenção de Hugo Cabret. Serviria também como um prêmio de consolação pela não indicação de Andy Serkis.
Planeta dos Macacos - A Origem (Rise of the Planet of the Apes)
Dir.: Rupert Wyatt
Com James Franco, Freida Pinto, John Lithgow, Tom Felton, Brian Cox e Andy Serkis
Cotação Paradoxo: Vale 86% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Planeta dos Macacos - A Origem:
Este ano, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas perdeu a chance de fazer história. Um ator seria indicado ao Oscar da categoria sem o seu rosto ou seu corpo aparecer durante toda a duração do filme pela primeira vez. Teríamos um indicado que conseguiu, devido ao seu talento e intimidade com a tecnologia, se transformar em um macaco crível, emotivo, inteligente. Andy Serkis é o grande destaque de Planeta dos Macacos – A Origem, em uma atuação tão acertada que é lamentável que os votantes do Oscar não tenham tido o bom senso de fazer deste profissional o primeiro indicado “digital” ao prêmio da Academia. Alguns anos no futuro, certamente falaremos da revolução no cinema iniciada pelo Gollum de Senhor dos Anéis e como Serkis fora importante neste processo. Esperemos que até lá ele consiga colher os louros pelo seu trabalho.
Enfim. Planeta dos Macacos – A Origem nos mostra, como o título nacional pressupõe, o início de tudo. Para quem gosta muito do longa-metragem original, de 1969, e sempre se perguntava como os macacos tomaram conta da Terra e para onde foram os humanos que, até então, dominavam o planeta, este filme responde a estas perguntas de forma bastante satisfatória. O cientista Will Rodman (James Franco) pesquisa há anos uma forma de curar o Mal de Alzheimer, doença que aflige seu pai, Charles (John Lithgow). Suas experiências, testadas em chimpanzés, parecem finalmente dar resultado quando o vírus ALZ-112 apresenta respostas satisfatórias, aumentando em muito as atividades cerebrais da macaca Bright Eyes. No momento de propor testes em humanos, Bright Eyes tem um ataque de fúria, escapa e é detida a tiros pelos seguranças do laboratório. Will, que até então não havia achado efeitos colaterais na droga, realiza que precisará voltar à estaca zero no projeto. Até que ele descobre os reais motivos da ira da chimpanzé. Ela, na verdade, defendia seu filhote, que os cientistas (geniais, diga-se) nem perceberam que havia nascido na jaula de Bright Eyes. Will acaba adotando o pequeno animal e percebe, não muito depois, que o macaco, chamado Cesar, tem inteligência assustadora – maior do que um humano na mesma idade.
Sabendo que a droga realmente funciona e não suportando ver seu pai definhar com a doença, Will dá um salto no escuro e decide testar o vírus em Charles. Os resultados são os melhores possíveis por um período de tempo, fazendo com que seu pai finalmente se sinta curado. O tempo passa, Cesar cresce e cada vez entende menos quem ele é. Seria um bicho de estimação? Um membro da família? Ele sente enorme carinho por Charles, Will e pela veterinária Caroline (Freida Pinto), namorada do cientista. Tanto que arrisca sua vida na tentativa de salvar Charles da fúria de um vizinho, o que faz com que o animal seja retido e tirado do poder da família Rodman. Agora, Cesar está sozinho em um ambiente hostil, magoado, e fará uma verdadeira revolução para sobreviver.
Com roteiro do casal Rick Jaffa e Amanda Silver (de Olho por Olho) e direção de Rupert Wyatt (do inédito no Brasil The Escapist), Planeta dos Macacos – A Origem tinha um grande desafio pela frente. Depois do remake fraco dirigido por Tim Burton no início da década passada, não existia a certeza se o grande público estaria interessado em mais histórias sobre um planeta dominado por macacos. A saída para esse problema foi reverter as expectativas, entregando um exemplar totalmente diferente de toda a franquia. Desta vez, o protagonista é um símio que não fala, não tem postura humana (pelo menos em boa parte do filme) e que não está apenas tentando derrubar os homo sapiens. Cesar é a definição do personagem trágico. Sempre tentando fazer o que acha certo, mas esbarrando na dura realidade que o cerca. Tudo que ele queria era poder andar livremente, vivendo com Will e os outros, sem problemas. Mas, logicamente, os seres humanos não estão preparados para aceitar um macaco inteligente perambulando por aí. O símio se vê obrigado a tomar uma atitude, mesmo que isso signifique peitar a espécie dominante do planeta.
Andy Serkis consegue pontuar muito bem todos os sentimentos do macaco, passando felicidade, tristeza, frustração e irritação em uma excelente performance. Em uma de suas melhores cenas, Cesar decide deixar seu passado para trás e não acompanha Will para fora da prisão na qual é mantido. O primata entende que abandonar seus companheiros símios naquele momento seria uma grande derrota para a espécie. Tudo isso é transmitido apenas com olhares. Expressões criadas pelo ator, que realmente mergulhou em seu papel. Os efeitos especiais - excepcionais - se encarregam do resto, de criar macacos críveis, mas nunca por demais humanizados.
O elenco não digital, digamos assim, tem atuações corretas, mas são ofuscados pelos efeitos. James Franco passeia no piloto automático, tendo apenas um momento realmente brilhante: sua expressão, misto de espanto e orgulho, com a atitude de Cesar no desfecho do longa-metragem.
O diretor Rupert Wyatt constrói uma bela ficção científica, que ainda faz citações ao original, como é o caso dos astronautas que desaparecem no espaço pouco antes da revolução símia. Desnecessário apenas as repetições das falas clássicas do primeiro filme - ainda mais quando são entregues para um personagem totalmente secundário, interpretado sem brilho algum por Tom Felton (de Harry Potter. O filme deixa espaço para continuações que nada atrapalhariam na junção da história com o longa original, já que aquela trama se passa muitos anos no futuro. Seria ótimo, inclusive, ver a queda da Estátua da Liberdade em um próximo longa-metragem, de preferência com Rupert Wyatt na direção e Serkis no elenco. O resto é resto.
Maratona Oscar: Planeta dos Macacos - A Origem foi indicado a um Oscar, Melhores Efeitos Visuais. O filme tem boas chances, mesmo concorrendo com pesos pesados como Transformers: O Lado Oculto da Lua e o super indicado A Invenção de Hugo Cabret. Serviria também como um prêmio de consolação pela não indicação de Andy Serkis.
Planeta dos Macacos - A Origem (Rise of the Planet of the Apes)
Dir.: Rupert Wyatt
Com James Franco, Freida Pinto, John Lithgow, Tom Felton, Brian Cox e Andy Serkis
Cotação Paradoxo: Vale 86% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Planeta dos Macacos - A Origem:
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
O Espião que Sabia Demais
Funileiro, Alfaiate, Soldado
Ele foi o problemático baixista do Sex Pistols Sid Vicious, o suposto assassino de John Kennedy, Lee Harvey Oswald, o trapaceiro perdido no espaço Dr. Smith, o confiável Comissário Gordon e o bruxo gente boa Syrius Black. Gary Oldman fez de tudo um pouco no cinema. Já foi rastafári e até anão. Apesar disso, nunca havia conseguido uma indicação ao Oscar e, em outros prêmios, não venceu nenhuma categoria em que tenha concorrido como ator – Oldman é diretor e roteirista também, já recebendo louros pelo seu trabalho como tal. A situação mudou com o lançamento de O Espião que Sabia Demais, adaptado da obra do mestre John Le Carré, dirigido por Tomas Alfredson (de Deixe Ela Entrar). No filme, Oldman tem a oportunidade de mostrar seu talento de forma bastante sutil, construindo um personagem que praticamente vive nas sombras, uma exigência de seu trabalho secreto. Calado, compenetrado, totalmente low profile, o protagonista de O Espião que Sabia Demais, George Smiley, é o anti-James Bond. Talvez, por isso, tenhamos uma resposta de público tão dividida em relação ao longa-metragem. Se alguém está esperando uma história de espionagem cheia de ação e tiroteios, este definitivamente não é o seu filme. O Espião que Sabia Demais é um jogo de xadrez. E muito bem executado.
Com roteiro do casal Peter Straughan e Bridget O’Connor (falecida em 2010), a história se passa durante a Guerra Fria, em plenos anos 70. Depois de uma missão executada por Jim Priedeaux (Mark Strong) ter sido um verdadeiro desastre, o cabeça da Inteligência Britânica, Control (John Hurt), junto de seu homem de confiança, Smiley (Oldman), são convidados a deixar seus cargos. Uma aposentadoria que não estava nos planos de ambos os agentes. Em seu lugar, Percy Alleline (Toby Jones) assume o posto de comando, com Bill (Colin Firth), Roy (Ciaran Hinds) e Toby (David Dencik) o assessorando. Existe uma suspeita cada vez mais forte de que a missão de Jim foi um fracasso pela presença de um agente duplo dentro da corporação, que vem passando sistematicamente informações importantes para os russos. Control investigava esta possibilidade, mas logo depois de sua aposentadoria, o agente morre, não concluindo seu trabalho. Smiley, então, entra em cena, investigando quem é o rato dentro do Circo – apelido dado a agência de inteligência.
Falando desta forma, o roteiro de O Espião que Sabia Demais não parece nada hermético ou confuso. Mas isso é só a ponta do iceberg. Existem outros personagens inclusos na trama que podem embaralhar a cabeça do espectador menos atento. Como, por exemplo, Ricky Tarr (Tom Hardy), agente que desaparece depois de uma missão, é dado como desertor, até que surge com informações sobre o traidor; Peter Guillam (Benedict Cumberbatch), braço direito de Smiley na investigação, figura que se entrega totalmente à sua missão; Irina (Svetlana Khodchenkova), mulher de um agente russo que acaba virando a casaca e ajudando Ricky em seu trabalho. A palavra chave de O Espião que Sabia Demais é esta: atenção. Como são muitos personagens, muita história e pouco tempo para ser contada, o diretor Tomas Alfredson despeja informação no público, que deve estar devidamente ligado no filme para captar todas as nuances e reviravoltas da trama. A história não é de difícil compreensão. Acompanha-la é que requer os olhos vidrados do espectador e sua total atenção – do contrário, uma pequena informação perdida pode se transformar em uma bola de neve no desfecho.
John Le Carré foi um espião de verdade e, por isso, sabe muito bem como funcionam as agências de Inteligência do Reino Unido. Por isso, O Espião que Sabia Demais soa tão real. O filme nos apresenta passo a passo a investigação de Smiley à procura do traidor, lembrando um pouco, em andamento e em revelação do processo, o excelente Todos os Homens do Presidente, que mostrava todos os meandros do trabalho de jornalismo realizado pela dupla que desmascarou o ex-presidente Nixon. Diria mais. Se eu não conhecesse os atores, eu acreditaria piamente que o longa-metragem foi realizado nos anos 70. Toda a atmosfera daquela década está impressa no filme. As cores utilizadas, a direção de arte impecável, o ritmo da trama. Tudo ali soa setentista. Este capricho na recriação daquela época coloca o espectador em meio a Guerra Fria em pleno século XXI.
Claro que, não fosse este elenco, o resultado não seria o mesmo. E que elenco. Mark Strong, Toby Jones, Tom Hardy, John Hurt, Colin Firth e Gary Oldman formam um dreamteam britânico só visto com este calibre, talvez, nas aventuras de Harry Potter. Uns com mais tempo, outros com menos para mostrar o que sabem fazer, é verdade. Destaque para Mark Strong, que tem se tornado presença constante ultimamente nas mais variadas produções – de Sherlock Holmes a Kick Ass – e, desta vez, deixa os seus recorrentes vilões de lado para interpretar um agente que se vê em meio a uma sinuca de bico quando é traído por um colega seu. O arco do personagem é o que mais difere dos demais, sendo possível observar muito da angústia de ter de abandonar seu trabalho após sua inglória missão ter fracassado. A maquiagem e figurino de Strong são os que mais nos remetem aos anos 70, outro motivo para destacar o ator.
Mas o filme é de Gary Oldman. Sem precisar dizer uma palavra nos primeiros quinze minutos de filme, o ator constrói uma figura muito sóbria, mas que carrega um peso muito grande dentro de si. Ele sabe que sua ex-esposa o traiu com um colega de trabalho, sabe que existe um espião duplo dentro da agência e, além de tudo, acaba de perder um bom amigo. Confiança é uma palavra de ordem para Smiley e o filme todo gira em torno dessa busca por pessoas com quem o agente possa contar. Por sorte, o velho espião encontra em Peter, um jovem e inteligente rapaz, uma figura de confiança em tempos tão nebulosos.
O Espião que Sabia Demais é um tipo de filme a ser degustado. Deve ser acompanhado como a uma partida de xadrez entre dois especialistas no jogo. As reviravoltas do roteiro não são muito surpreendentes, é verdade. Mas a graça não está no xeque-mate e sim nos movimentos que fizeram o jogador chegar ao final em vantagem. Um filmaço.
Maratona Oscar: O Espião que Sabia Demais foi indicado a três Oscar: Melhor Ator (Gary Oldman), Melhor Roteiro Adaptado (Peter Straughan e Bridget O’Connor) e Melhor Trilha Sonora (Alberto Iglesias). Seria muito bacana ver Gary Oldman saindo da festa da Academia com uma estatueta em mãos. Mas acredito que não será desta vez. Clooney e Pitt são os favoritos – com Jean Dujardin correndo por fora. Nas demais categorias, as chances são ainda menores.
