quinta-feira, 25 de março de 2010

Idas e Vindas do Amor

Estelar, mas Ordinário

Para um filme conseguir utilizar o advento das multi-tramas de maneira satisfatória, é necessária uma mão privilegiada do diretor. E não são todos os cineastas que a tem, infelizmente. Robert Altman deve ser um dos mais conhecidos mestres da arte das várias tramas e dos muitos personagens, tendo assinado filmes como Nashville (1975), Short Cuts (1993) e Prêt-à-Porter (1994). Muitos outros diretores tentaram e falharam no intento de criar um bom filme com multi-trama. E o mais recente a não ser bem sucedido é Garry Marshall e seu Idas e Vindas do Amor. O elenco é estelar e enche os olhos. No entanto, o filme acaba trazendo muita gente na superfície e ninguém chegando a águas mais profundas.

Com roteiro assinado por Katherine Fugate, baseado em história da própria, junto a Abby Kohn e Marc Silverstein, somos apresentados a uma dezena de pessoas que estão curtindo (ou tentando passar incólumes) pelo dia dos namorados. Conhecemos o florista sensível que acaba de pedir sua namorada em casamento (Ashton Kutcher e Jessica Alba), o repórter esportivo avesso ao dia do cupido (Jamie Foxx), o jovem casal que decide transar pela primeira vez (Emma Roberts e Carter Jenkis), o casal idoso que descobre novidades no relacionamento (Shirley McLaine e Hector Elizondo), dois desconhecidos flertando no avião (Julia Roberts e Bradley Cooper), uma atendente de tele-sexo que começa a namorar um rapaz de seu outro emprego (Anne Hathaway e Topher Grace), entre vários outros menos cotados.

O tema que une todas estas histórias é, obviamente, o amor e suas várias encarnações. Mas a direção condescendente de Garry Marshall parece libertar de dentro de bons atores as piores versões de si mesmos. Jamie Foxx, que é inegavelmente um excelente profissional, parece desconfortável ao retornar à comédia. Jennifer Garner e Jessica Biel estão terrivelmente histriônicas, enquanto que a dublê de atriz Taylor Swift consegue envergonhar qualquer um com sua esquisita performance.

Sobram, felizmente, alguns atores que são tão simpáticos que sua persona acaba ajudando uma identificação com o espectador – já que o roteiro não ajuda. É o caso de Anne Hathaway e Topher Grace, que passam uma imagem tão bacana, que é difícil não simpatizar com sua história. O mesmo vale para Bradley Cooper e Julia Roberts, que aparecem bem menos do que deveriam. Ashton Kutcher consegue também entreter, mesmo não sendo o mais talentoso dos atores, com sua personificação do romântico ideal.

Algumas reviravoltas da trama – que é basicamente construída na ligação dos personagens das diversas histórias – são bastante previsíveis. Apenas uma, a de Eric Dane, é realmente surpreendente. A impressão que fica ao final de Idas e Vindas do Amor é que são muitos personagens indo e vindo e que um melhor resultado seria alcançado caso esses nomes fossem cortados pela metade. Para atestar a falta de risadas durante o filme, é exibido no desenrolar dos créditos finais os erros de gravação – que geralmente são colocados para que o espectador saia do cinema rindo, já que não o fez anteriormente. Nem assim o filme consegue arrancar algo maior do que um sorriso. A não ser que você ache hilariante a citação de um filme do passado de uma figura proeminente do elenco.

Idas e Vindas do Amor (Valentine’s Day)
Dir.: Garry Marshall
Com Jessica Alba, Kathy Bates, Jessica Biel, Bradley Cooper, Eric Dane, Patrick Dempsey, Hector Elizondo, Jamie Foxx, Jennifer Garner, Topher Grace, Anne Hathaway, Carter Jenkins, Ashton Kutcher, Queen Latifah, Taylor Lautner, George Lopez, Shirley MacLaine, Emma Roberts, Julia Roberts, Bryce Robinson, Taylor Swift, Matthew Walker
Cotação Paradoxo: Vale 40% do ingresso

Confira abaixo o trailer legendado de Idas e Vindas do Amor:

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