quarta-feira, 9 de junho de 2010

Decisões Extremas

The Cure

Brendan Fraser sempre teve uma grande dificuldade como ator: convencer como ser humano. Depois de ter feito tantos papéis esquisitos – dentre eles, os personagens-título de Homem da Califórnia e George – O Rei da Floresta - Fraser ficou bastante estigmatizado como o intérprete perfeito para toda a sorte de bobos e desmiolados no cinema. Vez em quando, o ator tenta algum projeto mais sério e acaba esbarrando naquele probleminha citado acima. Em Crash – No Limite, por exemplo, Fraser não consegue convencer em nenhum momento como marido respeitável de Sandra Bullock. Mesmo duvidando muito do resultado, fiquei curioso em assistir a Decisões Extremas, dobradinha entre ele e Harrison Ford, lançada diretamente em DVD no Brasil.

O filme surpreende logo no seu início. E não falo de invencionices do roteiro ou qualquer coisa envolvendo a história em si. Surpreendente é ver, pela primeira vez desde Star Wars, Harrison Ford não ser o nome principal a ser creditado. O longa-metragem é produzido pelo ator que, talvez até por isso, tenha se sentido menos tentado a encabeçar o elenco, deixando a função para o já citado Brendan Fraser. É no mínimo curioso.

Decisões Extremas tem direção de Tom Vaughan (de Jogo de Amor em Las Vegas) e roteiro assinado por Robert Nelson Jacobs (de Chocolate), baseado no livro The Cure, da jornalista vencedora do Pullitzer Geeta Anand que, por sua vez, baseou-se em fatos reais.

Na trama, John Crowley (Fraser) é um homem de família, casado com a bela Aileen (Keri Russell, do seriado Felicity) e pai de três filhos. Os Crowley tentam de todas as formas manter uma rotina normal, mesmo tendo de encarar uma batalha diária: dois de seus três filhos tem a doença de pompe, uma doença degenerativa que afeta os músculos e sistema nervoso. De acordo com as pesquisas de John, as crianças tem expectativa de vida até os 9 anos de idade, o que o deixa desesperado por uma solução para o problema. Ao conhecer as pesquisas do dr. Robert Stonehill (Ford), Crowley percebe uma luz no fim do túnel, larga seu trabalho e passa a dedicar todo o seu tempo a angariar fundos para a descoberta da cura para a doença. No entanto, Stonehill não é uma figura nada fácil de trabalhar.

Para início de conversa, Brendan Fraser consegue uma atuação – ainda que nada uniforme – bastante comovente, merecendo créditos pela escolha de um papel diferente do habitual. John Crowley é totalmente abnegado aos filhos e não mede esforços para resolver a situação. Homem de negócios, ele é a pessoa perfeita para dar vida às pesquisas de Robert Stonehill, um professor que tem idéias revolucionárias na teoria, mas nunca as coloca em prática. Harrison Ford pratica o seu feijão com arroz para encarar um papel que parece ser escrito sob medida para ele. Portanto, não é de se estranhar que o ator esteja tão à vontade como o doutor. As crianças do elenco, Meredith Droeger, Diego Velazquez e Sam M. Hall, dão conta do recado e têm boas atuações.

Com uma história de superação de adversidades, Decisões Extremas ganha pontos por apresentar ao espectador uma trama que consegue, ao mesmo tempo, apresentar uma doença terrível e seus problemas, mas também mostrar que é possível arregaçar as mangas e trabalhar para se encontrar uma solução. A narrativa é um tanto lenta, é bem verdade, e o filme não parece saber o que fazer com seus coadjuvantes. Mesmo que pareça dourar a pílula em certos momentos, o longa-metragem de Tom Vaughan tem suas qualidades e merece uma conferida. Mesmo que seja apenas para ver Brendan Fraser como um ser humano.

Decisões Extremas (Extraordinary Measures)
Dir.: Tom Vaughan
Com Brendan Fraser, Harrison Ford, Keri Russell, Meredith Droeger, Diego Velazquez, Sam M. Hall, Courtney B. Vance, Jared Harris
Cotação Paradoxo: Vale 75% do ingresso

Confira o trailer de Decisões Extremas logo abaixo:

1 comentários:

y disse...

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