O Espião que Sabia Demais (Tinker Taylor Soldier Spy)
Dir.: Tomas Alfredson
Com Gary Oldman, Mark Strong, Toby Jones, Tom Hardy, John Hurt, Colin Firth, Benedict Cumberbatch, Ciaran Hinds
Cotação Paradoxo: Vale 95% do ingresso
Confira abaixo o trailer de O Espião que Sabia Demais:
Ele foi o problemático baixista do Sex Pistols Sid Vicious, o suposto assassino de John Kennedy, Lee Harvey Oswald, o trapaceiro perdido no espaço Dr. Smith, o confiável Comissário Gordon e o bruxo gente boa Syrius Black. Gary Oldman fez de tudo um pouco no cinema. Já foi rastafári e até anão. Apesar disso, nunca havia conseguido uma indicação ao Oscar e, em outros prêmios, não venceu nenhuma categoria em que tenha concorrido como ator – Oldman é diretor e roteirista também, já recebendo louros pelo seu trabalho como tal. A situação mudou com o lançamento de O Espião que Sabia Demais, adaptado da obra do mestre John Le Carré, dirigido por Tomas Alfredson (de Deixe Ela Entrar). No filme, Oldman tem a oportunidade de mostrar seu talento de forma bastante sutil, construindo um personagem que praticamente vive nas sombras, uma exigência de seu trabalho secreto. Calado, compenetrado, totalmente low profile, o protagonista de O Espião que Sabia Demais, George Smiley, é o anti-James Bond. Talvez, por isso, tenhamos uma resposta de público tão dividida em relação ao longa-metragem. Se alguém está esperando uma história de espionagem cheia de ação e tiroteios, este definitivamente não é o seu filme. O Espião que Sabia Demais é um jogo de xadrez. E muito bem executado.
Com roteiro do casal Peter Straughan e Bridget O’Connor (falecida em 2010), a história se passa durante a Guerra Fria, em plenos anos 70. Depois de uma missão executada por Jim Priedeaux (Mark Strong) ter sido um verdadeiro desastre, o cabeça da Inteligência Britânica, Control (John Hurt), junto de seu homem de confiança, Smiley (Oldman), são convidados a deixar seus cargos. Uma aposentadoria que não estava nos planos de ambos os agentes. Em seu lugar, Percy Alleline (Toby Jones) assume o posto de comando, com Bill (Colin Firth), Roy (Ciaran Hinds) e Toby (David Dencik) o assessorando. Existe uma suspeita cada vez mais forte de que a missão de Jim foi um fracasso pela presença de um agente duplo dentro da corporação, que vem passando sistematicamente informações importantes para os russos. Control investigava esta possibilidade, mas logo depois de sua aposentadoria, o agente morre, não concluindo seu trabalho. Smiley, então, entra em cena, investigando quem é o rato dentro do Circo – apelido dado a agência de inteligência.
Falando desta forma, o roteiro de O Espião que Sabia Demais não parece nada hermético ou confuso. Mas isso é só a ponta do iceberg. Existem outros personagens inclusos na trama que podem embaralhar a cabeça do espectador menos atento. Como, por exemplo, Ricky Tarr (Tom Hardy), agente que desaparece depois de uma missão, é dado como desertor, até que surge com informações sobre o traidor; Peter Guillam (Benedict Cumberbatch), braço direito de Smiley na investigação, figura que se entrega totalmente à sua missão; Irina (Svetlana Khodchenkova), mulher de um agente russo que acaba virando a casaca e ajudando Ricky em seu trabalho. A palavra chave de O Espião que Sabia Demais é esta: atenção. Como são muitos personagens, muita história e pouco tempo para ser contada, o diretor Tomas Alfredson despeja informação no público, que deve estar devidamente ligado no filme para captar todas as nuances e reviravoltas da trama. A história não é de difícil compreensão. Acompanha-la é que requer os olhos vidrados do espectador e sua total atenção – do contrário, uma pequena informação perdida pode se transformar em uma bola de neve no desfecho.
John Le Carré foi um espião de verdade e, por isso, sabe muito bem como funcionam as agências de Inteligência do Reino Unido. Por isso, O Espião que Sabia Demais soa tão real. O filme nos apresenta passo a passo a investigação de Smiley à procura do traidor, lembrando um pouco, em andamento e em revelação do processo, o excelente Todos os Homens do Presidente, que mostrava todos os meandros do trabalho de jornalismo realizado pela dupla que desmascarou o ex-presidente Nixon. Diria mais. Se eu não conhecesse os atores, eu acreditaria piamente que o longa-metragem foi realizado nos anos 70. Toda a atmosfera daquela década está impressa no filme. As cores utilizadas, a direção de arte impecável, o ritmo da trama. Tudo ali soa setentista. Este capricho na recriação daquela época coloca o espectador em meio a Guerra Fria em pleno século XXI.
Claro que, não fosse este elenco, o resultado não seria o mesmo. E que elenco. Mark Strong, Toby Jones, Tom Hardy, John Hurt, Colin Firth e Gary Oldman formam um dreamteam britânico só visto com este calibre, talvez, nas aventuras de Harry Potter. Uns com mais tempo, outros com menos para mostrar o que sabem fazer, é verdade. Destaque para Mark Strong, que tem se tornado presença constante ultimamente nas mais variadas produções – de Sherlock Holmes a Kick Ass – e, desta vez, deixa os seus recorrentes vilões de lado para interpretar um agente que se vê em meio a uma sinuca de bico quando é traído por um colega seu. O arco do personagem é o que mais difere dos demais, sendo possível observar muito da angústia de ter de abandonar seu trabalho após sua inglória missão ter fracassado. A maquiagem e figurino de Strong são os que mais nos remetem aos anos 70, outro motivo para destacar o ator.
Mas o filme é de Gary Oldman. Sem precisar dizer uma palavra nos primeiros quinze minutos de filme, o ator constrói uma figura muito sóbria, mas que carrega um peso muito grande dentro de si. Ele sabe que sua ex-esposa o traiu com um colega de trabalho, sabe que existe um espião duplo dentro da agência e, além de tudo, acaba de perder um bom amigo. Confiança é uma palavra de ordem para Smiley e o filme todo gira em torno dessa busca por pessoas com quem o agente possa contar. Por sorte, o velho espião encontra em Peter, um jovem e inteligente rapaz, uma figura de confiança em tempos tão nebulosos.
O Espião que Sabia Demais é um tipo de filme a ser degustado. Deve ser acompanhado como a uma partida de xadrez entre dois especialistas no jogo. As reviravoltas do roteiro não são muito surpreendentes, é verdade. Mas a graça não está no xeque-mate e sim nos movimentos que fizeram o jogador chegar ao final em vantagem. Um filmaço.
Maratona Oscar: O Espião que Sabia Demais foi indicado a três Oscar: Melhor Ator (Gary Oldman), Melhor Roteiro Adaptado (Peter Straughan e Bridget O’Connor) e Melhor Trilha Sonora (Alberto Iglesias). Seria muito bacana ver Gary Oldman saindo da festa da Academia com uma estatueta em mãos. Mas acredito que não será desta vez. Clooney e Pitt são os favoritos – com Jean Dujardin correndo por fora. Nas demais categorias, as chances são ainda menores.
O Espião que Sabia Demais (Tinker Taylor Soldier Spy)
Dir.: Tomas Alfredson
Com Gary Oldman, Mark Strong, Toby Jones, Tom Hardy, John Hurt, Colin Firth, Benedict Cumberbatch, Ciaran Hinds
Cotação Paradoxo: Vale 95% do ingresso
Confira abaixo o trailer de O Espião que Sabia Demais:
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
As Aventuras de Tintim
Licorne
É dito com bastante frequência que Hollywood perdeu a criatividade e tem cada vez mais se dedicado a remakes e adaptações literárias para garantir a sua saúde financeira. O velho Business. No entanto, volta e meia, aparece um projeto que é, sim, uma adaptação, comandada por um dos pais do blockbuster, Steven Spielberg, mas que parece não ter surgido apenas para encher os bolsos do estúdio e de seus realizadores. As Aventuras de Tintim, adaptação das histórias do belga Hergé, aparenta ser um projeto genuinamente criado de uma vontade pessoal de Spielberg em trabalhar com o personagem. Prova disto é que poucos realmente conhecem Tintim nos Estados Unidos, nada promissor quando se espera recuperar o investimento na bilheteria caseira. Mesmo assim, por se tratar de um antigo sonho acalentado por Spielberg há anos, o cineasta resolveu arregaçar as mangas e transportar o intrépido jornalista dos quadrinhos para o cinema – com a ajuda de outro fã de Tintim, o diretor da trilogia Senhor dos Anéis, Peter Jackson – esperando que o público internacional desse conta do retorno financeiro do longa-metragem.
Curiosamente, o diretor conheceu Tintim através de Indiana Jones, estrela de uma de suas maiores franquias. Os personagens dividem o mesmo DNA aventureiro e, Spielberg conta, na época do lançamento de Caçadores da Arca Perdida, muitos jornalistas franceses fizeram este paralelo, intrigando-o. Ao conhecer as aventuras do jovem jornalista, Spielberg teria se interessado em fazer a adaptação e, inclusive, conversara por telefone com Hergé sobre o assunto. Infelizmente, um encontro entre os dois nunca aconteceu, já que o pai de Tintim morreu pouco tempo depois. Spielberg teve de esperar quase 30 anos para levar sua versão do personagem aos cinemas, visto que não era sua vontade fazer um live-action pela dificuldade da transposição de personagens fisicamente tão únicos. Depois de ver os milagres tecnológicos de O Senhor dos Anéis e Avatar, Spielberg percebeu que era chegada a hora. E assim o fez.
A trama de As Aventuras de Tintim mistura três histórias criadas por Hergé: O Segredo do Licorne, O Tesouro de Rackham, o Terrível e O Caranguejo das Pinças de Ouro. Steven Moffat (do seriado britânico Sherlock), Edgar Wright (de Scott Pilgrim contra o Mundo) e Joe Cornish (de Ataque ao Prédio) assinam o roteiro, misturando estas três histórias, criando e mudando alguns fatos e personagens. Apesar destas transformações, o espírito de Tintim está bem representado ali.
Na trama, o jovem repórter (Jamie Bell, de Billy Elliot) compra, em uma feira de usados, a réplica de um antigo navio e se vê envolvido em uma espécie de leilão com outros dois insistentes cavalheiros: o esbaforido Barnaby (Joe Starr, de Uma Noite Fora de Série) e o misterioso Sakharine (Daniel Craig, de 007 Quantum of Solace). Não estando interessado em vendê-lo, Tintim recusa as ofertas e volta para a casa, ao lado de seu fiel cachorro Milu. Como um bom jornalista que é, o rapaz fica desconfiado do interesse tão grande daqueles dois homens e resolve investigar o que está por trás disso. Sua investigação o levará a uma aventura atrás do tesouro de um antepassado do beberrão capitão Haddock (Andy Serkis, de O Planeta dos Macacos – A Origem), homem que ele conhece depois de ser raptado pelos vilões que pretendem encontrar a fortuna antes de todos.
O que impressiona, logo de cara, em As Aventuras de Tintim é o visual da animação. Os efeitos são verdadeiramente incríveis, dando vida aos personagens desenhados com o característico traço de Hergé. Existe, inclusive, uma pequena brincadeira quanto a isso no início do filme. Vemos primeiro o rosto de Tintim desenhado, no tradicional estilo do desenhista belga, para só depois observá-lo em sua versão tridimensional. O resultado é soberbo. A tecnologia de captura de movimentos chegou a um patamar em que ficará difícil saber o que é real e o que é criado por computador. Se Spielberg não quisesse, sabiamente, manter o visual cartunesco dos personagens, seria complicado perceber que As Aventuras de Tintim se trata de uma animação. Os olhos, as expressões faciais e toda a movimentação dos personagens são muito críveis. Um golaço de Spielberg.
Passado o embasbacamento inicial com o espetáculo visual, resta acompanhar a trama adaptada e escrita a seis mãos pelo time de roteiristas citado acima. E, devo dizer, que o resultado é bem aquém das expectativas. A história é uma verdadeira montanha-russa, com fatos acontecendo a todo tempo, muita correria, perseguições, tiroteios e explosões. Mas falta algo. É tudo tão rápido, tão frenético, que fica difícil se engajar com os personagens. Em primeiro lugar, é muito frágil o envolvimento de Tintim com o mistério do Licorne. Ele compra um navio em miniatura por impulso, fica intrigado com o interesse dos compradores e, minutos depois, está arriscando a vida por algo que ele nem compreende. Na história original, Tintim compra o navio para presentear seu amigo, capitão Haddock, e ali existe algum investimento emocional. No filme de Spielberg, os personagens se conhecem depois, o que retira esta carga emotiva do início do longa. A mudança, ao menos, resolve um problema da história original – as coincidências, que acomodavam convenientemente alguns pontos da trama. Ao menos, desta forma, Tintim não encontra um navio que, coincidentemente, é uma réplica da navegação comandada pelo antepassado de Haddock. Uma pena que, apesar da tridimensionalidade da arte empregada na realização do longa-metragem, os personagens todos tenham saído totalmente bidimensionais.
De qualquer forma, é possível ainda se divertir com os bons momentos de aventura – no melhor estilo Indiana Jones. Faltou, infelizmente, um tema musical memorável para embalar as peripécias de Tintim. John Williams começa muito bem, com o tema dos créditos inicias, remetendo um pouco o que já fizera em Prenda-Me Se For Capaz. Mas, depois, a trilha meio que se repete, não conseguindo um resultado assoviável como no passado.
Se John Williams parece meio enferrujado, Steven Spielberg é um garoto, se divertindo como nunca ao brincar com as possibilidades da captura de movimentos. Podendo colocar a câmera onde bem entender, fazendo planos seqüência praticamente impossíveis do modo tradicional, o cineasta monta algumas cenas realmente mirabolantes – como a sequência em que acompanhamos a correria de Milu tentando salvar seu amigo das garras dos vilões, ao subir escadas e pular da janela em cima de um ônibus. Milu, aliás, é um dos personagens mais legais e bem desenvolvidos do filme. Atrás, talvez, apenas do Capitão Haddock de Andy Serkis, um verdadeiro gênio no que tange a captura de movimentos. É notável a diferença da performance de Serkis, acostumado com a tecnologia, em relação aos demais do elenco. Uma verdadeira entrega, perceptível no resultado final.
Espetáculo visual, As Aventuras de Tintim peca pela falta de cuidado com o âmago dos personagens, mas consegue divertir o suficiente com suas piruetas e estripulias. A curiosidade agora recai na continuação, que deve ser lançada nos próximos anos. A idéia inicial sempre foi realizar uma trilogia, com Spielberg dirigindo o primeiro e Jackson dirigindo o segundo (com o terceiro ainda sem diretor definido). Quanto do estilo e andamento da história mudarão com o diretor de Senhor dos Anéis assumindo a batuta que foi do pai de E.T.? É esperar e ver.
Maratona Oscar: As Aventuras de Tintim foi indicado a um Oscar: Melhor Trilha Sonora Original, para John Williams. A ausência do longa-metragem na categoria Melhor Animação foi uma das grandes surpresas do Oscar 2012, visto que muitos apostavam todas as fichas não só na indicação como na vitória do longa-metragem de Steven Spielberg. Vencedor do prêmio da categoria no Sindicato dos Produtores (que geralmente acerta) e do Globo de Ouro (que tem errado periodicamente), a ausência de Tintim gerou uma grande dúvida: não foi indicado por não ser bom o suficiente aos olhos da Academia ou por não ter sido considerado animação, visto que atores trabalharam na performance dos personagens? Fica a dúvida.
De qualquer forma, John Williams concorre contra si próprio em um trabalho ainda mais fraco do que em As Aventuras de Tintim, com sua trilha de Cavalo de Guerra. Difícil que o octogenário maestro saia da festa com a estatueta por duas razões: o favoritismo de O Artista (que ainda não vi) e a divisão de votos – quem vota em John Williams tem entre duas produções para escolher, por vezes dificultando o resultado final para o concorrente.
As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn)
Dir.: Steven Spielberg
Com Jamie Bell, Daniel Craig, Andy Serkis, Nick Frost, Simon Pegg, Toby Jones
Cotação Paradoxo: Vale 70% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de As Aventuras de Tintim:
É dito com bastante frequência que Hollywood perdeu a criatividade e tem cada vez mais se dedicado a remakes e adaptações literárias para garantir a sua saúde financeira. O velho Business. No entanto, volta e meia, aparece um projeto que é, sim, uma adaptação, comandada por um dos pais do blockbuster, Steven Spielberg, mas que parece não ter surgido apenas para encher os bolsos do estúdio e de seus realizadores. As Aventuras de Tintim, adaptação das histórias do belga Hergé, aparenta ser um projeto genuinamente criado de uma vontade pessoal de Spielberg em trabalhar com o personagem. Prova disto é que poucos realmente conhecem Tintim nos Estados Unidos, nada promissor quando se espera recuperar o investimento na bilheteria caseira. Mesmo assim, por se tratar de um antigo sonho acalentado por Spielberg há anos, o cineasta resolveu arregaçar as mangas e transportar o intrépido jornalista dos quadrinhos para o cinema – com a ajuda de outro fã de Tintim, o diretor da trilogia Senhor dos Anéis, Peter Jackson – esperando que o público internacional desse conta do retorno financeiro do longa-metragem.
Curiosamente, o diretor conheceu Tintim através de Indiana Jones, estrela de uma de suas maiores franquias. Os personagens dividem o mesmo DNA aventureiro e, Spielberg conta, na época do lançamento de Caçadores da Arca Perdida, muitos jornalistas franceses fizeram este paralelo, intrigando-o. Ao conhecer as aventuras do jovem jornalista, Spielberg teria se interessado em fazer a adaptação e, inclusive, conversara por telefone com Hergé sobre o assunto. Infelizmente, um encontro entre os dois nunca aconteceu, já que o pai de Tintim morreu pouco tempo depois. Spielberg teve de esperar quase 30 anos para levar sua versão do personagem aos cinemas, visto que não era sua vontade fazer um live-action pela dificuldade da transposição de personagens fisicamente tão únicos. Depois de ver os milagres tecnológicos de O Senhor dos Anéis e Avatar, Spielberg percebeu que era chegada a hora. E assim o fez.
A trama de As Aventuras de Tintim mistura três histórias criadas por Hergé: O Segredo do Licorne, O Tesouro de Rackham, o Terrível e O Caranguejo das Pinças de Ouro. Steven Moffat (do seriado britânico Sherlock), Edgar Wright (de Scott Pilgrim contra o Mundo) e Joe Cornish (de Ataque ao Prédio) assinam o roteiro, misturando estas três histórias, criando e mudando alguns fatos e personagens. Apesar destas transformações, o espírito de Tintim está bem representado ali.
Na trama, o jovem repórter (Jamie Bell, de Billy Elliot) compra, em uma feira de usados, a réplica de um antigo navio e se vê envolvido em uma espécie de leilão com outros dois insistentes cavalheiros: o esbaforido Barnaby (Joe Starr, de Uma Noite Fora de Série) e o misterioso Sakharine (Daniel Craig, de 007 Quantum of Solace). Não estando interessado em vendê-lo, Tintim recusa as ofertas e volta para a casa, ao lado de seu fiel cachorro Milu. Como um bom jornalista que é, o rapaz fica desconfiado do interesse tão grande daqueles dois homens e resolve investigar o que está por trás disso. Sua investigação o levará a uma aventura atrás do tesouro de um antepassado do beberrão capitão Haddock (Andy Serkis, de O Planeta dos Macacos – A Origem), homem que ele conhece depois de ser raptado pelos vilões que pretendem encontrar a fortuna antes de todos.
O que impressiona, logo de cara, em As Aventuras de Tintim é o visual da animação. Os efeitos são verdadeiramente incríveis, dando vida aos personagens desenhados com o característico traço de Hergé. Existe, inclusive, uma pequena brincadeira quanto a isso no início do filme. Vemos primeiro o rosto de Tintim desenhado, no tradicional estilo do desenhista belga, para só depois observá-lo em sua versão tridimensional. O resultado é soberbo. A tecnologia de captura de movimentos chegou a um patamar em que ficará difícil saber o que é real e o que é criado por computador. Se Spielberg não quisesse, sabiamente, manter o visual cartunesco dos personagens, seria complicado perceber que As Aventuras de Tintim se trata de uma animação. Os olhos, as expressões faciais e toda a movimentação dos personagens são muito críveis. Um golaço de Spielberg.
Passado o embasbacamento inicial com o espetáculo visual, resta acompanhar a trama adaptada e escrita a seis mãos pelo time de roteiristas citado acima. E, devo dizer, que o resultado é bem aquém das expectativas. A história é uma verdadeira montanha-russa, com fatos acontecendo a todo tempo, muita correria, perseguições, tiroteios e explosões. Mas falta algo. É tudo tão rápido, tão frenético, que fica difícil se engajar com os personagens. Em primeiro lugar, é muito frágil o envolvimento de Tintim com o mistério do Licorne. Ele compra um navio em miniatura por impulso, fica intrigado com o interesse dos compradores e, minutos depois, está arriscando a vida por algo que ele nem compreende. Na história original, Tintim compra o navio para presentear seu amigo, capitão Haddock, e ali existe algum investimento emocional. No filme de Spielberg, os personagens se conhecem depois, o que retira esta carga emotiva do início do longa. A mudança, ao menos, resolve um problema da história original – as coincidências, que acomodavam convenientemente alguns pontos da trama. Ao menos, desta forma, Tintim não encontra um navio que, coincidentemente, é uma réplica da navegação comandada pelo antepassado de Haddock. Uma pena que, apesar da tridimensionalidade da arte empregada na realização do longa-metragem, os personagens todos tenham saído totalmente bidimensionais.
De qualquer forma, é possível ainda se divertir com os bons momentos de aventura – no melhor estilo Indiana Jones. Faltou, infelizmente, um tema musical memorável para embalar as peripécias de Tintim. John Williams começa muito bem, com o tema dos créditos inicias, remetendo um pouco o que já fizera em Prenda-Me Se For Capaz. Mas, depois, a trilha meio que se repete, não conseguindo um resultado assoviável como no passado.
Se John Williams parece meio enferrujado, Steven Spielberg é um garoto, se divertindo como nunca ao brincar com as possibilidades da captura de movimentos. Podendo colocar a câmera onde bem entender, fazendo planos seqüência praticamente impossíveis do modo tradicional, o cineasta monta algumas cenas realmente mirabolantes – como a sequência em que acompanhamos a correria de Milu tentando salvar seu amigo das garras dos vilões, ao subir escadas e pular da janela em cima de um ônibus. Milu, aliás, é um dos personagens mais legais e bem desenvolvidos do filme. Atrás, talvez, apenas do Capitão Haddock de Andy Serkis, um verdadeiro gênio no que tange a captura de movimentos. É notável a diferença da performance de Serkis, acostumado com a tecnologia, em relação aos demais do elenco. Uma verdadeira entrega, perceptível no resultado final.
Espetáculo visual, As Aventuras de Tintim peca pela falta de cuidado com o âmago dos personagens, mas consegue divertir o suficiente com suas piruetas e estripulias. A curiosidade agora recai na continuação, que deve ser lançada nos próximos anos. A idéia inicial sempre foi realizar uma trilogia, com Spielberg dirigindo o primeiro e Jackson dirigindo o segundo (com o terceiro ainda sem diretor definido). Quanto do estilo e andamento da história mudarão com o diretor de Senhor dos Anéis assumindo a batuta que foi do pai de E.T.? É esperar e ver.
Maratona Oscar: As Aventuras de Tintim foi indicado a um Oscar: Melhor Trilha Sonora Original, para John Williams. A ausência do longa-metragem na categoria Melhor Animação foi uma das grandes surpresas do Oscar 2012, visto que muitos apostavam todas as fichas não só na indicação como na vitória do longa-metragem de Steven Spielberg. Vencedor do prêmio da categoria no Sindicato dos Produtores (que geralmente acerta) e do Globo de Ouro (que tem errado periodicamente), a ausência de Tintim gerou uma grande dúvida: não foi indicado por não ser bom o suficiente aos olhos da Academia ou por não ter sido considerado animação, visto que atores trabalharam na performance dos personagens? Fica a dúvida.
De qualquer forma, John Williams concorre contra si próprio em um trabalho ainda mais fraco do que em As Aventuras de Tintim, com sua trilha de Cavalo de Guerra. Difícil que o octogenário maestro saia da festa com a estatueta por duas razões: o favoritismo de O Artista (que ainda não vi) e a divisão de votos – quem vota em John Williams tem entre duas produções para escolher, por vezes dificultando o resultado final para o concorrente.
As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn)
Dir.: Steven Spielberg
Com Jamie Bell, Daniel Craig, Andy Serkis, Nick Frost, Simon Pegg, Toby Jones
Cotação Paradoxo: Vale 70% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de As Aventuras de Tintim:
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Indicados ao Oscar 2012
A Invenção de Hugo Cabret, com 11 indicações, e O Artista, com 10, são os principais destaques da lista divulgada hoje pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Mas isso não é surpresa, visto que muitos analistas e futurologistas esperavam este resultado. As grandes surpresas da lista ficaram em algumas sentidas ausências. Por exemplo, Ryan Gosling foi esnobado por suas atuações em Tudo pelo Poder e Drive; As Aventuras de Tintim, vencedor da categoria Melhor Animação do Sindicato dos Produtores, acabou ficando de fora da lista; e a trilha de Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de Trent Reznor e Atticus Ross, perdeu lugar para John Williams, que aparece duas vezes.
A presença mais surpreendente (se você não conhece bem a Academia) é Tão Forte e Tão Perto, novo filme de Stephen Daldry, na categoria principal da festa. Surpreende caso você não saiba do amor incondicional dos votantes da Academia em relação a Daldry. Desde que apareceu com Billy Elliot, Daldry nunca ficou de fora da festa. Seja indicado a Diretor, seja pelo filme, o cineasta sempre está lá. E, desta vez, não seria diferente.
Confira abaixo todos os indicados e volte ao Paradoxo diariamente para conferir as críticas de todos os indicados. Está aberta a temporada 2012 da Maratona Oscar.
Melhor Filme
A Árvore da Vida
Os Descendentes
Histórias Cruzadas
A Invenção de Hugo Cabret
O Homem Que Mudou o Jogo
Cavalo de Guerra
O Artista
Meia-Noite em Paris
Tão Forte e Tão Perto
Melhor Direção
Woody Allen - Meia-Noite em Paris
Michel Hazanavicius - O Artista
Alexander Payne - Os Descendentes
Martin Scorsese - A Invenção de Hugo Cabret
Terrence Malick - A Árvore da Vida
Melhor Ator
Demián Bichir - A Better Life
George Clooney - Os Descendentes
Jean Dujardin - O Artista
Gary Oldman - O Espião Que Sabia Demais
Brad Pitt - O Homem Que Mudou o Jogo
Melhor Atriz
Glenn Close - Albert Nobbs
Viola Davis - Histórias Cruzadas
Rooney Mara - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Meryl Streep - A Dama de Ferro
Michelle Williams - Sete Dias com Marilyn
Melhor Ator Coadjuvante
Christopher Plummer - Toda Forma de Amor
Jonah Hill - O Homem Que Mudou o Jogo
Kenneth Branagh - Sete Dias com Marilyn
Nick Nolte - Guerreiro
Max von Sydow - Tão Forte e Tão Perto
Melhor Atriz Coadjuvante
Berenice Bejo - O Artista
Jessica Chastain - Histórias Cruzadas
Melissa McCarthy - Missão Madrinha de Casamento
Janet McTeer - Albert Nobbs
Octavia Spencer - Histórias Cruzadas
Melhor Roteiro original
O Artista - Michel Hazanavicius
Missão Madrinha de Casamento - Kristen Wiig, Annie Mumolo
Margin Call - O Dia Antes do Fim - J.C. Chandor
Meia-Noite em Paris - Woody Allen
A Separação - Ashgar Farhadi
Melhor Roteiro adaptado
Os Descendentes - Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash
A Invenção de Hugo Cabret - John Logan
Tudo pelo Poder - George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon
O Homem que Mudou o Jogo - Steven Zaillian, Aaron Sorkin, Stan Chervin
O Espião que Sabia Demais - Bridget O'Connor, Peter Straughan
Melhor Animação
Um Gato em Paris
Chico & Rita
Kung Fu Panda 2
Gato de Botas
Rango
Melhor Canção Original
“Man or Muppet” - Os Muppets - Música e Letra de Bret McKenzie
"Real in Rio" - Rio - Música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown e letra de Siedah Garrett
Melhor Trilha sonora
As Aventuras de Tintim - John Williams
O Artista - Ludovic Bource
A Invenção de Hugo Cabret - Howard Shore
O Espião que Sabia Demais - Alberto Iglesias
Cavalo de Guerra - John Williams
Melhores Efeitos visuais
Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2
A Invenção de Hugo Cabret
Gigantes de Aço
Planeta dos Macacos: A Origem
Transformers: O Lado Oculto da Lua
Melhor Edição de som
Drive
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
A Invenção de Hugo Cabret
Transformers: O Lado Oculto da Lua
Cavalo de Guerra
Melhor Mixagem de som
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
A Invenção de Hugo Cabret
O Homem Que Mudou o Jogo
Transformers: O Lado Oculto da Lua
Cavalo de Guerra
Melhor Direção de arte
O Artista - Laurence Bennett, Robert Gould
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 - Stuart Craig, Stephenie McMillan
A Invenção de Hugo Cabret - Dante Ferretti, Francesca Lo Schiavo
Meia-Noite em Paris - Anne Seibel, Hélène Dubreuil
Cavalo de Guerra - Rick Carter, Lee Sandales
Melhor Fotografia
O Artista
Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
A Invenção de Hugo Cabret
A Árvore da Vida
Cavalo de Guerra
Melhor Figurino
Anônimo
O Artista
A Invenção de Hugo Cabret
Jane Eyre
W.E.
Melhor Maquiagem
Albert Nobbs
Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2
A Dama de Ferro
Melhor Edição
O Artista
Os Descendentes
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
A Invenção de Hugo Cabret
O Homem Que Mudou o Jogo
Melhor Filme estrangeiro
Bélgica - Bullhead - Michael R. Roskam
Canadá - Monsieur Lazhar - Philippe Falardeau
Irã - A Separação - Asghar Farhadi
Israel - Footnote - Joseph Cedar
Polônia - In Darkness - Agnieszka Holland
Melhor Documentário longa metragem
Hell and Back Again
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Paradise Lost 3: Purgatory
Pina
Undefeated
Melhor Documentário curta metragem
The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement
God Is the Bigger Elvis
Incident in New Baghdad
Saving Face
The Tsunami and the Cherry Blossom
Melhor Curta metragem de animação
Dimanche/Sunday - Patrick Doyon
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore - William Joyce and Brandon Oldenburg
La Luna - Enrico Casarosa
A Morning Stroll - Grant Orchard and Sue Goffe
Wild Life - Amanda Forbis and Wendy Tilby
Melhor Curta metragem
Pentecost - Peter McDonald and Eimear O'Kane
Raju - Max Zähle and Stefan Gieren
The Shore - Terry George and Oorlagh George
Time Freak - Andrew Bowler and Gigi Causey
Tuba Atlantic - Hallvar Witz
A presença mais surpreendente (se você não conhece bem a Academia) é Tão Forte e Tão Perto, novo filme de Stephen Daldry, na categoria principal da festa. Surpreende caso você não saiba do amor incondicional dos votantes da Academia em relação a Daldry. Desde que apareceu com Billy Elliot, Daldry nunca ficou de fora da festa. Seja indicado a Diretor, seja pelo filme, o cineasta sempre está lá. E, desta vez, não seria diferente.
Confira abaixo todos os indicados e volte ao Paradoxo diariamente para conferir as críticas de todos os indicados. Está aberta a temporada 2012 da Maratona Oscar.
Melhor Filme
A Árvore da Vida
Os Descendentes
Histórias Cruzadas
A Invenção de Hugo Cabret
O Homem Que Mudou o Jogo
Cavalo de Guerra
O Artista
Meia-Noite em Paris
Tão Forte e Tão Perto
Melhor Direção
Woody Allen - Meia-Noite em Paris
Michel Hazanavicius - O Artista
Alexander Payne - Os Descendentes
Martin Scorsese - A Invenção de Hugo Cabret
Terrence Malick - A Árvore da Vida
Melhor Ator
Demián Bichir - A Better Life
George Clooney - Os Descendentes
Jean Dujardin - O Artista
Gary Oldman - O Espião Que Sabia Demais
Brad Pitt - O Homem Que Mudou o Jogo
Melhor Atriz
Glenn Close - Albert Nobbs
Viola Davis - Histórias Cruzadas
Rooney Mara - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Meryl Streep - A Dama de Ferro
Michelle Williams - Sete Dias com Marilyn
Melhor Ator Coadjuvante
Christopher Plummer - Toda Forma de Amor
Jonah Hill - O Homem Que Mudou o Jogo
Kenneth Branagh - Sete Dias com Marilyn
Nick Nolte - Guerreiro
Max von Sydow - Tão Forte e Tão Perto
Melhor Atriz Coadjuvante
Berenice Bejo - O Artista
Jessica Chastain - Histórias Cruzadas
Melissa McCarthy - Missão Madrinha de Casamento
Janet McTeer - Albert Nobbs
Octavia Spencer - Histórias Cruzadas
Melhor Roteiro original
O Artista - Michel Hazanavicius
Missão Madrinha de Casamento - Kristen Wiig, Annie Mumolo
Margin Call - O Dia Antes do Fim - J.C. Chandor
Meia-Noite em Paris - Woody Allen
A Separação - Ashgar Farhadi
Melhor Roteiro adaptado
Os Descendentes - Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash
A Invenção de Hugo Cabret - John Logan
Tudo pelo Poder - George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon
O Homem que Mudou o Jogo - Steven Zaillian, Aaron Sorkin, Stan Chervin
O Espião que Sabia Demais - Bridget O'Connor, Peter Straughan
Melhor Animação
Um Gato em Paris
Chico & Rita
Kung Fu Panda 2
Gato de Botas
Rango
Melhor Canção Original
“Man or Muppet” - Os Muppets - Música e Letra de Bret McKenzie
"Real in Rio" - Rio - Música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown e letra de Siedah Garrett
Melhor Trilha sonora
As Aventuras de Tintim - John Williams
O Artista - Ludovic Bource
A Invenção de Hugo Cabret - Howard Shore
O Espião que Sabia Demais - Alberto Iglesias
Cavalo de Guerra - John Williams
Melhores Efeitos visuais
Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2
A Invenção de Hugo Cabret
Gigantes de Aço
Planeta dos Macacos: A Origem
Transformers: O Lado Oculto da Lua
Melhor Edição de som
Drive
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
A Invenção de Hugo Cabret
Transformers: O Lado Oculto da Lua
Cavalo de Guerra
Melhor Mixagem de som
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
A Invenção de Hugo Cabret
O Homem Que Mudou o Jogo
Transformers: O Lado Oculto da Lua
Cavalo de Guerra
Melhor Direção de arte
O Artista - Laurence Bennett, Robert Gould
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 - Stuart Craig, Stephenie McMillan
A Invenção de Hugo Cabret - Dante Ferretti, Francesca Lo Schiavo
Meia-Noite em Paris - Anne Seibel, Hélène Dubreuil
Cavalo de Guerra - Rick Carter, Lee Sandales
Melhor Fotografia
O Artista
Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
A Invenção de Hugo Cabret
A Árvore da Vida
Cavalo de Guerra
Melhor Figurino
Anônimo
O Artista
A Invenção de Hugo Cabret
Jane Eyre
W.E.
Melhor Maquiagem
Albert Nobbs
Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2
A Dama de Ferro
Melhor Edição
O Artista
Os Descendentes
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
A Invenção de Hugo Cabret
O Homem Que Mudou o Jogo
Melhor Filme estrangeiro
Bélgica - Bullhead - Michael R. Roskam
Canadá - Monsieur Lazhar - Philippe Falardeau
Irã - A Separação - Asghar Farhadi
Israel - Footnote - Joseph Cedar
Polônia - In Darkness - Agnieszka Holland
Melhor Documentário longa metragem
Hell and Back Again
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Paradise Lost 3: Purgatory
Pina
Undefeated
Melhor Documentário curta metragem
The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement
God Is the Bigger Elvis
Incident in New Baghdad
Saving Face
The Tsunami and the Cherry Blossom
Melhor Curta metragem de animação
Dimanche/Sunday - Patrick Doyon
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore - William Joyce and Brandon Oldenburg
La Luna - Enrico Casarosa
A Morning Stroll - Grant Orchard and Sue Goffe
Wild Life - Amanda Forbis and Wendy Tilby
Melhor Curta metragem
Pentecost - Peter McDonald and Eimear O'Kane
Raju - Max Zähle and Stefan Gieren
The Shore - Terry George and Oorlagh George
Time Freak - Andrew Bowler and Gigi Causey
Tuba Atlantic - Hallvar Witz
Transmissão ao vivo dos indicados ao Oscar 2012
Hoje, às 11h30min, horário de Brasília, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciará os indicados ao Oscar 2012. A apresentação ficará por conta de Jennifer Lawrence, indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 2011 pela sua atuação em Inverno da Alma, junto de Tom Sherak, presidente da Academia. Este é o começo oficial da Maratona Oscar aqui no Paradoxo e, logo abaixo, você poderá conferir o anúncio, ao vivo, através do streaming liberado pela Academia pelo You Tube.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
A Música Segundo Tom Jobim
Antônio Brasileiro
Tom Jobim costumava dizer que a música falava por si só – ou melhor, em suas próprias palavras: a linguagem musical basta. Um grande compositor como ele certamente sabia o que dizia. Com isso em mente, o cineasta Nelson Pereira dos Santos, do clássico Vidas Secas, resolveu fazer uma ode à música de Antônio Carlos Jobim em um documentário que apresenta apenas as canções do mestre – e nada mais. Sem depoimentos, entrevistas ou conversa de qualquer espécie. O resultado é uma grande colagem musical, apresentando grandes momentos do músico e famosas (e curiosas) regravações nos mais variados idiomas. Isto é A Música Segundo Tom Jobim.

Tom Jobim costumava dizer que a música falava por si só – ou melhor, em suas próprias palavras: a linguagem musical basta. Um grande compositor como ele certamente sabia o que dizia. Com isso em mente, o cineasta Nelson Pereira dos Santos, do clássico Vidas Secas, resolveu fazer uma ode à música de Antônio Carlos Jobim em um documentário que apresenta apenas as canções do mestre – e nada mais. Sem depoimentos, entrevistas ou conversa de qualquer espécie. O resultado é uma grande colagem musical, apresentando grandes momentos do músico e famosas (e curiosas) regravações nos mais variados idiomas. Isto é A Música Segundo Tom Jobim.

Para a tarefa, Nelson Pereira dos Santos teve a ajuda da neta de Jobim, Dora, que assina a direção conjuntamente. E ainda conta com o belo trabalho de pesquisa de Antonio Venancio, que garimpa o baú do passado musical do artista trazendo verdadeiras pérolas. No filme, as maiores composições de Jobim como “Desafinado”, “Águas de Março”, “Corcovado” e, claro, “Garota de Ipanema” são apresentadas, entre tantas e tantas outras. São elas que formam a “trama”, costuradas com fotos, recortes de jornal, capas de discos, cartazes de shows, entre outras memorabilias.
