A Jovem Vitória

Com açúcar, com afeto

Não esperava muita coisa de A Jovem Vitória, longa-metragem dirigido pelo canadense Jean-Marc Vallée (de C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor). Fato é que vi diversos filmes que retratavam a Coroa Britânica e nunca tive muita paciência para acompanhar o desenrolar das histórias. No entanto, esta produção estrelada por Emily Blunt (de O Diabo Veste Prada) e Rupert Friend (de Chéri) tem uma aconchegante simpatia que acabou me cativando. Longe da sisudez característica deste tipo de filme, a trama conquista pelo clima leve. Não fosse a dramatização da vida de uma rainha de verdade, a história poderia muito bem passar por um conto de fadas.

O roteiro, assinado por Julian Fellowes (de Assassinato em Gosford Park), é centrado na ascensão ao poder da jovem Vitória de Kent (Blunt) e nos seus primeiros anos de reinado. Vitória sucede seu tio, William (Jim Broadbent), ao trono da Inglaterra, não sem antes ter passado apertos na mão de sua mãe, a Duquesa de Kent (Miranda Richardson) e de seu conselheiro, o inescrupuloso Sir John Conroy (Mark Strong). Em uma posição de poder invejável, Vitória tem a sua volta muitos interesseiros. Lorde Melbourne (Paul Bettany) é um deles. Ex-Primeiro Ministro da Inglaterra, Melbourne tem uma agenda própria de interesses na corte e se aproxima de Vitória com a desculpa de aconselhar a jovem monarca.

Quem não gosta nada desta aproximação é o príncipe de Saxe-Coburg-Gotha (hoje, Alemanha), Albert (Rupert Friend). O rapaz também conheceu Vitória interessado em um belo futuro – empurrado por seu tio, o Rei Leopoldo da Bélgica (Thomas Kretschmann). No entanto, o interesse político acaba transformando-se em amoroso. Albert se apaixona por Vitória e se coloca à disposição para ajudá-la no que for necessário.

A trama cativante, interpretada por um elenco tão bem escalado, faz com que A Jovem Vitória seja um programa interessantíssimo. Indicada ao Globo de Ouro pela sua performance, Emily Blunt está cativante como a apaixonada Rainha Vitória. Seu entusiasmo para reinar só é igualado pela sua falta de experiência. Até por isso, a soberana acaba aceitando muitos conselhos que passam longe do melhor interesse para seu reinado – com Lorde Melbourne sendo a principal figura no quesito cobiça. Essa ambição, misturada com charme, é muito bem retratada por Paul Bettany, que mesmo tentando tirar proveito de algumas situações se mostra digno de algum reconhecimento.

Interpretando o mocinho apaixonado, um papel que pode cair na vala comum do insosso, Rupert Friend tem uma atuação maiúscula, lembrando pouco seu desinteressante papel-título em Chéri. Em A Jovem Vitória, Friend consegue fazer com que o espectador torça por um destino favorável ao seu personagem. Tanto que, em dado momento, uma cena dentro da carruagem faz com que tenhamos receio no que pode ter acontecido ao nosso novo amigo Albert. Quando um ator consegue esse tipo de cumplicidade com o espectador, é certeza de uma boa performance.

Como todo filme de época que se preze, A Jovem Vitória possui figurinos e direção de arte impecáveis. Emily Blunt chega a vestir uma réplica do vestido que a verdadeira Rainha Vitória usou no momento de sua posse, tamanha a precisão da pesquisa da equipe do diretor Jean-Marc Vallée. Os interiores dos palácios, assim como os seus jardins, são de uma beleza ímpar. Como Albert fala em dado momento: “Existem poucas coisas que podem concorrer com um jardim inglês”.

Acertando ao usar um pequeno recorte da vida da Rainha Vitória e não todo o seu reinado, que durou 62 anos e até hoje é o mais longo na Inglaterra, A Jovem Vitória é um sopro de jovialidade a um estilo de produção tão sério quanto cinebiografias de monarcas. Apostando no romance e não nas conspirações políticas, o filme poderá deixar historiadores pouco felizes com o destaque para o amor e o pouco espaço para outras questões da época. Mas quem espera assistir a um agradável longa-metragem, pode escolher este sem pestanejar.

Maratona Oscar: A Jovem Vitória foi indicado a 3 Oscar: Melhor Maquiagem, Direção de Arte e Figurino. O osso duro de roer do ano, Avatar, concorre com o filme da era vitoriana em Direção de Arte e sempre é um perigo. Já em Figurino, a questão é menos concorrida. É possível que haja um prêmio ali para A Jovem Vitória. Quanto a Maquiagem, são apenas 3 indicados (Il Divo e Star Trek). Acho que a saga trekker se sai melhor. Mas ainda não vi Il Divo para ter certeza.

A Jovem Vitória (The Young Victoria)
Dir.: Jean-Marc Vallée
Com Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany, Miranda Richardson, Mark Strong, Thomas Kretschmann, Jesper Christensen e Jim Broadbent
Cotação Paradoxo: Vale 87% do ingresso

Confira logo abaixo o trailer em HD de A Jovem Vitória:

0 comentários: