Battleship: Terra
Batalha por T.E.R.A. teve um destino triste no Brasil. Com sua data de estréia empurrada dezenas de vezes pela distribuidora, a animação do diretor canadense novato em longas-metragens Aristomenis Tsirbas acabou sendo lançada meses depois do mega sucesso Avatar, de James Cameron, mesmo tendo sido produzido anos antes. Não seria problema algum, caso as histórias dos filmes não fossem praticamente idênticas. Quem se arriscar em uma sessão de Batalha por T.E.R.A. não conseguirá sair sem a impressão de déjà vu dada a similaridade das duas tramas. Como a animação em si já não é um deslumbre, pouco resta da experiência de se conferir o trabalho de Tsirbas.
Lançado em festivais em 2007, mas entrando em circuito internacional em abril de 2009, Batalha por T.E.R.A. tem como roteirista Evan Spiliotopoulos (responsável por diversas continuações dos estúdios Disney, como A Pequena Sereia 3 e Tinkerbell e o Tesouro Perdido), e um elenco de vozes bem interessante capitaneado por Evan Rachel Wood (de Tudo pode Dar Certo), Luke Wilson (de Os Indomáveis), Brian Cox (de Zodíaco), Mark Hamill (o eterno Luke Skywalker de Star Wars), Chris Evans (de Quarteto Fantástico) e Danny Glover (de 2012). Para variar, estas vozes só estarão ao alcance do público brasileiro quando o DVD/Blu-Ray for lançado, já que todas as cópias disponíveis são dubladas em português (pelo estúdio paulista Álamo).
A trama é a seguinte: em um futuro distante, planeta habitado por seres pacíficos é invadido por humanos que, já sem a Terra para habitar, decidem tomar para si o local. Um dos principais humanos responsável pela invasão, no entanto, se afeiçoa por uma habitante local e pensa duas vezes antes de continuar sua missão. É Avatar ou não é? O problema é que Batalha por T.E.R.A. veio antes. Portanto, ou existe uma grande coincidência, ou James Cameron – além de ter visto muito Pocahontas - também deu uma bisbilhotada nesta produção.
Para uma animação pretensamente infantil, Batalha por T.E.R.A. se leva terrivelmente a sério. Os personagens são pouco carismáticos e, se realmente os produtores tinham nas crianças seu público alvo, erraram feio na mira. A violência do filme não é nada estilizada e acontece inclusive a morte de um importante personagem, que dá sua vida para reparar um erro. Isso não soa nada infantil, certo? Por outro lado, se o filme deseja engajar o espectador adulto... também falha. Com diálogos paupérrimos e ação mediana, é difícil não bocejar durante a sessão do longa-metragem.
Alguns momentos salvam Batalha por T.E.R.A. de uma total perda de tempo. Em um dos momentos inspirados, os habitantes do planeta T.E.R.A. confundem a invasão dos terráqueos com a chegada de Deuses em seu solo. Não são poucos os que clamam pela abdução, pensando ter chegado seu momento de conhecer o além. Outro destaque fica por conta do passado daquele planeta, que é revelado por um dos anciãos da história. Anteriormente um local bélico, os habitantes remanescentes resolveram esquecer do passado e criar um novo futuro com a figura dos sábios, que mantinham a paz e o status quo da civilização.
É pouco, mas ao menos são algumas qualidades que são possíveis ressaltar desta produção, que utiliza rasteiramente o 3D, diga-se. As batalhas espaciais, obviamente inspiradas em Star Wars, tem seus momentos, mas é fraca no todo. Ou seja, recomendável apenas para fãs ardorosos de sci-fi. E olhe lá.
Batalha por T.E.R.A. (Battle for Terra)
Dir.: Aristomenis Tsirbas
Com as vozes de Evan Rachel Wood, Brian Cox, Justin Long, Mark Hamill, Danny Glover, Dennis Quaid e Luke Wilson
Cotação Paradoxo: Vale 30% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Batalha por T.E.R.A.:

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