É verdade que, de início, é sentida a ausência de algum depoimento que faça a ligação de uma cena a outra. Na falta de legendas sobre os números apresentados, o espectador tem de se fiar em seu conhecimento para reconhecer figuras como Ella Fitzgerald, Dizzie Gillespie, Sammy Davis Jr., Elizabeth Cardoso, Silvia Telles, Alaíde Costa, etc. Felizmente, o público não vai para casa com a dúvida na cabeça, caso não saiba quem é este ou aquele cantor, já que os créditos finais dão esta informação, atrelados a uma pequena foto, refrescando a memória dos mais curiosos.
Se no início sentimos falta dos depoimentos – talvez até pela força do costume – quando o filme engrena, as entrevistas são totalmente esquecidas. A música, realmente, fala por si. E se o velho clichê prega que uma imagem vale mais do que mil palavras, elas verdadeiramente dão conta do recado. Como não se arrepiar com Jobim e Frank Sinatra cantando “Garota de Ipanema”? Ou com a parceria feita nos céus entre Tom e Elis Regina em “Águas de Março”? Ou com a divertida interpretação de “Samba de uma Nota Só” por Silvia Telles? Ou com o mergulho dentro do whisky proposto pela soberta interpretação de Maysa para a doída “Por Causa de Você”? São muitos os momentos memoráveis, mais do que caberiam nesta pequena crítica.
Existem também algumas aberrações sem sentido na montagem de A Música Segundo Tom Jobim, assinada por Luelane Correa. Só o fato de Carlinhos Brown aparecer cantando “Luiza” em uma esquecível performance já é bastante questionável. Pior ainda é o momento escolhido para colocar a música: precedida pela histórica parceria entre Elis e Tom cantando “Águas de Março” e seguido por outras versões da música, em idiomas diversos. Brown vira, então, uma ilha perdida no meio de uma seção do documentário dedicada a “Águas de Março”, o que é incompreensível. A total ausência de João Gilberto, o pai da Bossa Nova, também é um ponto baixo. Neste caso, a culpa não é dos realizadores, já que os direitos de imagem do músico não foram liberados para aparição no filme.
Tirando alguns lapsos, a edição de A Música Segundo Tom Jobim funciona bem, conseguindo costurar de forma orgânica os números musicais com fotos da época. É uma grande viagem ao passado, começando já na abertura do filme, mostrando um verdadeiro passeio na Rio de Janeiro do meio do século passado, com seus carros, fachadas de prédios e vestimentas da época.
Acertadamente, Nelson Pereira dos Santos – que já fizera outro filme sobre Jobim nos anos 80, direto para a TV – não inclui no desfecho de seu filme qualquer citação à morte do músico. Vemos Tom no ano de seu falecimento, em 1994, fazendo shows e aparições públicas, mas nada é mencionado sobre o fim da vida de Jobim, aos 67 anos. Uma ideia coerente com o resto do documentário, talvez dizendo: Quem deixa sua marca como Tom Jobim o fez, não morre jamais.
A Música Segundo Tom Jobim
Dir.: Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim
Cotação Paradoxo: 89% do ingresso
É verdade que, de início, é sentida a ausência de algum depoimento que faça a ligação de uma cena a outra. Na falta de legendas sobre os números apresentados, o espectador tem de se fiar em seu conhecimento para reconhecer figuras como Ella Fitzgerald, Dizzie Gillespie, Sammy Davis Jr., Elizabeth Cardoso, Silvia Telles, Alaíde Costa, etc. Felizmente, o público não vai para casa com a dúvida na cabeça, caso não saiba quem é este ou aquele cantor, já que os créditos finais dão esta informação, atrelados a uma pequena foto, refrescando a memória dos mais curiosos.
Se no início sentimos falta dos depoimentos – talvez até pela força do costume – quando o filme engrena, as entrevistas são totalmente esquecidas. A música, realmente, fala por si. E se o velho clichê prega que uma imagem vale mais do que mil palavras, elas verdadeiramente dão conta do recado. Como não se arrepiar com Jobim e Frank Sinatra cantando “Garota de Ipanema”? Ou com a parceria feita nos céus entre Tom e Elis Regina em “Águas de Março”? Ou com a divertida interpretação de “Samba de uma Nota Só” por Silvia Telles? Ou com o mergulho dentro do whisky proposto pela soberta interpretação de Maysa para a doída “Por Causa de Você”? São muitos os momentos memoráveis, mais do que caberiam nesta pequena crítica.
Existem também algumas aberrações sem sentido na montagem de A Música Segundo Tom Jobim, assinada por Luelane Correa. Só o fato de Carlinhos Brown aparecer cantando “Luiza” em uma esquecível performance já é bastante questionável. Pior ainda é o momento escolhido para colocar a música: precedida pela histórica parceria entre Elis e Tom cantando “Águas de Março” e seguido por outras versões da música, em idiomas diversos. Brown vira, então, uma ilha perdida no meio de uma seção do documentário dedicada a “Águas de Março”, o que é incompreensível. A total ausência de João Gilberto, o pai da Bossa Nova, também é um ponto baixo. Neste caso, a culpa não é dos realizadores, já que os direitos de imagem do músico não foram liberados para aparição no filme.
Tirando alguns lapsos, a edição de A Música Segundo Tom Jobim funciona bem, conseguindo costurar de forma orgânica os números musicais com fotos da época. É uma grande viagem ao passado, começando já na abertura do filme, mostrando um verdadeiro passeio na Rio de Janeiro do meio do século passado, com seus carros, fachadas de prédios e vestimentas da época.
Acertadamente, Nelson Pereira dos Santos – que já fizera outro filme sobre Jobim nos anos 80, direto para a TV – não inclui no desfecho de seu filme qualquer citação à morte do músico. Vemos Tom no ano de seu falecimento, em 1994, fazendo shows e aparições públicas, mas nada é mencionado sobre o fim da vida de Jobim, aos 67 anos. Uma ideia coerente com o resto do documentário, talvez dizendo: Quem deixa sua marca como Tom Jobim o fez, não morre jamais.
A Música Segundo Tom Jobim
Dir.: Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim
Cotação Paradoxo: 89% do ingresso
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras
The Final Problem
Quando as primeiras notícias saíram que Robert Downey Jr. viveria Sherlock Holmes na adaptação cinematográfica dirigida por Guy Ritchie, muitos torceram o nariz pelo fato de o ator não ser britânico ou por não ter o physique du role imaginado pela maioria para o papel. Discordei deste pensamento logo de cara. Um sotaque britânico não é lá tão difícil de ser imitado, principalmente quando estamos falando de um bom ator como Downey Jr., e sua estatura e porte físico pareciam vir ao encontro do que Ritchie pensava realizar, uma aventura de ação. Acima de tudo, consigo enxergar Robert Downey Jr. como Sherlock Holmes pelo fato de o ator transmitir a inteligência necessária para encarnar o personagem. Dito isso, e observando o bom resultado do primeiro filme, esperava por um segundo capítulo com alguma expectativa. Diferente do anterior, que começava muito bem e perdia um pouco do ritmo a partir da metade da projeção, Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras começa morno, mas só cresce com o decorrer da trama.
Com roteiro do casal Kieran e Michele Mulroney (de Tempo de Crescer), o longa-metragem coloca Sherlock e seu fiel amigo Dr. John Watson (Jude Law) em rota de colisão com seu maior inimigo, professor James Moriarty (Jared Harris, do seriado Mad Men). Desde o final da aventura anterior, o detetive está na cola do vilão, montando um intrincado painel para entender quais são os planos do intelectual do crime. Paralelamente a isso, Holmes sente a perda de sua adorada Irene Adler (Rachel McAdams, em ponta de luxo) enquanto se prepara para dar adeus à sua parceria com Watson, visto que o doutor está prestes a se casar com Mary (Kelly Reilly). Durante as investigações de Holmes – ou, para Watson, sua despedida de solteiro – o detetive conhece a cigana Simza (Noomi Rapace, da versão sueca de Os Homens que Não Amavam as Mulheres), uma peça do quebra-cabeças que ajudará a dupla, interessada principalmente em salvar o irmão, preso na teia de Moriarty.
Como qualquer bom – ou mal – filme de Guy Ritchie, as câmeras lentas dão toque especial para as seqüências de ação, que não são poucas em Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras. Empregando novamente a divertida quebra do tempo narrativo, mostrando o processo de pensamento de Holmes ao antecipar seus movimentos e os de seus oponentes, Ritchie sedimenta esta prática, nos dando rara oportunidade de observar, no cinema, o processo mental do detetive britânico. Mostrando que Moriarty e Holmes são, na verdade, dois lados de uma mesma moeda, o cineasta emprega o mesmo estilo de pensamento futuro para o vilão, fazendo da luta final entre os dois um dos mais criativos embates mentais vistos nos últimos tempos.
Jared Harris, estreante na franquia, consegue convencer como o perspicaz Moriarty, transmitindo a mesma elogiada inteligência trazida por Robert Downey Jr. para seu Sherlock Holmes. A grande diferença entre os dois está na frieza de Moriarty, traço muito bem capturado por Harris. As cenas entre os dois atores são destaque do filme, com ambos medindo sempre muito bem suas palavras, em um jogo de xadrez mental concebido de forma meticulosa. No terceiro ato, o xadrez ganha vias reais, com um embate intelectual que vem totalmente ao encontro da personalidade dos dois personagens. Acredito que os fãs dos livros de Sir Arthur Conan Doyle ficarão satisfeitos com o desfecho da batalha.
Outro grande destaque, já visto no filme anterior, é a dobradinha entre Downey Jr. e Jude Law. A química entre os dois no primeiro longa-metragem já era digna de nota, mas só melhora neste segundo capítulo. Watson é a pessoa que coloca Holmes no chão, mesmo que seja bastante clara a complacência do doutor ao tolerar as sandices do detetive graças a sua amizade de longa data. Em Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras, podemos observar também um trabalho de Watson muito utilizado nos contos e romances de Conan Doyle: a narração. Nos livros, é Watson quem conta as aventuras de Holmes para o leitor – salvo raríssimas exceções. O casal de roteiristas Kieran e Michele Mulroney utilizam esse recurso (já citado no filme anterior) servindo como uma moldura para a trama. Mesmo sendo utilizado a conta-gotas, é um regalo para os fãs da versão literária e original do detetive.
Uma lástima que as novas adições no elenco, com exceção de Jared Harris, façam pouca ou nenhuma diferença para o todo da história. A cigana Simza, apesar de ter um arco sólido dentro da história, apenas passeia pela trama, como uma espectadora de luxo, apreciando os acontecimentos da forma mais próxima possível. Noomi Rapace, boa atriz que é, recente-se de um personagem pouco carismático, não tendo muito o que fazer durante boa parte do filme. O mesmo pode ser dito de Mycroft Holmes, irmão mais velho do detetive, interpretado por Stephen Fry, que pouco acrescenta ao todo.
O show, no fim das contas, é de Robert Downey Jr. Mais desvairado que no filme anterior, caprichando na graça através de seus inusitados disfarces, o ator dá um colorido a Sherlock Holmes, fazendo um excelente contra-ponto à seriedade de John Watson. Por essas e outras, a dupla dá tão certo.
Fascinante em sua direção de arte caprichada, trazendo de volta a Londres do século retrasado com muito cuidado e certo arrojo, Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras é um trabalho de encher os olhos. A fotografia, a cargo novamente de Philippe Rousselot, é estilosa como todo filme de Guy Ritchie. Na crítica sobre o primeiro Sherlock, reclamei da escuridão da imagem – fato que, posteriormente, descobri ser problema realmente da projeção da sala de cinema. Rousselot mantém o estilo intacto neste segundo longa-metragem, criando uma coesão visual muito forte para a franquia.
E falar em coesão visual, é falar de Guy Ritchie. Desde Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, o diretor tem mantido um visual afim em seus trabalhos. Como um profissional que gosta de caprichar no estilo para contar suas histórias, Ritchie deve deixar muitos boquiabertos com a cena em super câmera lenta, que acompanha Holmes, Watson e Simza sendo perseguidos pelos capangas de Moriarty, com direito a explosões e tiros em velocidade quase negativa.
Hans Zimmer é o responsável, novamente, pela trilha sonora do filme e, como tem acontecido em seus recentes trabalhos, acerta em cheio na concepção musical para o longa-metragem. Repetindo aqui e acolá o tema criado para o primeiro filme, dando assim uma unidade temática para a série, Zimmer aproveita a presença da personagem Simza na história para criar uma trilha com sangue cigano. Infalível ultimamente, o compositor entrega mais um trabalho memorável.
Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras deixa o caminho aberto para continuações que, espero, venham em um futuro próximo. É entretenimento de boa qualidade, passatempo que diverte. Nada muito sério, como é exatamente a proposta. Se Ritchie conseguir dar um jeito no ritmo da cinessérie, que teve um primeiro capítulo que começa bem e degringola do meio pro fim e um segundo que faz exatamente o contrário, Sherlock 3 pode vir a ser o melhor da franquia. Do jeito que está, será mais um bem-vindo passatempo, inofensivo e divertidíssimo. Elementar, novamente.
Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes: A Game of Shadows)
Dir.: Guy Ritchie
Com Robert Downey Jr., Jude Law, Jared Harris, Noomi Rapace, Rachel McAdams, Stephen Fry, Eddie Marsan
Cotação Paradoxo: Vale 87% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras:
Quando as primeiras notícias saíram que Robert Downey Jr. viveria Sherlock Holmes na adaptação cinematográfica dirigida por Guy Ritchie, muitos torceram o nariz pelo fato de o ator não ser britânico ou por não ter o physique du role imaginado pela maioria para o papel. Discordei deste pensamento logo de cara. Um sotaque britânico não é lá tão difícil de ser imitado, principalmente quando estamos falando de um bom ator como Downey Jr., e sua estatura e porte físico pareciam vir ao encontro do que Ritchie pensava realizar, uma aventura de ação. Acima de tudo, consigo enxergar Robert Downey Jr. como Sherlock Holmes pelo fato de o ator transmitir a inteligência necessária para encarnar o personagem. Dito isso, e observando o bom resultado do primeiro filme, esperava por um segundo capítulo com alguma expectativa. Diferente do anterior, que começava muito bem e perdia um pouco do ritmo a partir da metade da projeção, Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras começa morno, mas só cresce com o decorrer da trama.
Com roteiro do casal Kieran e Michele Mulroney (de Tempo de Crescer), o longa-metragem coloca Sherlock e seu fiel amigo Dr. John Watson (Jude Law) em rota de colisão com seu maior inimigo, professor James Moriarty (Jared Harris, do seriado Mad Men). Desde o final da aventura anterior, o detetive está na cola do vilão, montando um intrincado painel para entender quais são os planos do intelectual do crime. Paralelamente a isso, Holmes sente a perda de sua adorada Irene Adler (Rachel McAdams, em ponta de luxo) enquanto se prepara para dar adeus à sua parceria com Watson, visto que o doutor está prestes a se casar com Mary (Kelly Reilly). Durante as investigações de Holmes – ou, para Watson, sua despedida de solteiro – o detetive conhece a cigana Simza (Noomi Rapace, da versão sueca de Os Homens que Não Amavam as Mulheres), uma peça do quebra-cabeças que ajudará a dupla, interessada principalmente em salvar o irmão, preso na teia de Moriarty.
Como qualquer bom – ou mal – filme de Guy Ritchie, as câmeras lentas dão toque especial para as seqüências de ação, que não são poucas em Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras. Empregando novamente a divertida quebra do tempo narrativo, mostrando o processo de pensamento de Holmes ao antecipar seus movimentos e os de seus oponentes, Ritchie sedimenta esta prática, nos dando rara oportunidade de observar, no cinema, o processo mental do detetive britânico. Mostrando que Moriarty e Holmes são, na verdade, dois lados de uma mesma moeda, o cineasta emprega o mesmo estilo de pensamento futuro para o vilão, fazendo da luta final entre os dois um dos mais criativos embates mentais vistos nos últimos tempos.
Jared Harris, estreante na franquia, consegue convencer como o perspicaz Moriarty, transmitindo a mesma elogiada inteligência trazida por Robert Downey Jr. para seu Sherlock Holmes. A grande diferença entre os dois está na frieza de Moriarty, traço muito bem capturado por Harris. As cenas entre os dois atores são destaque do filme, com ambos medindo sempre muito bem suas palavras, em um jogo de xadrez mental concebido de forma meticulosa. No terceiro ato, o xadrez ganha vias reais, com um embate intelectual que vem totalmente ao encontro da personalidade dos dois personagens. Acredito que os fãs dos livros de Sir Arthur Conan Doyle ficarão satisfeitos com o desfecho da batalha.
Outro grande destaque, já visto no filme anterior, é a dobradinha entre Downey Jr. e Jude Law. A química entre os dois no primeiro longa-metragem já era digna de nota, mas só melhora neste segundo capítulo. Watson é a pessoa que coloca Holmes no chão, mesmo que seja bastante clara a complacência do doutor ao tolerar as sandices do detetive graças a sua amizade de longa data. Em Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras, podemos observar também um trabalho de Watson muito utilizado nos contos e romances de Conan Doyle: a narração. Nos livros, é Watson quem conta as aventuras de Holmes para o leitor – salvo raríssimas exceções. O casal de roteiristas Kieran e Michele Mulroney utilizam esse recurso (já citado no filme anterior) servindo como uma moldura para a trama. Mesmo sendo utilizado a conta-gotas, é um regalo para os fãs da versão literária e original do detetive.
Uma lástima que as novas adições no elenco, com exceção de Jared Harris, façam pouca ou nenhuma diferença para o todo da história. A cigana Simza, apesar de ter um arco sólido dentro da história, apenas passeia pela trama, como uma espectadora de luxo, apreciando os acontecimentos da forma mais próxima possível. Noomi Rapace, boa atriz que é, recente-se de um personagem pouco carismático, não tendo muito o que fazer durante boa parte do filme. O mesmo pode ser dito de Mycroft Holmes, irmão mais velho do detetive, interpretado por Stephen Fry, que pouco acrescenta ao todo.
O show, no fim das contas, é de Robert Downey Jr. Mais desvairado que no filme anterior, caprichando na graça através de seus inusitados disfarces, o ator dá um colorido a Sherlock Holmes, fazendo um excelente contra-ponto à seriedade de John Watson. Por essas e outras, a dupla dá tão certo.
Fascinante em sua direção de arte caprichada, trazendo de volta a Londres do século retrasado com muito cuidado e certo arrojo, Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras é um trabalho de encher os olhos. A fotografia, a cargo novamente de Philippe Rousselot, é estilosa como todo filme de Guy Ritchie. Na crítica sobre o primeiro Sherlock, reclamei da escuridão da imagem – fato que, posteriormente, descobri ser problema realmente da projeção da sala de cinema. Rousselot mantém o estilo intacto neste segundo longa-metragem, criando uma coesão visual muito forte para a franquia.
E falar em coesão visual, é falar de Guy Ritchie. Desde Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, o diretor tem mantido um visual afim em seus trabalhos. Como um profissional que gosta de caprichar no estilo para contar suas histórias, Ritchie deve deixar muitos boquiabertos com a cena em super câmera lenta, que acompanha Holmes, Watson e Simza sendo perseguidos pelos capangas de Moriarty, com direito a explosões e tiros em velocidade quase negativa.
Hans Zimmer é o responsável, novamente, pela trilha sonora do filme e, como tem acontecido em seus recentes trabalhos, acerta em cheio na concepção musical para o longa-metragem. Repetindo aqui e acolá o tema criado para o primeiro filme, dando assim uma unidade temática para a série, Zimmer aproveita a presença da personagem Simza na história para criar uma trilha com sangue cigano. Infalível ultimamente, o compositor entrega mais um trabalho memorável.
Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras deixa o caminho aberto para continuações que, espero, venham em um futuro próximo. É entretenimento de boa qualidade, passatempo que diverte. Nada muito sério, como é exatamente a proposta. Se Ritchie conseguir dar um jeito no ritmo da cinessérie, que teve um primeiro capítulo que começa bem e degringola do meio pro fim e um segundo que faz exatamente o contrário, Sherlock 3 pode vir a ser o melhor da franquia. Do jeito que está, será mais um bem-vindo passatempo, inofensivo e divertidíssimo. Elementar, novamente.
Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes: A Game of Shadows)
Dir.: Guy Ritchie
Com Robert Downey Jr., Jude Law, Jared Harris, Noomi Rapace, Rachel McAdams, Stephen Fry, Eddie Marsan
Cotação Paradoxo: Vale 87% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras:
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Globo de Ouro 2012: A premiação
Em uma noite sem grandes momentos marcantes, a 69ª edição do Globo de Ouro, festa realizada pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês), entregou a estatueta de Melhor Filme – Drama para Os Descendentes, novo trabalho do diretor Alexander Payne, do ótimo Sideways – Umas e Outras. Apesar de ter ganho o grande prêmio da noite e ainda George Clooney ter saído da festa com o Globo de Ouro de Melhor Ator por sua atuação no filme, quem subiu ao palco mais vezes para buscar as estatuetas foi a equipe de O Artista, que venceu em três categorias: Melhor Filme - Comédia ou Musical, Melhor Ator - Comédia ou Musical (Jean Dujardin) e Melhor Trilha Sonora (Ludovic Bource). O resto dos prêmios foi pulverizado durante a noite, em uma cerimônia que chegou perto das três horas de duração.
Muitos astros de Hollywood estavam temorosos e grande parte do público, curioso, para saber quais seriam as piadas que Ricky Gervais faria em cima dos convidados do Globo de Ouro. Bem menos mordaz que em 2011, o comediante britânico fez algumas boas tiradas, mas nada que lembrasse as polêmicas do ano anterior. Falou constantemente do Oscar, lembrando da desistência do host convidado pelo ex-diretor da festa, Brett Ratner. “Quando Eddie Murphy diz sim para Norbit e não para a festa da Academia, você está em apuros”, disse o comediante. Uma pena que as piadas foram poucas, já que a noite foi bem menos divertida do que poderia ser.
A primeira hora da premiação foi voltada mais à televisão. Apenas três categorias cinematográficas foram entregues: Melhor Ator Coadjuvante para Christopher Plummer em Toda Forma de Amor, Melhor Trilha Sonora para O Artista e Melhor Canção Original para “Masterpiece”, música de Madonna para seu filme, W.E.. Aqui, vale ressaltar, que o Globo de Ouro adora dar prêmios a grandes estrelas e Madonna é, certamente, uma delas. No passado, a HFPA inclusive a premiou como Melhor Atriz em Evita. Portanto, não esperaria que em alguma premiação mais séria a Material Girl seja lembrada.
Depois de passados várias categorias de TV, o cinema dominou a festa, principalmente na última hora de premiação – confira todos os vencedores logo abaixo. Os melhores momentos do Globo de Ouro foram alguns discursos de aceitação. Morgan Freeman recebeu das mãos de Sidney Poitier e de Helen Mirren o prêmio Cecil B. de Mille pelo conjunto da obra e lembrou de filmes de seu passado com alguma reverência. Meryl Streep, sempre graciosa, citou cada uma de suas concorrentes no seu discurso, mostrando-se realmente agradecida pelo prêmio recebido. E, George Clooney, simpático como de costume, fez brincadeira com seu amigo Brad Pitt no palco, subindo de bengala para receber seu prêmio.
Um dos grandes problemas do Globo de Ouro para nós, brasileiros, é o fato de a maioria dos filmes ainda não ter chegado no Brasil. Portanto, é difícil apostar ou até torcer pelas produções que estão concorrendo. Como saber se Os Descendentes é melhor que Histórias Cruzadas? Ou se David Fincher fez um bom trabalho em Millenium e sua ausência na lista dos diretores é uma afronta aos bons preceitos cinematográficos? Não é possível saber. Resta, apenas, torcer para os artistas mais simpáticos e esperar acertar tudo no chute. No meu caso, o resultado foi tenebroso, já que acertei apenas 6 das 14 categorias. Esperar e ver se no Oscar os acertos virão.
Confira logo abaixo os vencedores do Globo de Ouro 2012:
FILME – DRAMA
Os Descendentes
FILME - COMÉDIA OU MUSICAL
The Artist
DIRETOR
Martin Scorsese - A Invenção de Hugo Cabret
ATOR – DRAMA
George Clooney - Os Descendentes
ATRIZ – DRAMA
Meryl Streep - A Dama de Ferro
ATOR - COMÉDIA OU MUSICAL
Jean Dujardin - The Artist
ATRIZ - COMÉDIA OU MUSICAL
Michelle Williams - Sete Dias com Marilyn
ROTEIRO
Meia-Noite em Paris, de Woody Allen
ATOR COADJUVANTE
Christopher Plummer - Toda Forma de Amor
ATRIZ COADJUVANTE
Octavia Spencer - Histórias Cruzadas
FILME ESTRANGEIRO
A Separação
ANIMAÇÃO
As Aventuras de Tintim
TRILHA SONORA
The Artist - Ludovic Bource
CANÇÃO ORIGINAL
W.E. - “Masterpiece”, Madonna
Muitos astros de Hollywood estavam temorosos e grande parte do público, curioso, para saber quais seriam as piadas que Ricky Gervais faria em cima dos convidados do Globo de Ouro. Bem menos mordaz que em 2011, o comediante britânico fez algumas boas tiradas, mas nada que lembrasse as polêmicas do ano anterior. Falou constantemente do Oscar, lembrando da desistência do host convidado pelo ex-diretor da festa, Brett Ratner. “Quando Eddie Murphy diz sim para Norbit e não para a festa da Academia, você está em apuros”, disse o comediante. Uma pena que as piadas foram poucas, já que a noite foi bem menos divertida do que poderia ser.
A primeira hora da premiação foi voltada mais à televisão. Apenas três categorias cinematográficas foram entregues: Melhor Ator Coadjuvante para Christopher Plummer em Toda Forma de Amor, Melhor Trilha Sonora para O Artista e Melhor Canção Original para “Masterpiece”, música de Madonna para seu filme, W.E.. Aqui, vale ressaltar, que o Globo de Ouro adora dar prêmios a grandes estrelas e Madonna é, certamente, uma delas. No passado, a HFPA inclusive a premiou como Melhor Atriz em Evita. Portanto, não esperaria que em alguma premiação mais séria a Material Girl seja lembrada.
Depois de passados várias categorias de TV, o cinema dominou a festa, principalmente na última hora de premiação – confira todos os vencedores logo abaixo. Os melhores momentos do Globo de Ouro foram alguns discursos de aceitação. Morgan Freeman recebeu das mãos de Sidney Poitier e de Helen Mirren o prêmio Cecil B. de Mille pelo conjunto da obra e lembrou de filmes de seu passado com alguma reverência. Meryl Streep, sempre graciosa, citou cada uma de suas concorrentes no seu discurso, mostrando-se realmente agradecida pelo prêmio recebido. E, George Clooney, simpático como de costume, fez brincadeira com seu amigo Brad Pitt no palco, subindo de bengala para receber seu prêmio.
