Encontro Explosivo
A carreira do diretor Robert Luketic é irregular. Em seu currículo estão o divertidinho A Verdade Nua e Crua, o interessante Quebrando a Banca e a bomba A Sogra. Seu novo trabalho, Par Perfeito, talvez seja o mais mediano de seus filmes. Entrando na seara de aventura cômica romântica já tentada este ano por Tom Cruise e Cameron Diaz em Encontro Explosivo, Par Perfeito consegue ser mais divertido e apresenta um casal em melhor sintonia. Mas é só.
A trama, escrita a quatro mãos por Ted Griffin (de Dizem Por Aí e Onze Homens e um Segredo) e Bob DeRosa (de Ligados pelo Crime), não é nada genial. Jen Kornefeldt (Katherine Heigl, de A Verdade Nua e Crua) está viajando junto de seus pais pela França após ser dispensada pelo namorado. Lá, conhece o sedutor Spencer Aimes (Ashton Kutcher, de Idas e Vindas do Amor), um homem aparentemente ideal. O romance logo engrena e, pouco tempo depois, os dois já estão casados. O que Jen não sabe é que seu amado marido é, na verdade, um matador profissional. Segundo ele, não um bandido. Apenas uma pessoa contratada para matar pessoas más. A rotina do casal vira de pernas para o ar quando diversos assassinos começam a aparecer tentando dar cabo de Spencer. Agora, Jen precisará aceitar o fato de não conhecer tudo sobre seu marido e ainda escapar das investidas destes perigosos matadores.
O que segura Par Perfeito, o impedindo de ser um grande desastre é a protagonista, Katherine Heigl. A atriz conquista o espectador com sua forma espontânea e levemente desajeitada ao interpretar a solteirona Jen Kornefeldt, principalmente no primeiro ato do filme, que se passa em Nice, na França. O primeiro encontro entre Jen e Spencer gera risadas, assim como boa parte dos acontecimentos desta primeira parte.
Conhecido por papéis cômicos no seriado That 70s Show e em filmes como Cara, Cadê meu Carro? e Jogo de Amor em Las Vegas, Ashton Kutcher está estranhamente contido em uma pretensa comédia romântica aventuresca. O ator deixa sua parceira de tela responsável pelas piadas, ao menos na primeira parte da história. A situação muda no segundo ato, até porque o bom humor dá lugar a uma trama sem pé nem cabeça envolvendo assassinos contratados. O clima de comédia romântica é substituído por uma aventura pouco inspirada. Paradoxalmente, é neste momento que Ashton Kutcher parece se soltar mais. Mas até que o ator se decida pela comédia, o espectador já está entediado com diversas cenas que apenas são uma repetição da anterior. Ou seja, algum conhecido ou amigo do casal tentando matá-los.
Ao menos, temos o prazer de rever Tom Selleck (o eterno Magnum) e nos divertirmos com as sandices alcoólicas de Catherine O’Hara (de Por Uma Vida Melhor), que vivem os pais de Jen. Selleck dá respeitabilidade e um estilo quadradão para o senhor Kronefeldt, enquanto que O’Hara é exatamente o contrário: a boquirrota e nada centrada mãe de família.
Como já mencionado, Par Perfeito é tão irregular quanto a carreira do seu diretor, Robert Luketic, mas ao menos é curto. Diverte em alguns momentos, perde o ritmo e engasga a partir do segundo ato, mas não é de todo o ruim. As belas tomadas filmadas em Nice já valem parte do ingresso. Somadas ao simpático elenco, acabam compensando o aluguel do DVD em um futuro nada distante.
Par Perfeito (Killers)
Dir.: Robert Luketic
Com Katherine Heigl, Ashton Kutcher, Tom Selleck, Catherine O’Hara, Katheryn Winnick, Rob Riggle
Cotação Paradoxo: Vale 50% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Par Perfeito:
Par Perfeito
Karatê Kid
Jacket on, Jacket Off
Foi com certa surpresa que saí da sessão de Karatê Kid totalmente satisfeito com o que havia visto naqueles 140 minutos de projeção. Não esperava muito deste remake por diversas razões. A primeira, e mais importante, é que nunca levei o filme original muito em conta. Apesar de entender o quanto Karatê Kid – A Hora da Verdade é adorado por uma legião de fãs, nunca me inclui nesta parcela de cinéfilos que vibravam com as aventuras de Daniel San. Acredito que o grande acerto desta nova versão foi tentar afastar-se ao máximo do filme original – mantendo, obviamente, a espinha dorsal da história. Desta forma, a nova produção respeita o trabalho de Ralph Macchio e Pat Morita, e cria para si um universo próprio.
No roteiro, assinado por Christopher Murphey (de No Limite do Silêncio), baseado na história original de Robert Mark Kamen, o jovem Dre Parker (Jaden Smith, de O Dia em que a Terra Parou) muda-se para a China junto de sua mãe, Sherry (Taraji P. Henson, de Uma Noite Fora de Série). O menino não gosta da idéia da mudança, mas começa a aceitá-la quando conhece Meying (a estreante Wenwen Han), uma estudiosa menina, prodígio na música. O problema desta aproximação é que os amigos de Meying não gostam do “forasteiro”, o que acaba trazendo animosidades para a vida de Dre. Sofrendo bullying na rua e dentro do colégio, o garoto começa a detestar cada vez mais sua vida na China. Até que, ao conhecer o zelador do seu prédio, o pacato senhor Han (Jackie Chan, de Missão Quase Impossível), Dre descobre que a saída para seus problemas pode estar nas artes marciais, mais precisamente, no kung fu.
Por mais estranho que possa parecer, Karatê Kid não tem karatê. Quando o filme estava em gestação, foi cogitada a troca do nome para Kung Fu Kid. Mas os produtores (dentre eles, Will Smith e Jada Pinket Smith, pais do protagonista) decidiram que não deveriam perder a forte marca da produção original.
Karatê Kid é válido por muitos pontos. Em primeiro lugar, pode ser a nova grande virada na carreira de Jackie Chan em Hollywood. Desde que o astro chinês estreou na Meca do cinema, seus personagens sempre tiveram as mesmas características: são hábeis nas artes marciais, puros de coração e cômicos de uma forma desajeitada. Em Karatê Kid, Chan pode mostrar uma faceta pouco vista: seu lado dramático. O senhor Han tem um passado nebuloso, que nos é mostrado aos poucos pela narrativa. O ator chinês consegue emocionar o espectador com momentos pungentes, além de poder mostrar um pouco dos seus populares golpes acrobáticos.
Jackie Chan protagoniza uma das cenas físicas mais interessantes, quando o senhor Han consegue neutralizar um grupo raivoso de jovens sem precisar bater em nenhum deles. Uma cena que funciona muito bem, plasticamente, e que diz algo sobre a personalidade do senhor Han, o futuro mestre de Dre.
Por falar no protagonista, Jaden Smith prova que o talento é realmente hereditário. Impressiona a forma com que o garoto está à vontade no papel central do longa-metragem. Inclusive, é notável que o menino puxou o pai até na forma de soltar suas frases de efeito e piadinhas. É difícil não enxergar Will Smith em Jaden. O garoto tem tudo para ir muito longe com sua carreira, desde que consiga escolher bons papéis – o que não aconteceu em O Dia em que a Terra Parou, por exemplo.
A grande força de Karatê Kid está na relação entre Dre e o senhor Han, mas é claro que o filme ainda guarda espaço para cenas de luta engenhosas, lições de vida e de moral e um singelo romance entre Dre e a chinesinha Meying. Tudo muito bem orquestrado pelo diretor holandês Harald Zwart, que havia assinado o terrível A Pantera Cor de Rosa 2.
Os 140 minutos de duração podem assustar um pouco, mas passam voando. Parecia exagero tantos minutos para contar uma história tão simples. Mas a narrativa dá tempo ao tempo, para que conheçamos os personagens, para que entendamos suas jornadas, até que tudo aconteça. Em suma, Karatê Kid é um filme redondinho que tem tudo para agradar os fãs do gênero.
Karatê Kid (The Karate Kid)
Dir.: Harald Zwart
Com Jaden Smith, Jackie Chan, Taraji P. Henson, Wenwen Han
Cotação Paradoxo: Vale 80% do ingresso
Assista logo abaixo ao trailer de Karatê Kid:
segunda-feira, 30 de agosto de 2010 | Postado por Rodrigo de Oliveira às 21:16 0 comentários
Marcadores: Aventura, Crítica, Harald Zwart, Jackie Chan, Jaden Smith, Taraji P. Henson
Um Doce Olhar
Mel
Quem entra meio sem querer em uma sessão de Um Doce Olhar, filme turco que estreou sem muito barulho nas salas de cinema, pode se surpreender com a forma intimista que o cineasta Semih Kaplanoglu comanda sua história. Vencedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim deste ano e capítulo final de uma trilogia inédita no Brasil, Um Doce Olhar é um passeio pelos olhos ingênuos de Yusuf, um menino calado, imaginativo, com uma forte ligação com o pai.
A idéia da trilogia, segundo Kaplanoglu, iniciou no momento em que escrevia o roteiro de Süt (leite, em português), história que acompanhava o jovem adulto Yusuf. Neste momento, o cineasta pensou no futuro do personagem – que seria contado no primeiro filme da trilogia, Yumurta (ovo) – e no seu passado, que fecharia a trilogia, Bal (mel). No Brasil, a referência ao néctar das abelhas foi trocado por um título que remete ao protagonista infantil, enquanto que os dois outros filmes da trilogia seguem inéditos.
Na trama, conhecemos o pai de Yussuf (Bora Altas), Yakup (Erdal Besikçioglu), um apicultor que se vê obrigado a procurar outro local para cultivar colméias, visto que as suas abelhas, inexplicavelmente, estão desaparecendo. Yakup é o herói de Yussuf, única pessoa com a qual o menino consegue se relacionar, já que não possui uma relação afetiva com a mãe, Zehra (Tülin Özen). O garoto também tem problemas na escola, não conseguindo ler as tarefas em voz alta, virando motivo de chacota dos colegas. Seu grande sonho é receber uma espécie de “estrelinha de bom aluno”, um botom vermelho que o professor entrega para os estudantes mais aplicados. Este sonho de Yusuf logo parece pouco importante quando Yakup não volta para a casa, preocupando o menino e sua mãe.
Kaplanoglu aposta nos efeitos sonoros para transportar o espectador para a história de Yusuf. É possível ouvir cada mínimo elemento em cena com grande detalhe, fato que até incomodou alguns espectadores (houve gente que saiu reclamando do volume alto da sessão, como se fosse culpa da projeção). Esta maximização dos efeitos sonoros e a ausência de música incidental dão uma maior sensação de silêncio. Pode parecer paradoxal, mas não é. Ao ouvirmos em volume alto o barulho das panelas, dos pratos, da maçã cortada, é possível perceber de forma ainda mais destacada a falta de comunicação verbal. Quando na floresta, os sons dos animais, das árvores e do vento dão características soturnas àquele ambiente ainda misterioso para Yusuf.
Além desta preocupação sonora, o cineasta turco capricha em tomadas bucólicas, mostrando o verde, o barro e a pasmaceira da vida no campo. Como não poderia deixar de ser, o ritmo do filme é lento, encaixando com o estilo de vida mostrado no longa-metragem. Existe ainda uma questão onírica no filme, com os sonhos de Yusuf se confundindo com sua realidade, ou vice-versa.
Mas o grande tema de Um Doce Olhar é, realmente, a ótica infantil sobre temas duros como a perda, o ciúme e a incomunicabilidade. O filme problematiza as cicatrizes por que passa um menino que, em tenra idade, vê seu pai desaparecer de seu convívio. Esta ausência, no entanto, acaba abrindo uma pequena fresta na relação entre Yusuf e sua mãe. Kaplanoglu é hábil em não dar de mão beijada esta conexão entre os dois. Fosse uma produção hollywoodiana, Yusuf provavelmente cairia nos braços da mãe, chorando, criando outro tipo de relação com ela. Ou seja, mudando completamente de atitude de uma hora para outra. Felizmente, isso não acontece nesta produção turca.
Um Doce Olhar não ganharia metade de seus elogios caso não tivesse um ator mirim fantástico interpretando Yusuf. Bora Altas tem uma incrível capacidade de interpretar apenas com os olhos, característica preponderante para alguém que dá vida a um personagem calado como Yusuf. É possível ler angústia, tristeza, animosidade, carinho e ansiedade nos olhos de Altas, em uma formidável interpretação. Como a trilogia foi filmada de trás para frente, não será possível ver o garotinho continuar no papel em outras histórias. Mas espera-se que, com o Urso de Ouro vencido por este longa-metragem, as outras duas produções da trilogia sejam finalmente lançadas no Brasil. Dependendo de como forem lançados no país, os cinéfilos brasileiros poderão acompanhar a história de Yusuf na ordem cronológica, diferente do pensado pelo diretor Semih Kaplanoglu. Antes isso do que nada.
