B-B-B-Bertie Wins
O Discurso do Rei acabou confirmando seu favoritismo sagrando-se o grande vencedor do Oscar 2011. Indicado a 12 estatuetas, recebeu 4 (Melhor Filme, Diretor, Ator e Roteiro Original). Com o mesmo número de prêmios, mas sem o peso de ter recebido os principais Oscar da noite, A Origem (Melhor Fotografia, Edição de Som, Mixagem de Som e Efeitos Visuais) sai de cabeça erguida da festa. A Rede Social também fez bonito, recebendo 3 merecidos prêmios (Melhor Roteiro Adaptado, Montagem e Trilha Sonora Original). Mas muito mais aconteceu no Kodak Theater, em Los Angeles, neste último domingo.
Muitos reclamam que a festa do Oscar é chata e longa demais. Devo dizer, no entanto, que esta 83ª edição dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas foi divertida o bastante para manter o interesse do espectador. Em primeiro lugar, os organizadores da festa acertaram em cheio na composição do cenário. Belíssimo, com tecnologia digital de ponta, o palco se transformava a cada nova apresentação, a cada novo prêmio. Em alguns momentos, tornava-se uma grande ode a longas-metragens do passado, em outros, um sutil background para os hosts da festa.
Antes de a cerimônia começar, pensava que James Franco e Anne Hathaway fariam uma ótima dupla de anfitriões. O que se viu, no fim das contas, foi um James Franco bastante travado, aparentemente desconfortável com a tarefa, e Hathaway incrivelmente à vontade, mesmo estando visivelmente nervosa em algumas passagens. O vídeo de abertura, brincando com os indicados a Melhor Filme, foi bem bolado e as participações especiais de Morgan Freeman e Alec Baldwin deram um toque especial.
A noite começou com dois prêmios entregues por Tom Hanks: Melhor Direção de Arte e Fotografia. A Academia mostrou preferir o visual fantástico de Alice no País das Maravilhas e entregou a estatueta a dupla Robert Stromberg e Karen O’Hara. Já em Fotografia, finalmente Wally Pfister foi agraciado com uma estatueta, pelo seu ótimo trabalho em A Origem. O diretor de fotografia não esqueceu de agradecer a Christopher Nolan, cineasta responsável pela direção impecável do longa-metragem.
Logo depois, chegou um dos momentos marcantes da cerimônia: o veterano Kirk Douglas apresentando o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Flertando com as belas atrizes indicadas – e Anne Hathaway – o eterno Spartacus construiu um grande mistério na hora de apresentar o nome de Melissa Leo, vencedora pelo filme O Vencedor (perdoem a redundância intencional). A atriz fez questão de ressaltar o fato de a Academia se concentrar na performance do profissional para dar o prêmio – fazendo menção à polêmica que sua campanha pessoal acabou gerando na imprensa.
Toy Story 3 levou seu primeiro prêmio da noite, Melhor Animação, pouco depois de o curta-metragem The Lost Thing ter recebido o Oscar como Melhor Curta-Metragem Animado. Entregue por Mila Kunis e Justin Timberlake, não foi surpresa alguma ver Lee Unkrich subir ao palco para aceitar mais um prêmio pela Pixar nesta categoria (já foram sete ao todo). Quanto ao curta-metragem, acredito que The Lost Thing tem muitas qualidades – roteiro imaginativo, trilha sonora incrível – mas ainda perde em criatividade para Let’s Pollute.
Vestidos como vendedores de algodão doce, Javier Bardem e Josh Brolin entregaram dois dos Oscar importantes da noite: Melhor Roteiro Original e Adaptado. Como sabemos que o Melhor Filme TEM que ter o Melhor Roteiro, a disputa acabava ficando entre apenas dois títulos: O Discurso do Rei e A Rede Social. Pra variar, a deselegância da festa da Academia se mostrou presente quando tentaram podar o discurso de Aaron Sorkin, ganhador da estatueta pelo “filme do facebook”.
Em um dos momentos divertidos da festa, Helen Mirren e Russel Brand (parceiros de tela na refilmagem de Arthur, O Milionário) trocaram gracinhas na hora de apresentar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Acabou se repetindo o Globo de Ouro, quando Em um Mundo Melhor, produção Dinamarquesa, levou a melhor. Infelizmente, como o filme não chegou ainda no Brasil, não é possível saber o quanto este longa-metragem dirigido por Susanne Bier merece o prêmio. Em março, saberemos.
Ainda com a barba crescida – por causa do filme que roda na China, 13 Flowers of Nanjing, Christian Bale recebeu seu primeiro Oscar na noite deste domingo. Aproveitou para fazer piadas com seu temperamento explosivo e, claro, agradeceu a todos seus parceiros de elenco.
Logo depois chegou a vez de mais um momento bacana da festa: uma orquestra no palco executou trechos das cinco trilha sonoras originais concorrentes ao prêmio da noite. Uma das favoritas, a modernosa trilha de A Rede Social, de Trent Reznor e Atticus Ross, saiu vencedora. Inclusive, a repaginada que a dupla deu a “In the Hall of Mountain King” abriu a festa, utilizada como trilha na montagem dos filmes indicados.
Não demorou muito para que A Origem levasse mais dois prêmios para casa. Melhor Edição de Som e Mixagem de Som eram barbadas da festa, visto que muito da experiência de assistir ao longa-metragem de Christopher Nolan está no preciso trabalho sonoro. Os louros ao filme encerrariam na categoria Melhores Efeitos Visuais, apresentada pela dupla super entrosada Robert Downey Jr. e Jude Law (parceiros de trabalho em Sherlock Holmes e sua futura seqüência). Os dois também apresentaram o prêmio de Melhor Edição, vencido por A Rede Social.
Antes disso, Cate Blanchett entregou as merecidas estatuetas a O Lobisomem, por Melhor Maquiagem, e a Alice no País das Maravilhas, por Melhor Figurino. Sem contar o momento dos curtas-metragens, geralmente bastante mornos por se tratarem de filmes que nunca chegam por aqui. Em Curta-Metragem, o Oscar foi para God of Love, de Luke Matheny, e Documentário em Curta-Metragem, para Strangers no More, de Karen Goodman e Kirk Simon.
Muito se disse que Lixo Extraordinário era um pouco do Brasil na festa da Academia. Infelizmente, a co-produção anglobrasileira saiu de mãos abanando, vendo o Oscar nas (hábeis) mãos de Charles Ferguson por Trabalho Interno - outro que confirmou seu favoritismo.
Na seqüência, dois prêmios que não me agradaram. A vitória de Randy Newman por We Belong Together - música bobinha e com pouco charme, bastante aquém dos trabalhos anteriores do compositor. E, principalmente, a vitória de Tom Hooper na categoria Melhor Diretor. Nada contra o cineasta – que além de O Discurso do Rei assinou o incrível Maldito Futebol Clube. Mas em um ano em que David Fincher entrega um filme como A Rede Social, inteligente e redondinho, era de se esperar um louro ao diretor.
No resto das categorias principais, sem maiores surpresas. Natalie Portman recebeu seu merecido prêmio por Cisne Negro; Colin Firth subiu ao palco para não gaguejar durante seu discurso como Melhor Ator por O Discurso do Rei; e os produtores deste filme receberam das mãos de Steven Spielber o grande prêmio da noite.
De momentos bacanas ainda vale lembrar a participação surpresa de Billy Crystal, um dos melhores apresentadores do Oscar relembrando um outro grande anfitrião da festa, Bob Hope. E de momentos esquecíveis, a execução da música Smile, de Charlie Chaplin, na voz sempre enjoativa de Celine Dion no momento in memoriam, e a montagem final dos filmes indicados ao grande prêmio com a voice over de Colin Firth como George VI. Deselegante, no mínimo, dar tanto espaço para O Discurso do Rei no vídeo, sendo que ele nem havia ganhado o prêmio ainda.
Em resumo, foi isso. Uma festa bacana, com a grande maioria de prêmios entregues a profissionais que realmente mereciam e piadas esparsas em pouco mais de três horas de transmissão. Fica o gosto amargo de Bravura Indômita ter saído de mãos abanando da festa (com 10 indicações e nenhum prêmio) e David Fincher não ter sido reconhecido como o grande diretor do ano – na ausência de Christopher Nolan da lista, ele é o próximo da fila, certamente. Talvez no ano que vem, quem sabe?
Maratona Oscar: Finalmente bati meu recorde pessoal em acertos no Oscar. Foram 16, em 22 categorias. Em 2010, havia acertado 14 em 21 – sendo que meu recorde anterior foi em 2004, com 15 em 20. É verdade que, pela porcentagem, ainda 2004 continua na frente. Segue abaixo a lista dos vencedores com meus erros marcados em vermelho.
Melhor Filme:
O Discurso do Rei
Melhor Ator:
Colin Firth, por O Discurso do Rei
Melhor Atriz:
Natalie Portman, por Cisne Negro
Melhor Ator Coadjuvante:
Christian Bale, por O Vencedor
Melhor Atriz Coadjuvante:
Melissa Leo, por O Vencedor
Melhor Diretor:
Tom Hooper, por O Discurso do Rei
(apostei em David Fincher, por A Rede Social)
Melhor Roteiro Original:
David Seidler, por O Discurso do Rei
Melhor Roteiro Adaptado:
Aaron Sorkin, por A Rede Social
Melhor Animação:
Toy Story 3
Melhor Filme Estrangeiro:
Em um Mundo Melhor, de Susanne Bier – Dinamarca
Melhor Fotografia:
Wally Pfister, por A Origem
Melhor Montagem:
Kirk Baxter e Angus Wall, por A Rede Social
(apostei em O Discurso do Rei)
Melhor Direção de Arte:
Robert Stromberg e Karen O’Hara, por Alice no País das Maravilhas
(apostei em O Discurso do Rei)
Melhor Figurino:
Colleen Atwood, por Alice no País das Maravilhas
(apostei em Bravura Indômita)
Melhor Maquiagem:
Rick Baker e Dave Elsey, por O Lobisomem
Melhor Canção Original:
Randy Newman, “We Belong Together” - Toy Story 3
(apostem em Enrolados)
Melhor Trilha Sonora Original:
Trent Reznor e Atticus Ross, por A Rede Social
Melhor Mixagem de Som:
A Origem
Melhor Edição de Som:
A Origem
Melhores Efeitos Visuais:
A Origem
Melhor Documentário:
Trabalho Interno, de Charles Ferguson
Melhor Curta-Metragem em Animação:
The Lost Thing, de Shaun Taun e Andrew Ruhemann
(apostei em Let’s Pollute)
Melhor Documentário em Curta-Metragem:
Strangers no More, de Karen Goodman e Kirk Simon
Melhor Curta-Metragem:
God of Love, de Luke Matheny
(ambas categorias sem apostas)
No mais, era isso. Até 2012, com mais uma Maratona Oscar.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Maratona Oscar 2011: As Apostas
A Maratona Oscar vai ficando cada vez maior com o passar do tempo. Começou em 1999, quando assisti aos cinco indicados a Melhor Filme (e, na época, pensava ser um fato realmente extraordinário, tanto que a alcunha de “maratona” surgiu lá). Mais de dez anos depois, a Maratona Oscar abarca, pela primeira vez, 22 categorias das 24 que compõem a festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. A novidade deste ano são os indicados a Melhor Documentário, pela primeira vez conferidos e entrando nas apostas.
Para quem não conhece a Maratona, funciona desta forma: desde o anúncio dos indicados, no dia 25 de janeiro, me propus a assistir a todos os filmes lembrados pela Academia em 21 categorias (incluindo já os documentários e não contando os curtas de animação, pois nunca há certeza se serão encontrados – o que acabou acontecendo graças às maravilhas da internet).
Ao todo seriam 41 produções em longa-metragem a serem conferidas – e, se possível, 15 curtas-metragens. Deste número, consegui assistir a 35 longas e 5 curtas, todos com críticas publicadas no Paradoxo. Os filmes que não entraram na Maratona ganharam um post especial.
Dito isso, seguem logo abaixo as minhas apostas para o Oscar. Sempre lembrando que estes palpites são referentes aos filmes que acredito que a Academia premiará e, não necessariamente, são meus preferidos (que são revelados logo abaixo da aposta). Como não assisti a nenhuma produção das categorias Curta-Metragem e Documentário em Curta-Metregam, obviamente não poderei dar palpites.
Melhor Filme: O Discurso do Rei, de Tom Hooper
O longa-metragem de Tom Hooper tem tudo para levar o Oscar, principalmente por ser o mais quadradinho de todos os indicados. Meu voto seria A Origem.
Melhor Diretor: David Fincher, por A Rede Social
Acredito que a Academia vai dividir os prêmios no domingo. Fincher está na fila para ganhar esta estatueta há um bom tempo e Hooper está apenas em seu segundo longa-metragem. Meu voto coincide com a aposta (já que Christopher Nolan não foi indicado).
Melhor Ator: Colin Firth, por O Discurso do Rei
E-e-e-elementar, meus amigos. Além de estar perfeito como o rei gago George VI, Firth já esteve muito perto de ganhar o prêmio ano passado, por sua estupenda performance em Direito de Amar. A estatueta neste ano estaria praticamente servindo como dois em um. Meu voto coincide com a aposta.
Melhor Atriz: Natalie Portman, por Cisne Negro
Nada tira o prêmio da jovem atriz neste domingo. Portman está maravilhosa no filme dirigido por Darren Aronofsky e, convenhamos, o fato de estar grávida deve amolecer alguns corações na hora de votar. Não que ela precisasse disso, é claro. Meu voto coincide com a aposta.
Melhor Ator Coadjuvante: Christian Bale, por O Vencedor
Bale rouba o filme para si e nunca mais o devolve a Mark Wahlberg. Atuação impressionante do ator, que finalmente receberá a estatueta que já vem merecendo há algum tempo. Meu voto coincide com a aposta.
Melhor Atriz Coadjuvante: Melissa Leo, por O Vencedor
Depois de ter feito bonito em Rio Congelado, esta deve ser a hora da Academia premiar a atriz por sua ótima performance como a famigerada mãe dos irmãos Micky e Dicky. Isso, claro, se a campanha deselegante que Melissa Leo acabou fazendo nos últimos tempos não tenha jogado contra. Meu voto seria em Helena Bonham Carter, por O Discurso do Rei - com desejos secretos de um empate com a ótima revelação Hailee Steinfeld, por Bravura Indômita.
Melhor Roteiro Original: O Discurso do Rei, de David Seidler
Questão de coerência. O Melhor Filme TEM que ter o Melhor Roteiro. A Origem venceu o prêmio do Sindicato dos Roteiristas, mas não disputava com O Discurso do Rei, inelegível por Seidler não ser sindicalizado. Meu voto seria A Origem, é lógico.
Melhor Roteiro Adaptado: A Rede Social, de Aaron Sorkin
Sou fã de Aaron Sorkin desde os tempos do seriado The West Wing e fico bastante feliz de o roteirista estar finalmente colhendo os louros em sua carreira no cinema. Meu voto coincide com a aposta. Totally.
Melhor Longa-Metragem em Animação: Toy Story 3, de Lee Unkrich
Amigo, estou aqui... Amigo, estou aqui... Se a fase é ruim... e são tantos problemas que não tem fim... Alguma dúvida?
Melhor Direção de Arte: O Discurso do Rei
Nessa eu tenho muitas dúvidas, mas marquei na escolha mais confortável. Um filme de Tim Burton no meio dos indicados sempre é um forte candidato e, portanto, Alice no País das Maravilhas pode surpreender. Meu voto, no entanto, seria em Bravura Indômita.
Melhor Fotografia: A Origem
Wally Pfister é um profissional de mão cheia e está na fila pelo prêmio há um bom tempo. O fato de ter sido o vencedor do prêmio do Sindicato o coloca com boas chances. Seu principal concorrente é o sempre competente Roger Deakins por Bravura Indômita - um prêmio que, se viesse, seria totalmente merecido. Meu voto coincide com a aposta.
Melhor Figurino: Bravura Indômita
Os figurinos dos personagens do filme dos irmãos Coen praticamente falam sozinhos. Aposta arriscada, visto que quem venceu no sindicato da categoria foram Alice e O Discurso do Rei. Estou contando que a divisão de votos entre as duas produções dê o prêmio ao faroeste. Meu voto coincide com a aposta.
Melhor Documentário: Trabalho Interno, de Charles Ferguson
Ao desvelar os acontecimentos que levaram a grande crise econômica de 2008, o documentário Trabalho Interno carimbou todos os passaportes para um prêmio na festa do Oscar. Meu voto seria para Lixo Extraordinário.
Melhor Edição: O Discurso do Rei
A Origem não ter sido indicado a esse prêmio até hoje me surpreende. Mas, enfim. Aposto novamente no favorito da noite, mesmo pensando que, na ausência do filme de Christopher Nolan, quem deveria vencer é A Rede Social.
Melhor Filme Estrangeiro: Em um Mundo Melhor, de Susanne Bier – Dinamarca
Não vi, mas acho que ganha. Favoritismo. Se eu pudesse escolher, dava o prêmio para Biutiful.
Melhor Trilha Sonora Original: A Rede Social, de Trent Reznor e Atticus Ross
Será um atestado de caretice se os membros da Academia derem este prêmio para Alexandre Desplat e não premiarem o excelente trabalho de Reznor e Ross. Mesmo que meu voto seja de A Origem, a trilha de A Rede Social é a minha segunda favorita e merece muito.
