A onda de histórias que retratam a gênese de heróis conhecidos está bastante em voga em Hollywood desde o sucesso de Batman Begins, em 2005. A partir de então, cada novo projeto é tido como um novo Begins. Tivemos a ressurreição de James Bond em Casino Royale (2006), as origens do mutante de garras de adamantium em X-Men Origens: Wolverine (2009), a reimaginação das aventuras do detetive particular da Baker Street em Sherlock Holmes (2009) e, agora, um novo início para o fora-da-lei de Nottingham, Robin Hood. Bem ou mal sucedidos, estes projetos têm em comum mais um ponto: são amados ou odiados pelos fãs dos personagens retratados. Um meio termo é difícil quando alguns fatos são tomados com tamanha liberdade pelos realizadores dos filmes em questão. Desta forma, não é difícil entender a resposta tão polarizada em relação à nova parceria entre o diretor Ridley Scott e Russel Crowe, ambos de Gladiador.
A produção de Robin Hood foi bastante demorada e teve em seu roteiro um dos maiores problemas. O texto original foi reescrito inúmeras vezes. Em sua gênese, o projeto tinha como título Nottingham e trocaria os papéis habituais, colocando a história na ótica do Xerife. Em outra versão, Xerife e Robin Hood seriam a mesma pessoa – ou, ao menos, interpretados pelo mesmo ator, Russel Crowe. Até que Ridley Scott decidiu por uma total revisão do texto de Ethan Reiff e Cyrus Voris (Kung Fu Panda), assinada por Brian Helgeland (de Zona Verde), que mostraria o começo da lenda do homem que roubava dos ricos para dar aos pobres. Robin Longstride (Crowe) é um valoroso súdito do Rei Ricardo Coração de Leão (Danny Huston, de Fim da Escuridão), participando de inúmeras batalhas durante as cruzadas. Quando o rei é abatido em um combate, Robin e seus parceiros, Little John (Kevin Durand, de X-Men Origens – Wolverine), Will Scarlet (Scott Grimes, de Band of Brothers) e Alan A’Dayle (o músico Alan Doyle), decidem abandonar o barco e fazer seu próprio destino. No entanto, seus planos acabam interferindo com os do mau-caráter Godfrey (Mark Strong, de Sherlock Holmes), que emboscara a comitiva de Coração de Leão na tentativa de roubar a coroa que estava a caminho do castelo. Em meio à confusão, o grupo de Robin consegue afugentar os capangas de Godfrey e salvar a coroa. Neste momento, Longstride conhece Sir Robert Loxley (Douglas Hodge, de Feira das Vaidades) à beira da morte, que lhe pede um favor: devolver sua espada a seu pai, Sir Walter (Max von Sydow, de Ilha do Medo), em Nottingham. Robin aceita a tarefa a contragosto, partindo para o vilarejo e, desta forma, conhecendo Marion (Cate Blanchett, de Não Estou Lá), a viúva de Loxley. Mas os dias de luta de Robin não acabaram, visto que o novo rei, John (Oscar Isaac, de Rede de Mentiras), não tem popularidade junto a seu povo e uma guerra civil está próxima de acontecer. Tudo orquestrado por Godfrey, que trabalha junto ao rei da França para desestabilizar o novo monarca.
Em sua quinta parceria com Ridley Scott, Russel Crowe consegue fugir um pouco de sua usual expressão taciturna, interpretando corretamente o herói Robin Hood, imprimindo até alguma simpatia ao personagem. As cenas de batalha não são problema para o ator, visto seu histórico como Maximus em Gladiador. Apesar de ser velho para o papel, Crowe encabeça bem o elenco. Cate Blanchett dá a Lady Marion uma veia de bravura, escapando de uma usual visão da moça em perigo, entrando na ação e sendo uma parceira sob medida a Robin Hood.
Na área dos vilões, Mark Strong novamente consegue conceber um vilão interessante, mesmo que não precise fazer muita força para tal. Sua caracterização, com cicatriz herdada de uma flechada quase certeira de Robin, dá uma boa bengala ao personagem. O Xerife de Nottingham, interpretado com bom humor por Matthew Macfadyen (de Frost/Nixon), aparece pouco – provavelmente sendo guardado para uma certeira continuação. O elenco, como um todo, está bastante correto. Gosto bastante da verve bestial que Kevin Durand (o mr. Keamy, de Lost) dá a seus personagens, e seu Little John também é um destaque.
Longe de ser um grande épico, como aparentemente Ridley Scott esperava, Robin Hood termina sendo uma boa aventura, bem trabalhada, com uma boa fotografia, boa música e uma narrativa bem construída. Poderia ser mais curto e trazer mais do Robin Hood que todos conhecemos. O que parece é que tudo ficou guardado para uma continuação. Temos as peças no tabuleiro, mas ninguém começou a jogar ainda. Para uma introdução, é um filme longo demais. Mas diverte o suficiente, afinal de contas, o objetivo de um longa-metragem sobre o príncipe dos ladrões. Felizmente, desta vez, sem Bryan Adams.
Robin Hood
Dir.: Ridley Scott
Com Russel Crowe, Cate Blanchett, Max von Sydow, William Hurt, Mark Strong, Oscar Isaac, Danny Huston, Eileen Atkins, Mark Addy, Matthew Macfadyen, Kevin Durand, Scott Grimes, Alan Doyle, Douglas Hodge
Cotação Paradoxo: Vale 75% do ingresso
Confira o trailer legendado de Robin Hood logo abaixo:
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