Um Doce Olhar (Bal)
Dir.: Semih Kaplanoglu
Com Bora Altas, Erdal Besikçioglu, Tülin Özen
Cotação Paradoxo: Vale 89% do ingresso
Confira o trailer de Um Doce Olhar logo abaixo:
quarta-feira, 25 de agosto de 2010 | Postado por Rodrigo de Oliveira às 21:05 0 comentários
Marcadores: Bora Altas, Cinema Turco, Crítica, Drama, Festival de Berlim, Semih Kaplanoglu, Urso de Ouro
O Bem Amado
Sucupira
Que os filmes de Guel Arraes são compostos, basicamente, por atuações exageradas, qualquer pessoa que já assistiu a algum deles sabe. O Auto da Compadecida, Caramuru – A Invenção do Brasil e Lisbela e o Prisioneiro são exemplos do estilo sempre espalhafatoso apresentado pelos atores sob o seu comando. Mesmo assim, ninguém pode negar que estas três obras supracitadas são hilariantes, com histórias muito bem trabalhadas e, em maior ou menor grau, com um espaço cativo no coração do público brasileiro. Algo, no entanto, saiu errado em O Bem Amado. As atuações, em vez de exageradas, estão histéricas. O humor, até então sempre criativo, está calcado basicamente nos neologismos do protagonista, Odorico Paraguaçu. E o ritmo, sempre frenético, não deixa o espectador respirar. Mas os problemas não residem apenas aí. O buraco é muito mais embaixo.
Baseado na obra de Dias Gomes, O Bem Amado tem roteiro escrito por Cláudio Paiva (de A Grande Família – O Filme) e Guel Arraes, uma dupla que teria todas as ferramentas para fazer o público gargalhar. Mas não é o que acontece. Na trama, o pistoleiro Zeca Diabo (José Wilker, de Embarque Imediato) executa o prefeito da cidade de Sucupira, iniciando assim uma disputa acirrada pelo cargo deixado vago. Na briga eleitoral estão Odorico Paraguaçu (Marco Nanini, de Romance), o candidato da situação, e o jornalista de esquerda Wladimir (Tonico Pereira, de Saneamento Básico – O Filme). Odorico consegue a vitória prometendo um cemitério para a cidade, pois, segundo ele, um lugar que não pode enterrar seus mortos não pode ser respeitado pelos vivos. Desviando dinheiro até não poder mais, Odorico consegue colocar seu plano em prática e constrói um lugar para os cidadãos em estado de “defuntice compulsória”. O problema é que nenhum morador de Sucupira faz o favor de morrer para estrear a grande obra da gestão de Odorico Paraguaçu.
A premissa é genial e já rendeu grandes sucessos na televisão, como a novela, em 1973 e o seriado, exibido entre 1980 e 1984, ambas estreladas por Paulo Gracindo, Emiliano Queiroz e Lima Duarte. Mas como qualquer boa história, se mal contada, o resultado não é tão satisfatório. Guel Arraes parece se escorar na popularidade dos personagens Odorico Paraguaçu, Zeca Diabo e as irmãs Cajazeiras, fazendo um trabalho preguiçoso no roteiro do longa-metragem. Como citado anteriormente, as poucas piadas que funcionam são as brincadeiras com a oratória pouco ortodoxa de Odorico. Marco Nanini, um excelente ator e com ótimo timing cômico, tem alguns momentos inspirados, mas, no todo, está um tom acima do recomendado, assim como quase todo o elenco.
O único que se mantém sóbrio e merece elogios por sua performance é José Wilker, que consegue fazer o que parecia impossível: fazer frente à histórica atuação de Lima Duarte no papel. Mais soturno, apesar de ainda ser bastante ingênuo, o Zeca Diabo de Wilker é o que de melhor O Bem Amado oferece. É uma lástima que apareça tão pouco.
As irmãs Cajazeiras, defendidas por Andrea Beltrão (de Salve Geral!), Zezé Polessa (de Caixa Dois) e Drica Moraes (de Os Normais 2), foram transformadas de beatas para peruas, com os já citados exageros nas performances. O bom Mattheus Nachtergaele (de Baixio das Bestas) parece pouco confortável na pele de Dirceu Borboleta, enquanto que Caio Blat (de As Melhores Coisas do Mundo) e Maria Flor (de Chega de Saudade) protagonizam o romance mais insosso e sem sentido da história da retomada do cinema brasileiro. Eles se conhecem, dois minutos depois já se amam, cinco minutos depois estão separados e, logo mais tarde, são totalmente esquecidos por, pelo menos, meia hora. Uma falha gritante do roteiro, que parece ter incluído um romance apenas por obrigação, não por haver alguma função dentro da história.
Se Marco Nanini não é o ator infalível de outrora em sua performance como Odorico Paraguaçu, ao menos, alguns de seus diálogos engraçados salvam O Bem Amado do fracasso como comédia. O ritmo frenético dos acontecimentos, atrelado às cores berrantes dos figurinos, transforma o longa-metragem em um carnaval de onde pouco se reconhece o texto fino de Dias Gomes. Para piorar a situação, o paralelismo entre a política de Sucupira e os políticos do “mundo real” é dada de bandeja para o espectador, sem nenhum tipo de metáfora ou alegoria, em uma narração descritiva apresentando correlações entre o período anterior à ditadura militar e o arremedo de política que existe em Sucupira.
Por esta falta de tato, O Bem Amado acaba sendo o trabalho mais fraco da até então excelente filmografia de Guel Arraes. Ao lado de Jorge Furtado, Arraes é um dos diretores nos quais sempre se podia confiar quando o assunto em questão são comédias brasileiras com conteúdo. O Bem Amado pode não macular totalmente esta distinção, mas decepciona, deixando aquela impressão que poderia ser muito melhor levando-se em conta os talentos envolvidos.
