terça-feira, 2 de março de 2010

Um Sonho Possível

Big Mike, Big Leigh Anne

Existe algo de muito emotivo e terno no longa-metragem assinado por John Lee Hancock, Um Sonho Possível. Além de ser uma óbvia história de superação, o filme ganha a simpatia do espectador pelo carinho e consideração que os personagens tratam um ao outro. É um filme que privilegia o bem estar do próximo, uma história de desprendimento. E, por incrível que pareça, um filme que mostra Sandra Bullock em uma ótima performance.

Baseado na história real do jogador de futebol americano Michael Oher, o roteiro é assinado pelo próprio diretor e adaptado do livro de Michael Lewis, The Blind Side: Evolution of a Game. Na trama, conhecemos Big Mike (Quinton Aaron), um rapaz com problemas de aprendizado, pobre, e que vem pulando de casa adotiva em casa adotiva há um bom tempo. Seu tamanho avantajado lhe proporcionou uma oportunidade de entrar no colégio cristão Wingate, quando o técnico do time de futebol americano, Cotton (Ray McKinnon), observou o potencial do garoto e brigou por sua entrada junto ao conselho da escola. Os professores não acreditam muito no desempenho escolar de Big Mike, mas em nome da benevolência cristã, resolvem dar uma chance ao rapaz. Mesmo sendo um sujeito calado, Michael não demora em fazer amizade com o garotinho S.J. (Jae Head), filho de Leigh Anne (Sandra Bullock) e Sean Tuohy (Tim McGraw), casal abastado da cidade. Notando o estado crítico de Mike, Leigh Anne resolve acolher o garoto em sua casa, o ajudando nos estudos e na sua aplicação como jogador de futebol americano. Essa decisão não mudará apenas a vida de Mike, como a vida de toda a família Tuohy.

John Lee Hancock não tem nenhum arroubo de criatividade na hora de contar a história de Michael Oher. A trama é contada de forma simples, porém eficaz. O máximo que o diretor se permite fazer em termos de narrativa é descolar uma cena do final e colocá-la no início, nos mostrando um momento de tensão na vida de Big Mike. Desnecessário, é verdade. De resto, a história segue de forma linear e suave até seu final apoteótico.

A atuação de Sandra Bullock em Um Sonho Possível é motivo de muitos elogios e de descrédito de muitos outros. Considero uma bela performance, carregada de emoção e de força de caráter. A força que Leigh Anne exibe ter é proporcional a sua entrega para os outros. A construção do personagem é muito bem realizada, tanto do ponto de vista interior, como de sua escolha em roupas e maquiagem. Acreditamos que estamos vendo uma socialite texana. Outra atriz poderia fazer o papel tão bem? Provavelmente. Mas isso não é impeditivo para que Bullock esteja, de fato, ótima no papel.

Quinton Aaron, como o calado Mike Oher, está corretíssimo, fazendo muito bem o contraponto entre seu personagem, quieto, e os falantes Leigh Anne e S.J. A bondade no olhar e sua índole calma fazem de Big Mike um sujeito que conquista as pessoas de forma instantânea. Destaco também a pequena, mas tocante, participação de Kathy Bates como a tutora de Michael. É impressionante ver o que a atriz consegue fazer com tão pouco espaço para mostrar o que sabe.

Alguns pontos do roteiro poderiam ser discutidos, como o forçado desentendimento entre Leigh Anne e Big Mike no terceiro ato da trama – como se fosse uma obrigação da história em encaixar um momento de tensão antes do final do longa-metragem. Soa forçado, mas faz parte da vida de Michael Oher. Fazendo uma rápida pesquisa, pude constatar que aquele momento existiu, na realidade. Até hoje está sendo investigado, inclusive. Portanto, a vida real acaba não sendo sempre muito camarada com roteiristas mundo a fora.

Um Sonho Possível é uma tocante história de superação, com boas atuações e um ótimo ritmo narrativo. O filme foi um fenômeno nas bilheterias norte-americanas, arrecadando mais de 200 milhões de dólares, talvez por causa das cenas emotivas, que farão os mais sensíveis puxarem os lencinhos do bolso. Resta saber se no Brasil o filme terá igual resposta, visto que futebol americano não é um assunto muito popular por aqui. Trabalho para o marketing da distribuidora no país, que terá de desvincular o esporte da história de emoção que o filme realmente é. Facilitará muito esse trabalho, claro, caso Um Sonho Possível acabe recebendo algum Oscar.

Maratona Oscar: Um Sonho Possível foi indicado a 2 Oscar: Melhor Filme e Melhor Atriz (Sandra Bullock). Torço por Meryl Streep, mas acredito que o fato de Bullock fazer um papel dramático pesará para o lado dela. Quanto à categoria principal, o filme tem chances nulas.

Agora que assisti aos 10 indicados a Melhor Filme, posso citar meus preferidos, na ordem: 1º Bastardos Inglórios, 2º Amor sem Escalas, 3º Guerra ao Terror, 4º Avatar, , 5º Up – Altas Aventuras, 6º Educação, 7º Distrito 9, 8º Um Sonho Possível, 9º Preciosa, 10º Um Homem Sério. Apesar de ser meu predileto, sei que o filme de Tarantino tem poucas chances de levar o prêmio. Aposto em Avatar.

Um Sonho Possível (The Blind Side)
Dir.: John Lee Hancock
Com Sandra Bullock, Quinton Aaron, Tim McGraw, Lily Collins, Jay Head, Ray McKinnon, Kim Dickens, Adriane Lenox e Kathy Bates
Cotação Paradoxo: Vale 79% do ingresso

Confira o trailer legendado de Um Sonho Possível:

Um comentário:

Uziel Santos disse...

O OSCAR já ficou muito desmoralizado em indicar The Blind Side, só por causa da boa bilheteria.

Gosto muito da Sandra, mas a atuação dela no filme tá péssima, o roteiro é ruim, os diálogos são rasos, o protagonista não tem simpatia nenhuma.

Sinceramente, concorreu por puro comércio.