quinta-feira, 22 de julho de 2010

Kick-Ass - Quebrando Tudo

Sem Poderes, Sem Responsabilidades

A pergunta é pertinente: “porque milhares de pessoas querem ser Paris Hilton e ninguém quer ser o Homem-Aranha?” É com esta indagação que o jovem Dave Lizewski (interpretado por Aaron Johnson, do ainda inédito no Brasil O Garoto de Liverpool) tenta argumentar com seus amigos sua descrença com a humanidade. Por acreditar piamente que as pessoas devem ajudar as outras – e por ser um fã inveterado de quadrinhos – Dave decide comprar uma roupa colorida e, sem nenhum super poder ou físico atlético, sai às ruas para combater o crime. Essa premissa básica é o fio condutor do divertido Kick-Ass – Quebrando Tudo, longa-metragem baseado nos quadrinhos de Mark Millar e John Romita Jr., e dirigido por Matthew Vaughn (de Stardust).

Como se pode imaginar, Dave – utilizando o pseudônimo Kick-Ass – leva uma surra homérica logo em sua primeira tentativa como super-herói. Depois de se recuperar dos ferimentos, Kick-Ass retorna para as ruas e novamente apanha ao tentar defender um inocente. Desta vez, porém, sua ação é capturada por uma câmera de celular e Dave logo vê sua fama crescer exponencialmente assim que as imagens são postadas no You Tube. Isso liga o sinal amarelo no mafioso Frank D’Amico (Mark Strong, de Sherlock Holmes), que tem tido seus negócios atrapalhados por uma figura vestida em uma fantasia estranha. Mal ele sabe que Kick-Ass não tem nada a ver com isso. Seus reais inimigos são Big Daddy (Nicolas Cage, de Vício Frenético) e Hit Girl (Chloe Moretz, de 500 Dias com Ela), pai e filha que combatem o crime e provarão a Kick-Ass que ele não é o único super-herói na cidade.

Os roteiristas Jane Goldman e Matthew Vaughn foram hábeis em manter o espírito da HQ, mudando alguns elementos do original que talvez não funcionassem tanto na telona. Para cada uma dessas mudanças, uma idéia mais interessante foi incorporada, transformando o longa-metragem em uma experiência melhor de ser conferida que a própria série de quadrinhos da qual foi originada – fato raro. Um bom exemplo disso são as ações da garota dos sonhos de Dave, Katie Deauxma (Lyndsy Fonseca, do seriado How I Met your Mother), que são bastante diferentes da HQ, mas que funcionam muito melhor. As ações que levam a captura de dois personagens centrais ao final do filme também é construída de forma mais competente na produção capitaneada por Matthew Vaughn.

Outro grande acerto foi a fidelidade com que a violência e o linguajar foi transportado dos quadrinhos para o cinema. Os palavrões, o sangue e os golpes que doem no espectador foram mantidos – tudo isso graças à forma de realização do filme. Em vez de ter um grande estúdio por trás, que mandaria e desmandaria na produção, Matthew Vaughn e companhia filmaram de forma independente, tendo assim carta branca para fazer o que bem entendiam. Não fosse assim, dificilmente teríamos uma personagem tão desbocada quanto a jovem Hit Girl.

O elenco bem escolhido, com destaque para um Nicolas Cage se divertindo horrores ao emular o jeitão de Adam West no seriado sessentista do Homem-Morcego, é mais uma razão da qualidade de Kick-Ass. Mark Strong se firma como o vilão da hora em Hollywood e consegue incluir mais um bom tipo vilanesco para sua galeria. O eterno McLovin’ do filme Superbad, Christopher Mintz-Plasse, também constrói uma figura peculiar, dançando entre o bem e o mal até decidir pelo seu caminho – e sua fala final, tirada direto do Batman dirigido por Tim Burton em 1989, não deixa dúvidas de qual será este caminho que seu personagem, Red Minst, trilhará.

Mesmo que Aaron Johnson consiga segurar muito bem a função de protagonizar uma grande produção e tenha carisma para tanto, o filme é realmente de Chloe Moretz e sua Hit Girl. Apresentando uma invejável segurança para uma jovem atriz (na época da filmagem ela tinha apenas 11 anos) e conferindo a suas falas uma naturalidade de gente grande, Moretz é o grande destaque de Kick Ass. Facilita bastante o fato de a personagem ser terrivelmente original e estapafúrdia – e esse sentimento de incorreção é ainda maior quando ela divide cenas com seu amoroso pai. Mas uma garota de menos talento não conseguiria dar conta de uma figura como Hit Girl.

O único problema visível de Kick-Ass é o seu andamento inicial. O filme demora um bocado para deslanchar, como se a narrativa estivesse com o freio de mão puxado durante todo o primeiro ato. Quando Dave se transforma em Kick-Ass e começa a ganhar fama, finalmente o longa-metragem embala. E a partir daí, fica irresistível. Acredite.

Kick-Ass – Quebrando Tudo
Dir.: Matthew Vaughn
Com Aaron Johnson, Nicolas Cage, Mark Strong, Chloe Moretz, Christopher Mintz-Plasse, Lyndsy Fonseca
Cotação Paradoxo: Vale 90% do ingresso

Confira logo abaixo o trailer de Kick-Ass – Quebrando Tudo:

2 comentários:

Sandro Azevedo disse...

Boa análise, parabéns!
Só ouvi falar bem desse filme!
Abração!

blog24fps.blogspot.com

Queiroz disse...

Eu concordo com o final de seu texto, deo filme ter demorado a decolar com a preocupação de apresentar o personagem, e o filme começasse já do ponto em que ele bate e apanha dos 3 assaltantes e é filmado seria bem melhor. Acho que o diretor quis tornar o personagem Kick Ass muito pop, e até o sotaque Tobey Maguire, ou seja, a parte do Dave/Kick Ass ficou com cara de O super herói o filme que se leva a sério, e a parte do Big Daddy e da Hit Girl sendo realmente o diferencial. Na Hq o Kick Ass tem em comum com o Big Daddy o fato de ser um comum que derrepente decidiu se tornar um super herói. No filme ele É um Super Herói, pois a motivação dele é verdadeira tudo que está dentro daquela estória dele é real, diferente dos quadrinhos que ele teria umas implicações morais, que tornaria sim no fim das contas o KickAss um herói por devolver a Hit Girl a vida de uma criança normal, no filme no teve essa coragem.

Mas, é um ótimo filme que merece ficar ao lado na minha coleção dos meus dvds do Homem Aranha, que esta voltando em breve.

Valeu Rodrigo.