quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O Aprendiz de Feiticeiro

Fantasia

Sem muita criatividade para bolar algo totalmente original, Hollywood tenta buscar em todos os lugares alguma fonte de inspiração. Nesta nova produção Disney, O Aprendiz de Feiticeiro, a origem da idéia veio de um segmento do clássico desenho animado Fantasia, lançado em 1940. Este, por sua vez, havia sido adaptado de uma obra do escritor alemão Goethe. Apesar da falta de originalidade, Aprendiz de Feiticeiro é um programa divertido o suficiente para uma sessão de cinema despreocupada.

Reunindo diretor e ator que fizeram o aventureiro A Lenda do Tesouro Perdido e sua inferior seqüência, Jon Turteltaub e Nicolas Cage, o longa-metragem tem roteiro assinado a dez mãos: Matt Lopez (de A Montanha Enfeitiçada) junto das duplas Lawrence Konner e Mark Rosenthal (de O Sorriso de Mona Lisa) e Doug Miro e Carlo Bernard (de Príncipe da Pérsia). Miro e Bernard, aliás, devem estar com a corda no pescoço na Disney visto que seus dois roteiros não tiveram o sucesso esperado.

Na trama, o feiticeiro Balthazar Blake (Cage) precisa recrutar o jovem Dave (Jay Baruchel, de Trovão Tropical) para ajudá-lo a eliminar a poderosa Morgana (Alice Krige, de Solomon Kane), aprisionada em um receptáculo, prestes a ser libertada pelo também feiticeiro Maxim Horvath (Alfred Molina, de Príncipe da Pérsia). O interesse de Dave não está na magia, e sim na bela amiga Becky Barnes (Teresa Palmer, de Um Faz de Conta que Acontece). Mas ele é o único que pode ajudar Balthazar na empreitada, já que no seu sangue corre o poder do grande Merlin (James A. Stevens, de Sherlock Holmes).

O roteiro de Aprendiz de Feiticeiro está longe de ser uma maravilha, mas tem alguns bons momentos. A idéia de transformar alguns conhecidos pontos de Nova York, como a águia-gárgula do prédio Chrysler ou o touro da Wall Street, em figuras vivas e pulsantes pode não ser original (Os Caça-Fantasmas já fizeram isso com a Estátua da Liberdade em 1989), mas funciona muito bem dentro da trama mágica. A interação entre mestre e aprendiz também é bem trabalhada pelo script, assim como as regras do universo da feitiçaria.

Nicolas Cage parece se divertir como Balthazar Blake, fato que não esconde sua canastrice em boa parte do filme. Melhor sorte tem Jay Baruchel, a verdadeira razão por acompanharmos com interesse O Aprendiz de Feiticeiro. Caprichando em uma performance desajeitada e tímida, Baruchel consegue conquistar o espectador como o garoto comum, apaixonado pela garota aparentemente inatingível. De novo, nada de original, nada nunca visto antes. Mas funciona a contento. Alfred Molina, mesmo no automático, não decepciona como o grande vilão da história. Seu pupilo, Drake Stone (Toby Kebell, de Rocknrolla) é uma boa surpresa. O ator diverte com sua atuação a la rockstar, fazendo rir com sua infalível citação a Star Wars. Enquanto isso, a bela Monica Bellucci (de Baaria) ganha pouco o que fazer, sendo relegada a uma ponta de luxo.

O pequeno resgate do material que deu origem a O Aprendiz de Feiticeiro - a cena na qual o pupilo maneja de forma problemática as vassouras que carregam água – é uma divertida homenagem, buscando inclusive a música original de Fantasia. Obviamente, se vistas lado a lado, a versão live action perde e muito para o clássico estrelado por Mickey Mouse. Mas para um filme de aventura, com alguns bons efeitos especiais, O Aprendiz de Feiticeiro de Jon Turteltaub é um programa válido, que diverte e entretém na medida.

O Aprendiz de Feiticeiro (The Sorcerer’s Apprentice)
Dir.: Jon Turtletaub
Com Nicolas Cage, Jay Baruchel, Alfred Molina, Toby Kebbell, Teresa Palmer, Monica Bellucci
Cotação Paradoxo: Vale 72% do ingresso

Confira logo abaixo o trailer de O Aprendiz de Feiticeiro:

2 comentários:

Sandro Azevedo disse...

O filme não me chamou atenção, principalmente por ter Nicolas Cage na lista de atores (ultimamente ele não tem feito bons filmes..) mas para uma sessão sábado a noite, com muita pipoca e coca cola, o entretenimento deve vale a pena!

Abração

Sandro Azevedo
blog24fps.blogspot.com

Rodrigo de Oliveira disse...

É bem por aí. Divertimento para um sábado descompromissado. E Nicolas Cage tem trabalhado tanto ultimamente (média de 3 filmes por ano) que não tem tido tempo de escolher bem o que faz. É uma pena.