quarta-feira, 9 de maio de 2012

Um Homem de Sorte

It makes no sparks

Nicholas Sparks se transformou em grife de histórias românticas. Autor de Um Amor para Recordar, Diário de uma Paixão, Noites de Tormenta e Querido John, Sparks vem sendo adaptado para Hollywood com certa regularidade e, embora nunca tenha lido nada do autor, consigo entender o fascínio que algumas jovens meninas (e algumas nem tão jovens assim) podem ter pelas histórias do escritor. Em Um Homem de Sorte, temos aquele romance água com açúcar feito nos céus: um rapaz perfeito conhece a garota perfeita, os dois passam por algumas dificuldades de início, mas logo sucumbem a um amor incondicional. Um evento os separa momentaneamente, enquanto o espectador se pergunta se aqueles pombinhos irão ou não ficar juntos. Isso, claro, se esta for sua primeira incursão no gênero. Meticulosamente formulaico, servindo mais como veículo para Zac Efron mostrar que High School Musical é uma lembrança distante, Um Homem de Sorte só deve agradar aos fãs mais ardorosos das tramas românticas.

Com roteiro de Will Fetters (de Lembranças), baseado na obra homônima de Sparks, o filme tem direção de Scott Hicks (de Shine - Brilhante). Logan (Efron) é um fuzileiro naval que está em sua terceira missão no Iraque. Durante uma de suas tarefas, ele encontra no chão a foto de uma bela mulher, com "Cuide-se" escrito no verso. O achado o faz se deslocar do lugar onde, segundos depois, é explodido em pedaços. Acreditando que aquela foto lhe trouxe sorte, Logan promete a si mesmo que encontrará aquela mulher e lhe agradacerá pela ajuda. Ao voltar aos Estados Unidos, o fuzileiro encontra a tal desconhecida em uma pequena cidade do Colorado. Ela se chama Beth (Taylor Schilling, de Atlas Shrudded, ainda inédito no Brasil), mora com sua avó, Ellie (Blythe Danner, de Entrando numa Fria maior Ainda com a Família), tem um filho chamado Ben (Riley Thomas Stewart, de Um Novo Despertar), e gerencia um abrigo de animais. Logan acaba conseguindo um emprego no local antes de conseguir revelar os reais motivos de sua visita. Como de praxe, os dois se dão conta, não muito tempo depois, que estão perdidamente apaixonados um pelo outro. As únicas pedras no caminho do casal são as investidas do ex de Beth, Clayton (Jay R. Ferguson, de O Assassino em Mim), e, claro, o segredo de Logan.

Seguindo fielmente a cartilha dos romances, Um Homem de Sorte não guarda surpresa alguma para seus espectadores. O esquema transcrito no primeiro parágrafo desta crítica é utilizado com minúcia por Fetters e Sparks, que se aproveitam do público fiel do gênero para reciclar todos os clichês deste tipo de história. Nada mais enfadonho que acompanhar um casal perfeito, sem defeitos, passear pela tela. Logan é bonito, corajoso, prestativo e educado. Beth é linda, atenciosa, inteligente e carinhosa. Não fosse talvez seu gosto pregresso por homens, seria a mulher perfeita. Eles terão de lutar contra a imperfeição de Clayton, um homem bruto, machão e arrogante, que deseja ter sua ex de volta. Com essa gama de personagens, é impossível construir uma trama interessante. De início, Logan sofre com os resquícios da guerra em seu sistema nervoso, um ponto fraco que, ainda que não inédito, poderia adicionar alguma dramaticidade ao papel. Tão logo ele chega ao Colorado (encontrando a mulher com uma facilidade absurda, diga-se), este trauma é totalmente esquecido. Beth também possui uma cicatriz, a perda do irmão, fuzileiro tal como Logan. Esta subtrama é um pouco melhor explorada, mas igualmente não chega a se desenrolar a contento.

Ao menos, Zac Efron consegue convencer em seu papel, mesmo que não seja um desafio monstruoso. A falta de profundidade do personagem acaba o ajudando. Quem realmente encanta é a quase estreante Taylor Schilling, que se conseguir fazer escolhas corretas em sua carreira, defendendo papéis melhores em produções mais requintadas, tem tudo para ser um nome a se observar. Já a veterana Blythe Danner serve apenas como um bem-vindo alívio cômico, sendo utilizada em doses homeopáticas.

Acredito não ser um grande choque para ninguém - nem mesmo um gigantesco spoiler - citar que o fato que separa o casal no decorrer do filme é a descoberta que Logan não conheceu Beth por acaso. Fiquei na torcida para que pelo menos este clichê fosse deixado de lado, e que o casal não tivesse o rompimento padrão, precursor da reconciliação clássica no terceiro ato. Até porque, os motivos apresentados pelo rapaz pela omissão da verdade são bastante compreensivos. E o fato da mulher ser vista por ele como um amuleto da sorte é diabeticamente romântico. Infelizmente, o roteiro vai pelo caminho conhecido, sucumbindo às regras do gênero.

Recomendado somente para fãs de romances açucarados, Um Homem de Sorte não apresenta nada de novo, falhando no desenvolvimento dos personagens ou na construção de uma trama menos requentada. A guerra é colocada ali apenas para contar, dando um pano de fundo mais sério, mas nunca explorado como devia. Se Zac Efron deseja amadurecer em sua carreira, terá de fazer melhor do que apenas aparecer em cenas de sexo com sua parceira de tela. Isso, por si só, não ajudará no intento. Fica a dica.

Um Homem de Sorte (The Lucky One)
EUA - 101 minutos - Romance
Dir.: Scott Hicks
Roteiro: Will Fetters, baseado em livro homônimo de Nicholas Sparks
Com Zac Efron, Taylor Schilling, Blythe Danner, Riley Thomas Stewart, Jay R. Ferguson, Adam LeFevre
Cotação Paradoxo: Vale 45% do ingresso

Confira logo abaixo o trailer de Um Homem de Sorte:

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