O Último Mestre do Ar está longe de ser a bomba que tantos anunciavam. É verdade que minhas expectativas para o filme eram baixíssimas e nunca assisti a nenhum episódio do desenho animado que deu origem ao longa-metragem. Talvez, até por isso, a experiência de assistir ao filme de M. Night Shyamalan não tenha sido de todo mal. Notadamente, o diretor peca em muitos quesitos e entrega um trabalho bem abaixo de seus ótimos primeiros filmes: O Sexto Sentido, Corpo Fechado e Sinais. Mas, para uma história voltada para o público infanto-juvenil, ela prende a atenção o suficiente.
Com roteiro assinado por Shyamalan, O Último Mestre do Ar é baseado no desenho Avatar (nenhuma semelhança com o blockbuster de James Cameron e seus seres azuis), criado por Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko. A história do filme acompanha os acontecimentos da primeira das três temporadas da animação. Aang (o estreante Noah Ringer) é o personagem título, a última pessoa que consegue dominar o ar. Mas esta não é sua única distinção. Ele é o Avatar, uma figura que, na teoria, consegue ter o poder sobre os quatro elementos: ar, água, terra e fogo. Ele estava preso dentro de um iceberg, até que uma dominadora de água, Katara (Nicola Peltz, de Harold), e seu irmão Sokka (Jackson Rathbone, de Eclipse) o encontram. Depois de conhecerem o menino, ambos decidem protegê-lo das investidas do príncipe Zuko (Dev Patel, de Quem Quer ser um Milionário?), um dominador do fogo que precisa capturar o Avatar para ser aceito por seu pai, o rei Ozai (Cliff Curtis, de Território Restrito). É interessante observar que M. Night Shyamalan não abandona suas “marcas registradas”, mesmo tendo mudado de gênero cinematográfico. Em suas histórias de suspense, o cineasta costumava utilizar planos-sequência e enquadramentos diferenciados para contar sua história. Em O Último Mestre do Ar, é possível encontrar estes bons enquadramentos de outrora, assim como alguns planos-sequência em cenas de combate mano a mano, mostrando um extremo cuidado com a coreografia das cenas.
Infelizmente, todo o esmero com as coreografias parece ter substituído o usual cuidado de Shyamalan com seus atores mirins. A ficha corrida do cineasta indiano tem belas performances de Haley Joel Osment em O Sexto Sentido, Spencer Treat Clark em Corpo Fechado e Abigail Breslin em Sinais. Está certo que o talento dos atores mirins ajudou bastante, mas o cineasta certamente teve papel importante no comando dos jovens. O bom trabalho do passado, no entanto, não se repete neste novo filme, já que Noah Ringer e Nicola Peltz estão muito abaixo do esperado em uma produção deste porte. Aang e Katara recitam as falas e em nenhum momento parecem estar realmente pensando no que dirão em seguida. Os diálogos são tão automáticos e as atuações tão fracas que fica difícil uma conexão entre personagens e espectador.
Por outro lado, atores mais experimentados como o ótimo Shaun Toub (de Homem de Ferro) e o competente Cliff Curtis conseguem pesar a balança para o lado da qualidade. Dev Patel, em seu primeiro papel depois do sucesso de Quem Quer Ser um Milionário, constrói um personagem dúbio interessante, apesar de parecer pegar emprestado o figurino de Darth Maul, de Star Wars – Episódio I – A Ameaça Fantasma. Sua principal vontade é provar ao seu pai que é um rapaz corajoso, destemido e que merece vestir as cores do povo do fogo. Para isso, é necessário que ele capture o Avatar antes de seu rival, o comandante Zhao (Aasif Mandvi, de A Proposta). Outra figura conhecida do elenco, Jackson Rathbone, da Saga Crepúsculo, tem momentos tão constrangedores quanto os protagonistas Ringer e Peltz, mas consegue melhorar durante o andamento da história.Com algumas boas cenas de batalha, mas efeitos especiais limitados e um ritmo capenga, O Último Mestre do Ar ainda consegue entreter, principalmente quando os protagonistas não têm nada a dizer. Ao que parece, existe uma boa história ali, mas que não soube ser contada de forma correta. Para piorar a situação, o filme termina com um grande gancho para uma sequência. Não seria ruim, caso a Paramount, estúdio responsável pelo longa-metragem, estivesse realmente interessada em continuar a pretensa trilogia. Depois da resposta nada entusiasmada do grande público e com as péssimas críticas, é bastante difícil. Confesso que fiquei curioso para saber o resto da trama. Mas, para isso, não se faz necessário outros filmes. Basta colocar as mãos nas temporadas do desenho animado que, ouvi dizer, são bastante superiores ao longa-metragem em live action.
O Último Mestre do Ar (The Last Airbender)
Dir.: M. Night Shyamalan
Com Noah Ringer, Dev Patel, Nicola Peltz, Jackson Rathbone, Shaun Toub, Assif Mandvi, Cliff Curtis
Cotação Paradoxo: Vale 60% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de O Último Mestre do Ar:
2 comentários:
Eu acho que o M.Night pecou em abrir mão do humor, afinal é uma caracteristica marcante da cultura oriental somar nas estórias humor + disciplina, eu quando vi os trailers achei boa essa seriedade, afinal fazem muitos bem galhofas, mas acho que apesar de ser o melhor nessa linha de filmes Dragon Ball, acho que o M.Night poderia ter sido mais fiel, talvez algo que se aproximasse do que foi o Speed Racer, que tinha seu carater sério apesar do fundo nickelon, e ao mesmo tempo preservou o lado do humor com o macaquinho e o gordinho lá.
Valeu Rodrigo
É, faltou humor mesmo. Mas acredito que o M. Night tenha tentado dar um ar épico ao filme. Então, a ausência de um alívio cômico acabou não fazendo falta. Ao menos para mim.
Abraço!
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