Melhor Canção Original: “I See the Light”, Enrolados
Alan Menken acertou a mão nesta bela canção de amor em um ano em que as músicas são boas, mas nada memoráveis. Meu voto coincide com a aposta.
Melhor Curta-Metragem de Animação: Let’s Pollute
Aposto no mais curto e no mais inventivo das produções indicadas. Com apenas seis minutos, este curta-metragem inverte os papéis e manda o espectador estragar o mundo em que vive – em uma divertida sátira aos vídeos educativos de décadas passadas. Meu voto coincide com a aposta.
Melhor Edição de Som: A Origem
Só é preciso ter visto (e ouvido) o filme para entender o porquê do prêmio. Sem mais. Voto coincide com a posta.
Melhor Mixagem de Som: A Origem
Idem acima.
Melhores Efeitos Especiais: A Origem
O filme vira o mundo de cabeça pra baixo – literalmente. A Rede Social merecia estar indicado ao menos, por ter transformado Armie Hammer em gêmeos totalmente convincentes. Enfim, meu voto coincide com a aposta.
Melhor Maquiagem: O Lobisomem
Ok, o filme não é lá essas coisas. Mas a maquiagem do mago Rick Baker faz toda a diferença. Meu voto coincide com a aposta.
Estas são minhas apostas para a noite de domingo. Em 2010, acertei 14 das 21 categorias. Meu recorde foram 15 em 20, em 2004. Convido a todos a acompanherem a cobertura ao vivo do Oscar, pelo twitter (@RodrigoMcFly), a partir das 21h. Até lá.
Para quem não conhece a Maratona, funciona desta forma: desde o anúncio dos indicados, no dia 25 de janeiro, me propus a assistir a todos os filmes lembrados pela Academia em 21 categorias (incluindo já os documentários e não contando os curtas de animação, pois nunca há certeza se serão encontrados – o que acabou acontecendo graças às maravilhas da internet).
Ao todo seriam 41 produções em longa-metragem a serem conferidas – e, se possível, 15 curtas-metragens. Deste número, consegui assistir a 35 longas e 5 curtas, todos com críticas publicadas no Paradoxo. Os filmes que não entraram na Maratona ganharam um post especial.
Dito isso, seguem logo abaixo as minhas apostas para o Oscar. Sempre lembrando que estes palpites são referentes aos filmes que acredito que a Academia premiará e, não necessariamente, são meus preferidos (que são revelados logo abaixo da aposta). Como não assisti a nenhuma produção das categorias Curta-Metragem e Documentário em Curta-Metregam, obviamente não poderei dar palpites.
Melhor Filme: O Discurso do Rei, de Tom Hooper
O longa-metragem de Tom Hooper tem tudo para levar o Oscar, principalmente por ser o mais quadradinho de todos os indicados. Meu voto seria A Origem.
Melhor Diretor: David Fincher, por A Rede Social
Acredito que a Academia vai dividir os prêmios no domingo. Fincher está na fila para ganhar esta estatueta há um bom tempo e Hooper está apenas em seu segundo longa-metragem. Meu voto coincide com a aposta (já que Christopher Nolan não foi indicado).
Melhor Ator: Colin Firth, por O Discurso do Rei
E-e-e-elementar, meus amigos. Além de estar perfeito como o rei gago George VI, Firth já esteve muito perto de ganhar o prêmio ano passado, por sua estupenda performance em Direito de Amar. A estatueta neste ano estaria praticamente servindo como dois em um. Meu voto coincide com a aposta.
Melhor Atriz: Natalie Portman, por Cisne Negro
Nada tira o prêmio da jovem atriz neste domingo. Portman está maravilhosa no filme dirigido por Darren Aronofsky e, convenhamos, o fato de estar grávida deve amolecer alguns corações na hora de votar. Não que ela precisasse disso, é claro. Meu voto coincide com a aposta.
Melhor Ator Coadjuvante: Christian Bale, por O Vencedor
Bale rouba o filme para si e nunca mais o devolve a Mark Wahlberg. Atuação impressionante do ator, que finalmente receberá a estatueta que já vem merecendo há algum tempo. Meu voto coincide com a aposta.
Melhor Atriz Coadjuvante: Melissa Leo, por O Vencedor
Depois de ter feito bonito em Rio Congelado, esta deve ser a hora da Academia premiar a atriz por sua ótima performance como a famigerada mãe dos irmãos Micky e Dicky. Isso, claro, se a campanha deselegante que Melissa Leo acabou fazendo nos últimos tempos não tenha jogado contra. Meu voto seria em Helena Bonham Carter, por O Discurso do Rei - com desejos secretos de um empate com a ótima revelação Hailee Steinfeld, por Bravura Indômita.
Melhor Roteiro Original: O Discurso do Rei, de David Seidler
Questão de coerência. O Melhor Filme TEM que ter o Melhor Roteiro. A Origem venceu o prêmio do Sindicato dos Roteiristas, mas não disputava com O Discurso do Rei, inelegível por Seidler não ser sindicalizado. Meu voto seria A Origem, é lógico.
Melhor Roteiro Adaptado: A Rede Social, de Aaron Sorkin
Sou fã de Aaron Sorkin desde os tempos do seriado The West Wing e fico bastante feliz de o roteirista estar finalmente colhendo os louros em sua carreira no cinema. Meu voto coincide com a aposta. Totally.
Melhor Longa-Metragem em Animação: Toy Story 3, de Lee Unkrich
Amigo, estou aqui... Amigo, estou aqui... Se a fase é ruim... e são tantos problemas que não tem fim... Alguma dúvida?
Melhor Direção de Arte: O Discurso do Rei
Nessa eu tenho muitas dúvidas, mas marquei na escolha mais confortável. Um filme de Tim Burton no meio dos indicados sempre é um forte candidato e, portanto, Alice no País das Maravilhas pode surpreender. Meu voto, no entanto, seria em Bravura Indômita.
Melhor Fotografia: A Origem
Wally Pfister é um profissional de mão cheia e está na fila pelo prêmio há um bom tempo. O fato de ter sido o vencedor do prêmio do Sindicato o coloca com boas chances. Seu principal concorrente é o sempre competente Roger Deakins por Bravura Indômita - um prêmio que, se viesse, seria totalmente merecido. Meu voto coincide com a aposta.
Melhor Figurino: Bravura Indômita
Os figurinos dos personagens do filme dos irmãos Coen praticamente falam sozinhos. Aposta arriscada, visto que quem venceu no sindicato da categoria foram Alice e O Discurso do Rei. Estou contando que a divisão de votos entre as duas produções dê o prêmio ao faroeste. Meu voto coincide com a aposta.
Melhor Documentário: Trabalho Interno, de Charles Ferguson
Ao desvelar os acontecimentos que levaram a grande crise econômica de 2008, o documentário Trabalho Interno carimbou todos os passaportes para um prêmio na festa do Oscar. Meu voto seria para Lixo Extraordinário.
Melhor Edição: O Discurso do Rei
A Origem não ter sido indicado a esse prêmio até hoje me surpreende. Mas, enfim. Aposto novamente no favorito da noite, mesmo pensando que, na ausência do filme de Christopher Nolan, quem deveria vencer é A Rede Social.
Melhor Filme Estrangeiro: Em um Mundo Melhor, de Susanne Bier – Dinamarca
Não vi, mas acho que ganha. Favoritismo. Se eu pudesse escolher, dava o prêmio para Biutiful.
Melhor Trilha Sonora Original: A Rede Social, de Trent Reznor e Atticus Ross
Será um atestado de caretice se os membros da Academia derem este prêmio para Alexandre Desplat e não premiarem o excelente trabalho de Reznor e Ross. Mesmo que meu voto seja de A Origem, a trilha de A Rede Social é a minha segunda favorita e merece muito.
Melhor Canção Original: “I See the Light”, Enrolados
Alan Menken acertou a mão nesta bela canção de amor em um ano em que as músicas são boas, mas nada memoráveis. Meu voto coincide com a aposta.
Melhor Curta-Metragem de Animação: Let’s Pollute
Aposto no mais curto e no mais inventivo das produções indicadas. Com apenas seis minutos, este curta-metragem inverte os papéis e manda o espectador estragar o mundo em que vive – em uma divertida sátira aos vídeos educativos de décadas passadas. Meu voto coincide com a aposta.
Melhor Edição de Som: A Origem
Só é preciso ter visto (e ouvido) o filme para entender o porquê do prêmio. Sem mais. Voto coincide com a posta.
Melhor Mixagem de Som: A Origem
Idem acima.
Melhores Efeitos Especiais: A Origem
O filme vira o mundo de cabeça pra baixo – literalmente. A Rede Social merecia estar indicado ao menos, por ter transformado Armie Hammer em gêmeos totalmente convincentes. Enfim, meu voto coincide com a aposta.
Melhor Maquiagem: O Lobisomem
Ok, o filme não é lá essas coisas. Mas a maquiagem do mago Rick Baker faz toda a diferença. Meu voto coincide com a aposta.
Estas são minhas apostas para a noite de domingo. Em 2010, acertei 14 das 21 categorias. Meu recorde foram 15 em 20, em 2004. Convido a todos a acompanherem a cobertura ao vivo do Oscar, pelo twitter (@RodrigoMcFly), a partir das 21h. Até lá.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Fora da Lei
Irmãos Coragem
Continuação de Dias de Glória (2006), Fora da Lei é uma história forte sobre a luta de um povo pela sua liberdade. Neste caso, os argelinos pela independência de seu país, dominado pela França desde o século XIX. O que se pode falar de negativo quanto a este filme é a demora para que a história engrene. Depois que isso acontece, o trabalho de Rachid Bouchareb (de London River – Destinos Cruzados) vira uma jornada interessante e brutal pela liberdade.
Com roteiro do próprio Bouchareb, Fora da Lei conta a história de três irmãos: Said (Jamel Debouzze, de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain), Messaud (Roschdy Zem, de London River) e Abdelkader (Sami Bouajula, de O Ritual da Pedra). Os três foram expulsos, ainda crianças, de suas terras e, a partir daí, nasce a vontade de lutar por seu país. Mas o caminho não é fácil. Adultos, cada um segue um caminho diferente. Said ganha a vida como cafetão, fato que envergonha sua mãe (Chafia Boudraa). Messaud, alistado no exército, lutou na Indochina e retornara com um olho cego. Abdelkader passou um tempo na cadeia, devido suas idéias políticas e, ao sair, só quer saber da revolução. A luta destes irmãos pela liberdade da Argélia é o que faz a história andar.
Exatamente por isso o filme demora a engrenar. Compreensivelmente, Bouchareb demanda tempo para apresentar os personagens e mostrar a gênese da luta dos irmãos. Ao fazer isso, contextualiza muito bem as ações dos protagonistas e tudo o que acontece até chegar o momento da revolução. O filme se recente disso por um lado – falta de ritmo – mas ganha por outro – mais profundidade. E tome passagens de tempo: passa-se um ano, alguns meses, outro ano. Até que, enfim, tudo está no lugar e a trama parte para os “finalmentes”. Quando isso acontece, depois de uns 30 minutos de projeção, a atenção do espectador é totalmente fisgada. Daí é só correr para o abraço.
A atuação do trio principal é excelente, mas perde para a performance estupenda de Chafia Boudraa como a mãe de Said, Messaud e Abdelkader. A atriz não parece estar atuando em momento algum. Tudo é muito natural. Para o espectador, ela É a mãe daqueles atores. Sua dor por ver o filho envolvido com prostitutas é pungente, não aceitando de forma alguma o dinheiro de Said. Por outro lado, sente orgulho de Abdelkader, trancafiado na cadeia por seus princípios. Seu maior sonho é voltar para a terra de onde foi expulsa – ainda que depois de morta.
Mesmo ficando atrás de sua “mãe” no quesito atuação, os três protagonistas têm performances destacadas. Bouchareb dá a cada personagem características bastante diferentes e, a partir daí, fica a cargo de cada um dos atores deslanchar.
Abdelkader é o irmão sério. Totalmente focado na revolução, sem tempo para descanso e, muito menos, para relacionamentos. Por isso, não é difícil entender o porquê de sua blindagem aos encantos da bela Hèléne (Sabrina Seyvecou, de Paris). Para Abdelkader, baixar a guarda é um sinal de fraqueza para a revolução. Não à toa, o “irmão sério” é o mais abnegado e logo se vê obrigado a matar pela causa – e a primeira cena apresentando o assassinato de um inimigo político é forte pela barbárie do enforcamento a sangue frio.
Messaud é coração. É igualmente apaixonado pela revolução, mas tem apreço pelo calor humano. Sente amor pelos irmãos (tanto que se coloca entre Said e Abdelkader em assuntos políticos) e consegue uma centelha de vida normal ao se casar e ter um filho. Infelizmente, tentar libertar um país é um trabalho que não oferece folgas ou férias. Por isso, para tristeza de Messaud, a vida em família não é uma opção. Ao constatar que seu filho crescera rápido sem estar por perto, o revolucionário sente o peso de suas escolhas.
Said é o impulsivo. Sem querer viver na pobreza, logo parte para o (dito) caminho fácil, apadrinhado por um homem (pretensamente) poderoso. É notório que Said deseja a libertação da Argélia, mas também é claro que política não é seu principal interesse. Apaixonado por boxe, Said enfrentará os irmãos, pretendendo agenciar uma luta que poderá colocar um argelino como campeão de boxe em plena Paris – mesmo que isso vá contra os princípios da revolução.
Com esse turbilhão de situações, Bouchareb cria um filme poderoso. Além de um roteiro interessante, Fora da Lei tem uma direção de arte impecável. A recriação de época (anos 50/60) é tão convincente que é possível esquecer que o filme foi rodado em 2010. Carros, roupas, locações. Tudo muito bem trabalhado. Acredito, inclusive, que o departamento de figurino tenha se divertido mais ao trabalhar com Said, devido suas roupas notadamente cafonas – mas que são usadas de forma orgulhosa pelo personagem, tentando mostrar pose com o dinheiro que ganha.
Sangrento como qualquer filme que retrata uma revolução, Fora da Lei é uma produção argelina digna de nota e que aguça a curiosidade do espectador em relação a outros trabalhos do diretor. Principalmente, a primeira parte desta história, contada em Dias de Glória.
Maratona Oscar: Fora da Lei, de Rachid Bouchareb, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Só foi possível ver três dos cinco filmes concorrentes, portanto segue a lista dos meus preferidos, ainda que capenga: Biutiful, Dogtooth e Fora da Lei. Mesmo não tendo assistido a Em um Mundo Melhor, estou apostando no favoritismo do longa-metragem dinamarquês para esta estatueta.
Fora da Lei foi o último filme conferido nesta Maratona Oscar 2011. Amanhã, divulgo as minhas apostas para festa da Academia que acontece no dia 27 de fevereiro, próximo domingo, no Kodak Theater, em Los Angeles. A cerimônia começa às 22h e terá cobertura do Paradoxo no twitter @rodrigomcfly.
Fora da Lei (Hors-La-Loi)
Dir.: Rachid Bouchareb
Com Jamel Debouzze, Roschdy Zem, Sami Bouajula, Chafia Boudraa
Cotação Paradoxo: Vale 78% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Fora da Lei:
Continuação de Dias de Glória (2006), Fora da Lei é uma história forte sobre a luta de um povo pela sua liberdade. Neste caso, os argelinos pela independência de seu país, dominado pela França desde o século XIX. O que se pode falar de negativo quanto a este filme é a demora para que a história engrene. Depois que isso acontece, o trabalho de Rachid Bouchareb (de London River – Destinos Cruzados) vira uma jornada interessante e brutal pela liberdade.
Com roteiro do próprio Bouchareb, Fora da Lei conta a história de três irmãos: Said (Jamel Debouzze, de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain), Messaud (Roschdy Zem, de London River) e Abdelkader (Sami Bouajula, de O Ritual da Pedra). Os três foram expulsos, ainda crianças, de suas terras e, a partir daí, nasce a vontade de lutar por seu país. Mas o caminho não é fácil. Adultos, cada um segue um caminho diferente. Said ganha a vida como cafetão, fato que envergonha sua mãe (Chafia Boudraa). Messaud, alistado no exército, lutou na Indochina e retornara com um olho cego. Abdelkader passou um tempo na cadeia, devido suas idéias políticas e, ao sair, só quer saber da revolução. A luta destes irmãos pela liberdade da Argélia é o que faz a história andar.
Exatamente por isso o filme demora a engrenar. Compreensivelmente, Bouchareb demanda tempo para apresentar os personagens e mostrar a gênese da luta dos irmãos. Ao fazer isso, contextualiza muito bem as ações dos protagonistas e tudo o que acontece até chegar o momento da revolução. O filme se recente disso por um lado – falta de ritmo – mas ganha por outro – mais profundidade. E tome passagens de tempo: passa-se um ano, alguns meses, outro ano. Até que, enfim, tudo está no lugar e a trama parte para os “finalmentes”. Quando isso acontece, depois de uns 30 minutos de projeção, a atenção do espectador é totalmente fisgada. Daí é só correr para o abraço.
A atuação do trio principal é excelente, mas perde para a performance estupenda de Chafia Boudraa como a mãe de Said, Messaud e Abdelkader. A atriz não parece estar atuando em momento algum. Tudo é muito natural. Para o espectador, ela É a mãe daqueles atores. Sua dor por ver o filho envolvido com prostitutas é pungente, não aceitando de forma alguma o dinheiro de Said. Por outro lado, sente orgulho de Abdelkader, trancafiado na cadeia por seus princípios. Seu maior sonho é voltar para a terra de onde foi expulsa – ainda que depois de morta.
