quarta-feira, 21 de março de 2012

Projeto X - Uma Festa Fora de Controle

Geração Y

A maior novidade que Projeto X – Uma Festa Fora de Controle oferece para o espectador é o fato de ser filmado com câmeras subjetivas, com os próprios personagens manejando o aparelho, fingindo ser uma produção caseira. O que, convenhamos, não é novidade alguma em tempos de Atividade Paranormal, Rec, Cloverfield e do muito recente Poder sem Limites. O diretor estreante Nima Nourizadeh pega um conceito caindo de velho – a festa que ganha proporções inimagináveis quando convidados e bicões aparecem em número extraordinário – e tenta dar uma roupagem diferente, torcendo para que o espectador não perceba quão frágil é o roteiro assinado por Matt Drake (de Tully) e Michael Bacall (de Scott Pilgrim contra o Mundo). Pode funcionar com um público mais jovem, mas qualquer trintão que assistir a Projeto X sentirá saudades dos tempos de Porky’s, O Último Americano Virgem e Picardias Estudantis.

No filme, grande parte dos atores utiliza seus nomes próprios para passar um senso de realidade aos acontecimentos vistos na trama. Thomas (Thomas Mann), Costa (Oliver Cooper) e J.B. (Jonathan Daniel Brown) são amigos de longa data, próximos da formatura no que seria o nosso ensino médio. Nada populares entre a garotada do colégio, Costa resolve dar uma festa de aniversário inesquecível para Thomas, fazendo assim uma reputação melhor para o trio. Com a casa liberada no final de semana, Thomas reluta, mas aceita realizar a comemoração ali – com a condição de que os convidados se restrinjam ao jardim, dado o medo de um bando de desconhecidos destruírem a casa de seus pais. De início, a festa parece não decolar, mas assim que as pessoas vão chegando, os três amigos percebem que nada os havia preparado para aquele evento.

Assim como Poder sem Limites, mas em menor grau, Projeto X sabota sua narrativa ao empregar o uso das câmeras subjetivas para contar sua história. Tanto que, ao seu final, o diretor se vê obrigado a abandonar a ideia e mostrar a conversa entre pai e filho depois da festa com um operador de câmera fantasma. Quem estava fazendo aquela gravação? Não é explicado e não existiria motivos para aquela conversa estar sendo gravada, a não ser para mostrar aos espectadores qual foi a reação do pai de Thomas. Apesar disso, em outros momentos, o uso deste estilo narrativo até funciona, visto que é apresentada uma razão plausível para a extensa documentação da festa.

As atuações do elenco não são ruins, mesmo que estejam mais naturalistas do que realistas. Em um filme como Projeto X, que tenta tão desesperadamente soar real, era de se esperar performances mais cruas. Não é o que acontece, no entanto. Os personagens são estereótipos ambulantes, sem novidades. Thomas é o clássico rapaz tímido, meio nerd, que não tem sucesso com mulheres, mesmo tendo uma bela amiga sempre ao seu lado, mas que nunca lhe despertou interesse. Costa é o desbocado falastrão, o sujeito que pensa estar na moda, acha que entende o sexo oposto e costuma fantasiar um passado de sucesso que, obviamente, nunca aconteceu. Enquanto isso, J.B. é o gordinho nerd, que sofre bullying de seu próprio amigo, Costa. O trio sozinho já corresponde pelos clichês básicos do gênero. Não bastasse isso, ainda temos a melhor amiga bonita, mas que sempre foi vista como um amigo, a garota popular que fica de olho no nerd, o atleta que distrata os protagonistas, as crianças que tentam entrar na festa de qualquer forma. É tanto personagem reciclado de outros lugares que requer coragem e certa cara de pau dos roteiristas creditarem este trabalho como original.

O único personagem que ganha algum desenvolvimento, que sofre alguma mudança no decorrer da trama, é Thomas, que descobre uma paixão que, antes de sua festa, nunca havia enxergado. Fora a fama que ganham, Costa e J.B. não parecem melhores ou piores do que começaram. A não ser que você pense que notoriedade é um aprimoramento de caráter, nada parece mudar internamente nestes personagens.

Para os baladeiros de plantão, Projeto X até pode divertir mostrando o quão longe se pode chegar numa comemoração de aniversário. Para os mais caseiros, tudo parecerá ainda mais exagerado do que já é. Curioso é que, segundo o próprio filme, existiu uma festa parecida na Austrália, com resultados tão bombásticos como os apresentados em Projeto X. Vazio de ideias e ausente de cenas realmente engraçadas, o longa-metragem de Nima Nourizadeh tenta simplesmente chocar com o exagero das situações. Pouco. Muito pouco para o barulho que fez nos Estados Unidos.

Projeto X – Uma Festa Fora de Controle
EUA – 88 minutos – Comédia
Dir.: Nima Nourizadeh
Roteiro: Matt Drake e Michael Bacall
Com Thomas Mann, Oliver Cooper, Jonathan Daniel Brown, Dax Flame, Kirby Bliss Blanton
Cotação Paradoxo: Vale 45% do ingresso

Confira logo abaixo o trailer de Projeto X – Uma Festa Fora de Controle:

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