Pode-se dizer muitas coisas sobre a Summit Entertainment, menos de não ser esperta para diabo. Ao produzir a toque de caixa as adaptações cinematográficas dos livros de Stephenie Meyer, o estúdio não só mantém acesa a vontade dos fãs em assistir às aventuras de Bella, Edward e Jacob, como assegura que aqueles adolescentes que pagaram o ingresso para assistir ao primeiro filme em 2008 serão os mesmos que desembolsarão sua mesada para conferir os outros lançamentos da cinessérie. O público alvo da Saga Crepúsculo cresce rápido e muda seus gostos ainda mais depressa. Portanto, não é de se estranhar que em menos de dois anos, três filmes foram lançados: Crepúsculo, em novembro de 2008; Lua Nova, em novembro de 2009; e Eclipse, em junho de 2010; Os fãs agradecem, os atores ganham fama e o estúdio, rios de dinheiro. Resta para a crítica tentar entender o fenômeno. E, talvez, tirar algum conteúdo deste triângulo amoroso entre uma garota, um vampiro e um lobisomem.
Com direção de David Slade (de 30 Dias de Noite) e com roteiro novamente assinado por Melissa Rosenberg (responsável pelo script dos demais filmes da série), Eclipse começa em um mar de rosas. Bella (Kristen Stewart) e Edward (Robert Pattinson) se amam e desejam ficar juntos pelo resto de suas vidas. Mesmo depois de o vampiro ter alertado à sua amada que se transformar em um chupador de sangue não é algo a se almejar, Bella teima em receber a mordida e ser igualmente imortal. É verdade que a imortalidade viria a calhar no momento, visto que Victoria (Bryce Dallas Howard, de A Vila) está à espreita, esperando o momento certo para aniquilar o grande amor de Edward, se vingando dos acontecimentos do primeiro filme – no qual, aliás, era vivida por outra atriz, Rachelle Lefreve. Um exército de perigosos novos vampiros está sendo montado pela vilã e os Cullen se preparam para enfrentá-los. O perigo é tamanho que Jacob (Taylor Lautner) e seus amigos lobisomens resolvem se unir aos seus arquirivais para proteger Bella.Tentar entender o fenômeno da saga é tarefa complicada para quem está fora do seu raio de cobertura. É certo que várias garotas sonham em encontrar o garoto ideal, se apaixonar e viver um grande romance. Se for proibido, ainda melhor. Com alguém corajoso e poderoso, por que não? Este desejo é elevado ao cubo quando são dois os garotos corajosos, fortes e poderosos. O primeiro, o vampiro Edward, tem medo de machucar sua amada e, portanto, não consuma fisicamente seu amor por ela. Por ser um rapaz de outra época, sua vontade antes de tudo é contrair núpcias (e a expressão ultrapassada não é usada à toa). Isso deve berrar romantismo para as jovens fãs de Crepúsculo. O outro, o lobisomem Jacob, é mais agressivo em suas investidas. Tenta a todo jeito fazer com que Bella confesse seu amor por ele. Nem que para isso a beije à força. Acaba sendo o contraponto ao romantismo de Edward. É o homem objetivo, um tanto rude, que também atrai a mulherada. Por essas e outras, Stephenie Meyer tirou a sorte grande ao apostar neste imaginário feminino, acertando ao colocar umas pitadas de sobrenatural para diferenciar um pouco sua história.
Por falar em sobrenatural, David Slade tem experiência no assunto em seu currículo com outra aventura vampírica, 30 Dias de Noite, o que o colocaria como um nome interessante para substituir Chris Weitz, cineasta que assinou Lua Nova. Infelizmente, Slade se mostra pouco hábil como diretor de atores. Taylor Lautner é o que mais sofre com a mudança. Enquanto que no filme anterior o ator mostrava algum carisma – e uma atuação superior ao insosso Robert Pattinson – em Eclipse, suas primeiras cenas são sofríveis. Quando se faz necessária uma dramaticidade maior, um pouco mais de emoção, o jovem ator mostra suas limitações. Sua performance melhora sensivelmente sempre que o clima dramático é mais leve. A dupla principal, Kristen Stewart e Robert Pattinson, não apresenta nenhuma mudança visível. Para o bem ou para o mal, são a Bella e o Edward que os fãs adoram acompanhar.
A história continua sendo água com açúcar, mesmo que a contratação de David Slade parecesse um sinal de que veríamos mais ação. A roteirista Melissa Rosenberg (que assina episódios do elogiadíssimo seriado Dexter) parece fazer o que pode com o material original que lhe é dado. Como trama, Eclipse é sensivelmente mais interessante que os seus precursores. São incluídos dentro da narrativa alguns momentos do passado dos vampiros da família Cullen, que se não são arroubos de originalidade, ao menos desviam a história do triângulo amoroso sem sal que temos de acompanhar. Da mesma forma, a idéia da união entre vampiros e lobisomens também mantém uma atmosfera aventuresca que faz bem ao filme.Como aconteceu em Lua Nova, o orçamento mais generoso que a Summit liberou (U$ 68 milhões) livrou os espectadores dos efeitos especiais canhestros que foram empregados em Crepúsculo. Os lobos estão mais bem acabados que no seu antecessor, ainda que não convençam em todos os momentos.
A cinessérie também é conhecida pelo capricho na trilha sonora. Já passaram pelos filmes músicas de Radiohead, Muse, Death Cab for Cutie, Black Rebel Motorcycle Club, Editors e The Killers. Em Eclipse, a coletânea não é tão surpreendente quanto a anterior, mas tem bons momentos. Destaques para a parceria entre Beck e Bat for Lashes, “Let’s Get Lost”, a sempre competente Band of Horses, com “Life on Earth”, o excepcional duo norte-americano Black Keys, com “Chop and Change”, e o ótimo projeto paralelo de Jack White, Dead Weather, com “Rolling in a Burning Tire”. Diferente de Lua Nova, neste novo filme as músicas conseguem ser encaixadas de forma mais orgânica dentro da trama.
No todo, Eclipse é um longa-metragem melhor acabado que os anteriores. Ainda apresenta problemas de montagem – a primeira hora do filme é terrivelmente cambaleante – mas consegue melhorar em sua segunda metade, inclusive com uma história mais interessante para ser acompanhada. O combate entre as forças do bem (os Cullen e os lobisomens) contra os vampiros do mal consegue entreter, mesmo sendo incrivelmente curto.
Os fãs, provavelmente, acabam nem notando algumas falhas aqui e acolá, desde que o livro seja bem adaptado para a telona. Quanto a isso, não tenho muito a dizer já que não li os romances de Stephenie Meyer. Se formos tomar como parâmetro as bilheterias mundiais, seria correto imaginar que tudo está indo a contento. Tanto que a Summit resolveu dividir o último livro, Amanhecer, em dois filmes,
A Saga Crepúsculo: Eclipse (The Twilight Saga: Eclipse)
Dir.: David Slade
Com Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Dakota Fanning, Anna Kendrick, Jackson Rathbone, Ashley Greene, Billy Burke, Peter Facinelli, Kellan Lutz, Sarah Clarke, Bryce Dallas Howard
Cotação Paradoxo: Vale 69% do ingresso
Confira o trailer de A Saga Crepúsculo: Eclipse logo abaixo:









