quinta-feira, 17 de maio de 2012

Battleship - A Batalha dos Mares

B1 - Água!

É preciso muita criatividade – ou melhor, falta de – para conceber um roteiro para um longa-metragem baseado em um jogo de tabuleiro tão banal quanto batalha naval (rima não intencional). Não à toa, a produtora responsável por Battleship – A Batalha dos Mares é a mesma Hasbro de Transformers, aquele monte de efeitos especiais junto de algumas atuações pífias que Michael Bay gosta de chamar de filme (três vezes, ainda por cima). Comandada por Peter Berg (de Hancock), a produção, é bem verdade, está mais para um Independence Day capenga do que para um Transformers. Ainda bem, como vocês poderão observar nas próximas linhas.

Na trama, assinada pelos irmãos Erich e Jon Hoeber (de Red – Aposentados e Perigosos), Alex Hopper (Taylor Kitsch, de John Carter) é um relapso jovem adulto que não tem responsabilidade alguma, nenhum tipo de objetivo ou vontade de mudar esta situação. Seu irmão, Stone (Alexander Skarsgard, de Melancolia), trabalha na marinha e, após vê-lo cometer um crime infantil para impressionar a estonteante Samantha (Brooklyn Decker, de Esposa de Mentirinha), obriga Alex a seguir os seus passos como oficial. À contra gosto, Alex concorda. Tempos depois, durante um torneio da marinha, um estranho objeto cai no mar e, tudo indica, põe em risco a segurança do planeta. Cabe agora a Alex e seus amigos salvarem o mundo desta potencial ameaça.

Digo potencial porque, em um de seus poucos momentos inspirados, o roteiro não soletra qual é o perigo que estamos vivendo. Os humanos acreditam que poderemos perder nosso lugar no planeta por causa daquela visita interplanetária. Mas o que vemos em tela quando enxergamos a visão dos alienígenas é uma sábia espera pela resposta humana. Eles respondem às nossas atitudes. Os ETs chegam após um contato terráqueo enviado ao seu planeta, só abrindo fogo contra os humanos após terem recebido uma resposta nada amistosa e, claramente, só atacavam quem se mostrava uma ameaça imediata. Ou seja, o filme deixa em aberto o real propósito dos aliens na Terra – o que, por si só, já deixa esta produção acima de qualquer porcaria dirigida por Michael Bay.

Lógico que nós, humanos, não ficaríamos esperando a bandeira branca ou o chumbo grosso vindo dos visitantes e já partimos para o ataque. Sem querer ler demais as entrelinhas de um filme claramente feito para entreter apenas, a resposta da marinha americana é exatamente o que esperaríamos em um evento no qual o inimigo é desconhecido, porém potencialmente perigoso. Algo que acontece na vida real, diga-se.

Uma pena que tudo isso seja desperdiçado com personagens tão desinteressantes. Ainda mais em um filme em que, diferente de um Transformers, para continuarmos no mesmo exemplo, são os humanos os protagonistas. Esta é uma grande diferença e motivo para um cuidado redobrado pelos roteiristas. Em Battleship, a principal história é a de Alex, que deverá encontrar toda a responsabilidade e força de comando que estão escondidas em algum lugar dentro de si em uma batalha contra alienígenas. Se já não tivéssemos visto este mesmo personagem em centenas de filmes diferentes, talvez ficássemos satisfeitos.

A culpa nem é de Taylor Kitsch, que mais uma vez morre abraçado em um filme de gosto duvidoso (vide X-Men Origens – Wolverine e John Carter). Outros personagens ganham arcos menores, mas alguns só servem para embelezar a tela (Samantha) ou mostrar o caminho para o herói (Stone). Rihanna devia seguir com a música e Liam Neeson precisa começar a pensar mais no seu corpo de trabalho no que em forrar o bolso de dinheiro. O ator só serve para dar um pouco de peso ao personagem que vive – o que, convenhamos, não faz diferença alguma para o todo da história. O arco mais interessante de todo o filme, e melhor atuação, é do estreante Gregory D. Gadson, que vive um oficial que perdeu as pernas em combate e, agora, sofre para se acostumar com suas próteses. É o mais humano dos dramas e o mais profundo dos personagens em Battleship.

Utilizando de forma criativa a clássica jogabilidade do batalha naval, e com uma trilha sonora roqueira que faz toda a diferença, Battleship – A Batalha dos Mares só não decepciona porque não se esperava nada dele. Desta forma, até entretém em alguns momentos e surpreende positivamente em outros. O todo, infelizmente, não é muito recomendável. Mas já supera muitas bobagens que vemos por aí assinadas por Michael Bay e companhia.

Battleship – A Batalha dos Mares (Battleship)
EUA – 131 min – Aventura
Dir.: Peter Berg
Roteiro: Erich e Jon Hoeber
Com Taylor Kitsch, Alexander Skarsgard, Rihanna, Brooklyn Decker, Tadabobu Asano, Hamish Linklater, Peter MacNicol, Liam Neeson
Cotação Paradoxo: Vale 50% do ingresso

Confira logo abaixo o trailer de Battleship – A Batalha dos Mares:

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