sexta-feira, 20 de abril de 2012

Adeus, Primeiro Amor

Namoro de infância

“Todo mundo cresce, mas nem todos amadurecem”. Este é o tagline do filme Jovens Adultos, trabalho mais recente do diretor Jason Reitman (de Juno), mas se encaixa como uma luva na produção francesa Adeus, Primeiro Amor, dirigida pela cineasta Mia Hansen-Love (de O Pai dos Meus Filhos). Vemos a protagonista do longa-metragem, Camille (Lola Créton), desde a sua adolescência até sua idade adulta, com ela transparecendo uma idade emocional de uma criança de 12 anos durante todo este período. Chega a ser irritante, na verdade, mas este não é o único problema deste drama, que demora 105 minutos para chegar a lugar algum.

A trama, assinada pela cineasta, começa em 1999, com Camille e Sullivan (Sebastian Urzendowsky), ainda adolescentes, tendo problemas em seu relacionamento. A menina é totalmente devotada ao namorado, que, por sua vez, está planejando uma viagem com os amigos para a América do Sul. Segundo Sullivan, a viagem duraria apenas 10 meses, um passo importante para ele conseguir se encontrar. Camille se entristece, mas as cartas do namorado diminuem a distância entre os dois. Pouco tempo depois, Sullivan deixa de escrever, colocando a namorada em uma depressão profunda. Os anos passam, Camille cresce, mas a tristeza deste rompimento nunca parece sumir. Fechada completamente para qualquer novo relacionamento, a moça parece sempre esperar pelo retorno do seu amor de infância. Quando ela finalmente conhece um homem que lhe faz bem, o professor de arquitetura Lorenz (Magne-Havard Brekke), muitos anos depois do fim do namoro com Sullivan, um fantasma do passado retorna para assombrar a vida do casal.

O primeiro erro de Mia Hansen-Love foi contar com um elenco jovem demais para interpretar os personagens de Adeus, Primeiro Amor. Lola Créton e Sebastian Urzendowsky estão ótimos como o casal adolescente do início do filme, mas não tem a mínima condição de convencer nos papéis quando a trama pula três, quatro, dez anos, como acontece. Créton tenta transmitir uma maior segurança no andar, uma cabeça empinada e uma postura mais firme, mas o seu porte físico a trai. Com rosto jovial e corpo de ninfeta, é impossível acreditar que aquela menina tem mais de 20 anos. Mesmo utilizando-se de maquiagens e cortes de cabelo diferentes, isso não dá conta de transformá-la em uma mulher mais madura. O mesmo pode ser dito de Urzendowsky, que, aliás, nem se dá o trabalho de cortar os cabelos ou modificar alguma coisa no visual para tentar convencer como um homem mais velho.

Já não bastasse a ausência de um amadurecimento no visual, Camille simplesmente fica em uma espécie de animação suspensa durante o tempo em que Sullivan viaja pelo mundo. Sua insegurança e total devoção pelo namorado poderia parecer algo passageiro, típico de uma adolescente, mas vemos que a menina não se recupera, entrando em um estado de depressão profundo. Não ajuda o fato de Sullivan ser um sujeito sem papas na língua, que fala o que pensa e que não usa de subterfúgios para explicar as razões de seu afastamento. Mesmo dizendo que a ama, Sullivan não parece muito afeito a relacionamentos mais sérios ou duradouros. Quando acontece o twist da história e achamos que o status quo do relacionamento finalmente mudaria, percebemos que a idade emocional de Camille continua na adolescência, mesmo tendo vivido um relacionamento diferente com o maduro Lorenz.

Alguns acreditam que a vida é feita de ciclos e que eles acabam se repetindo com o passar do tempo. Isso é verdadeiro para Camille, que pensa ter encontrado novamente seu amor, entregando-se como fizera no passado, tendo uma desagradável surpresa no decorrer do romance. Tudo isso é contado de forma muito lenta por Mia Hansen-Love, que exige do espectador uma paciência muito grande para acompanhar a história daqueles dois jovens. Hansen-Love tem em mãos uma trama que, em mãos mais hábeis (ou rápidas), poderia ser contada na metade do tempo, pelo menos.

Talvez o problema esteja em esperarmos que algo aconteça, algo que modifique aquela jovem mulher. Como não podemos invadir o filme e tentar tirar a garota daquele torpor perene, resta torcermos por algo que a amadureça. Isso até surge como um ponto positivo para o filme, que não gera soluções fáceis para o sofrimento de Camille, lembrando a vida real, cheia de desilusões e decepções que alguns nunca conseguem superar. Mas isso é um ponto positivo muito pequeno para uma história que se arrasta em quase duas horas.

Adeus, Primeiro Amor (Un Amour de Jeunesse)
França – 105 minutos – Drama
Direção e roteiro: Mia Hansen-Love
Com Lola Créton, Sebastian Urzendowsky, Magne-Håvard Brekke, Valérie Bonneton
Cotação Paradoxo: Vale 40% do ingresso

Confira logo abaixo o trailer de Adeus, Primeiro Amor:

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