terça-feira, 27 de julho de 2010

Shrek para Sempre

It’s a Wonderful Ogre Life

Menos engraçado que os primeiros dois filmes, mas infinitamente superior ao terceiro, Shrek para Sempre chegou aos cinemas para (em tese) encerrar as aventuras do ogro verde e sua trupe. Dirigido por Mike Mitchell (de Gigolô por Acidente), a última sequência de Shrek se recente da falta de piadas, mas consegue ser um fechamento digno para a saga produzida pelo estúdio Dreamworks.

O roteiro, assinado por Josh Klausner (Uma Noite Fora de Série) e Darren Lemke (Lost – Sem Saída), toma emprestado o tema central do clássico de Frank Kapra A Felicidade Não se Compra. E se Shrek (voz de Mike Myers no original) nunca tivesse existido? Teria feito alguma diferença na vida de seus amigos e conhecidos? É isso que descobrimos quando o ogro, fatigado pela rotina de marido e pai de família, cai na lábia do traiçoeiro Rumpelstiltskin (Walt Dohrn) e troca um dia de sua infância por um dia no qual ele poderia voltar a ser o ogro furioso e temido de outrora. Shrek então é enviado a um universo paralelo no qual ninguém o conhece. Divertindo-se com a situação de início, ele logo percebe que sua vida com Fiona (Cameron Diaz), Burro (Eddie Murphy), Gato de Botas (Antonio Banderas) e seus filhotes era muito mais valiosa. Agora, Shrek precisa achar uma forma de tomar sua vida real de volta.

É difícil não comparar este quarto capítulo da saga com os filmes anteriores. Os dois primeiros, sem sombra de dúvida, são os mais divertidos e inovadores. Brincar com os conhecidos contos de fada era uma idéia excepcional e executada com precisão pelo diretor Andrew Adamson – que acabou abandonando a animação para trabalhar com os atores de carne e osso de As Crônicas de Nárnia. O terceiro episódio, comandado pelo inexperiente e estreante Chris Miller, tinha problemas de roteiro e de andamento, que o deixaram um degrau abaixo dos anteriores. Em Shrek Para Sempre, os problemas do ritmo do filme foram solucionados e o roteiro é mais consistente. Mas tem poucos momentos realmente engraçados, assim como Shrek Terceiro.

Shrek para Sempre começa muito bem, é verdade. Seu prólogo traz uma revelação sobre o passado dos personagens que até então desconhecíamos (os próprios roteiristas dos filmes anteriores também, obviamente). Depois, uma interessante sequência é montada mostrando a rotina da vida de Shrek e sua família. A cena é muito bem arquitetada, dando ao espectador a impressão de estar nos sapatos do ogro, vivendo toda aquela confusão e repetição de seus dias. Esse, no entanto, é um dos poucos momentos realmente inventivos do filme. Após essa parte, o longa-metragem segue como uma aventura à moda antiga, sem o humor anárquico que fez a fama de Shrek.

Ao menos, os coadjuvantes de luxo estão ali para segurar as pontas. Novamente, Eddie Murphy, como o boquirroto Burro e, principalmente, Antonio Banderas, como o “robusto” Gato de Botas, roubam a cena, protagonizando as melhores piadas do filme. Banderas prova novamente que o Gato tem grande potencial, mantendo a voz sedutora e ameaçadora mesmo que o físico do personagem não seja tão esbelto quanto antigamente. Não é a toa que está por vir um filme solo do personagem, visto o carisma do felino. Já o Burro não recebe tanto material, mas consegue se sobressair aqui e ali. Eddie Murphy consegue torcer as frases do roteiro até que elas tenham alguma graça e sua performance como o Burro deixará saudades, certamente.

Mas a grande surpresa do filme não é nenhuma estrela famosa de Hollywood. É um sujeito chamado Walt Dohrn, responsável por ajustes nos roteiros de Shrek 2 e Shrek Terceiro, além de ter dirigido alguns episódios de Bob Esponja. Durante os ensaios, Dohrn fazia a voz de todos os personagens e chamou a atenção dos produtores por sua performance como o vilanesco Rumpelstiltskin. Ele que já havia gravado algumas vozes para o terceiro capítulo da saga do ogro verde acabou sendo convidado para interpretar o grande vilão da história, cargo já ocupado por John Litghgow (de 3rd Rock from the Sun), Jennifer Saunders (de Absolutamente Fabulosas) e Rupert Everett (de O Casamento do Meu Melhor Amigo) nos episódios anteriores. Seu trabalho é excepcional, dando uma doçura psicótica à voz do tratante duende.

Jon Hamm (do seriado Mad Men) e Jane Lynch (do seriado Glee) são outras duas boas novidades no casting de vozes, unindo-se aos já conhecidos John Cleese (o eterno Monty Python, que retorna como o rei Harold) e Julie Andrews (a eterna Mary Poppins, que volta como a rainha). Mike Myers, a voz do protagonista, mantém-se correto, como em todos os capítulos. Neste, inclusive, consegue se sair bem nas cenas que requerem maior dramaticidade. Como é o capítulo final, Shrek para Sempre se dá o direito de ser mais emocionante, amarrando as pontas soltas com cenas que podem gerar lágrimas nos mais sensíveis.

Agora, é esperar e ver quanto tempo custará para alguém chegar com um “novo começo” para a saga Shrek. Com uma franquia de sucesso nas mãos, é difícil acreditar que a Dreamworks realmente vá desistir de investir no ogro verde. O spin-off do Gato de Botas, ambientado antes de Shrek 2, é um indício de que os personagens não vão abandonar seu público tão cedo. É muito provável que o sucesso dela poderá dar origem a outros spin-offs. E, talvez, o retorno do próprio Shrek. Com Hollywood, o capítulo final nem sempre é definitivo.

Shrek Para Sempre (Shrek Forever After)
Dir.: Mike Mitchell
Com as vozes de Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, Antonio Banderas, John Cleese, Julie Andrews, Walt Dohrn, Jon Hamm, Jane Lynch
Cotação Paradoxo: Vale 75% do ingresso

Confira logo abaixo o trailer de Shrek para Sempre:

0 comentários: