segunda-feira, 7 de maio de 2012

Anjos da Lei

Rua Jump, Número 21

“Felizmente, para vocês, estamos ressuscitando um programa de infiltração policial dos anos 80 e adaptando para os dias de hoje. Os caras no comando disso tem pouca criatividade e estão completamente sem ideias. Então eles reciclam porcarias do passado e esperam que ninguém perceba.” É assim que, no filme Anjos da Lei, o chefe dos novatos policias Jenko (Channing Tatum, de A Toda Prova) e Schmidt (Jonah Hill, de O Homem que Mudou o Jogo) descreve o programa para o qual os dois estão sendo transferidos, localizado no número 21 da rua Jump. Ao mesmo tempo, a fala tira um tremendo sarro da enxurrada de remakes e continuações que Hollywood vem empurrando goela abaixo do público, dentre eles, o próprio Anjos da Lei, que serve como uma sequência para o seriado oitentista que revelou o astro Johnny Depp. Este é o maior mérito desta comédia: não se levar a sério em momento algum, satirizando seus próprios pontos fracos e fazendo um grande pastiche dos filmes de ação.

O longa-metragem é dirigido por Phil Lord e Chris Miller (de Tá Chovendo Hambúrguer), com roteiro de Michael Bacall (de Projeto X), baseado em história do próprio, junto de Jonah Hill. Na trama, Jenko e Schmidt são ex-colegas de colégio que nunca se deram bem. O primeiro era popular e atleta. O segundo, nerd e totalmente inseguro. Anos depois da formatura, os dois se reencontram na academia de polícia e, ajudando um ao outro em seus pontos fracos, se tornam policiais e amigos. Infelizmente, o trabalho não era tão glamouroso ou empolgante quanto eles pensavam. Em sua primeira “missão”, a dupla prende um dos membros de uma perigosa gangue de traficantes, mas por não cumprirem seu dever como oficiais (ler os direitos do delinqüente), a prisão teve de ser revogada e o meliante, solto. Mostrando inaptidão para o serviço, Jenko e Schmidt são transferidos para um programa policial que infiltra agentes em escolas, tentando coibir o tráfico de drogas e outras delinquências. Respondendo agora ao irritado capitão Dickson (Ice Cube, de Rampart), os dois amigos se vem de volta à antiga escola, mas percebem que nada mais é do jeito que era. Os nerds agora são populares e o bullying é finalmente visto como algo perigoso. É neste novo universo que Jenko e Schmidt, infiltrados como os irmãos Brad e Doug, terão de trabalhar e descobrir quem é o traficante de uma nova droga sintética que está preocupando as autoridades.

Apesar de ser baseado na popular série oitentista, Anjos da Lei não se parece em nada com seu material de origem. Para quem lembra, o seriado se levava bastante a sério, tratando assuntos que chegavam a ser educativos para a juventude do final da década de 80. O grande acerto desta produção hollywoodiana é fazer exatamente o contrário. Tirando sarro do estilo policialesco da série, mas ambientado-se dentro do mesmo universo, o longa-metragem tem chance até de contar com uma ponta esperta de Johnny Depp, ator que, em começo de carreira, protagonizava o seriado, revivendo seu antigo personagem.

A grande sacada de Anjos da Lei é apontar as diferenças no ambiente escolar nos dias de hoje em relação a um passado não tão distante, com isso, promovendo uma inversão de papéis entre Channing Tatum e Jonah Hill. Se há alguns anos, Schmidt era um sujeito deslocado e criticado pela sua nerdice, hoje, estas suas características são vistas como algo cool. Por outro lado, Jenko era um atleta típico das escolas norte-americanas, implicando com os mais fracos e com as minorias. Na nossa sociedade atual, isto não é apenas incorreto como criminoso. As confusões que surgem a partir destas mudanças são bem trabalhadas pelo roteiro, surgindo como engraçadas gags.

Anjos da Lei é um típico filme da era “bromance”, no qual temos dois homens que são amigos a toda prova, interpretados por Jonah Hill e Channing Tatum. A química entre os dois é excelente, com ambos fazendo escada para as piadas do outro. Ice Cube também diverte fazendo o tradicional capitão irritado, que não pensa duas vezes antes de mandar seus subalternos calarem a boca. “Vocês estão aqui porque são idiotas que se parecem com Justin Beaver (sic) e Miley Cyrus”, sentencia o capitão, em sua primeira aparição.

Despretensioso como boas comédias conseguem ser, Anjos da Lei parte de uma premissa pouco inspirada e, como Jonah Hill citou em entrevistas, da baixíssima expectativa do público para surpreender com boas piadas, situações amalucadas e divertidas inversões de clichês. Daqueles programas para curtir com um balde de pipoca e litros de refrigerante.

Anjos da Lei (21 Jump Street)
EUA – 109 minutos – Comédia
Dir.: Phil Lord e Chris Miller
Roteiro: Michael Bacall, baseado em história de Bacall e Jonah Hill
Com Jonah Hill, Channing Tatum, Brie Larson, Dave Franco, Rob Riggle, DeRay Davis, Ice Cube, Dax Flame, Chris Parnell, Ellie Kemper, Johnny Depp
Cotação Paradoxo: Vale 89% do ingresso

Confira logo abaixo o trailer de Anjos da Lei:

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