O Bem Amado
Dir.: Guel Arraes
Com Marco Nanini, Matheus Nachtergaele, Andrea Beltrão, Drica Moraes, Zezé Polessa, Tonico Pereira, Caio Blat, Maria Flor e José Wilker
Cotação Paradoxo: Vale 48% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de O Bem Amado:
terça-feira, 24 de agosto de 2010 | Postado por Rodrigo de Oliveira às 20:50 0 comentários
Marcadores: Andrea Beltrão, Caio Blat, Cinema Brasileiro, Comédia, Crítica, Drica Moraes, Guel Arraes, José Wilker, Marco Nanini, Maria Flor, Matheus Nachtergaele, Tonico Pereira, Zezé Polessa
O Último Mestre do Ar
O Outro Avatar
O Último Mestre do Ar está longe de ser a bomba que tantos anunciavam. É verdade que minhas expectativas para o filme eram baixíssimas e nunca assisti a nenhum episódio do desenho animado que deu origem ao longa-metragem. Talvez, até por isso, a experiência de assistir ao filme de M. Night Shyamalan não tenha sido de todo mal. Notadamente, o diretor peca em muitos quesitos e entrega um trabalho bem abaixo de seus ótimos primeiros filmes: O Sexto Sentido, Corpo Fechado e Sinais. Mas, para uma história voltada para o público infanto-juvenil, ela prende a atenção o suficiente.
Com roteiro assinado por Shyamalan, O Último Mestre do Ar é baseado no desenho Avatar (nenhuma semelhança com o blockbuster de James Cameron e seus seres azuis), criado por Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko. A história do filme acompanha os acontecimentos da primeira das três temporadas da animação. Aang (o estreante Noah Ringer) é o personagem título, a última pessoa que consegue dominar o ar. Mas esta não é sua única distinção. Ele é o Avatar, uma figura que, na teoria, consegue ter o poder sobre os quatro elementos: ar, água, terra e fogo. Ele estava preso dentro de um iceberg, até que uma dominadora de água, Katara (Nicola Peltz, de Harold), e seu irmão Sokka (Jackson Rathbone, de Eclipse) o encontram. Depois de conhecerem o menino, ambos decidem protegê-lo das investidas do príncipe Zuko (Dev Patel, de Quem Quer ser um Milionário?), um dominador do fogo que precisa capturar o Avatar para ser aceito por seu pai, o rei Ozai (Cliff Curtis, de Território Restrito).
É interessante observar que M. Night Shyamalan não abandona suas “marcas registradas”, mesmo tendo mudado de gênero cinematográfico. Em suas histórias de suspense, o cineasta costumava utilizar planos-sequência e enquadramentos diferenciados para contar sua história. Em O Último Mestre do Ar, é possível encontrar estes bons enquadramentos de outrora, assim como alguns planos-sequência em cenas de combate mano a mano, mostrando um extremo cuidado com a coreografia das cenas.
Infelizmente, todo o esmero com as coreografias parece ter substituído o usual cuidado de Shyamalan com seus atores mirins. A ficha corrida do cineasta indiano tem belas performances de Haley Joel Osment em O Sexto Sentido, Spencer Treat Clark em Corpo Fechado e Abigail Breslin em Sinais. Está certo que o talento dos atores mirins ajudou bastante, mas o cineasta certamente teve papel importante no comando dos jovens. O bom trabalho do passado, no entanto, não se repete neste novo filme, já que Noah Ringer e Nicola Peltz estão muito abaixo do esperado em uma produção deste porte. Aang e Katara recitam as falas e em nenhum momento parecem estar realmente pensando no que dirão em seguida. Os diálogos são tão automáticos e as atuações tão fracas que fica difícil uma conexão entre personagens e espectador.
Por outro lado, atores mais experimentados como o ótimo Shaun Toub (de Homem de Ferro) e o competente Cliff Curtis conseguem pesar a balança para o lado da qualidade. Dev Patel, em seu primeiro papel depois do sucesso de Quem Quer Ser um Milionário, constrói um personagem dúbio interessante, apesar de parecer pegar emprestado o figurino de Darth Maul, de Star Wars – Episódio I – A Ameaça Fantasma. Sua principal vontade é provar ao seu pai que é um rapaz corajoso, destemido e que merece vestir as cores do povo do fogo. Para isso, é necessário que ele capture o Avatar antes de seu rival, o comandante Zhao (Aasif Mandvi, de A Proposta). Outra figura conhecida do elenco, Jackson Rathbone, da Saga Crepúsculo, tem momentos tão constrangedores quanto os protagonistas Ringer e Peltz, mas consegue melhorar durante o andamento da história.
Com algumas boas cenas de batalha, mas efeitos especiais limitados e um ritmo capenga, O Último Mestre do Ar ainda consegue entreter, principalmente quando os protagonistas não têm nada a dizer. Ao que parece, existe uma boa história ali, mas que não soube ser contada de forma correta. Para piorar a situação, o filme termina com um grande gancho para uma sequência. Não seria ruim, caso a Paramount, estúdio responsável pelo longa-metragem, estivesse realmente interessada em continuar a pretensa trilogia. Depois da resposta nada entusiasmada do grande público e com as péssimas críticas, é bastante difícil. Confesso que fiquei curioso para saber o resto da trama. Mas, para isso, não se faz necessário outros filmes. Basta colocar as mãos nas temporadas do desenho animado que, ouvi dizer, são bastante superiores ao longa-metragem em live action.
O Último Mestre do Ar (The Last Airbender)
Dir.: M. Night Shyamalan
Com Noah Ringer, Dev Patel, Nicola Peltz, Jackson Rathbone, Shaun Toub, Assif Mandvi, Cliff Curtis
Cotação Paradoxo: Vale 60% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de O Último Mestre do Ar:
segunda-feira, 23 de agosto de 2010 | Postado por Rodrigo de Oliveira às 21:33 2 comentários
Marcadores: Aventura, Cliff Curtis, Crítica, Dev Patel, Jackson Rathbone, M. Night Shyamalan, Nicola Peltz, Noah Ringer, Shaun Toub
O Aprendiz de Feiticeiro
Fantasia
Sem muita criatividade para bolar algo totalmente original, Hollywood tenta buscar em todos os lugares alguma fonte de inspiração. Nesta nova produção Disney, O Aprendiz de Feiticeiro, a origem da idéia veio de um segmento do clássico desenho animado Fantasia, lançado em 1940. Este, por sua vez, havia sido adaptado de uma obra do escritor alemão Goethe. Apesar da falta de originalidade, Aprendiz de Feiticeiro é um programa divertido o suficiente para uma sessão de cinema despreocupada.
Reunindo diretor e ator que fizeram o aventureiro A Lenda do Tesouro Perdido e sua inferior seqüência, Jon Turteltaub e Nicolas Cage, o longa-metragem tem roteiro assinado a dez mãos: Matt Lopez (de A Montanha Enfeitiçada) junto das duplas Lawrence Konner e Mark Rosenthal (de O Sorriso de Mona Lisa) e Doug Miro e Carlo Bernard (de Príncipe da Pérsia). Miro e Bernard, aliás, devem estar com a corda no pescoço na Disney visto que seus dois roteiros não tiveram o sucesso esperado.
