Foi com certa surpresa que saí da sessão de Karatê Kid totalmente satisfeito com o que havia visto naqueles 140 minutos de projeção. Não esperava muito deste remake por diversas razões. A primeira, e mais importante, é que nunca levei o filme original muito em conta. Apesar de entender o quanto Karatê Kid – A Hora da Verdade é adorado por uma legião de fãs, nunca me inclui nesta parcela de cinéfilos que vibravam com as aventuras de Daniel San. Acredito que o grande acerto desta nova versão foi tentar afastar-se ao máximo do filme original – mantendo, obviamente, a espinha dorsal da história. Desta forma, a nova produção respeita o trabalho de Ralph Macchio e Pat Morita, e cria para si um universo próprio.
No roteiro, assinado por Christopher Murphey (de No Limite do Silêncio), baseado na história original de Robert Mark Kamen, o jovem Dre Parker (Jaden Smith, de O Dia em que a Terra Parou) muda-se para a China junto de sua mãe, Sherry (Taraji P. Henson, de Uma Noite Fora de Série). O menino não gosta da idéia da mudança, mas começa a aceitá-la quando conhece Meying (a estreante Wenwen Han), uma estudiosa menina, prodígio na música. O problema desta aproximação é que os amigos de Meying não gostam do “forasteiro”, o que acaba trazendo animosidades para a vida de Dre. Sofrendo bullying na rua e dentro do colégio, o garoto começa a detestar cada vez mais sua vida na China. Até que, ao conhecer o zelador do seu prédio, o pacato senhor Han (Jackie Chan, de Missão Quase Impossível), Dre descobre que a saída para seus problemas pode estar nas artes marciais, mais precisamente, no kung fu.Por mais estranho que possa parecer, Karatê Kid não tem karatê. Quando o filme estava em gestação, foi cogitada a troca do nome para Kung Fu Kid. Mas os produtores (dentre eles, Will Smith e Jada Pinket Smith, pais do protagonista) decidiram que não deveriam perder a forte marca da produção original.
Karatê Kid é válido por muitos pontos. Em primeiro lugar, pode ser a nova grande virada na carreira de Jackie Chan em Hollywood. Desde que o astro chinês estreou na Meca do cinema, seus personagens sempre tiveram as mesmas características: são hábeis nas artes marciais, puros de coração e cômicos de uma forma desajeitada. Em Karatê Kid, Chan pode mostrar uma faceta pouco vista: seu lado dramático. O senhor Han tem um passado nebuloso, que nos é mostrado aos poucos pela narrativa. O ator chinês consegue emocionar o espectador com momentos pungentes, além de poder mostrar um pouco dos seus populares golpes acrobáticos.
Jackie Chan protagoniza uma das cenas físicas mais interessantes, quando o senhor Han consegue neutralizar um grupo raivoso de jovens sem precisar bater em nenhum deles. Uma cena que funciona muito bem, plasticamente, e que diz algo sobre a personalidade do senhor Han, o futuro mestre de Dre. Por falar no protagonista, Jaden Smith prova que o talento é realmente hereditário. Impressiona a forma com que o garoto está à vontade no papel central do longa-metragem. Inclusive, é notável que o menino puxou o pai até na forma de soltar suas frases de efeito e piadinhas. É difícil não enxergar Will Smith em Jaden. O garoto tem tudo para ir muito longe com sua carreira, desde que consiga escolher bons papéis – o que não aconteceu em O Dia em que a Terra Parou, por exemplo.
A grande força de Karatê Kid está na relação entre Dre e o senhor Han, mas é claro que o filme ainda guarda espaço para cenas de luta engenhosas, lições de vida e de moral e um singelo romance entre Dre e a chinesinha Meying. Tudo muito bem orquestrado pelo diretor holandês Harald Zwart, que havia assinado o terrível A Pantera Cor de Rosa 2.
Os 140 minutos de duração podem assustar um pouco, mas passam voando. Parecia exagero tantos minutos para contar uma história tão simples. Mas a narrativa dá tempo ao tempo, para que conheçamos os personagens, para que entendamos suas jornadas, até que tudo aconteça. Em suma, Karatê Kid é um filme redondinho que tem tudo para agradar os fãs do gênero.
Karatê Kid (The Karate Kid)
Dir.: Harald Zwart
Com Jaden Smith, Jackie Chan, Taraji P. Henson, Wenwen Han
Cotação Paradoxo: Vale 80% do ingresso
Assista logo abaixo ao trailer de Karatê Kid:
1 comentários:
Tirando o fato que a luta que dá origem ao nome não existe no filme, curti bastante, sempre gosto dos trabalhos do Jack Chan.
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