quarta-feira, 16 de junho de 2010

Os Homens que não Amavam as Mulheres

Dragon Tattoo

Hollywood tem produzido cada vez mais rápido continuações de seus filmes mais lucrativos. Basta que um longa-metragem consiga uma resposta positiva de bilheteria para começarem os planos de uma sequência. A Saga Crepúsculo talvez seja a mais impressionante das franquias, visto que o primeiro filme foi lançado em 2008, o segundo em 2009 e o terceiro, apenas seis meses depois do seu antecessor. Mas nada disso chega perto da velocidade com que os produtores suecos conseguiram chegar ao trabalhar na trilogia do falecido escritor Stieg Larsson, Millenium.

As adaptações cinematográficas de Os Homens que não Amavam as Mulheres, A Menina que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar foram todas lançadas em 2009, em fevereiro, setembro e novembro, respectivamente. Como apenas o primeiro filme teve estréia no Brasil até agora, não é possível saber se as sequências têm a mesma qualidade do início da saga. Mas se continuarem no mesmo caminho, são programas obrigatórios.

A direção de Os Homens que Não Amavam as Mulheres é de Niels Arden Oplev e o roteiro é assinado por Nikolaj Arcel e Rasmus Heisterberg, baseado obviamente no Best seller de Stieg Larsson. Na trama, o jornalista Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist) é contratado pelo magnata Martin Vanger (Peter Haber) para colocar suas conhecidas qualidades investigativas em prática e descobrir o assassino da sua querida sobrinha Harriet (Julia Sporre), crime cometido há 40 anos e nunca solucionado. Vanger acredita que algum membro de sua família foi o responsável pela morte da garota, mas nunca conseguiu prova alguma. Agora, Blomkvist, ao lado da hacker Lisbeth Salander (Noomi Rapace), tentará chegar ao fundo deste caso, mesmo que sua vida corra perigo.

Como uma boa história de suspense que se preze, Os Homens que não Amavam as Mulheres tem muito mais camadas do que esta breve e genérica sinopse pode sugerir. Mas para não estragar a surpresa de ninguém, é melhor tentar não contar nada além. Também é bom avisar que não posso fazer comparações entre a versão em celulóide e o livro, pois não o li.

O que dá para perceber, no entanto, é que o andamento da história é excelente, nunca parecendo que estão enfiando informações goela abaixo do espectador para que a trama faça sentido (vide, O Código Da Vinci e os dois primeiros Harry Potter). É bem verdade que são 153 minutos de filme, suficientes para contar uma boa história de mistério sem atropelos. Porém, quem já teve chance de observar o tijolo que é o primeiro volume da trilogia Millenium pode pensar que duas horas e meia seriam insuficientes para dar conta de toda a trama. O contrário acontece. Se cortadas algumas gorduras da história, o filme até poderia ser mais curto. O tempo que Mikael e Lisbeth demoram em se encontrar pela primeira vez, por exemplo, poderia ser encurtado pela metade. Isso, claro, não chega a ser um erro. É apenas uma constatação de que existem alguns pontos que poderiam ser suprimidos (e que provavelmente serão na versão hollywoodiana que se avizinha).

Com um elenco afiadíssimo e com uma trama bem urdida, o cineasta Niels Arden Oplev consegue prender a atenção do espectador do início ao fim da projeção. Quem gosta de um bom mistério se achará, em meio à exibição, conjecturando qual será o próximo passo dos investigadores, ou quem diabos arquitetou os crimes mostrados, ou se é possível confiar em quaisquer dos personagens que nos são apresentados. Apesar de alguns pontos da investigação serem um tanto inverossímeis, principalmente passados 40 anos do crime original, a trama consegue se sustentar bem e fazer com que acreditemos nos desdobramentos dos acontecimentos.

Michael Nyqvist e Noomi Rapace, intérpretes do casal principal da trama, tem uma química bastante interessante e uma relação nada óbvia. Enquanto que Nyqvist dá a Blomkvist uma amabilidade e credibilidade importantes para mantermos conexão com o jornalista, Rapace parte para outro viés. Sua Lisbeth é uma pessoa quase tão enigmática quanto a investigação do assassinato de Harriet. Traumatizada com um ponto de seu passado e bastante prática em conseguir seus objetivos, Lisbeth é uma excelente protagonista e é defendida de forma robusta pela jovem atriz sueca.

O bom trabalho de edição de Anne Østerud, combinados com todos os pontos positivos ressaltados logo acima, fazem de Os Homens que Não Amavam as Mulheres um suspense acima da média, com ótimas reviravoltas e surpresas. Um ponto de partida maiúsculo para uma trilogia que deve ter seus capítulos seguintes lançados no Brasil em julho e setembro. É esperar e ver se a qualidade se mantém.

Os Homens que não Amavam as Mulheres (Män som hatar kvinnor)
Dir.: Niels Arden Oplev
Com Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Peter Haber
Cotação Paradoxo: Vale 90% do ingresso

Confira o trailer dublado de Os Homens que não Amavam as Mulheres:

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