quinta-feira, 17 de maio de 2012

O Exótico Hotel Marigold

Elderly and Beautiful

Com o cinema cada vez mais voltado para o público adolescente, é interessante observar, vez que outra, algum filme que nade contra a maré, que seja voltado para outro tipo de audiência, um espectador mais velho, que, sim, ainda vai ao cinema e que, sim, tem vontade de se ver retratado na telona. Este é O Exótico Hotel Marigold, novo trabalho do cineasta John Madden, conhecido por dirigir o oscarizado Shakespeare Apaixonado. Com um elenco estelar de atores experientes como Tom Wilkinson (de Conspiração Americana), Judi Dench (de Sete Dias com Marilyn), Bill Nighy (de Fúria de Titãs 2) e Maggie Smith (de Harry Potter e as Relíquias da Morte), Madden constrói um filme que joga seus personagens em um país diferente, revelando os contrastes entre os costumes britânicos e indianos, para fazê-los encontrar o seu verdadeiro caminho.

Na trama, com roteiro assinado por Ol Parker (de Imagine Eu e Você), baseado no livro de Deborah Moggach “These Foolish Things”, somos apresentados a sete pessoas que, sem se conhecerem, embarcam em uma viagem para a Índia, hospedando-se no hotel Marigold, uma espécie de resort – bastante caído – para idosos, gerenciado pelo sonhador Sonny (Dev Patel, de Quem Quer ser um Milionário?). Na turma, conhecemos a entristecida recém viúva Evelyn (Dench), o ex-juiz Graham (Wilkinson), o casal com problemas Douglas (Nighy) e Jean (Penelope Wilton, de Orgulho e Preconceito), a loba Madge (Celia Imrie, de O Diário de Bridget Jones), o boa-vida Norman (Ronald Pickup, de Príncipe da Pérsia) e a preconceituosa Muriel (Smith). Cada um está na Índia por motivos diversos, penando para se acostumar às diferenças culturais do lugar. Quando este clash de costumes não é mais problema, cada um deles começa a encontrar o que procurava, em uma experiência transformadora para todos.

O maior desafio em um filme de ensemble, com muitos personagens e atores bastante conhecidos, é conseguir organizar as idéias e dar tempo de tela para cada um mostrar o que sabe fazer. Infelizmente, John Madden não teve habilidade para tanto, deixando à margem personagens que poderiam trazer algo para a história, como Norman e Madge, que são esquecidos sistematicamente pelo roteiro. Ainda que ganhem arcos, ambos personagens aparecem bem menos do que poderiam. Madge, inclusive, nem ganha um final destacado, aparecendo apenas em uma montagem no desfecho, brindando com um possível pretendente. Maggie Smith até aparece mais do que esta dupla, mas também fica em segundo plano por boa parte da trama. Seu preconceito para com pessoas de outra raça é fortíssimo no início da história, mas vai quase como mágica, se esvaindo com o desenrolar do filme. Uma daquelas mudanças de personalidade que gostaríamos de ver acontecendo na vida real, mas que infelizmente sabemos que não é tão fácil como mostrada no cinema. A personagem só não perde pontos pela atuação estupenda da veterana Maggie Smith, que, com seu trabalho, poderia fazer que acreditássemos em qualquer coisa.

Quem ganha tempo para explorar seus personagens é Judi Dench e Tom Wilkinson, os dois protagonistas deste filme de grupo. Evelyn é uma mulher que sempre fez tudo com o marido e, quando viúva, fica um tanto perdida com esta nova condição. Ao visitar a Índia, começa a desenvolver uma independência até então desconhecida, conseguindo inclusive um primeiro emprego. Sua amizade com Graham e com Douglas a ajuda neste momento revelador, um reflexo de sua influência para com os dois. Graham vê em Evelyn uma pessoa com quem ele pode conversar e se abrir. Dono de um segredo há anos escondido, o ex-juiz morou, durante a juventude, na Índia, e deixou alguém muito especial para trás. Em seu retorno, sua única vontade é reencontrar este amor. Wilkinson faz um retrato terno daquele homem que viveu uma existência de mentiras e que, no apagar das luzes, resolve corrigir este erro. Uma ótima atuação, formando uma belíssima dobradinha com Judi Dench. Já Douglas, vivido com inédita sobriedade por Bill Nighy, é um otimista inveterado que, mesmo vivendo um casamento infeliz, tenta sempre fazer o certo para a esposa, Jean. Ela, por sua vez, se encanta por Graham e vê no ex-juiz uma saída para seu relacionamento infeliz. A viagem à Índia transforma o casal, que percebe, talvez tardiamente, que vivia uma mentira.

Se já não bastassem estes sete personagens, ainda existe um arco para o dono do hotel Marigold, o jovem Sonny. O rapaz precisa convencer sua mãe, a senhora Kapoor (Lillete Dubey, de Feira das Vaidades), de que pode reerguer o antigo empreendimento do pai e, ainda por cima, casar com Sunaina (Tena Desae), mulher que ama. Além de não ser tão interessante quanto as outras tramas, Dev Patel tem atuação fraca demais, ironicamente imitando o retrato ocidental de um indiano.

Longo, O Exótico Hotel Marigold tem nas boas atuações de seu elenco experiente sua principal qualidade. Ainda que em doses homeopáticas, algumas piadas funcionam e deixam o longa-metragem de John Madden um pouco mais divertido do que seus demais trabalhos. O que fica desta produção, mesmo sendo um grande clichê, é o pensamento corretíssimo de que nunca é tarde para mudar. Como observamos em O Exótico Hotel Marigold, a recompensa em sair de sua área de conforto pode ser transformadora. Um bom programa para levar os pais ou avós para o cinema.

O Exótico Hotel Marigold (The Best Exotic Marigold Hotel)
Reino Unido – 125 minutos – Comédia
Dir.: John Madden
Roteiro: Ol Parker, baseado em obra de Deborah Moggach
Com Judi Dench, Tom Wilkinson, Dev Patel, Bill Nighy, Penelope Wilton, Celia Imrie, Ronald Pickup e Maggie Smith
Cotação Paradoxo: Vale 70% do ingresso

Confira logo abaixo o trailer de O Exótico Hotel Marigold:

2 comentários:

clarissa toledo disse...

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Rogerio Floripa disse...

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