Na trama, o feiticeiro Balthazar Blake (Cage) precisa recrutar o jovem Dave (Jay Baruchel, de Trovão Tropical) para ajudá-lo a eliminar a poderosa Morgana (Alice Krige, de Solomon Kane), aprisionada em um receptáculo, prestes a ser libertada pelo também feiticeiro Maxim Horvath (Alfred Molina, de Príncipe da Pérsia). O interesse de Dave não está na magia, e sim na bela amiga Becky Barnes (Teresa Palmer, de Um Faz de Conta que Acontece). Mas ele é o único que pode ajudar Balthazar na empreitada, já que no seu sangue corre o poder do grande Merlin (James A. Stevens, de Sherlock Holmes).
O roteiro de Aprendiz de Feiticeiro está longe de ser uma maravilha, mas tem alguns bons momentos. A idéia de transformar alguns conhecidos pontos de Nova York, como a águia-gárgula do prédio Chrysler ou o touro da Wall Street, em figuras vivas e pulsantes pode não ser original (Os Caça-Fantasmas já fizeram isso com a Estátua da Liberdade em 1989), mas funciona muito bem dentro da trama mágica. A interação entre mestre e aprendiz também é bem trabalhada pelo script, assim como as regras do universo da feitiçaria.
Nicolas Cage parece se divertir como Balthazar Blake, fato que não esconde sua canastrice em boa parte do filme. Melhor sorte tem Jay Baruchel, a verdadeira razão por acompanharmos com interesse O Aprendiz de Feiticeiro. Caprichando em uma performance desajeitada e tímida, Baruchel consegue conquistar o espectador como o garoto comum, apaixonado pela garota aparentemente inatingível. De novo, nada de original, nada nunca visto antes. Mas funciona a contento. Alfred Molina, mesmo no automático, não decepciona como o grande vilão da história. Seu pupilo, Drake Stone (Toby Kebell, de Rocknrolla) é uma boa surpresa. O ator diverte com sua atuação a la rockstar, fazendo rir com sua infalível citação a Star Wars. Enquanto isso, a bela Monica Bellucci (de Baaria) ganha pouco o que fazer, sendo relegada a uma ponta de luxo.
O pequeno resgate do material que deu origem a O Aprendiz de Feiticeiro - a cena na qual o pupilo maneja de forma problemática as vassouras que carregam água – é uma divertida homenagem, buscando inclusive a música original de Fantasia. Obviamente, se vistas lado a lado, a versão live action perde e muito para o clássico estrelado por Mickey Mouse. Mas para um filme de aventura, com alguns bons efeitos especiais, O Aprendiz de Feiticeiro de Jon Turteltaub é um programa válido, que diverte e entretém na medida.
O Aprendiz de Feiticeiro (The Sorcerer’s Apprentice)
Dir.: Jon Turtletaub
Com Nicolas Cage, Jay Baruchel, Alfred Molina, Toby Kebbell, Teresa Palmer, Monica Bellucci
Cotação Paradoxo: Vale 72% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de O Aprendiz de Feiticeiro:
quarta-feira, 18 de agosto de 2010 | Postado por Rodrigo de Oliveira às 19:43 2 comentários
Marcadores: Alfred Molina, Aventura, Crítica, Jay Baruchel, Jon Turtletaub, Monica Bellucci, Nicolas Cage, Toby Kebbell
Os Mercenários
Beber, Lutar, Matar
Quando pirralho, os filmes de ação que passavam na televisão eram sempre diversão garantida. Astros como Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis, Sylvester Stallone e Jean-Claude Van Damme fizeram diversos filmes casca-grossa que ficaram na memória de muita gente da minha idade. E, claro, um dos grandes desejos de qualquer garoto fã de filmes de ação era conferir um filme com toda aquela galera reunida. Muitos anos se passaram, aqueles atores joviais e porradas estão na descendente há tempos. Quer melhor momento para unir forças e chutar traseiros? Está certo que Os Mercenários, novo filme dirigido por Stallone, não consegue trazer todos os astros de ação em uma só produção. Mas tenta. E consegue fazer um espetáculo divertido para os fãs daquelas sessões oitentistas com muitos tiros, sangue, explosões, e a boa e velha violência estilizada de Hollywood.
No roteiro, assinado por Stallone (de Rocky Balboa) e Dave Callahan (de Os Cavaleiros do Apocalipse), um grupo de mercenários é contratado pelo enigmático Mr. Church (Bruce Willis, de Tiras em Apuros) para invadir um país da América Latina e tirar do poder um perigoso ditador (David Zayas, de 16 Quadras). Os amigos Barney Ross (Stallone) e Lee Christmas (Jason Statham, de Adrenalina) decidem conhecer o local antes de entrar em ação e acabam encontrando uma jovem garota, Sandra (Giselle Itié, da novela brasileira Bela, a Feia), como seu contato. Ross se enternece pela situação da moça e decide enfrentar os perigos do país sozinho. Mas seus colegas mercenários não o deixarão a sós nesta jogada.
Além dos citados acima, o elenco conta com diversos astros de ação como Jet Li (de A Múmia 3), Dolph Lundgreen (de Soldado Universal 3: Regeneração), Eric Roberts (de Batman – O Cavaleiro das Trevas), Randy Couture (de Cinturão Vermelho), Steve Austin (de Damage), Terry Crews (do seriado Everybody Hates Chris), Mickey Rourke (de Homem de Ferro 2) e uma pequena, mas eficaz, participação especial de Arnold Schwarzenegger (de O Exterminador do Futuro).
Por incrível que pareça, mesmo com um grande número de nomes no elenco, cada um consegue um tempo para mostrar a que veio. Claro que os principais (Stallone e Statham) ganham mais coisas a fazer e até histórias paralelas. Mas o resto do elenco tem chances de brilhar em pequenas partes, cada um usando o que sabe fazer de melhor. Portanto, Jet Li aparece fazendo suas lutas coreografadas; Steve Austin e Randy Couture, como bons lutadores profissionais, aparecem brigando aos socos; Mickey Rourke tem a chance de ser esquisito e dramático; e Terry Crews consegue explodir alguns vilões com uma arma de destruição barulhenta e devastadora.
Um dos destaques do elenco é o brutamontes Dolph Lundgreen, que ganha um personagem um pouco mais interessante que o resto. Sempre que chamado para a ação, o eterno Ivan Drago de Rocky 4 se mostrou um performer à altura. E se o encontro entre Stallone, Schwarzenegger e Bruce Willis dura menos que uma bala de menta, ao menos é divertido o suficiente para colocar um sorriso na cara de diversos fãs ao redor do mundo.
O roteiro é cheio de clichês do gênero, mas tenta, ao menos, dar uma veia política à história, mostrando o poder dos Estados Unidos dentro de países da América do Sul. Utilizando um país fictício para contar sua história, Stallone faz uma crítica aos ditadores latinos e ao poder que alguns órgãos do governo norte-americano têm dentro destas nações. A mensagem nem sempre consegue chegar ao espectador, é verdade, visto que a real razão de estarem sentados no cinema é para assistir o eterno Rambo matar alguns vilões.
E é isso que eles recebem. Sylvester Stallone prova que ainda consegue estrelar uma produção cheia de testosterona e convidou um ótimo parceiro para dividir a tela: Jason Statham. O britânico já mostrara que tem talento para ser o sucessor dos antigos astros da porrada em filmes como a trilogia Carga Explosiva. Em Os Mercenários, Statham é mortal com uma arma, mas ainda mais perigoso utilizando sua habilidade com as facas. E, sinal dos tempos, é um sujeito de coração mole, já que sofre com o fato de sua namorada (Charisma Carpenter, do seriado Angel) tê-lo trocado por outro. Brutos também amam, afinal de contas.
A ação de Os Mercenários é old school e funciona tal e qual os saudosos filmes oitentistas estrelados pelos então grandes astros de Hollywood. Para quem era fã, o novo longa-metragem de Stallone é um prato cheio. Para quem nunca gostou do gênero, é melhor passar bem longe da sala de cinema. Até porque o barulho é tão alto que, a poucos metros dela, é possível ouvir as explosões e tiros dos mercenários capitaneados por Sylvester Stallone.
Os Mercenários (The Expendables)
Dir.: Sylvester Stallone
Com Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgreen, Eric Roberts, Randy Couture, Steve Austin, David Zayas, Giselle Itié, Charisma Carpenter, Gary Daniels, Terry Crews, Mickey Rourke, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger
Cotação Paradoxo: Vale 75% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Os Mercenários:
segunda-feira, 16 de agosto de 2010 | Postado por Rodrigo de Oliveira às 19:38 2 comentários
Marcadores: Arnold Schwarzenegger, Ação, Bruce Willis, Crítica, Dolph Lundgreen, Eric Roberts, Jason Statham, Jet Li, Mickey Rourke, Randy Couture, Steve Austin, Sylvester Stallone, Terry Crews
Salt
Montanha Russa
Quem é Salt? A pergunta estampada nos cartazes de divulgação do mais recente filme estrelado por Angelina Jolie é tão intrigante quanto o porquê da latinha de tal cerveja ser branca, amarela ou azul calcinha. Calcinha, aliás, é algo que, curiosamente, a agente interpretada pela senhora Brad Pitt não utiliza durante suas aventuras, visto que é a única peça do vestuário que ela atina em usar para vedar uma câmera que a atrapalhava. Sabendo que o roteiro de Salt fora escrito como um veículo de ação para Tom Cruise estrelar, me pergunto se existia uma cena na qual o espião retirava sua cueca para o mesmo fim. Difícil dizer. Se sim, felizmente, Jolie pegou o papel. Mas, divago.
Respondendo objetivamente à pergunta do cartaz: Salt é um mistério... apenas para quem nunca viu a um filme de ação. Todas as reviravoltas da trama podem ser antecipadas pelo espectador horas antes de acontecerem. O grande erro dos produtores de Salt foi tentar criar uma mistura genérica e feminina de Jason Bourne e Ethan Hunt. Do primeiro, Angelina Jolie herda o pensamento rápido e as poucas palavras. A atriz praticamente entra muda e sai calada do longa-metragem. Do segundo, Salt pega emprestadas suas cenas de ação. São muito bem executadas, mas sempre exageradas demais. Um verdadeiro Missão Impossível. Não é a toa que Tom Cruise desistiu do filme, já que seria um perfeito mais do mesmo.
Na trama, assinada por Kurt Wimmer (de Código de Conduta), Evelyn Salt é uma agente da CIA que tem sua honestidade confrontada quando um agente russo, Vassily Orlov (Daniel Olbrychski, de Persona non Grata), a acusa de ser uma espiã russa infiltrada. Seu parceiro de trabalho, Ted Winter (Liev Schreiber, de Aconteceu em Woodstock), não acredita no fato, mas o agente Peabody (Chiwetel Ejiofor, de 2012), decide ir a fundo na historia, detendo a acusada. Clamando por justiça e temendo pela segurança de seu marido Mike (August Diehl, de Bastardos Inglórios), Salt escapa e procura provar sua inocência. Ou isso, ou a agente da CIA é realmente uma espiã russa que pretende dar cabo de sua missão custe o que custar.
Não é preciso ser muito esperto para adivinhar o que vem a seguir. Ao menos, as cenas de ação são realmente boas e o diretor Phillip Noyce (que já assinou filmes de outro agente, Jack Ryan, em Perigo Real e Imediato e Jogos Patrióticos) mostra que não perdeu a mão. Não seria nada mal acompanhar os malabarismos de Angelina Jolie como Salt se o roteiro não fosse tão manjado e mal estruturado.
Os buracos da trama podem gerar spoilers, portanto pule para o próximo parágrafo caso não tenha conferido Salt. Primeiro: o roteirista Kurt Wimmer quer que o espectador acredite que uma acusação feita por um desertor russo faça com que toda a CIA desconfie de um agente que trabalha há anos na agência. Segundo: quer que suspeitemos se Jolie é ou não uma infiltrada russa, quando sabemos que ela é protagonista de um filme norte-americano e que dificilmente uma reviravolta dessas aconteceria. A Guerra Fria acabou há anos, mas não é hoje que veremos isso acontecer no cinema. Terceiro: com poucos personagens na trama, fica difícil criar uma surpresa de cair o queixo quando um deles se torna o vilão da história. Mais manjada que esta virada de roteiro, só a cena em que Angelina Jolie se disfarça com peruca, lente de contato e dentadura para não ser reconhecida. Aliás, com o cabelão solto que Salt ostenta no início do filme, fica difícil acreditar que ela consegue lutar, pular e fazer o diabo que ela faz neste longa-metragem.
Não é desta vez que Angelina Jolie conseguiu encarar um personagem de ação que realmente consiga segurar um filme. E a culpa nem é exclusivamente da atriz. Em Lara Croft: Tomb Raider, Jolie era a intérprete perfeita para a voluptuosa personagem do game. Infelizmente, com roteiro e diretores de segunda, a franquia acabou morrendo com apenas dois filmes. No fraco Sr. e Sra Smith e no bacana O Procurado, Jolie divide a tela durante a ação e consegue um resultado superior. Em Salt, a atriz convence nas cenas de ação, mas não consegue um engajamento com o espectador. Isso porque o clima de pretenso mistério sobre a sua figura acaba fechando qualquer meio de ligação entre personagem e público.
Do elenco do longa, os competentes Liev Schreiber e Chiwetel Ejiofor se salvam por fazerem o feijão com arroz de forma honesta. Com personagens melhores, a tarefa seria bem mais fácil para ambos. Agora é esperar que na certeira continuação de Salt, Wimmer consiga elaborar um roteiro mais interessante e menos derivativo. Já saberemos quem Salt não é. Talvez em um próximo, poderemos ter a honra de saber alguma coisa mais relevante que isso.
Salt
Dir.: Phillip Noyce
Com Angelina Jolie, Liev Schreiber, Chiwetel Ejiofor, Daniel Olbrychski, August Diehl
Cotação Paradoxo: Vale 48% do ingresso
Confira o trailer de Salt logo abaixo:
sexta-feira, 13 de agosto de 2010 | Postado por Rodrigo de Oliveira às 19:56 2 comentários
Marcadores: Angelina Jolie, Ação, Chiwetel Ejiofor, Crítica, Liev Schreiber, Phillip Noyce
Meu Malvado Favorito
Gru
A Pixar, estúdio responsável por filmes como Toy Story, Procurando Nemo e Up – Altas Aventuras, elevou o nível das animações para patamares altíssimos. A Dreamworks não fica muito atrás, apostando em produções com humor mais escrachado como Shrek e Madagascar. Mesmo com este nível alto, a Universal resolveu entrar na parada e apostou em Meu Malvado Favorito como sua estréia no gênero. A resposta da bilheteria não poderia ter sido melhor, ultrapassando e muito seu modesto orçamento de US$ 69 milhões. No entanto, o costume de assistir a produções cheias de emoção e beleza como os da Pixar, ou com piadas hilariantes e até adultas como os da Dreamworks, fez muito mal para a estréia dos diretores Pierre Coffin e Chris Renaud.
Com roteiro da dupla Ken Daurio e Cinco Paul (de Horton e o Mundo dos Quem) e história do estreante Sergio Pablos, Meu Malvado Favorito conta a história de Gru (voz de Steve Carell, de Uma Noite Fora de Série), um sujeito malvado que faz questão de ser o maior vilão de todos os tempos. Quando um concorrente, Vetor (Jason Segel, do seriado How I Met your Mother), consegue roubar uma das pirâmides do Egito, Gru percebe que precisa de um plano ainda mais ousado para provar suas qualidades ardilosas. Por isso, o vilão resolve fazer um roubo de proporções gigantescas. Seu objetivo: a lua. No seu caminho está Vetor, que lhe roubara um artefato capaz de diminuir qualquer coisa, essencial para os planos de Gru. Por incrível que pareça, a arma secreta para toda essa situação se resolver e o vilão conseguir seus objetivos não é apenas uma, mas três. No caso, um trio de meninas órfãs que espera ansiosa por alguém que as adote.
Meu Malvado Favorito só não é totalmente descartável por apresentar personagens adoráveis, que facilmente caem no gosto do grande público. É o caso das três meninas que acabam se tornando a pedra no sapato de Gru na tentativa de se tornar um grande vilão. O próprio Gru também funciona bem, sendo retratado não como um sujeito apenas mal, mas como uma pessoa que sofreu na infância com uma mãe nada compreensiva (com voz de Julie Andrews, de Mary Poppins). Steve Carell parece defender bem o personagem, se levarmos em conta os trailers e featurettes disponíveis no You Tube (e que podem ser conferidos no rodapé desta crítica). O que não é o caso da nossa pobre versão brasileira.
Leandro Hassum, humorista do Zorra Total e do programa Os Caras de Pau, é o responsável pela voz do protagonista na versão nacional do filme. Escolhendo um sotaque forte e terrivelmente forçado, a performance de Hassum incomoda bastante, sendo o grande ponto fraco. Uma pena, pois o ator tem carisma e fez um excelente trabalho em Bolt, como o ramster Rhino. Aqui, no entanto, a presença de Hassum e não de um dublador profissional pesou demais no resultado final. É verdade que Carell também escolheu dar um sotaque estranho para Gru, mas nem perto do irritante acento do ator brasileiro. Seu colega de humorísticos, Marcius Melhem, interpreta Vetor e consegue um resultado sensivelmente melhor. Talvez pelo fato de usar seu próprio tom de voz e até certos cacoetes conhecidos dos seus espectadores. Dito isso, é possível que a versão original consiga ser um pouco superior à dublada em português que está sendo exibida nos cinemas. Mas muito pouco.
Até porque, os problemas do roteiro são diversos para serem consertados com apenas uma excelente atuação de Steve Carell (que é ótimo, mas não é mágico). A mudança de característica do protagonista, de um possível grande vilão para um pai adotivo preocupado, é esquemática e mostra como os personagens são movidos mais por forças do roteiro do que por motivações naturais. É óbvio que Gru nunca fora uma figura muito perigosa e que sua “fama de mal” era totalmente fabricada por ele, mas a queda de suas defesas com as três meninas parece tão artificial que soa falsa, portanto, falha. Mesmo sendo um filme voltado para crianças – diferente dos filmes família da Pixar – este cuidado com a história e o seu desenrolar é obrigatório, seja qual for o público alvo.
Não assisti ao filme em 3D, mas acredito não ter perdido muito. Uma cena que deve ser mais emocionante com a projeção em três dimensões é a montanha-russa. Mas ela é tão bem realizada em 2D que não senti falta. O design do longa-metragem, aliás, é digno de nota. Algumas boas idéias da equipe da direção de arte, principalmente na casa do Vetor, conseguem agregar alguma comicidade a um roteiro pouco inspirado neste quesito.
Apostando em piadas fáceis com personagens amarelos chamados Minions, que aparecem apenas para tentar fazer rir com suas pequenas bobagens, Meu Malvado Favorito não cumpre a diversão que promete. Pode ter feito rios de dinheiro para Universal, mas é capenga narrativamente, carecendo de muito mais originalidade por parte de seus roteiristas. O final, com uma manjada aparição de música dos Bee Gees, apenas atesta o fato de que a criatividade não foi a tônica do trabalho. Tirando algumas raras piadas e as personagens fofinhas e adoráveis, esta animação não tem muito mais a oferecer.
Meu Malvado Favorito (Despicable Me)
Dir.: Pierre Coffin e Chris Renaud
Com as vozes originais de Steve Carell, Jason Segel, Russell Brand, Julie Andrews, Will Arnett
Com as vozes dubladas em português por Leandro Hassum, Marcius Melhem, Márcio Simões
Cotação Paradoxo: Vale 53% do ingresso
Confira logo abaixo o trailer de Meu Malvado Favorito:
Confira um featurette com Steve Carell apresentando seu novo filme:
terça-feira, 10 de agosto de 2010 | Postado por Rodrigo de Oliveira às 19:51 0 comentários
Marcadores: Animação, Chris Renaud, Crítica, Jason Segel, Julie Andrews, Pierre Coffin, Russell Brand, Steve Carell
Uma Noite em 67
Viola para Cantar
“Alegria, Alegria”, “Roda Viva”, “Domingo no Parque”, “Ponteio”. Hoje, estas músicas fazem parte do cânone da Música Popular Brasileira, reverenciadas como grandes clássicos do cancioneiro nacional. Mas em 1967, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e Edu Lobo, respectivamente, intérpretes e autores das músicas acima, estavam apenas em início de carreira, com todo um chão pela frente, e acabaram se enfrentando nos populares festivais de música de então.
Uma Noite em 67, documentário assinado pelo publicitário Renato Terra e pelo jornalista Ricardo Calil, retrata a final do 3º Festival de Música Popular da Record, que ocorreu em outubro de 1967. Entre os momentos marcantes desta edição do concurso, o músico Sérgio Ricardo e sua histórica perda de paciência para com o público, que o vaiava ao tentar cantar sua composição “Beto Bom de Bola”. A consagração de Elis Regina como a melhor intérprete, com a canção “O Cantador”. E, claro, o polêmico uso de guitarras elétricas por parte de Caetano Veloso e Gilberto Gil, momentos antes da eclosão da Tropicália.
Excetuando-se Elis Regina, que inexplicavelmente não é citada no documentário e apenas aparece como trilha sonora para os créditos finais, tudo o mais está presente em Uma Noite em 67. Terra e Calil firmaram uma parceria com a Rede Record, detentora das imagens do festival, e tiveram acesso irrestrito ao rico material capturado naquele show histórico. Portanto, o filme da dupla já inicia com o pé direito. Não há como errar a mão quando se tem a chance de contar a história das primeiras exibições públicas de canções que se tornariam praticamente um patrimônio nacional.
Além de privilegiarem as imagens de arquivo, que surpreendem ao mostrar um público bastante participativo e até ofensivo em alguns momentos, Renato Terra e Ricardo Calil procuraram os artistas que protagonizaram o Festival da Record para depoimentos inéditos sobre aquela noite de 67. Portanto, assistimos ao controverso Sérgio Ricardo relembrando o momento em que, irado, quebrara seu violão e atirara em cima do público. Sem arrependimentos, o músico apenas pondera que se fosse hoje, sua atitude não seria a mesma. “Até porque eu toco piano”, brincou.
Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e até Roberto Carlos dão depoimentos sobre aquele festival. O rei, inclusive, fora vaiado naquele dia – uma das poucas vezes que isso deve ter acontecido, certamente. O que parece bastante claro em todas as entrevistas é que a saudade daquele festival está muito mais viva no público do que nos músicos que nele participaram. Qualquer um que seja apreciador de música brasileira entende que aquele festival foi paradigmático. Mas os protagonistas da história apenas lembram-se dele como um evento realmente bombástico (em relação à platéia, ensandecida) e como apenas um trampolim para seus trabalhos.
Chico Buarque comenta, por exemplo, que só relembra do festival porque está sendo entrevistado. De outra forma, não costuma pensar naquele evento. Caetano Veloso parece ser ainda menos saudoso, visto que relembra sua “Alegria, Alegria” como uma canção boa, mas não sua preferida, ou que melhor represente seu trabalho. No entanto, o público ainda pede a música, que é executada em alguns shows do baiano. Já Gilberto Gil, como de praxe, divaga.
A estrutura de Uma Noite em 67 é bastante trivial e não apresenta nenhuma inovação, mas é coerente com o material apresentado, fluindo de forma prazerosa. A narrativa é costurada com as cinco músicas melhores colocadas naquele festival, com entrevistas da época e depoimentos inéditos. Faltou explicar melhor como funcionava o Festival, já que somos apenas apresentados à final do programa. Também poderiam dar algum espaço, mesmo que pequeno e apenas por curiosidade, para artistas que ficaram esquecidos com o tempo. E em época de ebulição política, em plena Ditadura Militar, o assunto é apenas tangenciado. Como o filme é curto, com 85 minutos, era possível dar uma esticadinha sem prejuízos e incluir um pouco mais de conteúdo.
Se faltam alguns pequenos pontos, não faltam momentos de pura magia musical. Caetano Veloso cantando “Alegria, Alegria” para uma platéia instável e revertendo as vaias em aplausos é um dos trechos inesquecíveis do Festival e, agora, do filme. Assim como a execução histórica de “Domingo no Parque”, trazendo Gil e os Mutantes em uma performance condizente com a genial letra da canção. E se Chico Buarque emociona ao defender sua “Roda Viva” ao lado do MPB-4, com uma canção beirando a perfeição, Edu Lobo e Marília Medalha estão igualmente cativantes com sua performance divertida e visivelmente nervosa de “Ponteio”.
Uma Noite em 67 é recomendado para todos que gostam de boa música nacional e não necessariamente para as pessoas que viveram a época e gostariam de relembrar os belíssimos festivais de música. Elas, claro, irão se emocionar com as imagens da época. Mas o documentário consegue tocar até mesmo os mais jovens, que se não conhecem, passam a entender o poder que nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Edu Lobo, Roberto Carlos e Gilberto Gil tem até hoje no universo da MPB. E, provavelmente sairão da sessão cantando algum trecho de sua canção preferida.
Uma Noite em 67
Dir.: Renato Terra e Ricardo Calil
Cotação Paradoxo: Vale 90% do ingresso
Confira o trailer de Uma Noite em 67 logo abaixo:
segunda-feira, 9 de agosto de 2010 | Postado por Rodrigo de Oliveira às 19:11 0 comentários
Marcadores: Caetano Veloso, Chico Buarque, Cinema Brasileiro, Crítica, Documentário, Edu Lobo, Gilberto Gil, Renato Terra, Ricardo Calil, Roberto Carlos