terça-feira, 8 de novembro de 2011

Atividade Paranormal 3

Toby

Se em Atividade Paranormal 2, o nível de repetição em comparação ao anterior era terrivelmente alto, o terceiro filme da série veio para confirmar a total falta de criatividade dos roteiristas da franquia. Os sustos são os mesmos, as situações se repetem e a trama simplesmente não anda para a frente. O fato de Atividade Paranormal 3 ter sido um estrondoso sucesso nos EUA, no entanto, mostra que o público não está ligando para isso.

Em Atividade Paranormal 3, mais uma vez somos transportados para o passado. Não satisfeito em criar uma trama no filme anterior que simplesmente expandia a história do primeiro longa, o roteirista Christopher B. Landon decidiu nos levar ainda mais longe. Vinte e poucos anos no passado, para nos colocar a par de como tudo começou para as meninas Featherstone. É interessante saber o passado para entender o presente? Claro. O grande problema é que a trama simplesmente não progride desde o primeiro Atividade Paranormal. Excetuando-se uma pequena cena no final do segundo longa-metragem, estamos apenas observando uma história requentada.

Assim como nos demais filmes, estranhos acontecimentos se desenrolam e um dos personagens decide fazer uso de câmeras para entender o que há de errado. Estamos nos anos 80, então o acesso a equipamentos desse tipo é mais raro. Convenientemente, o protagonista é um cinegrafista de casamentos e festas de debutante. Ele é Dennis (Christopher Nicholas Smith, de Pecados Íntimos), um jovem rapaz casado com a mãe de duas filhas Julie (Lauren Bittner, de Noivas em Guerra). Em uma tórrida noite a dois, Denis e Julie decidem gravar uma transa, mas um aparente terremoto os impede de seguir adiante. Analisando a gravação, no entanto, Dennis encontra um estranho vulto dentro do quarto e decide investigar. Julie é cética quanto as sobrenaturais hipóteses do seu marido, mas não se opõe em um primeiro momento quando Dennis instala uma câmera no quarto do casal e no quarto das meninas, Katie (Chloe Csengery) e Kristi (Jessica Tyler Brown) – personagens dos dois primeiros Atividade Paranormal. Como agravante, Kristi se comunica com um amigo imaginário chamado Toby que, muito provavelmente, não é tão imaginário quanto todos pensavam.

A partir da instalação das câmeras, Atividade Paranormal 3 retorna ao velho formato já conhecido pelos fãs da série. Câmera no quarto, caracteres na tela avisando qual dia estamos testemunhando e a certeza de que algo no mínimo estranho acontecerá. Como já estamos familiarizados com a sequência de eventos da franquia, fica fácil prever o que acontecerá. Nos primeiros dias, pequenos e inexplicáveis episódios sobrenaturais e, na medida que o tempo passa, a progressão e a fúria do ente que reside naquela casa cresce – até o clímax do filme, único momento que pode assustar os mais impressionáveis. Sem grandes novidades no segundo ato do filme, o espectador tem que se agarrar ao terceiro ato com unhas e dentes para tentar sair satisfeito da sessão. Ao menos, o clímax consegue diferir um pouco do resto, retirando a ação da casa e incluindo um novo mistério que – espera-se – será explorado nos próximos inevitáveis capítulos.

Para não dizer que Atividade Paranormal 3 é exatamente igual aos demais filmes da série, ao menos foi inventado um alívio cômico para a trama, Randy, interpretado por Dustin Ingram (de Super Escola de Heróis). Mas seu tempo em tela é tão pequeno que mal faz efeito. Sua presença, inclusive, pode incomodar as pessoas que foram ao cinema esperando ver cenas do trailer, já que uma das sequencias cruciais do preview – envolvendo as irmãs em frente ao espelho – simplesmente não acontece.

As atuações são mais naturalistas do que realistas, o que, novamente, causa um desvio do conceito original, no qual os “atores” pareciam estar vivendo de fato as situações – o que funcionava muito bem, diga-se. Com isso, Atividade Paranormal 3 transforma-se em um filme como qualquer outro, mesmo que ainda empregue o já batido esquema do material-em-vídeo-perdido, herança de A Bruxa de Blair e afins.

Exagerando nos sustos fáceis e escorando-se na atmosfera de suspense do primeiro Atividade Paranormal, o novo longa-metragem traz quase nada de novo e só é recomendado para verdadeiros entusiastas do cinema de terror. Ou nem assim, já que estes fãs devem estar bem anestesiados aos sustos fáceis encontrados neste longa-metragem dirigido pela dupla Henry Joost e Ariel Schulman.

Atividade Paranormal 3 (Paranormal Activity 3)
Dir.: Henry Joost e Ariel Schulman
Com Christopher Nicholas Smith, Lauren Bittner, Chloe Csengery, Jessica Tyler Brown, Dustin Ingram, Maria Olsen
Cotação Paradoxo: Vale 55% do ingresso

Confira logo abaixo o trailer de Atividade Paranormal 3: