Atividade Paranormal é bem menos assustador do que eu esperava durante a sessão. Mas devo confessar que foi impossível ir para a cama e não lembrar das situações do longa-metragem antes de dormir. O filme, fenômeno de bilheteria, levou multidões aos cinemas dos Estados Unidos, conseguindo chegar ao primeiro lugar do Top 10 semanas depois de ter estreado. O segredo? Uma trama bastante familiar, protagonistas identificáveis com o grande público e a já velha artimanha de tentar manter tudo o mais realista possível. Os atores, desconhecidos, usam seus próprios nomes no filme, e a câmera é manipulada de forma amadora. Algo parecido com o que vimos em A Bruxa de Blair, em 1999, ou Canibal Holocausto, de 1980 – precursor do estilo documentário fictício de terror.
No roteiro, assinado pelo diretor Oren Peli, uma maldição persegue desde os 8 anos a estudante Katie (Katie Featherstone). Ela sempre sentiu e ouviu estranhos barulhos em sua casa e, hoje, noiva de Micah (Micah Sloat), os fenômenos paranormais estão cada vez mais recorrentes. Vendo isso, Micah decide comprar uma câmera e registrar os acontecimentos. O problema é que as gravações acabam encorajando a entidade a aparecer de forma cada vez mais violenta para o casal.
A grande arma de Atividade Paranormal é a imediata identificação do público com o casal e seu problema. Todo mundo já ouviu – ou presenciou – histórias sobre casas barulhentas, manifestações estranhas e inexplicáveis ou, simplesmente, sempre imaginou que aquela porta que rangia no porão não era o vento que nela batia. Por alimentar a imaginação do espectador sobre o que acontece naquela casa, o filme de Peli ganha muitos pontos. A atmosfera de mistério está ali e a cada nova noite que o casal tenta dormir naquela casa, novos fenômenos são apresentados ao espectador, fazendo com que as dificuldades aumentem, assim como o interesse pelo desenrolar da história. Mas nada disso seria válido caso não nos importássemos com o casal. A atuação de Katie Featherstone e Micah Sloat é condizente com o estilo de filme que o diretor Oren Peli pensou para Atividade Paranormal. Atuações naturalistas, sem arroubos de genialidade, mas que fecham de forma correta com a linguagem usada pelo cineasta. Até mesmo o fato de os atores não serem modelos de beleza ajuda na identificação. Eles são pessoas como quaisquer outras e estão vivendo aquela situação deplorável como qualquer um. Situação essa que é sempre comentada pelos dois. Não existe outro assunto na casa além dos acontecimentos bizarros que ocorrem. Fosse um filme “normal”, isso seria um problema. Mas como todas as cenas são capturadas pela câmera de Micah, o assunto em frente a ela é sempre o fenômeno paranormal que os persegue. Até mesmo os diálogos mais expositivos acabam funcionando, muito por causa da presença da câmera de Micah no recinto.
Algumas atitudes dos personagens poderiam ser questionadas, como a insistente superioridade de Micah quanto ao problema. Concordo que nós, homens, somos conhecidos pela nossa suposta auto-suficiência – sempre achamos que podemos resolver os problemas sozinhos. Mas isso quando se trata de um conserto de chuveiro, a troca de uma lâmpada ou o reparo de uma cerca. Acho difícil que depois de tantos exemplos de atividades fora do comum dentro de sua casa um homem seria tão obtuso a ponto de não querer chamar alguém especializado no assunto. Ou tão imbecil a ponto de fazer algo que outro especialista advertiu com todas as letras que não deveria fazer. São aqueles artifícios de roteiro para que a história ande, afinal de contas.
Com bons momentos de suspense e terror, Atividade Paranormal é um interessante exemplar de um gênero que parece ter vindo para ficar, o do terror filmado com estilo amador. Estilo que, como já disse no começo, não é novo: vide Canibal Holocausto e A Bruxa de Blair. Mas que demorou em retornar. Junto a Atividade Paranormal, nesse novo milênio, podemos citar Cloverfield, Rec - e seu remake norte-americano Quarentena. Com o sucesso – e possível baixo orçamento para realizá-lo - esse estilo de filme pode seguir um extenso caminho. Já se fala na seqüência de Atividade Paranormal, com o diretor Oren Peli fazendo produção executiva. Mas esse eu dispenso. A péssima continuação de A Bruxa de Blair está ainda bem viva na minha memória.
Atividade Paranormal (Paranormal Activity)
Dir.: Oren Peli
Com Katie Featherstone, Micah Sloat
Cotação Paradoxo: Vale 80% do ingresso
Confira abaixo o trailer legendado de Atividade Paranormal:
2 comentários:
Meus amigos sairam da sala de cinema achando Atividade Paranormal ruim. Eu até gostei do filme. Só ficou bravo porque na hora que estava ficando bom, acabou. ¬¬
O que pega no longa é que o inicio é repleto de falas muito longas, e acaba por tirar a atenção de algumas pessoas. Mas achei inteligente a ideia de deixar as cenas de terror para a noite. Quando o quarto fica azul era o único momento em que toda a sala de cinema ficava completamente em silêncio.
http://www.parada-ob.blogspot.com/
Eu gostaria de ter visto esse filme na mesma sala de cinema onde as pessoas do trailer assistiram. As cadeiras só podiam estar dando choque. Afinal de contas, esse é um tipo de filme que deixa a pessoa apreensiva, não sobressaltada. Se ainda fosse uma história cheia de sustos...
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