Steve Carell e Tina Fey são os rostos da nova comédia norte-americana. Ele é protagonista de um dos melhores seriados cômicos da atualidade, The Office, e já apareceu no cinema de forma competente em filmes como Virgem de 40 Anos, Pequena Miss Sunshine, Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada e Agente 86. Ela é roteirista, se destacou com suas participações no Saturday Night Live interpretando a controversa política Sarah Palin e é uma das cabeças do elenco do ótimo seriado 30 Rock. Um encontro entre estas duas figuras engraçadas e talentosas só poderia dar certo – caso o material fosse apropriado, lógico. Felizmente, Uma Noite Fora de Série é um ótimo veículo para o casal brilhar. Dirigido por Shawn Levy, do péssimo remake de A Pantera Cor-de-Rosa e do irregular Uma Noite no Museu, o filme usa da química e da veia cômica da dupla para arrancar suas risadas. E não são poucas nos curtos 88 minutos de projeção.
Com roteiro assinado por Josh Klausner, o filme apresenta o casal Phil e Claire Foster (Carell e Fey), casados, com filhos, e com uma rotina condizente com sua situação. Em meio a um clube do livro com amigos, Phil e Claire descobrem que um dos casais de seu convívio está se separando. Isto serve como despertar para os dois, que resolvem aproveitar sua noite a sós de forma diferente. Ao tentar entrar em um chique restaurante de Manhattan sem marcar reservas, Phil decide mentir e se passar pelo casal Tripplehorn, que não havia aparecido no local. Essa mentira branca acaba por transformar a noite dos Foster quando dois homens se aproximam de sua mesa e os confrontam, atrás de um pen drive que eles teriam roubado. Esse é o start de uma noite cheia de confusões, onde os Foster terão de correr para salvar sua pele e provar que não são as pessoas que aqueles mau-encarados procuravam. Para começo de conversa, a química entre Steve Carell e Tina Fey é brilhante e sem ela, Uma Noite Fora de Série não seria metade do divertimento que é. Ambos têm um excelente timing cômico, sabem fazer escada para o outro quando necessário e, inteligentes como são, têm no improviso uma de suas melhores características. O espectador consegue se identificar com o casal, principalmente no primeiro ato, quando somos apresentados à rotina de casados, com seus filhos e pequenas coisas de sua vida privada. Muitas das risadas são provenientes da identificação que o público sente com as situações que acontecem em tela. Se a trama continuasse nessa espécie de “Comédia da Vida Privada”, aposto que seria interessante e engraçado, mas de forma verossímil. O que vemos depois do primeiro ato é uma montanha-russa de situações, muitas delas exageradas e pouco realistas, mas que são divertidas e cômicas pela forma como são interpretadas pelos protagonistas.
É aquele contrato que temos com o filme. Sabemos que dificilmente um pai de família sairia de um carro em movimento através de um pára-brisa quebrado para passar para outro veículo, mas acabamos aceitando a situação devido a todo o absurdo que vimos anteriormente. Outros momentos exagerados são apresentados antes e depois dessa seqüência cheia de ação, sempre carregando a mensagem de que estamos vendo uma comédia que extrapola os limites do verossímil. Nada tão excessivo quanto um Missão Impossível, mas tem seus momentos. No fim das contas, tudo é tão engraçado que aceitamos todos os exageros do roteiro.
O casal principal carrega o longa-metragem nas costas, mas tem a ajuda de um elenco de apoio de luxo, que conta com pequenas participações de atores como Mark Ruffalo, Ray Liotta, James Franco e Mark Wahlberg. Completam o casting a indicada ao Oscar Taraji P. Henson (fora do ritmo do resto do elenco), o rapper Common e a engraçadinha Mila Kunis. Com um elenco de porte, nem mesmo um diretor limitado como Shawn Levy, que assinou os vergonhosos A Pantera Cor-de-Rosa e 12 é Demais, poderia atrapalhar. Não deixa de ser curiosa a escolha da câmera, aparentemente digital, que dá um estilo diferente para a comédia – realçado nas tomadas noturnas e de ação.
O jeito como todas as pontas soltas são amarradas pelo roteiro novamente trazem exageros e inverossimilhanças, mas que não destoam de todo o resto do filme. Uma Noite Fora de Série é divertimento puro, uma produção que serve para gargalhar e comprovar o talento de Steve Carell e Tina Fey, dois dos atores cômicos mais talentosos dessa nova geração – que, convenhamos, nem são tão novos assim.
Uma Noite Fora de Série (Date Night)
Dir.: Shawn Levy
Com Steve Carell, Tina Fey, Mark Wahlberg, Common, Ray Liotta, Mila Kunis, James Franco, Mark Ruffalo, Taraji P. Henson
Cotação Paradoxo: Vale 85% do ingresso
Confira o trailer de Uma Noite Fora de Série:
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