Lembro da época em que o seriado Esquadrão Classe A era exibido na televisão, mas não tenho na memória nenhum trecho de qualquer episódio da série. Outra lembrança de infância é o boneco articulado do B.A., com as feições de Mr. T, que eu carregava para lá e para cá e que acabara perdendo sua cabeça em uma brincadeira infeliz com um triciclo. Caro leitor, você está agora por dentro de todas as lembranças que tenho sobre este famoso seriado oitentista. Fica claro que é impossível um cotejo entre a série e o seu remake cinematográfico. Mas o que é possível ser dito, sem medo de errar, é que a sessão deste longa-metragem assinado por Joe Carnahan (de Narc) é divertida, barulhenta e totalmente inverossímil. E é nestas três características que reside o charme truculento de Esquadrão Classe A.
O próprio Carnahan assina o roteiro do longa-metragem, ao lado de Skip Woods (de X-Men Origens – Wolverine) e Brian Bloom (que atua no filme como o vilão Pike na sua estréia como roteirista), baseado nos personagens criados por Frank Lupo e Stephen J. Cannell. Resumo da ópera: Quatro veteranos da guerra do Iraque são injustamente acusados de terem roubado placas para imprimir dinheiro falso. O quarteto é preso, consegue fugir da prisão e sai à procura do real culpado para limpar seus nomes. É isso. Simples assim. Ou nem tanto. Em meio a tudo isso, vemos helicópteros dando piruetas, tanques caindo de pára-quedas, barcos explosivos e toda a pirotecnia que uma boa produção de ação norte-americana comporta. O que diverte em Esquadrão Classe A é a interação entre os quatro personagens centrais, interpretados com segurança pelo elenco sabiamente escalado. Liam Neeson, de Batman Begins, é o general John “Hannibal” Smith, Bradley Cooper, de Se Beber Não Case, vive o boa-vida Templeton “Cara-de-Pau” Peck, Quinton “Rampage” Jackson interpreta o popular B.A. e Sharlto Copley, de Distrito 9, é o insano Murdock.
Neeson prova que curtiu a ação de Busca Frenética e comanda a equipe que é “especializada no ridículo”, como a personagem de Jessica Biel (de Bons Costumes) tão eloqüentemente explicita para um coadjuvante. Smith sempre cozinha os planos mais mirabolantes para cumprir suas missões. Ele é corajoso, responsável e sempre está três passos a frente do inimigo. O ator, com sua persona respeitável, consegue dar credibilidade ao coronel, imprimindo muita inteligência ao papel. Sharlto Copley rouba a cena como o amalucado Murdock, Bradley Cooper cativa com a simpatia de Cara-de-Pau e se Rampage Jackson não é um grande ator, não compromete ao menos.
Não fosse a boa interação entre o quarteto, Esquadrão Classe A seria apenas uma sucessão de cenas bombásticas e inverossímeis. Algumas são tão over the top que geram risadas do público. Mas diverte. Como a proposta do filme é exatamente essa, Joe Carnahan é bem sucedido em sua tentativa de ação desenfreada. Algumas cenas, que mostram os planos de Hannibal lado a lado a sua execução no futuro, são bem boladas e merecem destaque.
Mas claro que algumas qualidades não redimem vários pontos fracos do longa-metragem, como o fato de ser muito longo e ter um terceiro ato esculhambadíssimo. A cena dos contêineres é vergonhosamente ruim e mal executada e nem a trilha sonora do sempre competente Alan Silvestri consegue fugir do genérico do cinema de ação. No fim da contas, Esquadrão Classe A consegue divertir mesmo com seus deslizes. E essa opinião não tem nada a ver com o fato de eu ter brincado com um boneco articulado de B.A. sem cabeça na minha infância.
Esquadrão Classe A (The A-Team)
Dir.: Joe Carnahan
Com Liam Neeson, Bradley Cooper, Quinton “Rampage Jackson, Sharlto Copley, Jessica Biel, Patrick Wilson
Cotação Paradoxo: Vale 70% do ingresso
Confira o trailer de Esquadrão Classe A logo abaixo:
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