Mesmo ficando atrás de sua “mãe” no quesito atuação, os três protagonistas têm performances destacadas. Bouchareb dá a cada personagem características bastante diferentes e, a partir daí, fica a cargo de cada um dos atores deslanchar.
Abdelkader é o irmão sério. Totalmente focado na revolução, sem tempo para descanso e, muito menos, para relacionamentos. Por isso, não é difícil entender o porquê de sua blindagem aos encantos da bela Hèléne (Sabrina Seyvecou, de Paris). Para Abdelkader, baixar a guarda é um sinal de fraqueza para a revolução. Não à toa, o “irmão sério” é o mais abnegado e logo se vê obrigado a matar pela causa – e a primeira cena apresentando o assassinato de um inimigo político é forte pela barbárie do enforcamento a sangue frio.
Messaud é coração. É igualmente apaixonado pela revolução, mas tem apreço pelo calor humano. Sente amor pelos irmãos (tanto que se coloca entre Said e Abdelkader em assuntos políticos) e consegue uma centelha de vida normal ao se casar e ter um filho. Infelizmente, tentar libertar um país é um trabalho que não oferece folgas ou férias. Por isso, para tristeza de Messaud, a vida em família não é uma opção. Ao constatar que seu filho crescera rápido sem estar por perto, o revolucionário sente o peso de suas escolhas.
Said é o impulsivo. Sem querer viver na pobreza, logo parte para o (dito) caminho fácil, apadrinhado por um homem (pretensamente) poderoso. É notório que Said deseja a libertação da Argélia, mas também é claro que política não é seu principal interesse. Apaixonado por boxe, Said enfrentará os irmãos, pretendendo agenciar uma luta que poderá colocar um argelino como campeão de boxe em plena Paris – mesmo que isso vá contra os princípios da revolução.
Com esse turbilhão de situações, Bouchareb cria um filme poderoso. Além de um roteiro interessante, Fora da Lei tem uma direção de arte impecável. A recriação de época (anos 50/60) é tão convincente que é possível esquecer que o filme foi rodado em 2010. Carros, roupas, locações. Tudo muito bem trabalhado. Acredito, inclusive, que o departamento de figurino tenha se divertido mais ao trabalhar com Said, devido suas roupas notadamente cafonas – mas que são usadas de forma orgulhosa pelo personagem, tentando mostrar pose com o dinheiro que ganha.
Sangrento como qualquer filme que retrata uma revolução, Fora da Lei é uma produção argelina digna de nota e que aguça a curiosidade do espectador em relação a outros trabalhos do diretor. Principalmente, a primeira parte desta história, contada em Dias de Glória.
Maratona Oscar: Fora da Lei, de Rachid Bouchareb, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Só foi possível ver três dos cinco filmes concorrentes, portanto segue a lista dos meus preferidos, ainda que capenga: Biutiful, Dogtooth e Fora da Lei. Mesmo não tendo assistido a Em um Mundo Melhor, estou apostando no favoritismo do longa-metragem dinamarquês para esta estatueta.
Fora da Lei foi o último filme conferido nesta Maratona Oscar 2011. Amanhã, divulgo as minhas apostas para festa da Academia que acontece no dia 27 de fevereiro, próximo domingo, no Kodak Theater, em Los Angeles. A cerimônia começa às 22h e terá cobertura do Paradoxo no twitter @rodrigomcfly.
Fora da Lei (Hors-La-Loi)
Dir.: Rachid Bouchareb
Com Jamel Debouzze, Roschdy Zem, Sami Bouajula, Chafia Boudraa
Cotação Paradoxo: Vale 78% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Fora da Lei:
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Os indicados que ficaram no caminho
Há tempos que uma Maratona Oscar não ficava tão desfalcada por causa dos atrasos de estréias. Desta vez, seis filmes ficaram de fora – sendo que um deles, Incêndios, chega ao centro do país amanhã, sem previsão para Porto Alegre.
Este post, portanto, traz pequenas resenhas destas seis produções. Obviamente, como não assisti aos filmes, a crítica ficará para um futuro próximo (eu espero).
A Tempestade
(The Tempest)
Dirigido por Julie Taymor (de Across the Universe), o longa-metragem retrabalha a clássica história de William Shakespeare A Tempestade, transformando seu protagonista, Prospero, em uma mulher – interpretada por Helen Mirren (vencedora do Oscar por A Rainha). O elenco ainda conta com nomes interessantes como Felicity Jones (de Chéri), Alfred Molina (de Educação), Russell Brand (de Take Him to the Greek), Chris Cooper (oscarizado por Adaptação), David Strathairn (indicado ao Oscar por Boa Noite e Boa Sorte), Alan Cumming (de X-Men 2), Ben Whishaw (de O Brilho de uma Paixão) e Djimon Hounsou (indicado ao Oscar por Diamante de Sangue e Terra de Sonhos).
O filme teve sua premiere no Festival de Veneza de 2010 e teve uma estreia low profile nos Estados Unidos e na Inglaterra. No Brasil, o filme não possui data de lançamento.
Maratona Oscar: A Tempestade, de Julie Taymor, foi indicado ao Oscar de Melhor Figurino. Sandy Powell, a responsável pelo costume design do longa-metragem, venceu ano passado o Oscar da categoria pelo seu trabalho em A Jovem Rainha Vitória. Anteriormente, Powell já havia sido premiada em outras duas ocasiões: por O Aviador, em 2007, e Shakespeare Apaixonado, em 1998. Desta vez, fico devendo uma apreciação.
Minha Versão para o Amor
(Barney’s Version)
O sempre competente Paul Giamatti (indicado ao Oscar por Sideways) estrela a estreia do diretor de tevê Richard J. Lewis na telona em Minha Versão para o Amor. Na trama, observamos a vida do impulsivo Barney Panofsky e sua incrível propensão de se apaixonar – inclusive por uma mulher durante o seu próprio casamento. O elenco conta com Rosamund Pike (de Educação), Minnie Driver (indicada ao Oscar por Gênio Indomável), Scott Speedman (de Anjos da Noite) e Dustin Hoffman (oscarizado por Rain Man e Kramer vs. Kramer).
O filme teve uma estreia limitada nos Estados Unidos e deve chegar no Brasil no dia 8 de abril, pela Califórnia Filmes.
Maratona Oscar: Minha Versão para o Amor, de Richard J. Lewis, foi indicado ao Oscar de Melhor Maquiagem. Pelo trailer (que você pode ver logo abaixo), é possível notar o cuidadoso trabalho para envelhecer e rejuvenescer Giamatti, Hoffman e Pike. Contudo, esse pequeno preview não dá possibilidade de calcular as chances que o filme tem contra O Lobisomem e Caminho para Liberdade, dois excelentes trabalhos.
Incêndios
(Incendies)
Candidato ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pelo Canadá, Incêndios tem a direção de Denis Villeneuve e é estrelado por Melissa Désormeaux-Poulin e Maxim Gaudette. Na história, dois irmãos partem atrás de seu pai após a morte da mãe, descobrindo verdades sobre o passado da família que desconheciam. O tom violento e político do trailer chamam a atenção para o longa-metragem.
A produção canadense estreia no Rio de Janeiro e São Paulo nesta sexta-feira, 25 de fevereiro, e não se sabe quando chega a Porto Alegre. A distribuição é da Imovision.
Maratona Oscar: Incêndios, de Denis Villeneuve, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Como esta categoria é sempre uma incógnita, o favoritismo de Biutiful e de Em um Mundo Melhor querem dizer pouco.
Country Strong
Coração Louco em uma versão feminina. É ao menos o que Country Strong aparenta ser pelo seu trailer. Dirigido por Shana Fest (de Em Busca de uma Nova Chance), o filme traz Gwyneth Paltrow (oscarizada por Shakespeare Apaixonado) como uma cantora country decadente que tem sua última chance de brilhar nos palcos ao conhecer um jovem compositor.
Não é a primeira vez que a atriz solta a voz no cinema. Em 2000, Paltrow estrelou Duets, uma divertida comédia musical dirigida por seu pai, Bruce Paltrow. Completam o elenco de Country Strong: Garrett Ludlow (de Tron – O Legado), Tim McGraw (de Um Sonho Possível e Leighton Meester (de Amor à Distância).
O longa-metragem estreou nos Estados Unidos em janeiro e não tem data prevista para chegar ao Brasil, nem título em português.
Maratona Oscar: Country Strong, de Shana Fest, foi indicado ao Oscar de Melhor Canção Original. Ano passado, a country music saiu vitoriosa com a estatueta de Coração Louco. Não acredito que isso se repetirá em 2011.
Another Year
Mike Leigh (indicado a 7 Oscar, quatro deles como roteirista) sempre traz algo interessante em cada filme que faz. E, aposto, Another Year deve ser mais um bom trabalho do cineasta britânico – que, infelizmente, não aportou no país ainda. Estrelado por Jim Broadbent (oscarizado por Íris) e Leslie Manville (de O Segredo de Vera Drake), o longa-metragem mostra o cotidiano de um casal durante o período de um ano, enfocando suas amizades, seus dramas e sua rotina.
Produção britânica, Another Year estreou em novembro no Reino Unido e teve uma rápida passagem pelos cinemas norte-americanos. No Brasil, não tem data de estreia prevista ou título em português.
Maratona Oscar: Another Year, de Mike Leigh, foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original. Leigh foi indicado nesta categoria pelos filmes Simplesmente Feliz, O Segredo de Vera Drake, Topsy Turvy e Segredos e Mentiras. Nunca levou o prêmio. Em 2011, o seu destino não deve ser diferente.
Em um Mundo Melhor
Haevnen
Vencedor da categoria Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro deste ano, Em um Mundo Melhor é uma produção dinamarquesa assinada por Susanne Bier (de Coisas que Perdemos pelo Caminho). A história trata da amizade entre dois garotos, filhos de famílias disfuncionais ou destruídas pela tragédia, que criam um laço forte de companheirismo – que pode ser prejudicial quando um plano de vingança entra no meio da equação.
O longa-metragem estreou na Dinamarca em agosto do ano passado e já foi exibido em diversos festivais – inclusive no Brasil, nos Festivais Internacionais do Rio e de São Paulo. A estreia do filme no país deve acontecer no dia 11 de março, pela Califórnia Filmes.
Maratona Oscar: Em um Mundo Melhor, de Susanne Bier, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A produção dinamarquesa é uma das favoritas ao prêmio – logo, tem todas as chances de perder como tantos outros filmes nesta mesma categoria (vide A Fita Branca em 2010 ou Katyn em 2008).
Este post, portanto, traz pequenas resenhas destas seis produções. Obviamente, como não assisti aos filmes, a crítica ficará para um futuro próximo (eu espero).
A Tempestade
(The Tempest)
Dirigido por Julie Taymor (de Across the Universe), o longa-metragem retrabalha a clássica história de William Shakespeare A Tempestade, transformando seu protagonista, Prospero, em uma mulher – interpretada por Helen Mirren (vencedora do Oscar por A Rainha). O elenco ainda conta com nomes interessantes como Felicity Jones (de Chéri), Alfred Molina (de Educação), Russell Brand (de Take Him to the Greek), Chris Cooper (oscarizado por Adaptação), David Strathairn (indicado ao Oscar por Boa Noite e Boa Sorte), Alan Cumming (de X-Men 2), Ben Whishaw (de O Brilho de uma Paixão) e Djimon Hounsou (indicado ao Oscar por Diamante de Sangue e Terra de Sonhos).
O filme teve sua premiere no Festival de Veneza de 2010 e teve uma estreia low profile nos Estados Unidos e na Inglaterra. No Brasil, o filme não possui data de lançamento.
Maratona Oscar: A Tempestade, de Julie Taymor, foi indicado ao Oscar de Melhor Figurino. Sandy Powell, a responsável pelo costume design do longa-metragem, venceu ano passado o Oscar da categoria pelo seu trabalho em A Jovem Rainha Vitória. Anteriormente, Powell já havia sido premiada em outras duas ocasiões: por O Aviador, em 2007, e Shakespeare Apaixonado, em 1998. Desta vez, fico devendo uma apreciação.
Minha Versão para o Amor
(Barney’s Version)
O sempre competente Paul Giamatti (indicado ao Oscar por Sideways) estrela a estreia do diretor de tevê Richard J. Lewis na telona em Minha Versão para o Amor. Na trama, observamos a vida do impulsivo Barney Panofsky e sua incrível propensão de se apaixonar – inclusive por uma mulher durante o seu próprio casamento. O elenco conta com Rosamund Pike (de Educação), Minnie Driver (indicada ao Oscar por Gênio Indomável), Scott Speedman (de Anjos da Noite) e Dustin Hoffman (oscarizado por Rain Man e Kramer vs. Kramer).
O filme teve uma estreia limitada nos Estados Unidos e deve chegar no Brasil no dia 8 de abril, pela Califórnia Filmes.
Maratona Oscar: Minha Versão para o Amor, de Richard J. Lewis, foi indicado ao Oscar de Melhor Maquiagem. Pelo trailer (que você pode ver logo abaixo), é possível notar o cuidadoso trabalho para envelhecer e rejuvenescer Giamatti, Hoffman e Pike. Contudo, esse pequeno preview não dá possibilidade de calcular as chances que o filme tem contra O Lobisomem e Caminho para Liberdade, dois excelentes trabalhos.
Incêndios
(Incendies)
Candidato ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pelo Canadá, Incêndios tem a direção de Denis Villeneuve e é estrelado por Melissa Désormeaux-Poulin e Maxim Gaudette. Na história, dois irmãos partem atrás de seu pai após a morte da mãe, descobrindo verdades sobre o passado da família que desconheciam. O tom violento e político do trailer chamam a atenção para o longa-metragem.
A produção canadense estreia no Rio de Janeiro e São Paulo nesta sexta-feira, 25 de fevereiro, e não se sabe quando chega a Porto Alegre. A distribuição é da Imovision.
Maratona Oscar: Incêndios, de Denis Villeneuve, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Como esta categoria é sempre uma incógnita, o favoritismo de Biutiful e de Em um Mundo Melhor querem dizer pouco.
Country Strong
Coração Louco em uma versão feminina. É ao menos o que Country Strong aparenta ser pelo seu trailer. Dirigido por Shana Fest (de Em Busca de uma Nova Chance), o filme traz Gwyneth Paltrow (oscarizada por Shakespeare Apaixonado) como uma cantora country decadente que tem sua última chance de brilhar nos palcos ao conhecer um jovem compositor.
Não é a primeira vez que a atriz solta a voz no cinema. Em 2000, Paltrow estrelou Duets, uma divertida comédia musical dirigida por seu pai, Bruce Paltrow. Completam o elenco de Country Strong: Garrett Ludlow (de Tron – O Legado), Tim McGraw (de Um Sonho Possível e Leighton Meester (de Amor à Distância).
O longa-metragem estreou nos Estados Unidos em janeiro e não tem data prevista para chegar ao Brasil, nem título em português.
Maratona Oscar: Country Strong, de Shana Fest, foi indicado ao Oscar de Melhor Canção Original. Ano passado, a country music saiu vitoriosa com a estatueta de Coração Louco. Não acredito que isso se repetirá em 2011.
Another Year
Mike Leigh (indicado a 7 Oscar, quatro deles como roteirista) sempre traz algo interessante em cada filme que faz. E, aposto, Another Year deve ser mais um bom trabalho do cineasta britânico – que, infelizmente, não aportou no país ainda. Estrelado por Jim Broadbent (oscarizado por Íris) e Leslie Manville (de O Segredo de Vera Drake), o longa-metragem mostra o cotidiano de um casal durante o período de um ano, enfocando suas amizades, seus dramas e sua rotina.
Produção britânica, Another Year estreou em novembro no Reino Unido e teve uma rápida passagem pelos cinemas norte-americanos. No Brasil, não tem data de estreia prevista ou título em português.
Maratona Oscar: Another Year, de Mike Leigh, foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original. Leigh foi indicado nesta categoria pelos filmes Simplesmente Feliz, O Segredo de Vera Drake, Topsy Turvy e Segredos e Mentiras. Nunca levou o prêmio. Em 2011, o seu destino não deve ser diferente.
Em um Mundo Melhor
Haevnen
Vencedor da categoria Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro deste ano, Em um Mundo Melhor é uma produção dinamarquesa assinada por Susanne Bier (de Coisas que Perdemos pelo Caminho). A história trata da amizade entre dois garotos, filhos de famílias disfuncionais ou destruídas pela tragédia, que criam um laço forte de companheirismo – que pode ser prejudicial quando um plano de vingança entra no meio da equação.
O longa-metragem estreou na Dinamarca em agosto do ano passado e já foi exibido em diversos festivais – inclusive no Brasil, nos Festivais Internacionais do Rio e de São Paulo. A estreia do filme no país deve acontecer no dia 11 de março, pela Califórnia Filmes.
Maratona Oscar: Em um Mundo Melhor, de Susanne Bier, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A produção dinamarquesa é uma das favoritas ao prêmio – logo, tem todas as chances de perder como tantos outros filmes nesta mesma categoria (vide A Fita Branca em 2010 ou Katyn em 2008).