Um dos grandes problemas do Globo de Ouro para nós, brasileiros, é o fato de a maioria dos filmes ainda não ter chegado no Brasil. Portanto, é difícil apostar ou até torcer pelas produções que estão concorrendo. Como saber se Os Descendentes é melhor que Histórias Cruzadas? Ou se David Fincher fez um bom trabalho em Millenium e sua ausência na lista dos diretores é uma afronta aos bons preceitos cinematográficos? Não é possível saber. Resta, apenas, torcer para os artistas mais simpáticos e esperar acertar tudo no chute. No meu caso, o resultado foi tenebroso, já que acertei apenas 6 das 14 categorias. Esperar e ver se no Oscar os acertos virão.
Confira logo abaixo os vencedores do Globo de Ouro 2012:
FILME – DRAMA
Os Descendentes
FILME - COMÉDIA OU MUSICAL
The Artist
DIRETOR
Martin Scorsese - A Invenção de Hugo Cabret
ATOR – DRAMA
George Clooney - Os Descendentes
ATRIZ – DRAMA
Meryl Streep - A Dama de Ferro
ATOR - COMÉDIA OU MUSICAL
Jean Dujardin - The Artist
ATRIZ - COMÉDIA OU MUSICAL
Michelle Williams - Sete Dias com Marilyn
ROTEIRO
Meia-Noite em Paris, de Woody Allen
ATOR COADJUVANTE
Christopher Plummer - Toda Forma de Amor
ATRIZ COADJUVANTE
Octavia Spencer - Histórias Cruzadas
FILME ESTRANGEIRO
A Separação
ANIMAÇÃO
As Aventuras de Tintim
TRILHA SONORA
The Artist - Ludovic Bource
CANÇÃO ORIGINAL
W.E. - “Masterpiece”, Madonna
domingo, 15 de janeiro de 2012
Achismos: Globo de Ouro 2012
No Globo de Ouro em 2011, o comediante britânico Rick Gervais, criador do seriado The Office, gerou polêmica por ter feito piadas fortes com as estrelas convidadas e, principalmente, por ter tirado sarro da Foreign Press Association, grupo que concede o prêmio. Era de se esperar que, depois disso, Gervais nunca mais pisaria num evento como esse. Isso seria muito verdadeiro se os organizadores não estiverem preocupados com os números baixos da audiência e, sabendo do apelo de um repeteco das piadas corrosivas de Gervais, não estivessem esperando que o público fosse conferir, curioso, o que viria da cabeça do britânico. Hoje, portanto, teremos, além dos prêmios de praxe, algum espaço para dar risadas às custas de astros e estrelas que estarão por lá esperando ouvir seu nome ser chamado ao palco.
O prêmio da Foreign Press Association há tempos não é termômetro para o Oscar e nem é mais (se é que já foi) levado tão a sério. Mas não deixa de ser divertido, para quem, assim como eu, gosta de premiações e que sempre tenta acertar os vencedores. Diferente da cerimônia da Academia, para a qual me preparo assistindo a todos os filmes indicados, o Globo de Ouro foi sempre uma questão de achismo puro. Tentar acertar os vencedores apenas usando a “Força” e não o conhecimento adquirido ao assistir os longas-metragens. Dito isso, segue abaixo a lista completa de indicados do lado cinematográfico do evento (lembrando que o Globo de Ouro premia TV também) e meus achismos – não necessariamente meus preferidos, mas os que acho que ganharão – em vermelho.
E, quem quiser acompanhar, farei a cobertura ao vivo do Globo de Ouro pelo twitter a partir das 22h desde domingo, 15 de janeiro, pelo perfil @RodrigoMcFly.
FILME – DRAMA
Os Descendentes
Histórias Cruzadas
A Invenção de Hugo Cabret
Tudo pelo Poder
O Homem Que Mudou o Jogo
Cavalo de Guerra
FILME - COMÉDIA OU MUSICAL
50%
The Artist
Missão Madrinha de Casamento
Meia-Noite em Paris
Sete Dias com Marylin
DIRETOR
Woody Allen - Meia-Noite em Paris
George Clooney - Tudo pelo Poder
Alexander Payne - Os Descendentes
Michel Hazanavicous - The Artist
Martin Scorsese - A Invenção de Hugo Cabret
ATOR – DRAMA
George Clooney - Os Descendentes
Leonardo DiCaprio - J. Edgar
Michael Fassbender - Shame
Ryan Gosling - Tudo pelo Poder
Brad Pitt - O Homem Que Mudou o Jogo
ATRIZ – DRAMA
Glenn Close - Albert Nobbs
Viola Davis - Histórias Cruzadas
Rooney Mara - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Meryl Streep - A Dama de Ferro
Tilda Swinton - Precisamos Falar Sobre o Kevin
ATOR - COMÉDIA OU MUSICAL
Jean Dujardin - The Artist
Brendan Gleeson - O Guarda
Joseph Gordon-Levitt - 50%
Ryan Gosling - Amor a Toda Prova
Owen Wilson - Meia-Noite em Paris
ATRIZ - COMÉDIA OU MUSICAL
Jodie Foster - Carnage
Charlize Theron - Jovens Adultos
Kristen Wiig - Missão Madrinha de Casamento
Michelle Williams - Sete Dias com Marilyn
Kate Winslet - Carnage
ROTEIRO
Meia-Noite em Paris, de Woody Allen
Tudo pelo Poder, de George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon
The Artist, de Michel Hazanavicius
Os Descendentes, de Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash
O Homem Que Mudou o Jogo, de Steve Zaillian, Aaron Sorkin, Stan Chervin
ATOR COADJUVANTE
Kenneth Branagh - Sete Dias com Marilyn
Albert Brooks - Drive
Jonah Hill - O Homem Que Mudou o Jogo
Viggo Mortensen - Um Método Perigoso
Christopher Plummer - Toda Forma de Amor
ATRIZ COADJUVANTE
Bérénice Bejo - The Artist
Jessica Chastain - Histórias Cruzadas
Janet McTeer - Albert Nobbs
Octavia Spencer - Histórias Cruzadas
Shailene Woodley - Os Descendentes
FILME ESTRANGEIRO
The Flowers of War
In The Land of Blood and Honey
O Garoto da Bicicleta
A Separação
A Pele que Habito
ANIMAÇÃO
As Aventuras de Tintim
Operação Presente
Carros 2
Gato de Botas
Rango
TRILHA SONORA
The Artist - Ludovic Bource
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres - Trent Reznor, Atticus Ross
A Invenção de Hugo Cabret - Howard Shore
Cavalo de Guerra - John Williams
W.E. - Abel Korzeniowski
CANÇÃO ORIGINAL
Albert Nobbs - “Lay your Head Down”, Glenn Close
Gnomeu e Julieta - “Hello, Hello”, Elton John, Bernie Taupin
Histórias Cruzadas - “The Living Proof”, Mary J. Blidge, Thomas Newman
Redenção - “The Keeper”, Chris Cornell
W.E. - “Masterpiece”, Madonna
ATUALIZADO - GLOBO DE OURO - AO VIVO:
Quem quiser acompanhar a premiação do Globo de Ouro, ao vivo, via internet, a Foreign Press Association liberou o streaming em seu site oficial. Player logo abaixo.
O prêmio da Foreign Press Association há tempos não é termômetro para o Oscar e nem é mais (se é que já foi) levado tão a sério. Mas não deixa de ser divertido, para quem, assim como eu, gosta de premiações e que sempre tenta acertar os vencedores. Diferente da cerimônia da Academia, para a qual me preparo assistindo a todos os filmes indicados, o Globo de Ouro foi sempre uma questão de achismo puro. Tentar acertar os vencedores apenas usando a “Força” e não o conhecimento adquirido ao assistir os longas-metragens. Dito isso, segue abaixo a lista completa de indicados do lado cinematográfico do evento (lembrando que o Globo de Ouro premia TV também) e meus achismos – não necessariamente meus preferidos, mas os que acho que ganharão – em vermelho.
E, quem quiser acompanhar, farei a cobertura ao vivo do Globo de Ouro pelo twitter a partir das 22h desde domingo, 15 de janeiro, pelo perfil @RodrigoMcFly.
FILME – DRAMA
Os Descendentes
Histórias Cruzadas
A Invenção de Hugo Cabret
Tudo pelo Poder
O Homem Que Mudou o Jogo
Cavalo de Guerra
FILME - COMÉDIA OU MUSICAL
50%
The Artist
Missão Madrinha de Casamento
Meia-Noite em Paris
Sete Dias com Marylin
DIRETOR
Woody Allen - Meia-Noite em Paris
George Clooney - Tudo pelo Poder
Alexander Payne - Os Descendentes
Michel Hazanavicous - The Artist
Martin Scorsese - A Invenção de Hugo Cabret
ATOR – DRAMA
George Clooney - Os Descendentes
Leonardo DiCaprio - J. Edgar
Michael Fassbender - Shame
Ryan Gosling - Tudo pelo Poder
Brad Pitt - O Homem Que Mudou o Jogo
ATRIZ – DRAMA
Glenn Close - Albert Nobbs
Viola Davis - Histórias Cruzadas
Rooney Mara - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Meryl Streep - A Dama de Ferro
Tilda Swinton - Precisamos Falar Sobre o Kevin
ATOR - COMÉDIA OU MUSICAL
Jean Dujardin - The Artist
Brendan Gleeson - O Guarda
Joseph Gordon-Levitt - 50%
Ryan Gosling - Amor a Toda Prova
Owen Wilson - Meia-Noite em Paris
ATRIZ - COMÉDIA OU MUSICAL
Jodie Foster - Carnage
Charlize Theron - Jovens Adultos
Kristen Wiig - Missão Madrinha de Casamento
Michelle Williams - Sete Dias com Marilyn
Kate Winslet - Carnage
ROTEIRO
Meia-Noite em Paris, de Woody Allen
Tudo pelo Poder, de George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon
The Artist, de Michel Hazanavicius
Os Descendentes, de Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash
O Homem Que Mudou o Jogo, de Steve Zaillian, Aaron Sorkin, Stan Chervin
ATOR COADJUVANTE
Kenneth Branagh - Sete Dias com Marilyn
Albert Brooks - Drive
Jonah Hill - O Homem Que Mudou o Jogo
Viggo Mortensen - Um Método Perigoso
Christopher Plummer - Toda Forma de Amor
ATRIZ COADJUVANTE
Bérénice Bejo - The Artist
Jessica Chastain - Histórias Cruzadas
Janet McTeer - Albert Nobbs
Octavia Spencer - Histórias Cruzadas
Shailene Woodley - Os Descendentes
FILME ESTRANGEIRO
The Flowers of War
In The Land of Blood and Honey
O Garoto da Bicicleta
A Separação
A Pele que Habito
ANIMAÇÃO
As Aventuras de Tintim
Operação Presente
Carros 2
Gato de Botas
Rango
TRILHA SONORA
The Artist - Ludovic Bource
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres - Trent Reznor, Atticus Ross
A Invenção de Hugo Cabret - Howard Shore
Cavalo de Guerra - John Williams
W.E. - Abel Korzeniowski
CANÇÃO ORIGINAL
Albert Nobbs - “Lay your Head Down”, Glenn Close
Gnomeu e Julieta - “Hello, Hello”, Elton John, Bernie Taupin
Histórias Cruzadas - “The Living Proof”, Mary J. Blidge, Thomas Newman
Redenção - “The Keeper”, Chris Cornell
W.E. - “Masterpiece”, Madonna
ATUALIZADO - GLOBO DE OURO - AO VIVO:
Quem quiser acompanhar a premiação do Globo de Ouro, ao vivo, via internet, a Foreign Press Association liberou o streaming em seu site oficial. Player logo abaixo.
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Cavalo de Guerra
Joey
A Primeira Grande Guerra vista sob a ótica de um cavalo. Reduzido a apenas uma linha, a premissa de Cavalo de Guerra parece risível. Mas não é. Dramático e bem construído, o novo longa-metragem de Steven Spielberg consegue fazer com que o espectador se importe com o destino do quadrúpede e acompanhe com atenção os feitos daquele incrível animal. O cineasta coloca o cavalo como fio condutor da trama, o ponto de ligação entre as várias histórias que se desenrolam nos 135 minutos de projeção.
Baseado no romance de Michael Morpurgo, o roteiro de Cavalo de Guerra tem assinatura de Lee Hall (de Billy Elliott) e Richard Curtis (de Simplesmente Amor). Na trama, acompanhamos o cavalo Joey desde o seu nascimento. Observamos as condições especiais pelas quais é adquirido pela família Narracott e todo o amor que seu dono, o jovem Albert (Jeremy Irvine), sente pelo eqüino. Joey não é um animal talhado para a lida na fazenda, mas dá conta do recado devido a dedicação e confiança que Albert deposita naquele cavalo. Um animal milagroso, alguns poderiam dizer. Quando a guerra é declarada, o pai de Albert, Ted (Peter Mullan, de Filhos da Esperança), sem dinheiro, não vê saída se não vender Joey para o exército britânico. Arrasado, Albert ainda consegue conversar com o novo dono, capitão Nicholls (Tom Hiddleston, de Thor), que promete que lhe devolverá Joey caso tudo corra bem na batalha. A partir daí, vemos o destino do corajoso cavalo e as idas e vindas de seu improvável caminho.
O ano de 2011 deve ter sido um bom período para Steven Spielberg. Além de ter lançado seu tão sonhado longa-metragem baseado nas aventuras do personagem Tintim, do belga Hergé, o cineasta foi homenageado por J.J. Abrams no ótimo Super 8, filme que emula as produções oitentistas do diretor. Em Cavalo de Guerra, Spielberg sai do papel de homenageado e presta seu próprio tributo: ao cinema clássico hollywoodiano. Muito do que vemos no filme remete à época dourada dos filmes norte-americanos dos anos 30 e 40. Os enquadramentos, a iluminação, a música. É como se Spielberg se transportasse para o passado para realizar seu épico. O maior exemplo disso é a cena que fecha o longa-metragem, quando a tela é tomada por um belíssimo tom alaranjado, remetendo a E o Vento Levou com suas cores vermelhas.
Outro ponto que lembra as produções do passado é a emocionante ingenuidade do longa-metragem. Na melhor cena do filme, Joey está passando por apuros e existe uma pequena trégua entre o lado britânico e o lado germânico para que dois soldados consigam ajudá-lo. Não importa o quão improvável esta pequena seqüência seja. O que fica para o espectador é a beleza e a emoção de observar duas pessoas, de lados contrários, unindo-se por um motivo.
Spielberg, em uma escolha certeira, prefere não demonizar os adversários do exército britânico, não fazendo com que os alemães sejam vilões, necessariamente. Diferente da cinessérie Indiana Jones, no qual os germânicos são vistos como figuras unidimensionais, personificações da maldade, em Cavalo de Guerra existem boas pessoas em ambos os lados. Tanto que, em dado momento, Joey é salvo por uma dupla de soldados alemães que vêem no animal uma chance de salvarem suas vidas. Em última análise, é possível que alguns vejam isso como uma fraqueza dos jovens rapazes, uma vontade de não guerrear que não orgulharia os seus antepassados. Mas não é isso que o cineasta diz ao mostrar os jovens tentando salvar a pele.
O que Steven Spielberg mostra é como a guerra é sempre feia. Mesmo quando estamos do lado britânico, não existe um momento de glorificação do conflito. Pelo contrário. Existem, inclusive, comentários de desgosto pela tática utilizada pelo exército britânico, que planejou atacar os alemães sem aviso, os pegando desprotegidos. Quando o pelotão inglês parte para cima dos então indefesos inimigos, o momento não nos é apresentado como heróico, com a música de John Williams embalando os soldados. Existe, sim, uma atmosfera de perigo crescente. E uma montagem muito bem realizada por Michael Kahn, que entrecorta os soldados em seus cavalos com a visão das barracas inimigas sendo pisoteadas pelos animais. Isso até que uma pequena surpresa acaba por retirar dos britânicos sua vantagem.
Em Cavalo de Guerra, acompanhamos diversas histórias, que ganham bom tempo para se desenrolar. Temos o jovem rapaz que ama seu cavalo e fará de tudo para reavê-lo, inclusive alistando-se para o conflito para procurar o animal. Temos o competente capitão que, de bom coração, entende o martírio do antigo dono de seu cavalo, também reconhecendo no eqüino uma força diferente. Temos os irmãos alemães, que possuem idéias diferentes sobre a guerra, mas são traídos pelo senso de responsabilidade do mais velho sobre o caçula. Temos a jovem francesa e seu avô, que, ilhados dentro do conflito, observam tudo lhes serem tirados durante a guerra. E, também, o jovem soldado que enxerga uma centelha de paz durante o combate ao encontrar um animal especial entre trincheiras. Cada um destes personagens ganha destaque em dado momento do filme, surgindo como protagonistas do seu próprio universo. O cavalo também ganha sua própria história, não sendo apenas um objeto dentro da trama. Joey conhece durante a guerra um belo cavalo negro que lhe serve de companhia durante sua jornada. Spielberg traça um paralelo entre a amizade destes dois cavalos e a de Albert e seu vizinho, Andrew (Matt Milne). Reparem que o destino de ambos é revelado de forma equivalente durante o terceiro ato do longa-metragem.
O elenco, como um todo, não é muito conhecido pelo grande público. Spielberg escolheu não escalar astros, deixando com que a história fosse mais importante do que um grande nome no cartaz. O cineasta acerta. Até porque, conseguiu ótimos atores para papéis chave. Destaque para Niels Arestrup (de O Profeta) como o sofrido avô francês, Tom Hiddleston como o simpático capitão do exército e o sempre competente David Thewlis como o arrogante senhorio da família Narracott.
Ao contar diversas histórias e passear por diferentes paisagens em Cavalo de Guerra, Spielberg incorre em apenas um erro fatal: colocar o inglês como idioma único em todo o filme. Quentin Tarantino provou, em 2010, com seu Bastardos Inglórios, que é possível fazer um filme bem sucedido em público e crítica nos Estados Unidos sem ter de esquecer do fato de que existem as línguas francesa, italiana, alemã, etc. Ao utilizar o tradicional “inglês com sotaque” para todos os personagens do filme, Spielberg enfraqueceu e muito o resultado final de Cavalo de Guerra. Uma verdadeira lástima, mácula de um trabalho que tinha tudo para ser um dos melhores do cineasta nos últimos anos.
[Atualizado] Maratona Oscar: Cavalo de Guerra foi indicado a seis Oscar, Melhor Filme, Trilha Sonora, Fotografia, Edição de Som, Mixagem de Som e Direção de Arte. O longa-metragem de Steven Spielberg tem atributos interessantes, mas deve sair da festa de mãos abanando. Suas chances mais remotas estão nas categorias de som.
Cavalo de Guerra (War Horse)
Dir.: Steven Spielberg
Com Jeremy Irvine, Peter Mullan, Emily Watson, Niels Arestrup, David Thewlis, Tom Hiddleston, Benedict Cumberbatch, Toby Kebell, Celine Buckens, David Kross
Cotação Paradoxo: Vale 86% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Cavalo de Guerra:
A Primeira Grande Guerra vista sob a ótica de um cavalo. Reduzido a apenas uma linha, a premissa de Cavalo de Guerra parece risível. Mas não é. Dramático e bem construído, o novo longa-metragem de Steven Spielberg consegue fazer com que o espectador se importe com o destino do quadrúpede e acompanhe com atenção os feitos daquele incrível animal. O cineasta coloca o cavalo como fio condutor da trama, o ponto de ligação entre as várias histórias que se desenrolam nos 135 minutos de projeção.
Baseado no romance de Michael Morpurgo, o roteiro de Cavalo de Guerra tem assinatura de Lee Hall (de Billy Elliott) e Richard Curtis (de Simplesmente Amor). Na trama, acompanhamos o cavalo Joey desde o seu nascimento. Observamos as condições especiais pelas quais é adquirido pela família Narracott e todo o amor que seu dono, o jovem Albert (Jeremy Irvine), sente pelo eqüino. Joey não é um animal talhado para a lida na fazenda, mas dá conta do recado devido a dedicação e confiança que Albert deposita naquele cavalo. Um animal milagroso, alguns poderiam dizer. Quando a guerra é declarada, o pai de Albert, Ted (Peter Mullan, de Filhos da Esperança), sem dinheiro, não vê saída se não vender Joey para o exército britânico. Arrasado, Albert ainda consegue conversar com o novo dono, capitão Nicholls (Tom Hiddleston, de Thor), que promete que lhe devolverá Joey caso tudo corra bem na batalha. A partir daí, vemos o destino do corajoso cavalo e as idas e vindas de seu improvável caminho.
O ano de 2011 deve ter sido um bom período para Steven Spielberg. Além de ter lançado seu tão sonhado longa-metragem baseado nas aventuras do personagem Tintim, do belga Hergé, o cineasta foi homenageado por J.J. Abrams no ótimo Super 8, filme que emula as produções oitentistas do diretor. Em Cavalo de Guerra, Spielberg sai do papel de homenageado e presta seu próprio tributo: ao cinema clássico hollywoodiano. Muito do que vemos no filme remete à época dourada dos filmes norte-americanos dos anos 30 e 40. Os enquadramentos, a iluminação, a música. É como se Spielberg se transportasse para o passado para realizar seu épico. O maior exemplo disso é a cena que fecha o longa-metragem, quando a tela é tomada por um belíssimo tom alaranjado, remetendo a E o Vento Levou com suas cores vermelhas.
Outro ponto que lembra as produções do passado é a emocionante ingenuidade do longa-metragem. Na melhor cena do filme, Joey está passando por apuros e existe uma pequena trégua entre o lado britânico e o lado germânico para que dois soldados consigam ajudá-lo. Não importa o quão improvável esta pequena seqüência seja. O que fica para o espectador é a beleza e a emoção de observar duas pessoas, de lados contrários, unindo-se por um motivo.
Spielberg, em uma escolha certeira, prefere não demonizar os adversários do exército britânico, não fazendo com que os alemães sejam vilões, necessariamente. Diferente da cinessérie Indiana Jones, no qual os germânicos são vistos como figuras unidimensionais, personificações da maldade, em Cavalo de Guerra existem boas pessoas em ambos os lados. Tanto que, em dado momento, Joey é salvo por uma dupla de soldados alemães que vêem no animal uma chance de salvarem suas vidas. Em última análise, é possível que alguns vejam isso como uma fraqueza dos jovens rapazes, uma vontade de não guerrear que não orgulharia os seus antepassados. Mas não é isso que o cineasta diz ao mostrar os jovens tentando salvar a pele.
O que Steven Spielberg mostra é como a guerra é sempre feia. Mesmo quando estamos do lado britânico, não existe um momento de glorificação do conflito. Pelo contrário. Existem, inclusive, comentários de desgosto pela tática utilizada pelo exército britânico, que planejou atacar os alemães sem aviso, os pegando desprotegidos. Quando o pelotão inglês parte para cima dos então indefesos inimigos, o momento não nos é apresentado como heróico, com a música de John Williams embalando os soldados. Existe, sim, uma atmosfera de perigo crescente. E uma montagem muito bem realizada por Michael Kahn, que entrecorta os soldados em seus cavalos com a visão das barracas inimigas sendo pisoteadas pelos animais. Isso até que uma pequena surpresa acaba por retirar dos britânicos sua vantagem.
Em Cavalo de Guerra, acompanhamos diversas histórias, que ganham bom tempo para se desenrolar. Temos o jovem rapaz que ama seu cavalo e fará de tudo para reavê-lo, inclusive alistando-se para o conflito para procurar o animal. Temos o competente capitão que, de bom coração, entende o martírio do antigo dono de seu cavalo, também reconhecendo no eqüino uma força diferente. Temos os irmãos alemães, que possuem idéias diferentes sobre a guerra, mas são traídos pelo senso de responsabilidade do mais velho sobre o caçula. Temos a jovem francesa e seu avô, que, ilhados dentro do conflito, observam tudo lhes serem tirados durante a guerra. E, também, o jovem soldado que enxerga uma centelha de paz durante o combate ao encontrar um animal especial entre trincheiras. Cada um destes personagens ganha destaque em dado momento do filme, surgindo como protagonistas do seu próprio universo. O cavalo também ganha sua própria história, não sendo apenas um objeto dentro da trama. Joey conhece durante a guerra um belo cavalo negro que lhe serve de companhia durante sua jornada. Spielberg traça um paralelo entre a amizade destes dois cavalos e a de Albert e seu vizinho, Andrew (Matt Milne). Reparem que o destino de ambos é revelado de forma equivalente durante o terceiro ato do longa-metragem.
O elenco, como um todo, não é muito conhecido pelo grande público. Spielberg escolheu não escalar astros, deixando com que a história fosse mais importante do que um grande nome no cartaz. O cineasta acerta. Até porque, conseguiu ótimos atores para papéis chave. Destaque para Niels Arestrup (de O Profeta) como o sofrido avô francês, Tom Hiddleston como o simpático capitão do exército e o sempre competente David Thewlis como o arrogante senhorio da família Narracott.
Ao contar diversas histórias e passear por diferentes paisagens em Cavalo de Guerra, Spielberg incorre em apenas um erro fatal: colocar o inglês como idioma único em todo o filme. Quentin Tarantino provou, em 2010, com seu Bastardos Inglórios, que é possível fazer um filme bem sucedido em público e crítica nos Estados Unidos sem ter de esquecer do fato de que existem as línguas francesa, italiana, alemã, etc. Ao utilizar o tradicional “inglês com sotaque” para todos os personagens do filme, Spielberg enfraqueceu e muito o resultado final de Cavalo de Guerra. Uma verdadeira lástima, mácula de um trabalho que tinha tudo para ser um dos melhores do cineasta nos últimos anos.
[Atualizado] Maratona Oscar: Cavalo de Guerra foi indicado a seis Oscar, Melhor Filme, Trilha Sonora, Fotografia, Edição de Som, Mixagem de Som e Direção de Arte. O longa-metragem de Steven Spielberg tem atributos interessantes, mas deve sair da festa de mãos abanando. Suas chances mais remotas estão nas categorias de som.
Cavalo de Guerra (War Horse)
Dir.: Steven Spielberg
Com Jeremy Irvine, Peter Mullan, Emily Watson, Niels Arestrup, David Thewlis, Tom Hiddleston, Benedict Cumberbatch, Toby Kebell, Celine Buckens, David Kross
Cotação Paradoxo: Vale 86% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Cavalo de Guerra:
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