segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Jogos Mortais - O Final

O Fim?

Não é possível saber o quanto este O Final do título do sétimo episódio da cinessérie Jogos Mortais pode ser levado a sério. Franquias de terror são conhecidas por não se prenderem a detalhes como esse – vide Sexta-Feira 13 – Capítulo Final, em 1984. Se realmente esta foi a última vez que vimos as armadilhas doentias da franquia, digo que já vão tarde. Conseguindo manter um novo filme a cada ano, Jogos Mortais foi despencando de qualidade a cada sequência.

Dirigido novamente por Kevin Greutert, que já havia assumido o posto no longa-metragem anterior, Jogos Mortais – O Final começa de forma promissora, mostrando uma armadilha em plena luz do dia e sob os olhos curiosos de uma multidão assustada. Seria um excelente começo, não fosse a total falta de ligação entre a cena e o resto do filme. Geralmente, os prólogos da série têm alguma explicação posterior ou ligação com a história que descobriremos no decorrer da trama. Desta vez, os roteiristas não quiseram se dar o trabalho.

O roteiro, assinado por Patrick Melton e Marcus Dunstan (ambos de Jogos Mortais 6), inicia exatamente onde o anterior parou – passado o prólogo e uma pequena cena remontando o primeiro filme da franquia. Hoffman (Costas Mandylor) consegue escapar da armadilha orquestrada pela viúva de Jigsaw, Jill (Betsy Russell), e parte para um plano de vingança que o fará ter de passar por cima de um ex-colega de profissão, Gibson (Chad Donella, de Premonição). Enquanto isso, o escritor Bobby Dagen (Sean Patrick Flanery, do seriado The Dead Zone) ganha fama e dinheiro por ter escrito um livro contando sua experiência como sobrevivente de uma armadilha de Jigsaw (Tobin Bell). Mas o jogo, para ele, ainda não acabou.

Mantendo duas linhas de narrativa andando paralelamente, Jogos Mortais – O Final pode até divertir os fãs da série com cenas de morte elaboradas, mas é muito pouco para um bom filme de terror. A cena mais gráfica e interessante nem acontece dentro da história, mas em um sonho de um dos personagens (que é cortado em quatro partes por um dispositivo que se movimenta em trilhos). A falta de cuidado com os detalhes é tanta que o personagem sonha com seu matador, Hoffman, exibindo uma grande cicatriz ao lado do rosto. Mas seria impossível isso acontecer já que ele não mostrara sua cara para ninguém depois de tê-la costurado sozinho. Portanto, seria impossível que alguém sonhasse com ele daquela forma. Para muitos, pode passar batido. Para quem percebe, irrita.

Incomoda também o pouco talento do elenco principal, encabeçado pela inexpressiva Betsy Russell, acompanhada pela canastrice de Chad Donella – que já havia mostrado seu pouco talento em um episódio inicial do seriado Smallville. Tobin Bell, o motivo pelo qual se podia assistir aos primeiros Jogos Mortais e um dos poucos que poderiam salvar o filme, aqui é relegado a apenas uma pequena ponta. E o anunciado retorno do protagonista do longa-metragem original, o doutor Gordon (Cary Elwes, de Os Fantasmas de Scrooge), apesar de ter motivos explicados de forma convincente, é tão pequeno e desinteressante que fica difícil entender o porquê do ator ter aceitado retornar.

Como pouca coisa se salva em Jogos Mortais – O Final (e se você pensava que o 3D faria alguma diferença, pense de novo), a franquia fecha seu ciclo em baixa. O público parece ter finalmente percebido e a resposta nas bilheterias, apesar de lucrativo – dado o valor baixo do orçamento – foi muito abaixo dos anteriores. Desta forma, talvez esta tenha sido a última vez que vimos Jigsaw e companhia. Mas eu não apostaria todas as minhas fichas.

Jogos Mortais – O Final (Saw 3D)
Dir.: Kevin Greutert
Com Tobin Bell, Costas Mandylor, Betsy Russell, Chad Donella, Mark Patrick Flanery e Cary Elwes
Cotação Paradoxo: Vale 43% do ingresso

Confira logo abaixo o trailer de Jogos Mortais – O Final:

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