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Trabalho Interno
Poder e Cobiça
Quem até hoje não entendeu exatamente o que aconteceu com a economia mundial no fatídico mês de setembro de 2008 já tem uma missão: assistir ao didático e crítico documentário dirigido por Charles Ferguson, Trabalho Interno. O premiado longa-metragem escancara as engrenagens de Wall Street e mostra como a ganância de bancos, financiadoras e corretoras transformaram a economia global em seu particular parquinho de diversões. Mal eles sabiam que esse parquinho tinha hora para fechar – e o último que saísse teria de apagar a luz da roda gigante.
Narrado pelo sempre competente Matt Damon e com roteiro de Chad Beck e Adam Bolt, Trabalho Interno divide sua narrativa em cinco partes, mostrando o início do que seria a derrocada da economia estadunidense, com o governo Ronald Reagan nos anos 80, chegando até os dias de hoje, com os desdobramentos do estouro da crise durante a Era W. Bush e a ineficiência do atual governo Obama. Como todos sabemos, a falência do Lehman Brothers não foi o único motivo que deixou a economia mundial de ponta cabeça. Trabalho Interno faz um ótimo apanhado geral dos motivos que levaram a situação chegar aonde chegou.
Ferguson tenta montar um trabalho apartidário. O cineasta revela que, basicamente, as mesmas moscas sobrevoam a Casa Branca não importando se um democrata ou um republicano está comandando o Salão Oval. O documentário deixa bastante claro a incompetência de qualquer governo em frear as investidas dos gananciosos milionários de Wall Street. Eles basicamente fazem o que querem e, no apagar das luzes, não são punidos por nenhum de seus crimes. Quem pensava que o Brasil é o único lugar em que tudo acaba em pizza irá se surpreender com os maiores pizzaiolos do mundo.
Trabalho Interno consegue o feito de traduzir diversos termos do economês em uma linguagem acessível, possível de entender para leigos no assunto (e eu me incluo nessa). O filme traz imagens de arquivo, com reportagens de todos os momentos retratados no documentário, e entrevistas bastante incisivas com banqueiros, corretores, políticos e professores. Ferguson não tem medo de fazer perguntas duras e chega, inclusive, a questionar a veracidade de alguns depoimentos diante do entrevistado – fazendo, claro, com que algumas entrevistas terminem prematuramente. Não é difícil imaginar que muitos dos principais envolvidos nas tramóias econômicas não quiseram apresentar seu lado da história.
O cineasta é inteligente em explorar muito bem as entrevistas que conseguiu realizar. Com acesso a muitas fontes interessantes, Ferguson cria um mosaico detalhado sobre a situação da economia no seu país. Mas as melhores cenas são as que o cineasta fecha o cerco em depoentes duvidosos. Não raro, os entrevistados caem em contradições, em nervosismo gaguejante ou em defensivas extremas. O cineasta consegue usar até os silêncios para construir sua tese: o “tsunami” econômico de 2008 poderia ter sido evitado. Além de tentar provar esta hipótese, Ferguson tenta convencer o espectador que as engrenagens de Wall Street e do próprio governo dos Estados Unidos estão precisando de uma mudança imediata. Não é preciso muito para que pensemos o mesmo.
Com um ótimo ritmo e bastante didático – sem ofender a inteligência do espectador - Trabalho Interno é um documento importante para nos ajudar a entender o que aconteceu com a maior economia do mundo – e, a reboque, de todo o planeta. Desde o crash da bolsa, em 1929, que os Estados Unidos não sentiam um baque tão forte em sua megapotência. Ainda se recuperando das conseqüências do desemprego crescente, é de se perguntar se a lição foi aprendida ou não. As mesmas moscas continuam por lá, na Casa Branca, em cargos de confiança. Difícil, portanto, pensar que alguma coisa vai mudar em Wall Street. Como dizia o imortal Gordon Gekko de Michael Douglas, Greed is Good. E, pra eles, funciona como um amuleto da sorte.
Maratona Oscar: Trabalho Interno, de Charles Ferguson, foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário. Depois de ter assistido aos cinco concorrentes, colocarei a minha lista de preferidos, na ordem: Lixo Extraordinário, Trabalho Interno, Gasland, Exit Trough the Gift Shop e Restrepo.
Trabalho Interno foi o vencedor do prêmio do Sindicato dos Diretores e do Sindicato dos Roteiristas e é, obviamente, o favorito ao Oscar. Portanto, esta será minha aposta.
Trabalho Interno (Inside Job)
Dir.: Charles Ferguson
Narrador por Matt Damon
Cotação Paradoxo: Vale 89% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Trabalho Interno:
Quem até hoje não entendeu exatamente o que aconteceu com a economia mundial no fatídico mês de setembro de 2008 já tem uma missão: assistir ao didático e crítico documentário dirigido por Charles Ferguson, Trabalho Interno. O premiado longa-metragem escancara as engrenagens de Wall Street e mostra como a ganância de bancos, financiadoras e corretoras transformaram a economia global em seu particular parquinho de diversões. Mal eles sabiam que esse parquinho tinha hora para fechar – e o último que saísse teria de apagar a luz da roda gigante.
Narrado pelo sempre competente Matt Damon e com roteiro de Chad Beck e Adam Bolt, Trabalho Interno divide sua narrativa em cinco partes, mostrando o início do que seria a derrocada da economia estadunidense, com o governo Ronald Reagan nos anos 80, chegando até os dias de hoje, com os desdobramentos do estouro da crise durante a Era W. Bush e a ineficiência do atual governo Obama. Como todos sabemos, a falência do Lehman Brothers não foi o único motivo que deixou a economia mundial de ponta cabeça. Trabalho Interno faz um ótimo apanhado geral dos motivos que levaram a situação chegar aonde chegou.
Ferguson tenta montar um trabalho apartidário. O cineasta revela que, basicamente, as mesmas moscas sobrevoam a Casa Branca não importando se um democrata ou um republicano está comandando o Salão Oval. O documentário deixa bastante claro a incompetência de qualquer governo em frear as investidas dos gananciosos milionários de Wall Street. Eles basicamente fazem o que querem e, no apagar das luzes, não são punidos por nenhum de seus crimes. Quem pensava que o Brasil é o único lugar em que tudo acaba em pizza irá se surpreender com os maiores pizzaiolos do mundo.
Trabalho Interno consegue o feito de traduzir diversos termos do economês em uma linguagem acessível, possível de entender para leigos no assunto (e eu me incluo nessa). O filme traz imagens de arquivo, com reportagens de todos os momentos retratados no documentário, e entrevistas bastante incisivas com banqueiros, corretores, políticos e professores. Ferguson não tem medo de fazer perguntas duras e chega, inclusive, a questionar a veracidade de alguns depoimentos diante do entrevistado – fazendo, claro, com que algumas entrevistas terminem prematuramente. Não é difícil imaginar que muitos dos principais envolvidos nas tramóias econômicas não quiseram apresentar seu lado da história.
O cineasta é inteligente em explorar muito bem as entrevistas que conseguiu realizar. Com acesso a muitas fontes interessantes, Ferguson cria um mosaico detalhado sobre a situação da economia no seu país. Mas as melhores cenas são as que o cineasta fecha o cerco em depoentes duvidosos. Não raro, os entrevistados caem em contradições, em nervosismo gaguejante ou em defensivas extremas. O cineasta consegue usar até os silêncios para construir sua tese: o “tsunami” econômico de 2008 poderia ter sido evitado. Além de tentar provar esta hipótese, Ferguson tenta convencer o espectador que as engrenagens de Wall Street e do próprio governo dos Estados Unidos estão precisando de uma mudança imediata. Não é preciso muito para que pensemos o mesmo.
Com um ótimo ritmo e bastante didático – sem ofender a inteligência do espectador - Trabalho Interno é um documento importante para nos ajudar a entender o que aconteceu com a maior economia do mundo – e, a reboque, de todo o planeta. Desde o crash da bolsa, em 1929, que os Estados Unidos não sentiam um baque tão forte em sua megapotência. Ainda se recuperando das conseqüências do desemprego crescente, é de se perguntar se a lição foi aprendida ou não. As mesmas moscas continuam por lá, na Casa Branca, em cargos de confiança. Difícil, portanto, pensar que alguma coisa vai mudar em Wall Street. Como dizia o imortal Gordon Gekko de Michael Douglas, Greed is Good. E, pra eles, funciona como um amuleto da sorte.
Maratona Oscar: Trabalho Interno, de Charles Ferguson, foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário. Depois de ter assistido aos cinco concorrentes, colocarei a minha lista de preferidos, na ordem: Lixo Extraordinário, Trabalho Interno, Gasland, Exit Trough the Gift Shop e Restrepo.
Trabalho Interno foi o vencedor do prêmio do Sindicato dos Diretores e do Sindicato dos Roteiristas e é, obviamente, o favorito ao Oscar. Portanto, esta será minha aposta.
Trabalho Interno (Inside Job)
Dir.: Charles Ferguson
Narrador por Matt Damon
Cotação Paradoxo: Vale 89% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Trabalho Interno:
sábado, 19 de fevereiro de 2011
127 Horas
Between a rock and a hard place
127 Horas é um tour de force do ator James Franco. Capturando a atenção do espectador de forma singular durante todo o filme, ele é um dos principais motivos para encararmos uma sessão deste novo trabalho de Danny Boyle. Mostrando a competência habitual em contar suas histórias de forma diferenciada, o diretor leva seu público a uma jornada de dor, auto-conhecimento e superação.
O roteiro, assinado por Boyle e Simon Beaufoy (repetindo a parceria de Quem Quer ser um Milionário), é baseado no livro de Aron Ralston Between a Rock and a Hard Place, no qual o aventureiro relata a experiência quase fatal que viveu enquanto escalava rochedos no estado de Utah. No filme, James Franco (de Comer Rezar Amar) vive este drama. Com a mão presa em um rocha no meio do nada, com poucos suprimentos e sem ter avisado a ninguém onde ia, o protagonista tenta se salvar enquanto relembra momentos que foram marcantes em sua vida.
Danny Boyle mostra uma habilidade gigantesca ao contar a história de Aron Ralston. Imagine o desafio de construir um longa-metragem em volta de um acontecimento que deixa seu personagem principal imóvel durante 70% do filme? Como transformar isso em um filme que não colocará as pessoas para dormir? Com isso em mente, Boyle inicia seu trabalho em alta velocidade. A edição dos primeiros minutos é frenética e mostra o formigueiro das grandes cidades. A rapidez destes primeiros cortes e a própria energia positiva de Ralston nas primeiras cenas de 127 Horas representam um óbvio contraste com o que veremos a partir do minuto 16 do longa-metragem.
O diretor sabe que boa parte dos espectadores sabe o que acontecerá na história. Quem leu uma linha sobre 127 Horas antes de entrar na sessão tem em mente que acompanharemos Aron Ralston preso em uma rocha. Dito isso, é possível notar que Boyle brinca com as expectativas do público. Uma queda de bicicleta aqui, uma cena perigosa acolá. Ao frustrar o espectador depois de uma, duas ou três vezes, é normal que este fique vacinado. É só então que o acidente acontece. Boyle utiliza deste expediente para tentar surpreender o público, visto que ele entende que boa parte da trama já é conhecida – ainda mais se tratando de uma história real.
Depois de vivenciarmos 16 intensos minutos com Aron Ralston, onde ele se diverte de bicicleta, escala montanhas e pula em lagos límpidos com duas belas mulheres, chega o momento de acompanharmos o seu martírio. E é a partir daí que James Franco captura o público. Mostrando uma tremenda força de vontade em continuar vivo e inteligência por logo entender que deve guardar seus suprimentos, Ralston se mostra um sujeito incrivelmente forte, mesmo vivendo um drama sem precedentes.
A atitude de Ralston conquista o espectador, que torce por uma salvação. Isso tudo começa com a performance de James Franco. Em primeiro lugar, o ator consegue cativar o espectador. Mostrando-se um sujeito divertido e sempre com espírito esportivo (até mesmo ao levar um grande tombo de bicicleta ele consegue sorrir de seu infortúnio), o aventureiro possui uma personalidade que ganha a simpatia da plateia. Depois do acidente, Franco só cresce com sua performance e consegue transmitir toda a dor, angústia e sofrimento pelo qual seu personagem está passando. Novamente, o espectador consegue se condoer com aquele momento e, com a câmera sempre próxima de Danny Boyle, até sentir sua dor.
Por filmar em um lugar apertado e bastante claustrofóbico, o diretor está sempre com sua câmera bastante próxima de James Franco. Temos uma visão privilegiada inclusive de algumas passagens que nem mesmo estando ao lado do personagem teríamos (como o conteúdo de seu bebedouro e imagens internas de seu braço esmagado). Tudo isso traz um dinamismo ao filme, que poderia muito bem ficar preso (junto com Ralston) embaixo da rocha. Mas não é isso que Boyle propõe. Levando-nos aos recônditos da mente do aventureiro, temos contato com seus pensamentos, sonhos e devaneios durante as suas 127 horas de prisão involuntária. Desta forma, o diretor pode passear pelos mais variados lugares e colocar sua câmera rápida à serviço da história.
Câmera, aliás, é um conceito altamente utilizado em 127 Horas. Ralston gravava mensagens para seus pais com sua câmera e, obviamente, no filme isso foi utilizado para que o rapaz pudesse se expressar sem precisar conversar sozinho. Em um dos melhores momentos do filme, Aron entrevista a si mesmo em um talk show imaginário. Se Franco não conseguiu sua indicação ao Oscar naquela cena, certamente foi com a seguinte, onde faz o impensável para recuperar sua liberdade.
Esta passagem em questão é bastante forte e Boyle não poupa a plateia. A trilha sonora de A.R. Rahman neste momento assume um papel de destaque, junto a edição irreparável de Jon Harris. Curiosamente, a cena na qual Ralston consegue a liberdade foi gravada em apenas um take, com diversas câmeras. Dito isso, só reforça o reconhecimento ao bom trabalho de Harris. Já Rahman consegue não se repetir em momento algum, fazendo uma trilha sonora forte, mas nunca intrusiva.
127 Horas não chega a ser o melhor trabalho de Danny Boyle, mas merece um destaque positivo em meio a sua filmografia. O drama humano da superação chama a atenção e a ótima atuação de James Franco segura os 90 minutos do filme – sem falar na trilha musical que conta com uma épica canção de Sigur Ros, Festival, para fechar os trabalhos. Impactante.
Maratona Oscar: 127 Horas, de Danny Boyle, foi indicado a 6 Oscar: Melhor Filme, Diretor, Ator, Roteiro Adaptado, Trilha Sonora e Canção Original. As melhores chances do longa-metragem são nas categorias musicais – e são poucas.
Depois de ter visto os 10 indicados a Melhor Filme, posso divulgar minhas preferências, na ordem: A Origem, Cisne Negro, Toy Story 3, A Rede Social, Bravura Indômita, O Discurso do Rei, Inverno da Alma, O Vencedor, 127 Horas e Minhas Mães e Meu Pai. Apesar de tê-lo colocado como sexto em minhas preferências, ainda acredito que O Discurso do Rei leva o Oscar de Melhor Filme este ano.
127 Horas (127 Hours)
Dir.: Danny Boyle
Com James Franco, Treat Williams, Kate Mara, Amber Tamblyn, Clémence Poésy, Lizzy Caplan
Cotação Paradoxo: Vale 84% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de 127 Horas:
127 Horas é um tour de force do ator James Franco. Capturando a atenção do espectador de forma singular durante todo o filme, ele é um dos principais motivos para encararmos uma sessão deste novo trabalho de Danny Boyle. Mostrando a competência habitual em contar suas histórias de forma diferenciada, o diretor leva seu público a uma jornada de dor, auto-conhecimento e superação.
O roteiro, assinado por Boyle e Simon Beaufoy (repetindo a parceria de Quem Quer ser um Milionário), é baseado no livro de Aron Ralston Between a Rock and a Hard Place, no qual o aventureiro relata a experiência quase fatal que viveu enquanto escalava rochedos no estado de Utah. No filme, James Franco (de Comer Rezar Amar) vive este drama. Com a mão presa em um rocha no meio do nada, com poucos suprimentos e sem ter avisado a ninguém onde ia, o protagonista tenta se salvar enquanto relembra momentos que foram marcantes em sua vida.
Danny Boyle mostra uma habilidade gigantesca ao contar a história de Aron Ralston. Imagine o desafio de construir um longa-metragem em volta de um acontecimento que deixa seu personagem principal imóvel durante 70% do filme? Como transformar isso em um filme que não colocará as pessoas para dormir? Com isso em mente, Boyle inicia seu trabalho em alta velocidade. A edição dos primeiros minutos é frenética e mostra o formigueiro das grandes cidades. A rapidez destes primeiros cortes e a própria energia positiva de Ralston nas primeiras cenas de 127 Horas representam um óbvio contraste com o que veremos a partir do minuto 16 do longa-metragem.
O diretor sabe que boa parte dos espectadores sabe o que acontecerá na história. Quem leu uma linha sobre 127 Horas antes de entrar na sessão tem em mente que acompanharemos Aron Ralston preso em uma rocha. Dito isso, é possível notar que Boyle brinca com as expectativas do público. Uma queda de bicicleta aqui, uma cena perigosa acolá. Ao frustrar o espectador depois de uma, duas ou três vezes, é normal que este fique vacinado. É só então que o acidente acontece. Boyle utiliza deste expediente para tentar surpreender o público, visto que ele entende que boa parte da trama já é conhecida – ainda mais se tratando de uma história real.
Depois de vivenciarmos 16 intensos minutos com Aron Ralston, onde ele se diverte de bicicleta, escala montanhas e pula em lagos límpidos com duas belas mulheres, chega o momento de acompanharmos o seu martírio. E é a partir daí que James Franco captura o público. Mostrando uma tremenda força de vontade em continuar vivo e inteligência por logo entender que deve guardar seus suprimentos, Ralston se mostra um sujeito incrivelmente forte, mesmo vivendo um drama sem precedentes.
A atitude de Ralston conquista o espectador, que torce por uma salvação. Isso tudo começa com a performance de James Franco. Em primeiro lugar, o ator consegue cativar o espectador. Mostrando-se um sujeito divertido e sempre com espírito esportivo (até mesmo ao levar um grande tombo de bicicleta ele consegue sorrir de seu infortúnio), o aventureiro possui uma personalidade que ganha a simpatia da plateia. Depois do acidente, Franco só cresce com sua performance e consegue transmitir toda a dor, angústia e sofrimento pelo qual seu personagem está passando. Novamente, o espectador consegue se condoer com aquele momento e, com a câmera sempre próxima de Danny Boyle, até sentir sua dor.
Por filmar em um lugar apertado e bastante claustrofóbico, o diretor está sempre com sua câmera bastante próxima de James Franco. Temos uma visão privilegiada inclusive de algumas passagens que nem mesmo estando ao lado do personagem teríamos (como o conteúdo de seu bebedouro e imagens internas de seu braço esmagado). Tudo isso traz um dinamismo ao filme, que poderia muito bem ficar preso (junto com Ralston) embaixo da rocha. Mas não é isso que Boyle propõe. Levando-nos aos recônditos da mente do aventureiro, temos contato com seus pensamentos, sonhos e devaneios durante as suas 127 horas de prisão involuntária. Desta forma, o diretor pode passear pelos mais variados lugares e colocar sua câmera rápida à serviço da história.
Câmera, aliás, é um conceito altamente utilizado em 127 Horas. Ralston gravava mensagens para seus pais com sua câmera e, obviamente, no filme isso foi utilizado para que o rapaz pudesse se expressar sem precisar conversar sozinho. Em um dos melhores momentos do filme, Aron entrevista a si mesmo em um talk show imaginário. Se Franco não conseguiu sua indicação ao Oscar naquela cena, certamente foi com a seguinte, onde faz o impensável para recuperar sua liberdade.
Esta passagem em questão é bastante forte e Boyle não poupa a plateia. A trilha sonora de A.R. Rahman neste momento assume um papel de destaque, junto a edição irreparável de Jon Harris. Curiosamente, a cena na qual Ralston consegue a liberdade foi gravada em apenas um take, com diversas câmeras. Dito isso, só reforça o reconhecimento ao bom trabalho de Harris. Já Rahman consegue não se repetir em momento algum, fazendo uma trilha sonora forte, mas nunca intrusiva.
127 Horas não chega a ser o melhor trabalho de Danny Boyle, mas merece um destaque positivo em meio a sua filmografia. O drama humano da superação chama a atenção e a ótima atuação de James Franco segura os 90 minutos do filme – sem falar na trilha musical que conta com uma épica canção de Sigur Ros, Festival, para fechar os trabalhos. Impactante.
Maratona Oscar: 127 Horas, de Danny Boyle, foi indicado a 6 Oscar: Melhor Filme, Diretor, Ator, Roteiro Adaptado, Trilha Sonora e Canção Original. As melhores chances do longa-metragem são nas categorias musicais – e são poucas.
Depois de ter visto os 10 indicados a Melhor Filme, posso divulgar minhas preferências, na ordem: A Origem, Cisne Negro, Toy Story 3, A Rede Social, Bravura Indômita, O Discurso do Rei, Inverno da Alma, O Vencedor, 127 Horas e Minhas Mães e Meu Pai. Apesar de tê-lo colocado como sexto em minhas preferências, ainda acredito que O Discurso do Rei leva o Oscar de Melhor Filme este ano.
127 Horas (127 Hours)
Dir.: Danny Boyle
Com James Franco, Treat Williams, Kate Mara, Amber Tamblyn, Clémence Poésy, Lizzy Caplan
Cotação Paradoxo: Vale 84% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de 127 Horas:
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Indicados a Melhor Trilha Sonora Original
O plano B continua no Paradoxo. Sem a estreia de Trabalho Interno no Rio Grande do Sul, apenas 127 Horas está dentre os indicados ao Oscar que entraram em cartaz. Portanto, segue uma pequena lista dos indicados a Melhor Trilha Sonora Original.
Como Treinar o seu Dragão
John Powell
A tocante e divertida animação Como Treinar o Seu Dragão, da Dreamworks, ganha uma trilha sonora com os mesmo predicados. Escrita por John Powell (que já trabalhou em outras produções do estúdio como Shrek e Kung Fu Panda), a música evoca muito da fantasia da história. Como geralmente acontece em filmes com cenas de vôo, a trilha ganha um papel importantíssimo quando Banguela e Soluço passeiam pelos ares nesta bela animação.
Esta é a primeira – e tardia – indicação ao Oscar de John Powell. Logo abaixo, é possível conferir uma das faixas da trilha sonora, a viking See you Tomorrow.
A Origem
Hans Zimmer
Esta é uma das mais inventivas trilhas sonoras da lista. Hans Zimmer pega emprestado a canção de Edith Piaf, Non, Je Ne Regrette Rien, e desconstrói a música da forma como a conhecemos. Além do feito, Zimmer cria uma trilha épica, totalmente condizente com o mundo de sonhos criado por Christopher Nolan. Detalhe para a participação do guitarrista dos Smiths, Johnny Marr, que empresta seus talentos para a trilha sonora de A Origem.
Hans Zimmer é veterano no Oscar. Venceu o prêmio em 1994, pela trilha sonora de O Rei Leão, e foi indicado oito vezes (Rain Man, Um Anjo em Minha Vida, Melhor é Impossível, O Príncipe do Egito, Além da Linha Vermelha, Gladiador, Sherlock Holmes e A Origem). Seria bom vê-lo ganhando mais uma vez neste ano. Em 2009, uma das minhas trilhas favoritas foi a de Sherlock Holmes, aliás.
Confira logo abaixo a faixa Dream is Collapsing de Hans Zimmer.
O Discurso do Rei
Alexandre Desplat
É possível que você saia da sala de cinema após uma sessão de O Discurso do Rei e nem perceba a trilha sonora do francês Alexandre Desplat. O compositor criou uma obra que chama pouco a atenção para si. Isso é uma faca de dois gumes. Para o filme é ótimo, já que cumpre seu dever de não roubar a cena. Para Desplat, talvez nem tanto, pois isso pode diminuir suas chances de prêmio. Este trabalho no longa-metragem de Tom Hooper não é o melhor que Desplat já escreveu, portanto se não vencer, não será um pecado. Inclusive, este ano o compositor compôs uma trilha bastante superior e não lembrada pela Academia: o subestimado O Escritor Fantasma, de Roman Polanski.
Alexandre Desplat foi indicado a 4 Oscar (A Rainha, O Curioso Caso de Benjamin Button, O Fantástico Sr. Raposo e O Discurso do Rei) e até agora não foi agraciado com uma estatueta. As chances do francês são boas, visto que um dos grandes favoritos é a modernosa trilha de Trent Reznor e Atticus Ross para A Rede Social - trilha essa que pode afastar os membros mais caquéticos do Oscar.
Confira logo abaixo a faixa The Rehearsal de Alexandre Desplat.
127 Horas
A.R. Rahman
Da lista dos cinco indicados, 127 Horas foi o único que ainda não conferi. Mas pelo que pude ouvir, a trilha sonora continua com a marcada identidade indiana de A.R. Rahman. Assim que assistir ao longa-metragem de Danny Boyle pretendo voltar a este post e atualizá-lo com minhas impressões sobre a trilha.
A.R. Rahman venceu o Oscar por seu trabalho em Quem Quer ser um Milionário e novamente foi indicado por uma parceria com Danny Boyle. Acho difícil voltar a ganhar tão cedo.
Confira logo abaixo a faixa R.I.P. de A.R. Rahman.
A Rede Social
Trent Reznor e Atticus Ross
A modernosa trilha sonora de A Rede Social é um trabalho irresistível do Nine Inch Nail Trent Reznor e de Atticus Ross. Ela é tão bem concebida que funciona perfeitamente dentro do filme e, também, muito bem sem. Além de A Origem, esta foi a única trilha sonora que ouvi do início ao fim. E mais de uma vez. É verdade que algumas barulheiras (ruídos e zunidos) da trilha incomodam aqui e ali ao ouvir a trilha sonora como uma obra fechada em si. Mas junto do belo trabalho de David Fincher, embala muito bem as desventuras de Mark Zuckerberg e seuThe Facebook.
Essa é a primeira trilha sonora de Trent Reznor, que parece ter tomado gosto pela coisa. O próximo filme de Fincher, a adaptação hollywoodiana para o livro Os Homens que Não Amavam as Mulheres, já tem Reznor e seu parceiro confirmados na trilha. Atticus Ross não é marinheiro de primeira viagem, mas não deixa de ser verde. Sua única trilha anterior para um longa-metragem foi O Livro de Eli.
Confira logo abaixo a faixa In Motion da trilha de Trent Reznor e Atticus Ross.
Maratona Oscar: Tendo ouvido trechos e a íntegra de algumas trilhas sonoras, posso divulgar a minha preferência, na ordem: A Origem, A Rede Social, Como Treinar o seu Dragão, O Discurso do Rei e 127 Horas. Apesar de gostar muito da trilha de Hans Zimmer, minha aposta para o Oscar será em A Rede Social, mesmo sabendo que é um risco. O Oscar é conhecido por ser conservador e a trilha de Alexandre Desplat para O Discurso do Rei pode roubar a estatueta por causa disso.
Como Treinar o seu Dragão
John Powell
A tocante e divertida animação Como Treinar o Seu Dragão, da Dreamworks, ganha uma trilha sonora com os mesmo predicados. Escrita por John Powell (que já trabalhou em outras produções do estúdio como Shrek e Kung Fu Panda), a música evoca muito da fantasia da história. Como geralmente acontece em filmes com cenas de vôo, a trilha ganha um papel importantíssimo quando Banguela e Soluço passeiam pelos ares nesta bela animação.
Esta é a primeira – e tardia – indicação ao Oscar de John Powell. Logo abaixo, é possível conferir uma das faixas da trilha sonora, a viking See you Tomorrow.
A Origem
Hans Zimmer
Esta é uma das mais inventivas trilhas sonoras da lista. Hans Zimmer pega emprestado a canção de Edith Piaf, Non, Je Ne Regrette Rien, e desconstrói a música da forma como a conhecemos. Além do feito, Zimmer cria uma trilha épica, totalmente condizente com o mundo de sonhos criado por Christopher Nolan. Detalhe para a participação do guitarrista dos Smiths, Johnny Marr, que empresta seus talentos para a trilha sonora de A Origem.
Hans Zimmer é veterano no Oscar. Venceu o prêmio em 1994, pela trilha sonora de O Rei Leão, e foi indicado oito vezes (Rain Man, Um Anjo em Minha Vida, Melhor é Impossível, O Príncipe do Egito, Além da Linha Vermelha, Gladiador, Sherlock Holmes e A Origem). Seria bom vê-lo ganhando mais uma vez neste ano. Em 2009, uma das minhas trilhas favoritas foi a de Sherlock Holmes, aliás.
Confira logo abaixo a faixa Dream is Collapsing de Hans Zimmer.
O Discurso do Rei
Alexandre Desplat
É possível que você saia da sala de cinema após uma sessão de O Discurso do Rei e nem perceba a trilha sonora do francês Alexandre Desplat. O compositor criou uma obra que chama pouco a atenção para si. Isso é uma faca de dois gumes. Para o filme é ótimo, já que cumpre seu dever de não roubar a cena. Para Desplat, talvez nem tanto, pois isso pode diminuir suas chances de prêmio. Este trabalho no longa-metragem de Tom Hooper não é o melhor que Desplat já escreveu, portanto se não vencer, não será um pecado. Inclusive, este ano o compositor compôs uma trilha bastante superior e não lembrada pela Academia: o subestimado O Escritor Fantasma, de Roman Polanski.
Alexandre Desplat foi indicado a 4 Oscar (A Rainha, O Curioso Caso de Benjamin Button, O Fantástico Sr. Raposo e O Discurso do Rei) e até agora não foi agraciado com uma estatueta. As chances do francês são boas, visto que um dos grandes favoritos é a modernosa trilha de Trent Reznor e Atticus Ross para A Rede Social - trilha essa que pode afastar os membros mais caquéticos do Oscar.
Confira logo abaixo a faixa The Rehearsal de Alexandre Desplat.
127 Horas
A.R. Rahman
Da lista dos cinco indicados, 127 Horas foi o único que ainda não conferi. Mas pelo que pude ouvir, a trilha sonora continua com a marcada identidade indiana de A.R. Rahman. Assim que assistir ao longa-metragem de Danny Boyle pretendo voltar a este post e atualizá-lo com minhas impressões sobre a trilha.
A.R. Rahman venceu o Oscar por seu trabalho em Quem Quer ser um Milionário e novamente foi indicado por uma parceria com Danny Boyle. Acho difícil voltar a ganhar tão cedo.
Confira logo abaixo a faixa R.I.P. de A.R. Rahman.
A Rede Social
Trent Reznor e Atticus Ross
A modernosa trilha sonora de A Rede Social é um trabalho irresistível do Nine Inch Nail Trent Reznor e de Atticus Ross. Ela é tão bem concebida que funciona perfeitamente dentro do filme e, também, muito bem sem. Além de A Origem, esta foi a única trilha sonora que ouvi do início ao fim. E mais de uma vez. É verdade que algumas barulheiras (ruídos e zunidos) da trilha incomodam aqui e ali ao ouvir a trilha sonora como uma obra fechada em si. Mas junto do belo trabalho de David Fincher, embala muito bem as desventuras de Mark Zuckerberg e seu
Essa é a primeira trilha sonora de Trent Reznor, que parece ter tomado gosto pela coisa. O próximo filme de Fincher, a adaptação hollywoodiana para o livro Os Homens que Não Amavam as Mulheres, já tem Reznor e seu parceiro confirmados na trilha. Atticus Ross não é marinheiro de primeira viagem, mas não deixa de ser verde. Sua única trilha anterior para um longa-metragem foi O Livro de Eli.
Confira logo abaixo a faixa In Motion da trilha de Trent Reznor e Atticus Ross.
Maratona Oscar: Tendo ouvido trechos e a íntegra de algumas trilhas sonoras, posso divulgar a minha preferência, na ordem: A Origem, A Rede Social, Como Treinar o seu Dragão, O Discurso do Rei e 127 Horas. Apesar de gostar muito da trilha de Hans Zimmer, minha aposta para o Oscar será em A Rede Social, mesmo sabendo que é um risco. O Oscar é conhecido por ser conservador e a trilha de Alexandre Desplat para O Discurso do Rei pode roubar a estatueta por causa disso.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Indicados a Melhor Canção Original
Com a falta de filmes indicados ao Oscar em cartaz, vamos com o plano B. O post de hoje é dedicado aos indicados a Melhor Canção Original. Segue abaixo.
127 Horas
If I Rise
Danny Boyle volta a trabalhar com A.R. Rahman em 127 Horas, depois da parceria bem sucedida em Quem Quer Ser um Milionário. Naquela ocasião, o músico levou o Oscar de Melhor Canção Original com a dançante Jai Ho. Desta vez, Rahman se encarregou da música e convidou a cantora britânica Dido para escrever as letras – tarefa dividida com seu irmão, o produtor musical Rollo.
Longe de ser contagiante como o trabalho anterior de Rahman (que também canta na música), If I Rise tem características que lembram Enya – e esta comparação é uma crítica negativa. Dido continua no mesmo estilo que lhe valeu seu único grande hit, Thank You, e o melhor momento da música é, certamente, a entrada do coral infantil de Mumbai.
Infelizmente, não assisti a 127 Horas e isso atrapalha bastante uma crítica mais aprofundada sobre uma canção escrita especialmente para um filme. Quando se confere a música sincada com o longa-metragem é uma experiência totalmente diferente e, não raro, dá outro significado à canção.
Confira abaixo If I Rise, de A.R. Rahman, com letras de Dido & Rollo.
Country Strong
Coming Home
Cantar não é novidade para Gwyneth Paltrow. A atriz estrelou Duets nos anos 90, dirigida pelo pai, Bruce Paltrow, e convencia ao cantar Smokey Robinson e Kim Karnes. Casada com o vocalista do Coldplay, Chris Martin, Paltrow deve ter recebido uma imersão musical em casa e melhorou bastante seus talentos vocais. Não à toa, a atriz é a protagonista de Country Strong, filme dirigido por Shana Feste, e que não tem previsão de estreia no Brasil.
Vivendo uma cantora country, Gwyneth Paltrow canta Coming Home da forma como todos imaginamos que uma profissional deste gênero musical faria. No entanto, os compositores da canção (Bob DiPiero, Tom Douglas, Hillary Lindsey e Troy Verges) parecem ter escrito uma canção romântica, não necessariamente country. Nada que Shania Twain não cantasse.
De novo, o fato de não ter visto o longa-metragem não ajuda na hora de escrever sobre a música.
Confira abaixo Coming Home, de Bob DiPiero, Tom Douglas, Hillary Lindsey e Troy Verges, cantada por Gwyneth Paltrow
Enrolados
I See the Light
A Disney tem grande tradição em músicas tocantes que arrebatam os votantes da Academia. Mas há tempos não leva para casa um prêmio de Melhor Canção. O último foi em 1999, com Phil Collins cantando You’ll be in my Heart, de Tarzan. Talvez seja a hora de voltar a vencer na categoria.
I See the Light tem vocais de Mandy Moore e Zachary Levi e foi escrita por Alan Menken e Glenn Slater. Menken é um velho conhecido da Academia. Foi indicado 14 vezes e escreveu as canções vencedoras em 4 oportunidades: Colors of the Wind, de Pocahontas; A Whole New World, de Aladdin; Beauty and the Beasty, de A Bela e a Fera; e Under the Sea, de A Pequena Sereia.
Acredito que o momento chegou de levar mais uma estatueta. A canção ainda é ajudada no longa-metragem por ser um dos momentos mais bonitos da história, a hora em que Rapunzel e Flynn Ryder observam de um barco as lanternas sobrevoarem o lago em que se encontram. Pura magia Disney.
Confiram logo abaixo I See the Light, de Alan Menken e Glenn Slater.
Toy Story 3
We Belong Together
Desta vez, Randy Newman não acertou. Depois de ter escrito canções memoráveis para Toy Story (You’ve Got a Friend in Me) e Toy Story 2 (When She Loved Me), logo no terceiro filme da trilogia o compositor perdeu a mão. We Belong Together não chega a ser uma canção ruim. Mas é bobinha demais, nem parecendo pertencer ao emocionante Toy Story 3.
Sem o quesito tocante que a Academia tanto gosta, vejo poucas chances da música emplacar um segundo Oscar para Newman (que recebeu seu primeiro e único com a música If I Didn’t Have You de Monstros S.A.).
Confira logo abaixo We Belong Together, de Randy Newman.
Maratona Oscar: Mesmo não tendo conferido todos os filmes, dá para se ter uma idéia da disputa pelo prêmio de Melhor Canção Original. Minha preferência, na ordem: Enrolados, Country Strong, 127 Horas e Toy Story 3. Aposto na hegemonia de Alan Menken e no coração mole dos votantes da Academia.
127 Horas
If I Rise
Danny Boyle volta a trabalhar com A.R. Rahman em 127 Horas, depois da parceria bem sucedida em Quem Quer Ser um Milionário. Naquela ocasião, o músico levou o Oscar de Melhor Canção Original com a dançante Jai Ho. Desta vez, Rahman se encarregou da música e convidou a cantora britânica Dido para escrever as letras – tarefa dividida com seu irmão, o produtor musical Rollo.
Longe de ser contagiante como o trabalho anterior de Rahman (que também canta na música), If I Rise tem características que lembram Enya – e esta comparação é uma crítica negativa. Dido continua no mesmo estilo que lhe valeu seu único grande hit, Thank You, e o melhor momento da música é, certamente, a entrada do coral infantil de Mumbai.
Infelizmente, não assisti a 127 Horas e isso atrapalha bastante uma crítica mais aprofundada sobre uma canção escrita especialmente para um filme. Quando se confere a música sincada com o longa-metragem é uma experiência totalmente diferente e, não raro, dá outro significado à canção.
Confira abaixo If I Rise, de A.R. Rahman, com letras de Dido & Rollo.
Country Strong
Coming Home
Cantar não é novidade para Gwyneth Paltrow. A atriz estrelou Duets nos anos 90, dirigida pelo pai, Bruce Paltrow, e convencia ao cantar Smokey Robinson e Kim Karnes. Casada com o vocalista do Coldplay, Chris Martin, Paltrow deve ter recebido uma imersão musical em casa e melhorou bastante seus talentos vocais. Não à toa, a atriz é a protagonista de Country Strong, filme dirigido por Shana Feste, e que não tem previsão de estreia no Brasil.
Vivendo uma cantora country, Gwyneth Paltrow canta Coming Home da forma como todos imaginamos que uma profissional deste gênero musical faria. No entanto, os compositores da canção (Bob DiPiero, Tom Douglas, Hillary Lindsey e Troy Verges) parecem ter escrito uma canção romântica, não necessariamente country. Nada que Shania Twain não cantasse.
De novo, o fato de não ter visto o longa-metragem não ajuda na hora de escrever sobre a música.
Confira abaixo Coming Home, de Bob DiPiero, Tom Douglas, Hillary Lindsey e Troy Verges, cantada por Gwyneth Paltrow
Enrolados
I See the Light
A Disney tem grande tradição em músicas tocantes que arrebatam os votantes da Academia. Mas há tempos não leva para casa um prêmio de Melhor Canção. O último foi em 1999, com Phil Collins cantando You’ll be in my Heart, de Tarzan. Talvez seja a hora de voltar a vencer na categoria.
I See the Light tem vocais de Mandy Moore e Zachary Levi e foi escrita por Alan Menken e Glenn Slater. Menken é um velho conhecido da Academia. Foi indicado 14 vezes e escreveu as canções vencedoras em 4 oportunidades: Colors of the Wind, de Pocahontas; A Whole New World, de Aladdin; Beauty and the Beasty, de A Bela e a Fera; e Under the Sea, de A Pequena Sereia.
Acredito que o momento chegou de levar mais uma estatueta. A canção ainda é ajudada no longa-metragem por ser um dos momentos mais bonitos da história, a hora em que Rapunzel e Flynn Ryder observam de um barco as lanternas sobrevoarem o lago em que se encontram. Pura magia Disney.
Confiram logo abaixo I See the Light, de Alan Menken e Glenn Slater.
Toy Story 3
We Belong Together
Desta vez, Randy Newman não acertou. Depois de ter escrito canções memoráveis para Toy Story (You’ve Got a Friend in Me) e Toy Story 2 (When She Loved Me), logo no terceiro filme da trilogia o compositor perdeu a mão. We Belong Together não chega a ser uma canção ruim. Mas é bobinha demais, nem parecendo pertencer ao emocionante Toy Story 3.
Sem o quesito tocante que a Academia tanto gosta, vejo poucas chances da música emplacar um segundo Oscar para Newman (que recebeu seu primeiro e único com a música If I Didn’t Have You de Monstros S.A.).
Confira logo abaixo We Belong Together, de Randy Newman.
Maratona Oscar: Mesmo não tendo conferido todos os filmes, dá para se ter uma idéia da disputa pelo prêmio de Melhor Canção Original. Minha preferência, na ordem: Enrolados, Country Strong, 127 Horas e Toy Story 3. Aposto na hegemonia de Alan Menken e no coração mole dos votantes da Academia.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Caminho para Liberdade
Keep Walkin’
Tenacidade, perseverança e coragem. Três qualidades que são facilmente observadas nos homens que completaram uma jornada de mais de 6 mil quilômetros contra o frio, o sol, a fome a desidratação. Esta é a distância percorrida pelos personagens do novo filme de Peter Weir, Caminho para Liberdade, estrelado por um inspirado elenco encabeçado por Jim Sturgees (de Quebrando a Banca), Ed Harris (de Appaloosa), Saoirse Ronan (de Um Olhar do Paraíso), Mark Strong (de Kick-Ass) e Colin Farrell (de Coração Louco).
A trama é presumidamente inspirada em fatos reais. O livro do qual o roteiro é baseado, The Long Walk do polonês Slawomir Rawicz, conta sua escapada da prisão soviética onde estava encarcerado e sua longa caminhada, ao lado de seis outros prisioneiros, até a Índia. Nos últimos tempos, porém, a veracidade dos fatos tem sido contestada. Isso, no fim das contas, não importa. Peter Weir (de Show de Truman e Sociedade dos Poetas Mortos) convida o espectador para uma dura jornada e a força das atuações e dos personagens carrega muito bem a trama, sendo ela verdadeira ou não.
Januz (Sturgees) é um polonês que é preso pelos soviéticos e desde que coloca os pés no cárcere da fria Sibéria pensa apenas em fugir. Um companheiro encarcerado, o ator Khabarov (Strong), dá força a Januz, mesmo não tendo realmente coragem de escapar. Quem alerta esta falta de culhões a Januz é o americano Mr. Smith (Harris), que alerta o polonês que sua bondade pode matá-lo naquele ambiente. No dia de uma forte nevasca, Januz decide escapar e leva junto de si uma cambada de prisioneiros – dentre eles, o perigoso russo Valka (Farrell), o único com uma faca em seu poder, o que poderá ser favorável em meio a uma fuga. A nevasca furiosa facilita a fuga, mas endurece a jornada. Acompanharemos os companheiros fugitivos encarando a fome, a sede e o cansaço mental e físico pela sua tão sonhada liberdade.
“Sua fuga seria apenas o começo”. A tagline no pôster não poderia ser mais verdadeira. O diretor Peter Weir dá pouco destaque para o tempo em que seus personagens estão na prisão soviética e se concentra realmente nos momentos em que os sete fugitivos partem em seu êxodo para a liberdade. É a partir da escapada que começamos a conhecer realmente os personagens. Cada um mais interessante que o outro.
O Mr. Smith de Ed Harris se revela um sujeito bondoso, mas bastante prático. Quando os fugitivos encontram uma garota no meio do caminho, Irena (Ronan), Smith é o primeiro a vetar a inclusão do novo membro no grupo. “Mais uma pessoa para passar fome conosco”, logo pensa. Com o tempo, Smith percebe que a presença da menina não os atrasa como imaginava. Uma relação de amizade, o mais próximo de pai e filho que aquela situação poderia criar, é iniciada entre Irena e Smith. Mais tarde, entenderemos porque o velho americano é tão reservado quanto à sua identidade e qual grande fardo carrega.
Já Colin Farrell se entrega a sua conhecida tradição de encarnar sujeitos estranhos. Valka ostenta grandes tatuagens de Stalin e Lênin no peito, tem pavio curto e olhos sempre injetados. Com sotaque carregado (o mais difícil de compreender de todos), Farrell também consegue dar tridimensionalidade ao seu personagem. Longe de ser aquele homem totalmente frio que aparentava ser na prisão, Valka tem espírito de grupo o suficiente para mantê-lo em paz com o resto dos fugitivos e tenta, como pode, ajudar os outros a passar pelas provações de sua jornada. O fechamento do seu arco na história é um dos mais interessantes, visto a escolha pouco óbvia que faz.
Apesar de ter destacado apenas estes dois personagens, todo o elenco está bastante convincente. Desde Jim Sturgess, passando pela ponta do sempre eficiente Mark Strong e chegando à ótima performance do jovem talento Saiorse Ronan. Parte do elenco menos famoso também tem seus momentos de destaque e é comovente ver Voss (Gustaf Skarsgard) praticamente se sacrificar pelo bem estar de outro membro do grupo.
Algo que pode afastar o grande público (principalmente o norte-americano) é a grande torre de Babel que o filme se revela. O sotaque forte de alguns personagens deixa difícil a compreensão de algumas falas. E diversas cenas são totalmente legendadas, faladas em outras línguas que não o inglês. Como sabemos da preguiça do público estadunidense para legendas, não estranharia se o espectador médio torcesse o nariz para este longa-metragem.
Mostrando de forma gráfica o definhamento daquele bando durante a fuga, Peter Weir faz de seu filme uma jornada dura para se acompanhar. Ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, podia muito bem ser um longa-metragem pós-apocalíptico dada a escassez de mantimentos e pelo sofrimento que observamos o grupo passar. Quando o filme acaba, a sensação de alívio pelo fim daquele grande martírio é certeira. Assim como é a sensação de termos visto uma bela obra cinematográfica.
Maratona Oscar: Caminho para Liberdade, de Peter Weir, foi indicado ao Oscar de Melhor Maquiagem. Acho difícil competir com Rick Baker e seu O Lobisomem. Sua grande chance é se os votantes da Academia estiverem mais inclinados a um trabalho realista. Mas duvido bastante, dado o retrospecto do prêmio.
Caminho para Liberdade (The Way Back)
Dir.: Peter Weir
Com Jim Sturgess, Ed Harris, Saoirse Ronan, Mark Strong e Colin Farrell
Cotação Paradoxo: Vale 85% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Caminho para Liberdade:
Tenacidade, perseverança e coragem. Três qualidades que são facilmente observadas nos homens que completaram uma jornada de mais de 6 mil quilômetros contra o frio, o sol, a fome a desidratação. Esta é a distância percorrida pelos personagens do novo filme de Peter Weir, Caminho para Liberdade, estrelado por um inspirado elenco encabeçado por Jim Sturgees (de Quebrando a Banca), Ed Harris (de Appaloosa), Saoirse Ronan (de Um Olhar do Paraíso), Mark Strong (de Kick-Ass) e Colin Farrell (de Coração Louco).
A trama é presumidamente inspirada em fatos reais. O livro do qual o roteiro é baseado, The Long Walk do polonês Slawomir Rawicz, conta sua escapada da prisão soviética onde estava encarcerado e sua longa caminhada, ao lado de seis outros prisioneiros, até a Índia. Nos últimos tempos, porém, a veracidade dos fatos tem sido contestada. Isso, no fim das contas, não importa. Peter Weir (de Show de Truman e Sociedade dos Poetas Mortos) convida o espectador para uma dura jornada e a força das atuações e dos personagens carrega muito bem a trama, sendo ela verdadeira ou não.
Januz (Sturgees) é um polonês que é preso pelos soviéticos e desde que coloca os pés no cárcere da fria Sibéria pensa apenas em fugir. Um companheiro encarcerado, o ator Khabarov (Strong), dá força a Januz, mesmo não tendo realmente coragem de escapar. Quem alerta esta falta de culhões a Januz é o americano Mr. Smith (Harris), que alerta o polonês que sua bondade pode matá-lo naquele ambiente. No dia de uma forte nevasca, Januz decide escapar e leva junto de si uma cambada de prisioneiros – dentre eles, o perigoso russo Valka (Farrell), o único com uma faca em seu poder, o que poderá ser favorável em meio a uma fuga. A nevasca furiosa facilita a fuga, mas endurece a jornada. Acompanharemos os companheiros fugitivos encarando a fome, a sede e o cansaço mental e físico pela sua tão sonhada liberdade.
“Sua fuga seria apenas o começo”. A tagline no pôster não poderia ser mais verdadeira. O diretor Peter Weir dá pouco destaque para o tempo em que seus personagens estão na prisão soviética e se concentra realmente nos momentos em que os sete fugitivos partem em seu êxodo para a liberdade. É a partir da escapada que começamos a conhecer realmente os personagens. Cada um mais interessante que o outro.
O Mr. Smith de Ed Harris se revela um sujeito bondoso, mas bastante prático. Quando os fugitivos encontram uma garota no meio do caminho, Irena (Ronan), Smith é o primeiro a vetar a inclusão do novo membro no grupo. “Mais uma pessoa para passar fome conosco”, logo pensa. Com o tempo, Smith percebe que a presença da menina não os atrasa como imaginava. Uma relação de amizade, o mais próximo de pai e filho que aquela situação poderia criar, é iniciada entre Irena e Smith. Mais tarde, entenderemos porque o velho americano é tão reservado quanto à sua identidade e qual grande fardo carrega.
Já Colin Farrell se entrega a sua conhecida tradição de encarnar sujeitos estranhos. Valka ostenta grandes tatuagens de Stalin e Lênin no peito, tem pavio curto e olhos sempre injetados. Com sotaque carregado (o mais difícil de compreender de todos), Farrell também consegue dar tridimensionalidade ao seu personagem. Longe de ser aquele homem totalmente frio que aparentava ser na prisão, Valka tem espírito de grupo o suficiente para mantê-lo em paz com o resto dos fugitivos e tenta, como pode, ajudar os outros a passar pelas provações de sua jornada. O fechamento do seu arco na história é um dos mais interessantes, visto a escolha pouco óbvia que faz.
Apesar de ter destacado apenas estes dois personagens, todo o elenco está bastante convincente. Desde Jim Sturgess, passando pela ponta do sempre eficiente Mark Strong e chegando à ótima performance do jovem talento Saiorse Ronan. Parte do elenco menos famoso também tem seus momentos de destaque e é comovente ver Voss (Gustaf Skarsgard) praticamente se sacrificar pelo bem estar de outro membro do grupo.
Algo que pode afastar o grande público (principalmente o norte-americano) é a grande torre de Babel que o filme se revela. O sotaque forte de alguns personagens deixa difícil a compreensão de algumas falas. E diversas cenas são totalmente legendadas, faladas em outras línguas que não o inglês. Como sabemos da preguiça do público estadunidense para legendas, não estranharia se o espectador médio torcesse o nariz para este longa-metragem.
Mostrando de forma gráfica o definhamento daquele bando durante a fuga, Peter Weir faz de seu filme uma jornada dura para se acompanhar. Ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, podia muito bem ser um longa-metragem pós-apocalíptico dada a escassez de mantimentos e pelo sofrimento que observamos o grupo passar. Quando o filme acaba, a sensação de alívio pelo fim daquele grande martírio é certeira. Assim como é a sensação de termos visto uma bela obra cinematográfica.
Maratona Oscar: Caminho para Liberdade, de Peter Weir, foi indicado ao Oscar de Melhor Maquiagem. Acho difícil competir com Rick Baker e seu O Lobisomem. Sua grande chance é se os votantes da Academia estiverem mais inclinados a um trabalho realista. Mas duvido bastante, dado o retrospecto do prêmio.
Caminho para Liberdade (The Way Back)
Dir.: Peter Weir
Com Jim Sturgess, Ed Harris, Saoirse Ronan, Mark Strong e Colin Farrell
Cotação Paradoxo: Vale 85% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Caminho para Liberdade:
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
O Discurso do Rei
Bertie
O seriado John Adams, o filme Maldito Futebol Clube e o oscarizável O Discurso do Rei têm mais em comum do que o cineasta Tom Hooper no comando. As três produções são baseadas em fatos reais, pedaços de história retrabalhados na tela grande. Em alguns casos, a liberdade artística é bem maior que a precisão histórica – Maldito Futebol Clube passa longe da realidade em muitos trechos, mas acaba sendo uma mentira extremamente bem contada. Hooper parece ter se redimido em O Discurso do Rei. Mesmo que alguns historiadores reclamem da ausência de uma manifestação pró-nazismo por parte do Rei Eduardo VIII, tudo indica que a história contada é bastante fiel aos acontecimentos – romanceando-os, é claro.
Na trama, escrita por David Seidler (de A Espada Mágica: A Lenda de Camelot), observamos as dificuldades por que passa Albert, o Duque de York (Colin Firth, de Direito de Amar), com sua gagueira, muito antes de ocupar o trono e se nomear rei George VI. Sua esposa, Elizabeth (Helena Bonham Carter, de Harry Potter as Relíquias da Morte), ajudava como podia seu marido, procurando os melhores fonoaudiólogos da Inglaterra para curar os seus problemas de fala. Tudo parecia perdido até que o casal se deparou com o pouco ortodoxo Lionel Logue (Geoffrey Rush, de Piratas do Caribe), um australiano apaixonado por Shakespeare que ensinará a Albert muito mais do que apenas não gaguejar ao falar em público.
O filme concentra-se na relação de amizade que brota entre “Bertie” e Lionel. O primeiro não tinha a menor intenção em ser rei. Sempre detestou falar em público e, desde pequeno, sofria com as imposições de sua mãe e seu pai (para dar um exemplo, foi forçado a escrever com a mão direita, mesmo sendo canhoto). Com um pequeno número de perguntas, Lionel logo percebe que a gagueira de Albert tem absolutamente nada a ver com problemas físicos. É seu emocional que está abalado. Para curá-lo, Lionel terá de passar pela barreira real e entrar em contato com lembranças e emoções de Bertie que há muito estão esquecidas.
Para resolver o problema, Lionel terá de fazer as vezes de psicólogo e confidente, indo muito além do mero trabalho de fonoaudiologia. Para tanto, terá de criar uma relação próxima com o futuro monarca, baixando sua guarda e entrando naquele território totalmente fechado: a psique de Albert.
Colin Firth e Geoffrey Rush estão estupendos em seus papéis. O primeiro tem o desafio de convencer como uma pessoa com problemas de fala, conseguir passar a angústia de ter de ser a voz de um povo, mas não conseguir se expressar. Firth acerta na mosca. O ator tem em suas mãos um personagem incrível, com dificuldades palpáveis e altamente relacionável com o espectador. Quem nunca sofreu por não conseguir atingir um objetivo por alguma barreira auto-imposta? No filme, a gagueira é o maior obstáculo. Na vida real, podem ser os mais variados. Com esta mensagem universal, O Discurso do Rei atrai a atenção das mais diversas platéias, comunicando-se muito bem com qualquer um dos públicos.
Já Geoffrey Rush se delicia em um papel divertidíssimo. O senso de humor e as respostas certeiras de Lionel Logue são o ponto alto do filme. Mesmo tendo sempre uma tirada na ponta da língua, o ator não se esconde atrás do humor para conquistar o espectador. É possível notar um homem preocupado com o bem estar de seu paciente e que sabe, de alguma forma, que está em suas mãos o sucesso do reinado de George VI. Rush rouba a cena e só não vencerá todos os prêmios possíveis por ter se deparado com um adversário que igualmente fez isso em seu respectivo filme: Christian Bale em O Vencedor.
Além de contar com a ajuda de Logue, George VI tem em sua mulher um apoio constante. E Helena Bonham Carter cativa por ser uma rocha, um porto seguro para seu marido. Longe das caracterizações bizarras que geralmente toma para si, Carter está maravilhosamente sóbria na composição deste trabalho, sendo o ponto de harmonia entre as rusgas dos novos amigos, Lionel e Bertie.
O Discurso do Rei tem como destaque o seu elenco de apoio de luxo, contando nomes como Guy Pearce (de Reino Animal), Michael Gambon (de Harry Potter e o Enigma do Príncipe), Derek Jacobi (de Além da Vida) e Timothy Spall (de Maldito Futebol Clube). Tirando este último, um tanto caricato como Winston Churchill, todo o resto está em ótima forma, criando personagens singulares para si.
Impecável em sua parte técnica (fotografia, figurino, edição, direção de arte), O Discurso do Rei só desliza por ser quadradinho demais. Como uma produção da Weinstein Company que se preze, tudo neste longa-metragem gira em torno do Oscar. Portanto, se a narrativa é clássica como a rainha da Inglaterra, é porque é calculada para agradar aos votantes da Academia. Não chega a ser um grande problema, já que o objetivo de premiações do estúdio não chega a atrapalhar as qualidades da história. Mas Tom Hooper (e o filme em si) poderia sair um pouco mais da sua área de conforto. Um pequeno pecado em um divertido, porém nada ousado, longa-metragem.
Maratona Oscar: O Discurso do Rei, de Tom Hooper, foi o campeão das indicações ao Oscar em 2011, com 12 categorias em disputa: Melhor Filme, Diretor, Ator (Firth), Atriz Coadjuvante (Bonham Carter), Ator Coadjuvante (Rush), Roteiro Original, Fotografia, Edição, Figurino, Direção de Arte, Trilha Sonora e Mixagem de Som. Acredito que este será o grande vencedor da noite, saindo com os prêmios de Melhor Filme, Ator, Roteiro, Direção de Arte e Edição. Estou em dúvida em duas categorias: uma pró Discurso, outra contra. Pró: talvez Alexandre Desplat roube a estatueta de Trent Reznor e Atticus Ross de A Rede Social, que tem sido o favorito e vencedor de diversos prêmios – mas talvez modernosa demais para os caquéticos acadêmicos. Contra: Por outro lado, A Rede Social pode levar a melhor na categoria de Direção, com David Fincher usurpando o careca dourado de Tom Hooper. Fincher está na fila para levar um prêmio há um bom tempo e talvez isso pese na decisão – além, claro, de ter feito um trabalho exemplar em A Rede Social.
O Discurso do Rei (The King’s Speech)
Dir.: Tom Hooper
Com Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Derek Jacob e Michael Gambon
Cotação Paradoxo: Vale 88% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de O Discurso do Rei:
O seriado John Adams, o filme Maldito Futebol Clube e o oscarizável O Discurso do Rei têm mais em comum do que o cineasta Tom Hooper no comando. As três produções são baseadas em fatos reais, pedaços de história retrabalhados na tela grande. Em alguns casos, a liberdade artística é bem maior que a precisão histórica – Maldito Futebol Clube passa longe da realidade em muitos trechos, mas acaba sendo uma mentira extremamente bem contada. Hooper parece ter se redimido em O Discurso do Rei. Mesmo que alguns historiadores reclamem da ausência de uma manifestação pró-nazismo por parte do Rei Eduardo VIII, tudo indica que a história contada é bastante fiel aos acontecimentos – romanceando-os, é claro.
Na trama, escrita por David Seidler (de A Espada Mágica: A Lenda de Camelot), observamos as dificuldades por que passa Albert, o Duque de York (Colin Firth, de Direito de Amar), com sua gagueira, muito antes de ocupar o trono e se nomear rei George VI. Sua esposa, Elizabeth (Helena Bonham Carter, de Harry Potter as Relíquias da Morte), ajudava como podia seu marido, procurando os melhores fonoaudiólogos da Inglaterra para curar os seus problemas de fala. Tudo parecia perdido até que o casal se deparou com o pouco ortodoxo Lionel Logue (Geoffrey Rush, de Piratas do Caribe), um australiano apaixonado por Shakespeare que ensinará a Albert muito mais do que apenas não gaguejar ao falar em público.
O filme concentra-se na relação de amizade que brota entre “Bertie” e Lionel. O primeiro não tinha a menor intenção em ser rei. Sempre detestou falar em público e, desde pequeno, sofria com as imposições de sua mãe e seu pai (para dar um exemplo, foi forçado a escrever com a mão direita, mesmo sendo canhoto). Com um pequeno número de perguntas, Lionel logo percebe que a gagueira de Albert tem absolutamente nada a ver com problemas físicos. É seu emocional que está abalado. Para curá-lo, Lionel terá de passar pela barreira real e entrar em contato com lembranças e emoções de Bertie que há muito estão esquecidas.
Para resolver o problema, Lionel terá de fazer as vezes de psicólogo e confidente, indo muito além do mero trabalho de fonoaudiologia. Para tanto, terá de criar uma relação próxima com o futuro monarca, baixando sua guarda e entrando naquele território totalmente fechado: a psique de Albert.
Colin Firth e Geoffrey Rush estão estupendos em seus papéis. O primeiro tem o desafio de convencer como uma pessoa com problemas de fala, conseguir passar a angústia de ter de ser a voz de um povo, mas não conseguir se expressar. Firth acerta na mosca. O ator tem em suas mãos um personagem incrível, com dificuldades palpáveis e altamente relacionável com o espectador. Quem nunca sofreu por não conseguir atingir um objetivo por alguma barreira auto-imposta? No filme, a gagueira é o maior obstáculo. Na vida real, podem ser os mais variados. Com esta mensagem universal, O Discurso do Rei atrai a atenção das mais diversas platéias, comunicando-se muito bem com qualquer um dos públicos.
Já Geoffrey Rush se delicia em um papel divertidíssimo. O senso de humor e as respostas certeiras de Lionel Logue são o ponto alto do filme. Mesmo tendo sempre uma tirada na ponta da língua, o ator não se esconde atrás do humor para conquistar o espectador. É possível notar um homem preocupado com o bem estar de seu paciente e que sabe, de alguma forma, que está em suas mãos o sucesso do reinado de George VI. Rush rouba a cena e só não vencerá todos os prêmios possíveis por ter se deparado com um adversário que igualmente fez isso em seu respectivo filme: Christian Bale em O Vencedor.
Além de contar com a ajuda de Logue, George VI tem em sua mulher um apoio constante. E Helena Bonham Carter cativa por ser uma rocha, um porto seguro para seu marido. Longe das caracterizações bizarras que geralmente toma para si, Carter está maravilhosamente sóbria na composição deste trabalho, sendo o ponto de harmonia entre as rusgas dos novos amigos, Lionel e Bertie.
O Discurso do Rei tem como destaque o seu elenco de apoio de luxo, contando nomes como Guy Pearce (de Reino Animal), Michael Gambon (de Harry Potter e o Enigma do Príncipe), Derek Jacobi (de Além da Vida) e Timothy Spall (de Maldito Futebol Clube). Tirando este último, um tanto caricato como Winston Churchill, todo o resto está em ótima forma, criando personagens singulares para si.
Impecável em sua parte técnica (fotografia, figurino, edição, direção de arte), O Discurso do Rei só desliza por ser quadradinho demais. Como uma produção da Weinstein Company que se preze, tudo neste longa-metragem gira em torno do Oscar. Portanto, se a narrativa é clássica como a rainha da Inglaterra, é porque é calculada para agradar aos votantes da Academia. Não chega a ser um grande problema, já que o objetivo de premiações do estúdio não chega a atrapalhar as qualidades da história. Mas Tom Hooper (e o filme em si) poderia sair um pouco mais da sua área de conforto. Um pequeno pecado em um divertido, porém nada ousado, longa-metragem.
Maratona Oscar: O Discurso do Rei, de Tom Hooper, foi o campeão das indicações ao Oscar em 2011, com 12 categorias em disputa: Melhor Filme, Diretor, Ator (Firth), Atriz Coadjuvante (Bonham Carter), Ator Coadjuvante (Rush), Roteiro Original, Fotografia, Edição, Figurino, Direção de Arte, Trilha Sonora e Mixagem de Som. Acredito que este será o grande vencedor da noite, saindo com os prêmios de Melhor Filme, Ator, Roteiro, Direção de Arte e Edição. Estou em dúvida em duas categorias: uma pró Discurso, outra contra. Pró: talvez Alexandre Desplat roube a estatueta de Trent Reznor e Atticus Ross de A Rede Social, que tem sido o favorito e vencedor de diversos prêmios – mas talvez modernosa demais para os caquéticos acadêmicos. Contra: Por outro lado, A Rede Social pode levar a melhor na categoria de Direção, com David Fincher usurpando o careca dourado de Tom Hooper. Fincher está na fila para levar um prêmio há um bom tempo e talvez isso pese na decisão – além, claro, de ter feito um trabalho exemplar em A Rede Social.
O Discurso do Rei (The King’s Speech)
Dir.: Tom Hooper
Com Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Derek Jacob e Michael Gambon
Cotação Paradoxo: Vale 88% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de O Discurso do Rei:
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Indicados a Melhor Curta-Metragem em Animação
Existem algumas categorias no Oscar que passam batidas até para o mais cinéfilo dos cinéfilos – geralmente as que tenham curtas-metragens envolvidos. Isso deve-se ao fato de algumas produções indicadas nunca chegarem aos olhos do público. A Internet, felizmente, facilitou este encontro entre curtas e o espectador. Com um pouco de pesquisa (às vezes avançada), é possível encontrar em sites de streaming os curtas-metragens indicados. O post de hoje destaca, portanto, os cinco indicados a Melhor Curta-Metragem em Animação. Abaixo de cada crítica (curta, assim como os filmes), você encontra o trailer ou um pequeno clipe de cada produção.
Day & Night
Produzido pelos estúdios Pixar, Day and Night foi escrito e dirigido por Teddy Newton e, da lista, é certamente o mais conhecido, pois foi exibido junto com Toy Story 3 nos cinemas. Com apenas 6 minutos de duração, o curta-metragem conta a história de duas criaturas, diversas como o dia e a noite, que não toleram suas diferenças, mas que aprenderão uma valiosa lição com o passar do tempo.
A mensagem é simples, soletrada para o espectador, mas tem força. Os magos da Pixar sabem como ninguém criar histórias fabulosas e Day and Night utiliza muito bem o advento do 3D para encantar a criançada. É verdade que no DVD/Blu-Ray o filme perde um pouco da força estética, mas sua bela mensagem a favor do respeito das diferenças é louvável em qualquer tipo de mídia.
Let’s Pollute
Dirigido por Geefwee Boedoe e escrito com ajuda de Tim Crawfurd e Teddy Newton (o mesmo de Day & Night), Let’s Pollute é uma deliciosa sátira à nossa sociedade poluente. Com características de vídeos educativos da década de 50 e 60, o curta-metragem de 6 minutos utiliza a psicologia reversa. Manda o espectador fazer tudo o que não deve com o seu meio-ambiente, torcendo que o exagero da mensagem faça com que a ficha caia.
Boedoe é o talentoso responsável pelos créditos de abertura de Monstros S.A. da Pixar e, agora, voando solo, surpreende com uma história criativa e muito bem realizada. O traço característico do desenhista continua intacto e a animação diverte por sua lógica do inverso. É um forte concorrente.
Madagascar, Carnet de Voyage
Escrito, dirigido e estrelado por Bastien Dubois, o curta-metragem francês Madagascar, Carnet de Voyage é exatamente o que o título propõe: um diário de viagem da passagem do artista pela ilha africana. Com um estilo de animação híbrido, misturando desenhos, pinturas e, aparentemente, rotoscopia, o filme de 11 minutos mostra alguns costumes curiosos do povo de Madagascar, enquanto Dubois passeia pelo local.
Mesmo assistindo em 2D, é possível notar a intenção do cineasta em utilizar o 3D em algumas passagens, que impressionam pela qualidade da animação. A estética parece ser o principal chamariz do filme, visto que o trabalho de Dubois parece se concentrar na observação em vez de entrar a fundo em algum conteúdo. Um diário de viagem, como bem explicita o título.
The Lost Thing
Produção australiana assinada por Andrew Ruhemann e Shaun Tan (que também é responsável pelo roteiro e pelo livro no qual foi baseado), The Lost Thing é o mais imaginativo dos cinco indicados ao Oscar. Na trama, um menino encontra uma criatura estranha na praia e cria um forte laço de amizade. Mas ficar com esse ser perdido não será uma opção para o garoto.
Lembrando um pouco as antigas vinhetas da MTV (aquelas que não faziam sentido algum) no que tange o traço da animação, The Lost Thing tem uma trilha sonora belíssima, dando um ar triste e (mais) fantasioso à história. O desenrolar desta pequena trama de apenas 15 minutos apresenta personagens curiosos e um desfecho que relembra a todos o fim da inocência infantil com o passar do tempo. Um capricho.
The Gruffalo
O mais longo dos curtas-metragens indicados ao Oscar, The Gruffalo tem 26 minutos e um time de dubladores de primeira: Helena Bonham Carter, Tom Wilkinson, John Hurt e Robbie Coltrane. Produção britânica para a tevê, é baseada em livro de mesmo nome, escrito por Julia Donaldson e Axel Scheffler, e dirigida por Max Lang e Jackob Schuh. O roteiro foi um trabalho conjunto entre os diretores do curta-metragem e a escritora Julia Donaldson.
