Back in Black
Em 1997, MiB – Homens de Preto fez uma mistura coesa de comédia e ficção científica só antes vista em igual proporção no divertidíssimo Os Caça-Fantasmas, de 1984. Tommy Lee Jones e Will Smith faziam a tradicional dupla inter-racial que não se bica, presença constante em filmes policiais, mas que, em uma mudança interessante, estava desta vez às voltas com um problema de proporções intergalácticas, a escória do universo. Infelizmente, a magia do primeiro filme não se repetiu no segundo, que contava com uma trama pouco inventiva e que tomava emprestado quase tudo do original, mas sem o frescor da novidade. Dez anos depois desta esquecível sequência, esperar por algo remotamente interessante desta franquia era praticamente almejar um milagre. E não é que ele veio? O santo responsável pela dádiva é São Josh Brolin, que com sua inspirada mimese dos cacoetes de interpretação de Tommy Lee Jones conseguiu dar uma lufada de ar fresco em um filme que, se não é tão bom quanto o primeiro, é ao menos divertido o suficiente para fazer com que esqueçamos totalmente do erro que foi Homens de Preto II.
Na trama, assinada por Etan Cohen (de Trovão Tropical), o perigoso alienígena Boris, The Animal (Jemaine Clemant, de Jantar para Idiotas) escapa da prisão lunar onde está aprisionado nos últimos 40 anos e tem apenas um objetivo: vingar-se de K (Jones), agente da MiB que não só o prendeu, como decepou um de seus braços. Seu plano é simples (para os padrões do filme), voltar no tempo e eliminar K antes que ele possa prendê-lo. Boris só não contava que J (Smith) daria por falta do seu companheiro de trabalho e também viajaria ao passado, mas para salvá-lo. Encontrando a versão jovem de K (Brolin) no quartel-general dos Homens de Preto, J terá de correr contra o tempo para salvar seu velho amigo deste problema.
Sem trabalhar como ator nos últimos quatro anos, Will Smith retorna às telonas com um de seus personagens mais famosos no cinema e não faz feio. Sua já habitual forma divertida de encarnar seus papeis cai como luva neste Homens de Preto 3. Não dá para dizer o mesmo da dobradinha entre o ator e Tommy Lee Jones. A química da dupla, um dos destaques do primeiro filme, em 1997, não se repete da mesma forma neste novo filme. Culpa talvez dos diálogos expositivos, que precisam dar conta dos últimos 10 anos em que não vemos os personagens. O K de Tommy Lee Jones sempre foi uma figura sisuda, mas isso acabava sendo engraçado ao ser posto em contraste com a vivacidade da interpretação de Will Smith. Faltou um pouco de cuidado no primeiro ato, com a participação do veterano ator.
Quando a trama pula para 1969, Josh Brolin toma o personagem K para si e dá um show com sua interpretação. Fazendo uma cópia do estilo de Tommy Lee Jones, mas conseguindo transformar o personagem em algo seu, visto que K está 40 anos mais jovem em suas cenas, Brolin traz de volta um pouco daquela química vista entre K e J no primeiro Homens de Preto. Um pouco menos sério, mas igualmente focado em seu trabalho e em suas missões, o K de Josh Brolin é uma ótima adição à franquia e seria uma lástima não vê-lo novamente em futuros filmes. Cabe apenas aos roteiristas encontrarem uma forma de trazê-lo de volta sem repetir a mesma premissa deste Homens de Preto 3.
O filme, como um todo, é mais interessante quando sua trama está no passado. A direção de arte é caprichada, recriando os anos 60 de forma inventiva, com até os ETs ganhando características datadas; Como já mencionado, a química entre a dupla principal está mais afinada entre Smith e Brolin; e a própria trama diverte mais quando vemos J esbarrar com figuras como Andy Warhol (Bill Hader, de Ano Um) ou a versão mais jovem de sua chefe, O (Alice Eve, de O Corvo), sem conseguir esconder de forma convincente o fato de ter vindo do futuro.
Em qualquer história envolvendo viagens no tempo, sempre existem os inevitáveis paradoxos e com Homens de Preto 3 não é diferente. São muitos os furos do roteiro, perdoáveis apenas pelo fato da produção conseguir divertir o suficiente a ponto do espectador não fazer muitas perguntas. Em vez de nos concentrarmos no fato de J lembrar de K, mesmo ele tendo morrido há 40 anos, ou em como J chegou ao MIB, se seria impossível ter sido recrutado por um agente morto, ficamos felizes pelo fato dos Homens de Preto terem voltado da forma mais próxima do que lembramos do original. Se não existirem outros filmes da franquia, Homens de Preto 3 fecha muito bem a saga, colocando inclusive uma conclusão sentimental para toda a história. Caso sejam feitas mais continuações, existem muitas possibilidades de novas tramas – mas todas precisam incluir Josh Brolin como o K jovem. Só assim para o milagre se repetir.
Homens de Preto 3 (MiB 3)
EUA – 103 minutos – Comédia
Dir.: Barry Sonnenfeld
Roteiro: Etan Cohen
Com Will Smith, Tommy Lee Jones, Josh Brolin, Jemaine Clemant, Emma Thompson, Bill Hader, Michael Stuhlbarg, Alice Eve
Cotação Paradoxo: Vale 70% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Homens de Preto 3:

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