Todos os elogios são poucos para os magos da Pixar. Com uma filmografia irretocável e personagens interessantíssimos, nem é mais possível dizer que o estúdio surpreende a cada nova produção. Até porque, o nível de qualidade é sempre alto. Surpresa seria o contrário. De alguma forma, no entanto, a Pixar conseguiu elevar um pouco mais seu padrão, chegando a níveis impressionantes. Duvida? Toy Story 3 consegue ser tão bom – e em alguns momentos, até melhor – que seus antecessores. Quantas trilogias têm em seu último episódio o capítulo mais interessante? Pouquíssimas. Na média, a maioria das franquias cinematográficas vai descendo a ladeira da qualidade com o passar dos anos e das sequências. Felizmente, não é isso que acontece com os brinquedos de Andy nesta nova caprichada aventura.
Com roteiro assinado por Michael Arndt, John Lasseter, Andrew Stanton e Lee Unkrich, e com direção deste último, Toy Story 3 nos leva de volta ao quarto do Andy e ao encontro de seus brinquedos favoritos. Mas a situação não é tão boa quanto antigamente. O garoto cresceu e está se preparando para ir para a universidade. Woody (voz de Tom Hanks), Buzz (Tim Allen) e os outros brinquedos estão temerosos pelo seu futuro, já que não acompanharão seu dono nesta nova jornada. Após um mal-entendido, os brinquedos são doados a uma creche. Lá, conhecem o simpático ursinho Lotso (Ned Beatty), o metrossexual boneco Ken (Michael Keaton) e outros bonecos que, assim como Buzz e companhia, foram doados depois de usados. Logo, eles descobrirão que a creche pode ser um lugar perigoso para brinquedos e precisarão tecer um plano para escapar.
Como em todos os filmes da Pixar, o coração fala mais alto em Toy Story 3. É emocionante reencontrar os personagens que conhecemos há 15 anos e acompanhar sua nova jornada. Além disso, cada um dos brinquedos de Andy parece ser realmente dotado de vida própria. Os magos da Pixar têm muito presente que, para uma ligação forte entre personagem e espectador, é necessário que cada um daqueles brinquedos seja muito bem construído. E desde o primeiro capítulo, em 1995, Woody, Buzz e sua turma sempre tiveram esta característica e este carisma. A coragem com que Buzz defende seus amigos, a lealdade que Woody sente por seu dono e por seus parceiros, a fidelidade que Bala no Alvo tem por Woody. Estas e outras características fazem dos brinquedos de Toy Story personagens incrivelmente tridimensionais e com forte apelo junto ao público.Não bastasse isso, os momentos finais deste novo capítulo da saga são realmente emotivos. Seja pela coragem da turma, que decide ficar junta até o fim, seja pelas cenas ternas divididas com um Andy mais velho, mas ainda ciente de que aqueles brinquedos foram parte importante de sua jovem vida, seja pelo prenúncio de um novo começo para eles. É tudo muito bonito, muito singelo. Um belo fechamento para uma trilogia irretocável.
Mas não é só de belas cenas tocantes que se constrói Toy Story 3. O longa-metragem tem bons momentos cômicos – vários deles protagonizados pela eterna cara-metade de Barbie, Ken – cenas mirabolantes e cheias de ação e, claro, a qualidade de sempre da Pixar no que tange ao design de produção. Se os brinquedos já impressionavam no segundo filme, de 1999, com seu salto de qualidade gráfica, em 2010, é ainda mais bestificante o resultado obtido pela equipe de Lee Unkrich.
Um dos maiores medos em relação a Toy Story 3 era a grande quantidade de novos personagens que estavam sendo anunciados antes de sua estréia. Parecia que não haveria espaço para desenvolver cada um daqueles novos brinquedos e ainda manter os antigos em destaque. Os roteiristas, no entanto, tinham isso em mente. Para solucionar a questão, limaram diversos personagens antigos (com uma explicação simples e coerente), mantiveram o foco nos brinquedos mais importantes e conseguiram virar, mesmo com pouco tempo, o holofote para cada novo personagem. Isso apenas demonstra o cuidado com que os roteiristas tiveram na hora de costurar a ação do filme com os personagens que nela orbitam.
O único ponto ruim de Toy Story 3 é a sensação de que não veremos mais aqueles espertos e carismáticos brinquedos novamente em ação em uma nova aventura. O longa-metragem não coloca, necessariamente, um ponto final nas histórias, mas não parece provável que a Pixar continuará as aventuras de Woody e Buzz em filmes para o cinema. Espero estar errado. Afinal de contas, se depois de 11 anos, o interesse na saga continua, porque não continuar o que está dando certo?
Toy Story 3
Dir.: Lee Unkrich
Com as vozes originais de Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Ned Beatty, Don Rickles, Michael Keaton, Wallace Shaw, John Ratzenberger, Estelle Harris, John Morris, Timothy Dalton
Cotação Paradoxo: Vale 100% do ingresso
Confira o trailer de Toy Story 3 logo abaixo:
2 comentários:
Olá Rodrigo, tudo bem?
Me chamo Renata, sou iconógrafa de uma Editora em Fortaleza...
Gostaria de saber como posso, se possível, conseguir a autorização para publicar esse seu texto em um livro didático de "Práticas de Produção Textual" do Ensino Fundamental.
O capítulo do livro explica para as crianças sobre resenhas críticas e o do Toy Store está muito interessante. Seria possível a autorização?
Desde já, agradeço
Atenciosamente,
Renata Alexandre
85 3461.3525
Oi Renata. Eu precisaria saber mais informações sobre isso. Mande-me um e-mail e conversamos. rodrigomcfly@hotmail.com
Abraço!
Postar um comentário