Afro Circus
A franquia cinematográfica Madagascar não é conhecida por sua verossimilhança. Animais falantes, fugitivos, que dependem de pinguins para locomoção não poderiam ser. No entanto, por mais amalucado e caótico que o roteiro dos longas-metragens anteriores era, a narrativa não parecia tão bagunçada quanto neste Madagascar 3: Os Procurados. Ou, ao menos, não tão sem graça. Neste terceiro episódio, ainda que tenhamos a participação mais ativa dos pinguins (as reais estrelas do filme), pouca coisa se salva.
Com roteiro de Noah Baumbach (de O Solteirão) e Eric Darnell (de Madagascar 2), com direção deste último, ao lado de Tom McGrath (também veterano da franquia) e Conrad Vernon (de Monstros vs. Alienígenas), Madagascar 3 começa no ponto de onde o anterior parou. Alex (com voz de Ben Stiller) está com saudades do zoológico de Nova York, sua casa no primeiro filme. Conversando com seus amigos Melman (David Schwimmer), Gloria (Jada Pinkett Smith) e Marty (Chris Rock), o leão descobre que não é o único a acalentar um desejo de retorno. Para tanto, é necessário que o quarteto encontre os pinguins, que foram a Monte Carlo e prometeram voltar para buscá-los. Nesta jornada, os animais do zoológico, acompanhados do Rei Julien (Sacha Baron Cohen), começam a ser caçados pela policial francesa Chantel Dubois (Frances McDormand), que tem como objetivo colocar a cabeça de um leão em sua parede de troféus. Durante a perseguição, o grupo encontra uma trupe circense e resolve se infiltrar para fugir. E este esconderijo pode ser a chave para o futuro daqueles amigos.
Em animações, é muito natural que os coadjuvantes engraçadinhos sejam imensamente populares, geralmente até mais do que os protagonistas. Timão e Pumba em O Rei Leão, o Gênio da Lâmpada em Aladdin, o esquilinho Scratch em A Era do Gelo e tantos outros possíveis exemplos não me deixam mentir. Mas no caso de Madagascar 3, a palidez dos protagonistas frente ao carisma dos pinguins é tão grande que é possível notar até a preferência dos roteiristas pelos coadjuvantes. Ainda que não protagonizem sequências geniais, o grupo de aves que atua como um pelotão militar consegue ao menos fazer sorrir durante boa parte do filme. O mesmo não pode ser dito do rei Julien, destaque dos dois filmes anteriores e que, aqui, simplesmente não ganha cenas engraçadas. Seu romance com uma ursa cai na mesma categoria bizarra do namoro entre o Burro e o Dragão em Shrek, mas não agrega risada alguma ao filme. Pelo contrário, desperdiça um dos personagens mais carismáticos da franquia.
Do quarteto principal, o que mais se destaca em matéria de riso é Martin, que ganha uma canção tão (ou mais) chiclete do que I Like to Move it, Afro Circus - que, durante os créditos finais, é fundida com o tema do filme original, criando uma música difícil de tirar da cabeça pelos próximos meses. O romance entre Gloria e Melman, um dos temas de destaque de Madagascar 2, não chega a ser esquecido, até porque os dois ainda são um casal, mas não ganha destaque algum, deixando a dupla completamente à margem da história. Enquanto isso, Alex se transforma em uma espécie de mentor para a trupe circense, ficando dividido entre seu passado no zoológico e um possível futuro no picadeiro.
É digno de louros o trabalho fantástico dos animadores em recriar algumas características do elenco em seus personagens. A dentição e o jeito de falar de Bryan Cranston foi copiado de forma assustadora no tigre russo Vitaly, um dos novos personagens do filme. Enquanto isso, a suavidade da bela Jessica Chastain foi incorporado de forma interessante em sua personagem, a esguia Gia. No Brasil, a dublagem não deixa a desejar, com um elenco de vozes competente (com exceção, talvez, de Marcos Frota, que se perde no sotaque italiano). Voltando aos animadores, a recriação da Europa também merece elogios, com alguns pontos turísticos bastante conhecidos dando as caras no filme.
Com uma história pouco inventiva e sem espaço para o riso de outrora, Madagascar 3 é uma sombra do que a cinessérie já foi em matéria de diversão. Alguns bons momentos aqui e acolá infelizmente não salvam o filme de um resultado morno, mais indicado para o home vídeo do que o cinema. Talvez um longa-metragem dedicado apenas aos pinguins tivesse melhor sorte. Ao menos, a trama deste terceiro capítulo fecha bem as pontas de toda a franquia, não sendo necessário mais uma sequência para dar continuidade às aventuras. Isso, claro, se o dinheiro – sempre ele – não falar mais alto.
Madagascar 3: Os Procurados (Madagascar 3: Europe’s Most Wanted)
EUA – 93 min – Animação
Direção: Eric Darnell, Tom McGrath e Conrad Vernon
Roteiro: Eric Darnell e Noah Baumbach
Com as vozes de Ben Stiller, Chris Rock, David Schwimmer, Jada Pinkett Smith, Sacha Baron Cohen, Cedric the Entertainer, Andy Richter, Frances McDormand, Jessica Chastain, Bryan Cranston, Martin Short
Cotação Paradoxo: Vale 55% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Madagascar 3: Os Procurados:


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