Sejamos francos. Livros de auto-ajuda apenas auto-ajudam o autor, que enche seus bolsos com a alta vendagem de seus trabalhos. Entendo que muitas pessoas precisam ler o que já sabem e que este tipo de leitura desempenha papel importante para alguns leitores. Mas, via de regra, a qualidade destes livros deixa muito a desejar. Dito isso, ninguém vai se surpreender pelo fato de eu não recomendar uma sessão de O Amor Acontece, longa-metragem dirigido pelo estreante Brandon Camp e estrelado por Aaron Eckhart (o Duas-Caras, de Batman – O Cavaleiro das Trevas) e Jennifer Aniston (a Rachel, de Friends). Na trama, acompanhamos a trajetória de um autor de livros desta estirpe que acaba se apaixonando por uma mulher que conhece em meio a um de seus movimentados seminários. Mas faltam tantos ingredientes para que esta história seja minimamente interessante que, desta vez, nem mesmo o autor conseguiu se auto-ajudar.
O roteiro, assinado por Camp junto a Mike Thompson (de Dragonfly), coloca Eckhart como o traumatizado Burke Ryan, homem que perdeu sua esposa em um acidente de carro e que acaba escrevendo um livro para ajudá-lo a curar suas feridas. O tal livro vira um sucesso e Burke se vê no centro de seminários que ajudam as pessoas a encararem a perda de entes queridos. O problema é que o próprio Burke ainda não está devidamente curado. Ao voltar a sua cidade natal, Seattle, para um seminário, o autor reencontra o pai de sua esposa (interpretado por Martin Sheen), que lhe cobra o fato de o genro estar tão bem de vida. Isso coloca mais preocupação na cabeça de Burke, que tem de lidar com o seu público – em particular com o resistente Walter (John Carroll Lynch), que perdera um filho e nunca mais foi o mesmo; com novas possibilidades de crescer na profissão, orquestradas por seu agente, Lane (Dan Fogler); e com uma nova paixão, a bela florista Eloise (Aniston). Quando O Amor Acontece é apenas um romance água com açúcar, com diálogos bem executados por Aaron Eckhart e Jennifer Aniston, o filme não chega a ser ruim. Os atores não têm muita química, mas a idéia parece ser essa mesmo. Aqueles encontros desastrados e desconfortáveis são uma parte do processo para quem enviuvou e pretende voltar ao jogo. Nisso o filme acerta. Eckhart não é um sujeito irresistível, que consegue jogar sua lábia e conquistar Eloise. Ele é praticamente um peixe fora d’água, destreinado depois de tantos anos sem paquerar alguém. O primeiro encontro amoroso propriamente dito entre os dois é um verdadeiro desastre, já que nada parece quebrar o gelo entre o casal. Jennifer Aniston não tem maiores desafios para ser adorável em um papel que ela já representou dezenas de vezes no passado.
O real problema do roteiro de Brandon Camp e Mike Thompson é a auto-ajuda. Aquela filosofia de botequim realmente termina com qualquer possibilidade de se apreciar O Amor Acontece. Como agravante, as soluções apresentadas pelo roteiro soam falsas, visto que as pessoas se “curam” rápido demais. A trama se passa em poucos dias, portanto os roteiristas devem ter achado por bem fazer com que Burke Ryan se tornasse um verdadeiro milagreiro. O caso de Walter é ainda menos inspirado. Apesar de ser bastante resistente por muito tempo – e ser defendido de forma correta pelo competente Carroll Lynch – Walter tem seu momento de redenção de forma simplista. Pode entrar para a lista de milagres de Burke Ryan, brevemente a ser canonizado como santo padroeiro dos autores de auto-ajuda.
Para não dizer que não falei de flores – o que seria um erro, já que temos uma florista no filme – a trilha sonora de O Amor Acontece é muito bem selecionada. Temos Badly Drawn Boy, The Postal Service, Eels, e uma versão lenta de Everyday, de Buddy Holly, defendida pela banda Rogue Wave. Também gostei da pequena participação de Martin Sheen, ator que sempre dá muita propriedade a qualquer papel que interpreta. É sempre um prazer ver Sheen trabalhando e neste filme, não é diferente.
Coincidentemente, assisti a O Amor Acontece logo depois de ter conferido a estreia de Tom Ford na direção, com Direito de Amar. Ambos os filmes têm seu protagonista sofrendo pela morte de uma pessoa amada vítima de um acidente de carro. A principal diferença entre os dois é a sensibilidade em tratar o assunto. Ford é bem mais pessimista, mas aprofunda-se mais na questão. Mostra a dor, o vazio, a solidão. Já Camp não tem a mesma intenção. Deseja que o espectador saia feliz e que, talvez, tome as lições apresentadas pelo seu protagonista para encarar momentos difíceis. Filme de auto-ajuda? Pois é. Acontece.
O Amor Acontece (Love Happens)
Dir.: Brandon Camp
Com Aaron Eckhart, Jennifer Aniston, Dan Fogler, John Carroll Lynch, Judy Greer, Joe Anderson e Martin Sheen
Cotação Paradoxo: Vale 45% do ingresso
Confira o trailer de O Amor Acontece:
5 comentários:
Ola, antes de mais os meus parabens pelo seu site.
Gostaria ainda de saber se está interessado em troca de link com o meu site www.portalcelebridades.com
Obg
Olá, alguém sabe o nome das músicas que estão nesse filme?
Caren, a lista das músicas do filme segue logo abaixo:
"The Time of Times"
Badly Drawn Boy
"IO (This Time Around)"
Helen Stellar
"Have a Little Faith in Me"
John Hiatt
"Your Hand in Mine"
Explosions in the Sky
"We Will Become Silhouettes"
The Postal Service
"Acidtar Bollyhop"
Curt Sobel and Gary Schreiner
"Fresh Feeling"
Eels
"Lake Michigan"
Rogue Wave
"Life in Ashes"
Curt Sobel and Gary Schreiner
"Dream"
Priscilla Ahn
"Everyday"
Rogue Wave
Abraço!
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clomid
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