Na trama, um ratinho esperto passa incólume pelos maiores perigos da floresta ao mencionar seu amigo imaginário, o temível Gruffalo. O problema é que o monstrengo com garras grandes, berruga venenosa e dentes afiados pode ser bem real.
A criançada vai adorar o traço de The Gruffalo. Os animaizinhos são muito bem concebidos pela equipe do curta e as vozes de atores famosos conseguirão manter a atenção dos adultos por um bom tempo. Fábula com F maiúsculo, o tom circular da história pode cansar um pouco, mas – de novo – fará a criançada vibrar com a esperteza do ratinho.
Maratona Oscar: Depois de ter assistido aos cinco indicados a Melhor Curta-Metragem em Animação, posso revelar meus preferidos, na ordem: 1º Let’s Pollute, 2º The Lost Thing, 3º Day & Night, 4º The Gruffalo e 5º Madagascar, Carnet de Voyage. Neste caso, acredito que meu preferido será o premiado também. Muito pela mensagem certeira contra a poluição e, claro, pela qualidade da animação em si.
Day & Night
Produzido pelos estúdios Pixar, Day and Night foi escrito e dirigido por Teddy Newton e, da lista, é certamente o mais conhecido, pois foi exibido junto com Toy Story 3 nos cinemas. Com apenas 6 minutos de duração, o curta-metragem conta a história de duas criaturas, diversas como o dia e a noite, que não toleram suas diferenças, mas que aprenderão uma valiosa lição com o passar do tempo.
A mensagem é simples, soletrada para o espectador, mas tem força. Os magos da Pixar sabem como ninguém criar histórias fabulosas e Day and Night utiliza muito bem o advento do 3D para encantar a criançada. É verdade que no DVD/Blu-Ray o filme perde um pouco da força estética, mas sua bela mensagem a favor do respeito das diferenças é louvável em qualquer tipo de mídia.
Let’s Pollute
Dirigido por Geefwee Boedoe e escrito com ajuda de Tim Crawfurd e Teddy Newton (o mesmo de Day & Night), Let’s Pollute é uma deliciosa sátira à nossa sociedade poluente. Com características de vídeos educativos da década de 50 e 60, o curta-metragem de 6 minutos utiliza a psicologia reversa. Manda o espectador fazer tudo o que não deve com o seu meio-ambiente, torcendo que o exagero da mensagem faça com que a ficha caia.
Boedoe é o talentoso responsável pelos créditos de abertura de Monstros S.A. da Pixar e, agora, voando solo, surpreende com uma história criativa e muito bem realizada. O traço característico do desenhista continua intacto e a animação diverte por sua lógica do inverso. É um forte concorrente.
Madagascar, Carnet de Voyage
Escrito, dirigido e estrelado por Bastien Dubois, o curta-metragem francês Madagascar, Carnet de Voyage é exatamente o que o título propõe: um diário de viagem da passagem do artista pela ilha africana. Com um estilo de animação híbrido, misturando desenhos, pinturas e, aparentemente, rotoscopia, o filme de 11 minutos mostra alguns costumes curiosos do povo de Madagascar, enquanto Dubois passeia pelo local.
Mesmo assistindo em 2D, é possível notar a intenção do cineasta em utilizar o 3D em algumas passagens, que impressionam pela qualidade da animação. A estética parece ser o principal chamariz do filme, visto que o trabalho de Dubois parece se concentrar na observação em vez de entrar a fundo em algum conteúdo. Um diário de viagem, como bem explicita o título.
The Lost Thing
Produção australiana assinada por Andrew Ruhemann e Shaun Tan (que também é responsável pelo roteiro e pelo livro no qual foi baseado), The Lost Thing é o mais imaginativo dos cinco indicados ao Oscar. Na trama, um menino encontra uma criatura estranha na praia e cria um forte laço de amizade. Mas ficar com esse ser perdido não será uma opção para o garoto.
Lembrando um pouco as antigas vinhetas da MTV (aquelas que não faziam sentido algum) no que tange o traço da animação, The Lost Thing tem uma trilha sonora belíssima, dando um ar triste e (mais) fantasioso à história. O desenrolar desta pequena trama de apenas 15 minutos apresenta personagens curiosos e um desfecho que relembra a todos o fim da inocência infantil com o passar do tempo. Um capricho.
The Gruffalo
O mais longo dos curtas-metragens indicados ao Oscar, The Gruffalo tem 26 minutos e um time de dubladores de primeira: Helena Bonham Carter, Tom Wilkinson, John Hurt e Robbie Coltrane. Produção britânica para a tevê, é baseada em livro de mesmo nome, escrito por Julia Donaldson e Axel Scheffler, e dirigida por Max Lang e Jackob Schuh. O roteiro foi um trabalho conjunto entre os diretores do curta-metragem e a escritora Julia Donaldson.
Na trama, um ratinho esperto passa incólume pelos maiores perigos da floresta ao mencionar seu amigo imaginário, o temível Gruffalo. O problema é que o monstrengo com garras grandes, berruga venenosa e dentes afiados pode ser bem real.
A criançada vai adorar o traço de The Gruffalo. Os animaizinhos são muito bem concebidos pela equipe do curta e as vozes de atores famosos conseguirão manter a atenção dos adultos por um bom tempo. Fábula com F maiúsculo, o tom circular da história pode cansar um pouco, mas – de novo – fará a criançada vibrar com a esperteza do ratinho.
Maratona Oscar: Depois de ter assistido aos cinco indicados a Melhor Curta-Metragem em Animação, posso revelar meus preferidos, na ordem: 1º Let’s Pollute, 2º The Lost Thing, 3º Day & Night, 4º The Gruffalo e 5º Madagascar, Carnet de Voyage. Neste caso, acredito que meu preferido será o premiado também. Muito pela mensagem certeira contra a poluição e, claro, pela qualidade da animação em si.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Bravura Indômita
Punishment & Retribution
Comparar o Bravura Indômita original, de Henry Hathaway, com sua refilmagem, assinada pelos irmãos Ethan e Joel Coen, é bastante injusto. Os tempos são outros. A ingenuidade que transbordava do longa-metragem de 1969, estrelado por John Wayne, chegava a ser comovente. Aquele filme deu o único Oscar de Melhor Ator ao velho cowboy do cinema e é um verdadeiro clássico. Mas não é páreo para a reimaginação da história proposta pelos Coen. Sai a ingenuidade, entra a violência. Saem as interpretações canhestras de Kim Darby e Glen Campbell, entram as ótimas performances de Hailee Stainfeld e Matt Damon. Sai um inspirado John Wayne, entra um infalível Jeff Bridges.
Em diversas entrevistas, Ethan e Joel Coen afirmaram que não estavam fazendo uma refilmagem do longa-metragem de 1969 e, sim, adaptando novamente o livro que deu origem aos filmes, assinado por Charles Portis. Como algumas cenas são idênticas, quem não leu o livro deve supor que ambos os filmes foram bastante fieis em algumas passagens, recitando inclusive o mesmo texto. Enfim. O novo roteiro é assinado pelos Coen, cortando algumas gorduras da história original de forma bastante inteligente.
Nesta nova versão, a trama já começa com Mattie Ross (Stainfeld) procurando um homem para caçar o bandido que matara seu pai. Somos transportados diretamente para o cerne da questão, sem rodeios. A história é vista pelos olhos de Ross, que narra os acontecimentos já adulta. A narração é mantida apenas no início e fim do filme, não sendo intrusiva ou redundante.
Depois de uma noite de bebedeira, Tom Chaney (Josh Brolin) mata o sr. Ross e foge, roubando um cavalo e duas peças de ouro. Para vingar a morte do pai, Mattie procura um federal que possa capturar o sujeito. Esse homem é Rooster Cogburn (Bridges), conhecido por aquelas bandas por estar sempre com o dedo no gatilho. A garota, de apenas 14 anos, contrata o homem da lei para trazer Chaney à justiça de forma mais rápida. No caminho da dupla está o Texas Ranger LaBoeuf (Damon), que tem como objetivo caçar o mesmo homem e levá-lo embora para ser julgado em seu estado natal. Aos trancos e barrancos, este trio improvável se une (ou não) para dar cabo de Chaney.
Apesar de ter sido lembrada no Oscar como atriz coadjuvante (em uma daquelas tramóias que os estúdios fazem para conseguir indicações), Hailee Stainfeld é, sem nenhuma dúvida ou discussão, a real protagonista da trama. E a atriz estreante está perfeita como a audaciosa, esperta e irritante Mattie Ross, uma moça com poder de persuasão digno de qualquer bom advogado (profissional que, aliás, sempre vem à tona nas conversas quando a moça está com problemas). Mattie procura uma pessoa com “true grit” – alguém obstinado, sem temores – para caçar o assassino do seu pai, mas acaba mostrando que quem possui estas características é ela mesma. Ela é quem tem uma bravura indômita, se preferirem. Em um terreno desconhecido, ao lado de dois homens com experiência em caçadas humanas, Mattie não reclama vez alguma dos perigos que enfrenta.
Já Rooster Cogburn é outra história. Igualmente corajoso e destemido, mas visivelmente cansado da batalha diária, o velho homem da lei se entregou à bebida e à preguiça há um bom tempo. Reparem que a apresentação do personagem conversa bem com seu estado atual lastimável. A primeira espiada que temos de Rooster Cogburn é um momento nada heróico, enquanto ele utiliza o banheiro. E é bom ver que o humor dos irmãos Coen está afiado como nunca. Depois disso, acompanhamos um longo julgamento onde o oficial tenta explicar, sem muito traquejo, porque diabos seu último trabalho acabou na morte de diversos sujeitos. Capturando muito bem o cansaço de Cogburn e com toques de humor aqui e ali, Bridges entrega uma performance memorável. Utilizando o tapa-olho característico do personagem (no olho direito) e caprichando no sotaque caipira, Jeff Bridges parece se divertir ao interpretar o rabugento e tagarela oficial.
E se Matt Damon encarna muito bem o exibicionismo do Texas Ranger, estando infinitamente melhor que o ator que vivera seu personagem no passado (tarefa nada difícil, é verdade), Josh Brolin rouba a cena dando um ar incrivelmente ingênuo e imbecil para Tom Chaney – o que já havia feito muito bem ao interpretar George W. Bush em W.. É de dar pena o pouco intelecto apresentado pelo vilão.
Bravura Indômita tem nos seus atores um óbvio destaque, mas é muito mais que “apenas” um ótimo elenco. Os irmãos Coen capricham em todos os detalhes do longa-metragem. A produção tem uma fotografia primorosa, assinada pelo sempre competente Roger Deakins, uma edição ágil, realizada pelos próprios Coen com o pseudônimo Roderick Jaynes e figurinos inspirados, do tipo que dizem tudo sobre o personagem sem ele precisar abrir a boca.
Com várias diferenças no desfecho em relação ao original, e bem mais violento, o novo Bravura Indômita tem tudo para agradar os fãs do gênero western. Uma história de coragem e obstinação que acerta em cheio. Resumindo: mais uma vez, os irmãos Coen acertaram. E isso está longe de ser uma surpresa para quem conhece o trabalho dos cineastas.
Maratona Oscar: Bravura Indômita foi indicado a 10 Oscar: Melhor Filme, Diretor, Ator (Bridges), Atriz Coadjuvante (Hailee Stainfeld), Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Figurino, Mixagem de Som e Edição de Som. Apesar de ter levado muitas indicações, o filme não deve sair com muitos Oscar. Apostaria em Figurino. E só.
Bravura Indômita (True Grit)
Dir.: Ethan Coen e Joel Coen
Com Jeff Bridges, Hailee Stainfeld, Matt Damon, Josh Brolin, Barry Pepper
Cotação Paradoxo: Vale 90% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Bravura Indômita:
Comparar o Bravura Indômita original, de Henry Hathaway, com sua refilmagem, assinada pelos irmãos Ethan e Joel Coen, é bastante injusto. Os tempos são outros. A ingenuidade que transbordava do longa-metragem de 1969, estrelado por John Wayne, chegava a ser comovente. Aquele filme deu o único Oscar de Melhor Ator ao velho cowboy do cinema e é um verdadeiro clássico. Mas não é páreo para a reimaginação da história proposta pelos Coen. Sai a ingenuidade, entra a violência. Saem as interpretações canhestras de Kim Darby e Glen Campbell, entram as ótimas performances de Hailee Stainfeld e Matt Damon. Sai um inspirado John Wayne, entra um infalível Jeff Bridges.
Em diversas entrevistas, Ethan e Joel Coen afirmaram que não estavam fazendo uma refilmagem do longa-metragem de 1969 e, sim, adaptando novamente o livro que deu origem aos filmes, assinado por Charles Portis. Como algumas cenas são idênticas, quem não leu o livro deve supor que ambos os filmes foram bastante fieis em algumas passagens, recitando inclusive o mesmo texto. Enfim. O novo roteiro é assinado pelos Coen, cortando algumas gorduras da história original de forma bastante inteligente.
Nesta nova versão, a trama já começa com Mattie Ross (Stainfeld) procurando um homem para caçar o bandido que matara seu pai. Somos transportados diretamente para o cerne da questão, sem rodeios. A história é vista pelos olhos de Ross, que narra os acontecimentos já adulta. A narração é mantida apenas no início e fim do filme, não sendo intrusiva ou redundante.
Depois de uma noite de bebedeira, Tom Chaney (Josh Brolin) mata o sr. Ross e foge, roubando um cavalo e duas peças de ouro. Para vingar a morte do pai, Mattie procura um federal que possa capturar o sujeito. Esse homem é Rooster Cogburn (Bridges), conhecido por aquelas bandas por estar sempre com o dedo no gatilho. A garota, de apenas 14 anos, contrata o homem da lei para trazer Chaney à justiça de forma mais rápida. No caminho da dupla está o Texas Ranger LaBoeuf (Damon), que tem como objetivo caçar o mesmo homem e levá-lo embora para ser julgado em seu estado natal. Aos trancos e barrancos, este trio improvável se une (ou não) para dar cabo de Chaney.
Apesar de ter sido lembrada no Oscar como atriz coadjuvante (em uma daquelas tramóias que os estúdios fazem para conseguir indicações), Hailee Stainfeld é, sem nenhuma dúvida ou discussão, a real protagonista da trama. E a atriz estreante está perfeita como a audaciosa, esperta e irritante Mattie Ross, uma moça com poder de persuasão digno de qualquer bom advogado (profissional que, aliás, sempre vem à tona nas conversas quando a moça está com problemas). Mattie procura uma pessoa com “true grit” – alguém obstinado, sem temores – para caçar o assassino do seu pai, mas acaba mostrando que quem possui estas características é ela mesma. Ela é quem tem uma bravura indômita, se preferirem. Em um terreno desconhecido, ao lado de dois homens com experiência em caçadas humanas, Mattie não reclama vez alguma dos perigos que enfrenta.
Já Rooster Cogburn é outra história. Igualmente corajoso e destemido, mas visivelmente cansado da batalha diária, o velho homem da lei se entregou à bebida e à preguiça há um bom tempo. Reparem que a apresentação do personagem conversa bem com seu estado atual lastimável. A primeira espiada que temos de Rooster Cogburn é um momento nada heróico, enquanto ele utiliza o banheiro. E é bom ver que o humor dos irmãos Coen está afiado como nunca. Depois disso, acompanhamos um longo julgamento onde o oficial tenta explicar, sem muito traquejo, porque diabos seu último trabalho acabou na morte de diversos sujeitos. Capturando muito bem o cansaço de Cogburn e com toques de humor aqui e ali, Bridges entrega uma performance memorável. Utilizando o tapa-olho característico do personagem (no olho direito) e caprichando no sotaque caipira, Jeff Bridges parece se divertir ao interpretar o rabugento e tagarela oficial.
E se Matt Damon encarna muito bem o exibicionismo do Texas Ranger, estando infinitamente melhor que o ator que vivera seu personagem no passado (tarefa nada difícil, é verdade), Josh Brolin rouba a cena dando um ar incrivelmente ingênuo e imbecil para Tom Chaney – o que já havia feito muito bem ao interpretar George W. Bush em W.. É de dar pena o pouco intelecto apresentado pelo vilão.
Bravura Indômita tem nos seus atores um óbvio destaque, mas é muito mais que “apenas” um ótimo elenco. Os irmãos Coen capricham em todos os detalhes do longa-metragem. A produção tem uma fotografia primorosa, assinada pelo sempre competente Roger Deakins, uma edição ágil, realizada pelos próprios Coen com o pseudônimo Roderick Jaynes e figurinos inspirados, do tipo que dizem tudo sobre o personagem sem ele precisar abrir a boca.
Com várias diferenças no desfecho em relação ao original, e bem mais violento, o novo Bravura Indômita tem tudo para agradar os fãs do gênero western. Uma história de coragem e obstinação que acerta em cheio. Resumindo: mais uma vez, os irmãos Coen acertaram. E isso está longe de ser uma surpresa para quem conhece o trabalho dos cineastas.
Maratona Oscar: Bravura Indômita foi indicado a 10 Oscar: Melhor Filme, Diretor, Ator (Bridges), Atriz Coadjuvante (Hailee Stainfeld), Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Figurino, Mixagem de Som e Edição de Som. Apesar de ter levado muitas indicações, o filme não deve sair com muitos Oscar. Apostaria em Figurino. E só.
Bravura Indômita (True Grit)
Dir.: Ethan Coen e Joel Coen
Com Jeff Bridges, Hailee Stainfeld, Matt Damon, Josh Brolin, Barry Pepper
Cotação Paradoxo: Vale 90% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Bravura Indômita:
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